“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes e encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção.”
(Goethe)
O encontro de planejamento 2025, do Instituto Fonte, aconteceu entre os dias 10 e 13 de fevereiro em Tamandaré, Pernambuco. Foram quatro dias de imersão, regados a conversas estratégicas sobre identidade e gestão. Estiveram reunidas as consultoras Denise Castro, Flora Lovato, Helena Rondon, Ju da Paz, Saritta Falcão Brito e Suzany Costa.
O encontro contou com a delicada facilitação de Dalva Correia e Pedro Pereira.
“Vimos a nossa linha do tempo, construímos um ambiente de perguntas e movemos o corpo em busca de maior consciência e compreensão da nossa potência e direção”.
Durante este período, também foi empossada a nova diretoria 2025-27, composta por Suzany Costa, na presidência, Saritta Falcão Brito, na diretoria administrativa-financeira e Juliana da Paz, na diretoria de Programas e Projetos.
Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos. Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.
O ano de 2024 proporcionou descobertas valiosas para o Instituto Fonte.
E, para este final de ano, tentamos olhar para esses aprendizados e trazer um pouco daquilo que nasceu em nós a partir de nossa prática, assim como nos ensina a simbologia do Natal, e que gostaríamos de compartilhar com o mundo.
O conjunto dessas reflexões forma um mosaico de vivências, sentimentos e reflexões que queremos presentes em 2025.
Agradecemos a luminosidade das relações e situações que tanto nos inspiraram na elaboração de um presente de Ano Novo para vocês, pessoas e organizações com quem seguimos, lado a lado.
E para você, “o que nasceu na sua prática neste ano de 2024 que gostaria de manter e compartilhar com o mundo em 2025?”
Obrigada a cada peça deste mosaico de nascimentos e aprendizados!
Participe de uma vivência online gratuita com Allan Kaplan e Sue Davidoff, diretamente da África do Sul! Essa experiência abordará transformação social e participação consciente.
🌍 Kaplan e Davidoff, autores de “Artistas do Invisível” e “O Ativismo Delicado”, são referência internacional em processos de facilitação e docentes da pós-graduação em Facilitação de Processos da FRS.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Sobre a pós-graduação
A Pós-graduação em Facilitação de Processos é orientada para pessoas que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Pessoas que se sentem responsáveis por promover mudanças no contexto em que atuam;
Profissionais que atuam com desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento social, tais como educadores, psicólogos, assistentes sociais, consultores, coaches e profissionais liberais;
Profissionais vinculados a organizações sociais, governos e administração pública, institutos, fundações e escolas;
Profissionais autônomos que atuam conduzindo grupos, facilitando processos, tanto individuais quanto coletivos.
Para saber mais sobre a pós-graduação e fazer sua inscrição, acesse:
Se você deseja se desenvolver como facilitador ou facilitadora de processos e promover mudanças significativas no contexto social , educacional ou organizacional, já é possível se inscrever, até 06/12, para a pós-graduação em Facilitação de processos à luz da prática social reflexiva.
Esta pós-graduação entende facilitação de processos como uma postura ou atitude de curiosidade e busca, colocada em prática com a intenção de apoiar um grupo ou pessoa a construir uma imagem sobre o que está vivendo, a ampliar sua compreensão e consciência sobre sua situação e a realizar os movimentos intrínsecos e necessários para a transformar.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Objetivos do curso
Desenvolver a capacidade de construir relações conscientes e coerentes entre o pensamento e a ação;
Planejar e intervir com um percepção refinada de si e do contexto;
Aprender a aplicar a pesquisa-ação para o desenvolvimento contínuo de pessoas, organizações e comunicades;
Facilitar processos de forma sensível e adaptada a cada situação.
Busca que os participantes desenvolvam capacidades de perceber (ler) e intervir (facilitar) processos sociais (social, educacional, ambiental etc.) a partir de um olhar vivo e atento ao que emerge em cada situação e momento, que é sempre único, distinto e em constante transformação.
Disciplinas
Leitura e facilitação de processos vivos
Essa disciplina busca desenvolver habilidades de ler (atenção e observação), de atribuir sentido (reflexão e compreensão) e de intervir (facilitação) em processos sociais compreendidos como vivos, dinâmicos e complexos – tais como pessoas, grupos, iniciativas e/ou organizações.
Investigará a maneira pela qual tais processos desenvolvem suas formas, fluxos e práticas, estudando ideias como mudança, morfologia e metamorfose, além de apreciar o que possibilita e o que impede movimentos de transformação e desenvolvimento.
Também aprofundará a compreensão sobre a realidade do mundo atual e do Brasil, identificando relações entre o contexto e a situação específica – ou entre parte e todo -, assim como as formas de intervenção social predominantes na atualidade.
Explorará a relação entre a teoria e a prática da facilitação de processos, trazendo pressupostos básicos, fundamentos e princípios da facilitação e contribuirá para que os participantes ampliem sua capacidade de facilitar processos de intervenção e mudanças. A “Pesquisa-ação” será a principal metodologia para aprimoramento da intervenção e investigação da prática de facilitação.
O Desenvolvimento do Eu na Prática Social
Tornar-se um facilitador, cuja prática social é reflexiva, significa observar rigorosamente seu fazer, buscando aprimorá-lo sistematicamente ao mesmo tempo em que se autodesenvolve. Os participantes devem ser capazes de reconhecer suas características pessoais e como elas impactam as situações sociais nas quais estão intervindo. A leitura de si e a autorreflexão compartilhados são aspectos fundamentais a serem exercitados ao longo desse programa.
Esta disciplina contribui para que os alunos compreendam e experimentem abordagens para trabalhar a autoconsciência crítica e o autodesenvolvimento, tais como a biografia humana, o olhar para habilidades sociais e uma compreensão holística do ser humano – individual e em sociedade.
Modos de ver o mundo e o pensar vivo
Nesta disciplina se pretende discutir como o sujeito é elemento de percepção do mundo e como diferentes modos de pensar (analítico, complexo, orgânico) marcam a interação entre sujeito e objeto. Para isso, serão estudados temas e leis que orientam o pensamento embasado pela inteligência da vida (dos organismos vivos). Também serão abordadas as origens das diferentes vertentes da fenomenologia e as especificidades em particular do pensamento desenvolvido por Goethe. Os alunos exercitarão o desenvolvimento das habilidades necessárias para compreender as ideias que compõem o pensamento de Goethe e poderão observar de que maneira as diferentes formas de pensar influenciam a situação e definem as escolhas feitas na facilitação.
Metodologia de ensino
Essa formação baseia-se na metodologia da aprendizagem pela experiência e na Prática Social Reflexiva. Ambas propõem a integração entre a prática, a reflexão e a autopercepção no processo de aprendizagem.
Todo o conteúdo dessa formação será trabalhado a partir de:
exercícios práticos,
contribuições teóricas,
trabalhos em grupo,
trabalhos individuais,
leituras,
projeto de pesquisa e intervenção no campo de atuação do participante,
trabalhos escritos com tutoria,
compartilhamento de experiências profissionais e pessoais dos participantes referentes aos temas trabalhados
exercícios de facilitação de processos durante o programa.
Público
Esta pós-graduação é orientada principalmente para pessoas com idade superior a 28 anos, que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Pessoas que se sentem responsáveis por promover mudanças no contexto em que atuam;
Profissionais que atuam com desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento social, tais como educadores, psicólogos, assistentes sociais, consultores, coaches e profissionais liberais;
Profissionais vinculados a organizações sociais, governos e administração pública, institutos, fundações e escolas;
Profissionais autônomos que atuam conduzindo grupos, facilitando processos, tanto individuais quanto coletivos.
Os participantes precisam estar dispostos a compartilhar suas experiências com o grupo, a refletir profundamente sobre si e sobre sua prática, e devem estar preparados para exercitar o aprendizado na formação a partir dos exercícios e tarefas inter-módulos.
Perfil do egresso
Ao final do curso, os participantes terão aprimorando suas habilidades de facilitação à luz da prática social reflexiva, que na perspectiva desta formação significam:
as habilidades de observar, ler, compreender, atribuir sentido e intervir em processos sociais dinâmicos e complexos;
a habilidade de fazer da sua prática profissional um campo de pesquisa aplicada com base na aprendizagem e aprimoramento contínuo a partir da observação e reflexão;
a compreensão sobre a fenomenologia de Goethe e processos vivos e sua relação com a prática social;
uma sensibilidade baseada em um estado de presença que permite se relacionar com as situações como se apresentam no momento, desenvolvendo a flexibilidade no observar, pensar e agir;
uma intuição rigorosa e disciplinada que permite lidar criativamente com o desdobramento das situações em que estão envolvidos.
Pré-requisitos
Idade mínima de 28 anos completos (serão avaliadas exceções)
Graduação completa
Local, formato e calendário
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Serão oferecidas 35 vagas.
A abertura de turma está condicionada ao preenchimento do número mínimo de 28 participantes matriculados.
O curso será realizado em 24 meses, de janeiro de 2025 a dezembro de 2026, em formato semipresencial, com aulas presenciais e aulas remotas, com a seguinte estrutura:
6 encontros presenciais em imersão de 5 dias cada, de quarta a domingo, início quarta às 09h e término domingo às 15h
6 encontros online ou híbrido de 3 dias parciais de sexta, sábado e domingo, das 08h às 13:30 horas
6 encontros online ou híbrido de 2h30 às segundas-feiras, das 19h às 21h30 horas
1 encontro de encerramento online ou híbrido 07/12/2025, das 19h às 21h30.
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Para saber mais sobre a pós-graduação e fazer sua inscrição, acesse:
Mais que uma versão brasileira impressa, está nascendo uma versão revisitada inédita da obra “Ativismo Delicado: Uma abordagem radical para mudanças”, de Allan Kaplan e Sue Davidoff.
Tudo aconteceu a partir de um convite da Escola Schumacher Brasil aos autores Allan Kaplan e Sue Davidoff para revisitar e republicar o texto como livro. O Ativismo Delicado traz um novo olhar para a forma como liderar mudanças e representa um caminho profundo e sutil de percepção da ação de cada um no mundo, aumentando a capacidade das pessoas de promover e semear transformação.
Os autores escreveram essa nova edição com a contribuição muitos parceiros como a Bambual Editora, a equipe da Parsifal21 e Laura Corrêa, que transformou o manuscrito em uma obra de arte visual. Além desses, existiu uma grande rede de praticantes do Ativismo Delicado que se envolveu com a realização desta obra, como Flora Lovato, Ana Biglione, e Ana Paula P. Chaves Giorgi, responsáveis pela tradução que teve o Instituto Fonte como organização responsável pela disponibilização gratuita do livreto original no Brasil.
O lançamento presencial pretende ser uma noite inspiradora, de conversas e descobertas sobre novas formas de promover mudanças.
O livro já está disponível para compra no site da Bambual Editora! E o lançamento presencial acontecerá na Livraria da Vila! 🌱✨
📅 Data: 26 de junho, quarta-feira 🕖 Horário: 19h 📍 Local: Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, São Paulo
O Instituto Fonte iniciou o ano de 2024 comemorando resultados e refletindo sobre aprendizados trazidos com a experiência do Programa Fonte da Liberdade. A iniciativa é uma jornada de autodescoberta e conhecimento, construído e trilhado por mulheres e lideranças do campo social que enfrentam situações análogas à escravidão moderna e sobre elementos, menos visíveis, do sistema que permitem sua existência e manutenção.
No Brasil, o programa foi realizado por meio da parceria entre Freedom Fund (Fundo da Liberdade, idealizadora da ação), e o Instituto Fonte. Agora, as duas organizações se preparam para realizar, em 2024, a segunda edição, que acontecerá com organizações do Sul e do Sudeste brasileiro. E, para isso, foi necessário refletir sobre o processo vivenciado durante a edição realizada durante 2023, na região Nordeste.
Alguns destaques do primeiro ciclo, levantados pela equipe de consultoras, têm relação com o lugar de aprendizagem que o programa proporcionou. Um deles refere-se ao campo das organizações que atuam contra a escravidão contemporânea. De acordo com Saritta Falcão Britto, uma das facilitadoras das atividades em 2023, foi muito revelador ouvir as situações, os fatos e as histórias que as lideranças vivenciam ou vivenciaram em suas vidas e organizações. “A realidade do trabalho escravo está na sombra. Dialogar com essas lideranças e organizações foi valioso e ampliou nossa compreensão sobre o tema, no sentido de criar lentes para ver uma questão invisível”, explicou.
“O programa auxiliou a perceber meu lugar na instituição, meu lugar no mundo, a importância da minha contribuição para o meu trabalho, as lutas coletivas, mas também valorizar a minha importância, me dar limites e cuidar da minha saúde mental.” (depoimento de participante)
Outro aspecto que desafiou as consultoras foi a perspectiva mais programática de uma ação implementada inicialmente na Índia e que precisou lidar com o contexto e realidade de aprendizagem de outros lugares e públicos, como o Brasil. “Cuidamos para preservar um currículo comum, global, de um programa que agora está chegando ao Nepal, procurando entender o quanto desse formato é universal e o quanto precisamos olhar para as especificidades locais”, abordou Helena Rondon, também facilitadora na Edição Nordeste.
O Fonte da Liberdade reforça uma abordagem voltada para auxiliar as/os participantes na percepção de sua prática enquanto liderança. Muitas dimensões invisíveis, como a história de vida, a estrutura social do patriarcado e da colonialidade (e seu papel central na construção de escravidão moderna), da cultura de classe, do próprio sexismo, marca a construção dessa identidade. E, diante deste fato, tornar visível elementos que estão subjetivos e, muitas vezes, são imperceptíveis é importante para entender como impactam na relação das pessoas, seja na família, na igreja, na escola, nas comunidades ou nas organizações. Para Saritta, “ajudar os participantes a perceberem a relação entre as identidades impostas pelo sistema e os traumas vividos em sua vida, o impacto dessas dinâmicas na reprodução inconsciente de um papel de opressor, vai permitindo que os participantes desconstruam comportamentos e ressignifiquem sua atuação como liderança transformadora”.Nesse sentido, o programa desenvolve uma abordagem de mudança sistêmica, que parte da percepção do modelo mental, das estruturas de poder, das conexões e relações a partir de uma reflexão sobre si e sobre suas formas de liderar.
“Foi forte a ideia de me perceber no lugar da centralização, de querer mandar… Aprendi a delegar funções e ouvir mais. Passei a perceber e querer que outras pessoas possam experimentar o meu lugar. Aprendi que é importantíssimo afirmar e trabalhar isso.” (depoimento de participante)
Relações de parceria: Com relação à parceria, 2023 foi um ano de construções de relações e confiança entre Freedom Fund e Instituto Fonte. “A gente encerra essa primeira edição com um forte reconhecimento do valor do programa e dos limites da relação de parceiro implementador, diferenciando melhor esse papel com o de prestador de serviço”, avalia Saritta. Para ela, existe confiança na capacidade das duas organizações de perceberem acertos e dificuldades para propor mudanças, cocriar o desenho do programa, incorporando elementos da prática social reflexiva e propondo ajustes em sessões específicas com cuidado e transparência no registro desses movimentos pedagógicos do currículo.
Assim, a edição de 2024, que agora acontecerá com organizações do Sul-Sudeste, começa com muitos aprendizados. “A gente chega com mais atenção sobre o que é importante ser cuidado, do que é necessário ser garantido em termos da diversidade da equipe de facilitadores, com clareza dos princípios do programa, como a importância de fortalecer a dimensão individual e das relações no primeiro e segundo residencial, para encorajar conversas sobre poder, representatividade e cooperação entre organizações estabelecidas e marginalizadas que atuam no campo”, sinalizou Helena.
A perspectiva é que a realidade das pessoas migrantes do Sudeste se some a reflexões sobre raça e gênero trazidas pelas participantes da edição Nordeste, ampliando a percepção no campo da escravidão contemporânea no Brasil. “Isso é muito mágico, essa abertura do programa para oferecer aos participantes algo universal sobre mudança de sistema e receber deles conteúdos que emergem da experiência prática por serem lideranças sobreviventes”, finalizou Saritta.
Trabalho escravo moderno ou contemporâneo: Freedom Fund classifica como “escravidão moderna ou contemporânea” situações de trabalho forçado, em regime de servidão e tráfico de pessoas. Ou seja, quando alguém trabalha por pouco ou nenhum salário e não pode recusar ou sair devido a ameaças, violência, coerção, abuso de poder ou engano. São situações de trabalho escravo moderno:
Casamento forçado: doação, controle, ameaças, violência ou exploração extrema em situações de união entre pessoas;
Tráfico humano: recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento por meio de ameaça ou uso da força para fins de exploração;
Piores formas de trabalho infantil: inclui atividades que privam as crianças de sua infância e de seus direitos básicos, prejudicando sua saúde física e mental e dificultando seu desenvolvimento, de acordo com a Convenção da OIT Nº 182, de 1999;
Exploração sexual comercial de crianças e adolescentes: uso, por um adulto, de meninas e meninos em atividades sexuais em troca de dinheiro, em situações de tráfico, turismo sexual infantil e pornografia;
Trabalho forçado ou compulsório: é todo aquele exigido sob a ameaça de uma sanção e para o qual a pessoa não se ofereceu espontaneamente, de acordo com a Convenção da OIT Nº 29, de 1930. Refere-se a situações de coação, com violência ou intimidação, ou à servidão por dívidas, à retenção de documentos ou a ameaças de denúncia às autoridades de imigração.
A mudança necessária é tão profunda que se costuma dizer que ela é impossível. Tão profunda que se costuma dizer que ela é inimaginável. Mas o impossível está por vir. E o inimaginável nos é devido.” (Paul B. Preciado)
Aqui estamos. 2022. Já acostumados com uma rotina híbrida, que tornou-se hábito e passou a constituir quem somos (talvez despercebidamente), vamos reaprendendo asonhar o futuro e voltando a nos encontrar fisicamente com naturalidade. Não épreciso muito esforço para enxergarmos também o aumento da desigualdade social, da distância entre visões de mundo, da concentração de poder e renda, do medo e da falta de confiança, entre tantos outros aspectos que caracterizam esse período “pós-pandêmico”. Nos deparamos com crescentes níveis de controle, polarização einstrumentalização da vida.Qual nosso lugar em meio a essa realidade? Como ser, estar e atuar em um mundo como esse? Como não paralisarmos frente aosentimento de impotência ou, ainda mais importante, como agirmos de modo acontribuir com a transformação desejada e não com o acirramento do que não desejamos mais?
Como nos diz Joanna Macy: “A coisa mais radical que qualquer um de nós pode fazer neste momento é estar inteiramente presente ao que está acontecendo no mundo”.Nesse sentido, um programa que nos ajuda a ler o que acontece a cada momento, acompreender o contexto e as situações de forma a responder a eles adequadamente, e que aprimora nossa habilidade de ver, compreender e participar da realidade de forma acordada e consciente – talvez nunca tenha sido tão necessário. Existemmuitas maneiras de ver e precisamos estar atentos a qual delas estamosescolhendo, trazer pra consciência não só nossa leitura sobre o que está acontecendo, mas também a maneira como temos construído essa leitura, olharpara seus fundamentos, ver além do óbvio.Talvez este programa possa ser nossopróprio ativismo frente ao mundo de hoje, reconhecendo que somos parte de um mundo vivo, ao qual não controlamos mas participamos ativamente na construção.
Com isso em mente e corações, lançamos esta nova edição do Artistas do Invisível.
PRÁTICA SOCIAL REFLEXIVA
Quanto mais observamos e prestamos atenção, mais vemos. Quanto mais vemos, mais compreendemos. E quanto maiscompreendemos, mais podemos permitir que a vida se desenvolta. Quanto mais penetramos em qualquer fenômeno, mais rico esse fenômeno setorna, o ordinário se revela como extraordinário e nosso próprio papel como co-criadores de uma realidade emergente e em desenvolvimentotorna-se mais evidente (e sério e prazeroso).
Uma Prática Social Reflexiva tenta honrar e penetrar no contexto vivo e único de cada situação e responder de acordo. Baseado nopensamento científico de Goethe, é uma formafenomenológica, holística, humana e ecológica de ver, compreender e se relacionar com o mundo. Muito mais do que um método é uma forma de viver, uma forma de estar no mundo.Uma Prática SocialReflexiva tem implicações práticas significativas sobre a maneira como planejamos e refletimos, sobre como nosrelacionamos e agimos em nossa vida cotidiana, especialmente considerando as mudanças sociais e ambientais. Na forma como lidamos com as pessoas nas organizações, na forma como possibilitamos a reflexão e a responsabilização, na formacomo nos estruturamos e nos relacionamos com as responsabilidades. Na forma pelas quaispermitimos que nossas iniciativas e ações evoluam como os organismos vivos, em vez de limitá-las por meio das implicaçõesrestritivas de nossos próprios sistemas e abordagens de gestão.
A prática é manter a consciência aberta.”
DESENHO DO PROGRAMA
O encontro, o “olho no olho”, asconversas em roda, a observação da natureza que nos envolve, a qualidade imersiva e a construção decomunidade constituem aspectos essenciais deste programa: um aprofundamento na prática social reflexiva, essa abordagem que nos convida à consciência como prática e à compreensão dos fenômenos sociais tais como organismos vivos que são. Se você nunca ouviu falar do Artistas, mas este documento chegou até você, aqui estão algumas informações:
ArtistasdoInvisíveléumprogramadesenvolvidopeloInstitutoFontee Proteus Initiative de profundo engajamento com a Prática Social Reflexiva, abordagem de transformação social inspirada no pensamento de Goethe. É voltadoaquemteminteresseemcompreendermaisdaabordagemfenomenológicaapartirdaexploração desuaprópriaprática.Temcomoobjetivo desenvolver em cada um de nós as habilidades e a sensibilidade para nos relacionarmos com o mundo vivo do qual fazemos parte e levar-nos a um diálogocriativocomassituaçõessociais que encontramos.Nãovisando controlar, justificar ou medir, mas sim retratar, antecipar e facilitar.Um programa que nos ajuda a ler significado enquanto participamos da narrativa,a refletir enquanto atuamos no mundo.
Em termos práticos, teremos:
4 imersões presenciais de 6 dias com Ana Biglione, Ana Paula Chaves e Pilar Cunha (2ª à sábado, até às 14h)
2 imersões presenciais de 6 dias com Allan Kaplan, Sue Davidoff, Ana Biglione, Ana Paula Chaves e Pilar Cunha (2ª à sábado, até às 17h). Contudo, a presença de Allan e Sue está sujeita a alterações relacionadas a visto e custos de passagem
Totalizando 6 imersões em 3 anos, uma imersão por semestre.
1 encontro virtual em grupo de 1 dia, com Allan e Sue, ao final do processo
1 encontro virtual em grupo de 1 dia por semestre com Ana, Ana Paula e Pilar, entre as imersões (5 no total)
Totalizando 5 encontros virtuais em 3 anos, um entre cada imersão.
DESENHO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
Cada novo objeto, visto em profundidade, abre em nós um novo órgão de percepção.” (Johann W. von Goethe)
O desenho do processo de aprendizagem deve ser coerente com a prática que pretendemos desenvolver.
TEMAS ENTRELAÇADOS E EM ESPIRAL: O conteúdo doprograma é interconectado – os temas são abordados em uma profundidade crescente à medida em que novos níveis de consciência emergem daexploração. Nenhum tema pode ser compreendido isoladamente.
O COMPROMISSO COM A PRÁTICA ESTÁ NO CENTRO: A atuação dos participantes é campo gerador de uma dinâmica de aprendizagemconectada ao contexto, que mergulha tanto nas questões do mundo quanto da prática individual. O programa não é meramente teórico. A aprendizagem é sempre experiencial e singular, intercalada com a prática dos participantes (e reflexão sobre essaprática), o que exige um real envolvimento consigo mesmo e com os outros, exigindo também algumtempo de dedicação entre as sessões.
MÚLTIPLAS ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM:Vamos experimentar uma série de atividades que exploram o tipo de pensamento presente e nossa consciência sobre ele. Em outras palavras, umprocesso vivo de desenvolvimento de nós mesmospor meio de exercícios que incluem leituras,observação da natureza, conversação, exploração biográfica, meditação, facilitação, estudos de caso, geometria projetiva e exercícios artísticos.
HABILIDADES DESENVOLVIDAS
Neste percurso, abordaremos especificamente o desenvolvimento das seguintes habilidades:
Ver, descrever e retratar– ajudando a revelar a essência dos fenômenos sociais (com que nos relacionamos).
Escrever e articular – e assim nos envolver com os aspectos invisíveis e com a morfologia dos processos vivos.
Exercitar a imaginação fenomenológica, a intuição e a antecipação– de situações e processos de desenvolvimento.
Manter uma consciência aberta e uma atitude facilitadora– que permita que a vida se desenvolva, que o vir-a-ser venha a ser.
O infinito não é medido por distância, é medido por relações.”
COMPROMISSO FINANCEIRO
Os acordos financeiros são parte do engajamento com o programa e serão desenvolvidos e acompanhados por todo o grupo. O custo total desta edição é de aproximadamente R$185 mil/ano (para todo o grupo). Partindo das premissas de que a saúde financeira do programa é de responsabilidade de todos os seus integrantes e de que as capacidades de arcar com o custo ideal do programa são diferentes para cada pessoa, há diferentes tipos de compromisso financeiro possíveis. Individualmente, você deverá se comprometer com parcelas mensais fixas e com contribuições conscientes variáveis – acordadas ao longo do processo – que, coletivamente, viabilizarão o custo real do programa.
Opções de parcelas fixas:
1 parcela de R$1550,00 (inscrição não-reembolsável)+ 36 parcelas de:
R$550 | valor subsidiado ou
R$750 | valor real ou
R$950 ou mais | valor que contribui com outros participantes e com a sustentabilidade geral do programa
Há possibilidade de bolsa parcial (abaixo de R$550/mês), prioritariamente para não-brancos, não-heteros e com deficiências. Não estão incluídos valores com hospedagem e deslocamento dos participantes (que costumam ser da ordem de R$250/300 por dia de imersão). Grupo máximo de 28 pessoas e mínimo de 20.
FACILITAÇÃO E EQUIPE
ALLAN KAPLAN e SUE DAVIDOFF: Fundadores da Proteus Initiative, Allan e Sue são facilitadores, professores, escritores e pioneiros da Prática Social Reflexiva. Com diversos livros publicados (sendo dois deles traduzidos para o português: Artistas do Invisível e O Ativismo Delicado. Seu trabalho é uma tentativa de perceber as consequências da verdadeira participação, da complexidade socioecológica e de uma consciência emergente no campo da transformação social. Eles vêm realizando diversos programas no Brasil e no mundo, entre eles Mestrados Internacionais e Pós-Graduações em Prática Social Reflexiva, em parceria com diversas organizações, tais quais Alanus University, Crossfields Institute, London Metropolitan University e a Faculdade Rudolf Steiner, entre outras.
ANA BIGLIONE: Formada em Adm. de Empresas pela FGV e Master of Arts em Filosofia da Inovação Social – Prática Social Reflexiva, pela Alanus University (Alemanha). Facilitadora e coordenadora de diversos programas de aprendizagem brasileiros relacionados à Prática Social Reflexiva, tais como Artistas do Invisível, Pós-Graduação em Facilitação de Processos (Faculdade Rudolf Steiner), Profides e Ativismo Delicado. Além de processos de aprendizagem, também atua como consultora e facilitadora de processos de desenvolvimento organizacional prioritariamente no campo da filantropia e iniciativas sócio-ambientais, tanto pela Noetá e Philó, quanto em parceria com diversas pessoas e organizações, tais como Proteus Initiative e Instituto Fonte. Esteve em todas as edições deste programa.
PILAR CUNHA: Formada em Geografia pela USP e pelos programas Profides e Aprimora (Instituto Fonte) e Artistas do Invisível (Proteus Initiative e Instituto Fonte). Desenvolveu sua trajetória profissional em organizações da sociedade civil socioambiental brasileira e atua como facilitadora e consultora de processos para iniciativas e organizações sociais, por meio da Prática Social Reflexiva, em temas como planejamento e avaliação. Tem nessa abordagem seu principal campo de estudo e desenvolvimento. Foi co-facilitadora da 9ª edição do Profides, participante da 2a e tradutora da 3ª edição deste programa.
ANA PAULA CHAVES: Bacharel em Letras pela USP, Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Treinamento (EUA) e Doutora em Educação (UNESP). Trabalhou como consultora em desenvolvimento social pelo Instituto Fonte por vários anos, como empreendedora social no campo da educação complementar e como tutora convidada na Pós-Graduação Reflective Social Practice realizada no NE do Brasil pela Proteus Initiative, Crossfields Institute (Londres) e Alanus University (Alemanha). Hoje coordena a Pós-Graduação em Facilitação de Processos realizada em parceria com a Faculdade Rudolf Steiner. Traduziu os livros Artistas do Invisível e Delicado Ativismo. Hoje busca aprimorar sua experiência buscando a integração entre a facilitação de processos, a fenomenologia goetheana e a terapia artística. Foi participante e tradutora da 1ª edição deste programa.
A consultora associada do Instituto Fonte, Saritta Falcão Britto, vai participar, no dia 04 de março de 2021, do V Seminário Regional de formação profissional em meio ambiente e recursos hídricos, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Sua fala vai compor a mesa “Experiências com a Natureza na educação formal e informal”. Saritta vai falar ao lado de Janaína Jatobá, conselheira do Instituto.
Ela é de palavras suficientes. Nem muitas, nem poucas. Suficientes. Também não é fácil cultivar seu sorriso. Ele tem um tempo para surgir, vem aos poucos e pode ser permanentemente controlado com certa facilidade. Sua docilidade não aparece de imediato, mas surge em pequenos gestos de cuidado com o próximo: uma lembrança, um chocolate, um mimo delicado.
Seu nome fala sobre sua essência, Flora, que há 20 anos floresce e faz florescer, junto a uma enorme rede de profissionais do desenvolvimento, o Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social. Nesse dia 17 de maio, data em que essa fonte completa, oficialmente, 20 primaveras, comemoramos com uma logomarca especial e relembrando/projetando a história dessa organização, a partir da voz de quem esteve presente durante todo esse período.
Flora Lovato contou sobre o passado e realizações. Mas também tratou de perspectivas para o futuro organizacional, em um momento ainda difícil para projeções futuras no campo social.
De especial para esse momento, Flora carrega sua voz em sintonia com as de outras quatro mulheres comprometidas com a missão do Instituto Fonte, sua renovação e seu olhar profundo para a prática social reflexiva como proposta de intervenção e aprendizagem.
Vinte anos de parceria entre Flora e Fonte. Vinte anos de Fonte contados por Flora. Vinte anos de Flora contados pelo Fonte.
De onde chego…
Eu chego no Instituto Fonte no fim dos anos 90. O contexto externo era muito propício à inserção das empresas, das iniciativas privadas e fundações no setor social. Havia uma necessidade em aprender a dialogar com as organizações sociais e era comum a indagação, pelo mundo corporativo, sobre a capacidade de gestão das organizações.
A entrada das empresas no setor social traz recursos e vem também atrelada à capacitação das ONGs em sua gestão, e esse foi meu viés profissional naquele momento. Eu trabalhava para que as organizações aprimorassem a sua gestão.
Logo depois, quando o Instituto Fonte se funde com o Instituto Christophorus, tenho contato com uma nova visão de mundo, que olha para as trajetórias das organizações e aponta como maior desafio para elas a compreensão em torno de seu próprio caminho, para que o próximo passo desta trajetória seja dado com assertividade, com correção, com primor. Eu saio de um lugar onde a gestão era o centro e vou para outro no qual a gestão transforma-se em mais uma ferramenta para o desenvolvimento. A partir daí, faço vários cursos e formações para me apropriar desse novo jeito de olhar o mundo e compreender as organizações. E a transformação que eu percebia em mim, assim como nas organizações com as quais eu trabalhava, era muito maior do que aquele que percebia ao trabalhar apenas a partir da qualificação de sua gestão.
20 anos praticando o desenvolvimento de organizações
Nesses 20 anos, o Instituto Fonte realizou muito em consultorias, desenvolveu programas de formação e foi uma organização bem inovadora na abordagem que adotou para seus diferentes campos de atuação.
O Profides: profissão desenvolvimento, que está entrando em sua décima edição, inspirou vários participantes a criarem também iniciativas a partir desse olhar social de desenvolvimento, sobre as organizações e o contexto social.
Preparando atividade do Profides 3, em 2008
Acho que devo falar do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem como um grupo do Nordeste e que carrega a identidade do Profides, com integrantes das edições II, IV e VIII, e que hoje é um coletivo muito sólido capaz inclusive de organizar uma Pós-Graduação sobre a prática social reflexiva, a primeira no Brasil. É um grupo que se forma como desdobramento de um programa do Fonte, de uma prática do Fonte e que permanece unido para praticar, no Nordeste. E é importante diferenciar essa natureza de identidade, do qual emerge também um Fonte no mundo que acontece a partir desses coletivos que surgem livremente. Um Fonte que se viu multiplicado em diversas outras iniciativas.
Então, acho que o Profides e o Artistas do Invisível são programas muito inovadores, que vão servir de semente ou inspiração para outras iniciativas como o Instituto Geração, o Programa Lidera, da Ação Empresarial para a Cidadania, e vários outros projetos.
O Artistas do Invisível consolida um grupo de pessoas aqui no Brasil que vem sendo o que hoje a gente chama de profissional da prática social reflexiva, que cria uma dinâmica, com disciplina e rigor, voltada para seu próprio desenvolvimento como processo para que o mundo e as organizações também possam se transformar. Vale lembrar que a Noetá foi um parceiro importante no desenvolvimento de novas turmas do Artistas e em outras atividades, como na oficina do Ativismo Delicado.
Para ajudar organizações a ajudarem o mundo a mudar, o próprio praticante tem que contribuir com seu próprio desenvolvimento.
Consultorias: prática, aprendizagem e desenvolvimento
Outro ponto muito inovador e inspirador veio das consultorias, realizadas por esse corpo muito sólido de consultores para os mais diversos tipos de organizações, empresas, a ponto de precisarmos expandir o grupo inicial. Em um determinado momento, ganhamos força e presença no campo social e ficou difícil cuidar do tamanho que o Fonte adquiriu e acabamos perdendo vitalidade institucional dentro daquele formato de atuação.
Facilitando reunião de planejamento na Liga Solidaria
Hoje, o grupo de pessoas que está no Fonte são cinco mulheres que têm em comum o fato de terem participado de um programa de pós-graduação dentro da prática social reflexiva e possuem o desejo de continuar fazendo uma diferença significativa no mundo por meio do Fonte.
O Fonte, como organização, precisa ser um esteio. Precisa praticar dentro de si o que ele faz para fora. O que a gente prega para os nossos clientes e para os nossos parceiros também deve viver dentro do Instituto Fonte, como organização.
As publicações sempre tiveram relevância na trajetória do Instituto Fonte. O primeiro grande marco é a Coleção Gestão e Sustentabilidade, um conjunto de livros que fez diferença em um momento em que havia pouca publicação voltada para organizações da sociedade civil ou que tratasse desse tema de forma específica para as ONGs. Alguns livros dessa coleção foram reeditados três vezes. Vários ainda continuam sendo usados como referência, seja no trabalho, seja em pesquisa. O ICE – Instituto de Cidadania Empresarial – que também comemora 20 anos em 2019, foi a organização que acreditou nesse trabalho e apoiou financeiramente sua realização.
O ICE também apoiou o Projeto Gestão, que realizamos na mesma época, com 25 instituições que viveram significativos processos de desenvolvimento, envolvendo desde sua governança até sua comunicação, mobilização de recursos e gestão financeira. O apoio do ICE nessa fase inicial foi crucial para o fortalecimento das ONGs e para a construção do vínculo entre elas e a iniciativa privada que começava a dar passos mais consistentes no campo social. Nossa crença nessa época, e que continua até hoje, é a de que com as publicações podemos alcançar pessoas e grupos que, de outra forma, não teriam acesso a esse conhecimento.
No caminho da construção de processos a partir da “prática social reflexiva”, houve uma parceria que marcou toda nossa história e que começa ainda com o Cristophorus. Nesses 20 anos, construímos muitos diálogos com Allan Kaplan e o Proteus (organização criada e gerida por Allan e Sue Davidoff na África do Sul). A primeira coisa que ele faz conosco é nos ajudar a cuidar do Fonte.
Uma outra coisa foi a inspiração e o apoio que ele nos deu no desenho do Profides, e do Artistas do Invisível, este último a pedido de Marina Magalhães, que era nossa colega de Fonte na época. Com esses programas nossa relação se fortalece e ele se aproxima de outros outros atores aqui no Brasil. Claro que ele caminha com as próprias pernas, mas a gente, de certa forma, vai abrindo canais para outras organizações, outras pessoas dialogarem com Allan e sua teoria.
Esta é uma reunião de planejamento, em 2004, conduzida por Allan
Essa parceria foi crescendo e hoje três grupos de pessoas concluíram o Artistas. Realizamos várias oficinas em diferentes cidades do país e inclusive a série Delicado Ativismo em que Ana Biglione, da Noetá, foi parceira. E mais recentemente realizamos um programa de pós-graduação no Recife a partir da iniciativa do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem, certificado pela Alanus University. As parcerias com o GRA e com a Noetá ainda frutificam e com elas vamos criar outras propostas bem sólidas para o futuro.
Avalio que juntas, essas organizações (Proteus, Fonte, GRA e Noetá) estão batalhando muito para que no Brasil se tenha um corpo de profissionais, praticantes sociais reflexivos, além de estarem ajudando esse corpo a se reconhecer e a se fortalecer.
O Fonte e o agora…
Allan contribuiu muito com toda nossa trajetória e achamos importante contar novamente com ele em 2018. Ele nos fez duas perguntas cruciais: se o Fonte ainda poderia fazer sentido para o mundo e, em fazendo, se haveria um grupo dentre nós que aceitaria colocar energia e empenho em renová-lo.
Entendemos que se a organização fosse continuar ela só valeria continuar se ela fizesse sentido para o mundo, se a gente de fato visse que iríamos fazer algum tipo de diferencial para as organizações e para o campo social. Tudo que a gente quer estar falando pra fora era algo que precisava renascer, uma fogueira que precisaria ser reacendida dentro do próprio Fonte. Teve um trabalho conjunto, como Fonte, de aprendizagem e ter a disciplina em torno dessa prática como central. Tanto no trabalho que a gente faz no mundo, como no trabalho que a gente faz pra dentro do próprio Fonte. Isso significa, primeiro, assim como dizemos pro nosso cliente, vamos observar a sua organização, o que está acontecendo, quais são os fatos, quais são os padrões seguidos ou criados, era necessário que a gente também olhasse pra esses aspectos dentro do Fonte: quais são os sinais da nossa prática? Como podemos cuidar do que parece que está se estagnando? Onde parece que tem vida e como a gente pode cuidar da vida?
Encontro de planejamento do Fonte, em setembro de 2018 na Serrinha após decisão das cinco mulheres.
As cinco mulheres que compõem o Instituto Fonte acreditaram e acreditam nisso. Além de terem participado conjuntamente da Pós-Graduação em Prática Social Reflexiva, partilham a crença de que organizações como o Instituto Fonte foram e continuam sendo relevantes no contexto social, particularmente hoje. Por isso, decidiram renovar a organização, mantendo inclusive alguns de seus programas. O Profides iniciou agora sua décima turma. Em breve, o conhecimento construído em torno dessa prática ao longo destes 20 anos também será disponibilizado com nossa escrita. Será uma publicação autoral, sobre nossas reflexões e aprendizagens e sobre esse jeito de atuar no mundo a partir de nossa própria experiência.
O mundo do Fonte e o mundo
Aqui no Brasil estamos vivendo um momento muito singular. Eu acho que em raros momentos vi tanto acirramento de forças acontecendo, tão baixa capacidade de diálogo, e vi tão pouca capacidade de as pessoas compreenderem o sentido do que elas mesmas estão fazendo e do que está emergindo no país, para o significado deste momento, principalmente em termos de políticas públicas: o que significa um programa como o Escola sem partido, o que significa acabar com o SUS entre tantas outras possíveis perguntas que poderia lançar. Enfim, acho que estamos com pouca capacidade de compreensão e de leitura sobre o sentido de nossas escolhas. E cada vez menos com capacidade de conversar, de dialogar, de ouvir, de se ouvir, de se compreender, e também de compreender o outro. Acho que nesse momento tem muita incompreensão.
Esse contexto mais amplo me diz que organizações como o Fonte, que ajudam outras a construir sentido sobre o que vem fazendo, a refletir e assumir consequências pelas escolhas que vem assumindo, de como seu jeito de pensar afeta e produz coisas no mundo, ainda são necessárias. Sinto que o mundo está dizendo que quem contribui para a criação de sentido e significado tem espaço para atuar no mundo.
Acho que também está sendo dito pelo mundo, pelas organizações, que esse não é o momento de atuação isolada. Não é o momento de se fazer coisas sozinhos, é o momento de se fortalecer nesse espírito de “ninguém solta a mão de ninguém”. A gente quer muito fazer junto a outras pessoas e com outras organizações… e uma dessas, por exemplo, é o Ficas, com quem estamos compartilhando sua casa e com quem estamos desenhando projetos novos. Queremos fazer junto com outras organizações, como Noetá e o GRA, com quem já trabalhamos, mas também com novas. Eu acho que a gente precisa fazer junto para criar o novo, o futuro que imaginamos e queremos.
Para comemorar os 20 anos, o Fonte planejou uma série de entrevistas mensais sobre temas e ações importantes no contexto do desenvolvimento social de organizações e profissionais.
Cada rede social institucional vai contar com diferentes formas de publicações, que nos ajudarão a contar essa história para parceiras/os, amigas/os e outras pessoas interessadas na trajetória do Instituto Fonte.
Venha com a gente. Gostaria de escrever, lembrar, contar alguma história vivida conosco, enviar fotos de formações, escreva e mande para contato@institutofonte.org.br.
Facilitando reunião de planejamento na Liga Solidaria
Facilitando encontro de avaliação do Programa Proniño da Fundação Telefônica, na Espanha
Profides 3, com Alexandre Randi, no Centro Paulus, em dezembro de 2003
Reunião de planejamento, em 2004, conduzida por Allan.
Reunião de planejamento, em 2004.
No Profides 4, em 2010..
Facilitando a observação de plantas no Profides 4, em 2010.
Preparando atividade do Profides 3, em 2008.
Em aula de geometria projetiva conduzida por Allan Kaplan com meus colegas do Fellowship do CDRA, em 2005.
Numa reunião de planejamento do Fonte, em 2004
Preparação para contar história no Profides 6, em 2012.
Numa festa de confraternização do Instituto Fonte.
No Profides 10, em 2019.
No Profides 10, em 2019.
Encontro de aprendizagem da equipe do projeto Escola da Juventude, 2017.
Equipe do Artistas do Invisível em reunião durante um dos módulos, 2017
Facilitação de encontro de avaliação do programa São Paulo pela Primeiríssima Infância, realizado pela Fundação Maria Cecília de Souto Vidigal – encontro realizado em Votuporanga, em 2017
Encontro de planejamento do Fonte, em setembro de 2018 na Serrinha após decisão das cinco mulheres.
Encontro da equipe de facilitação do Programa Blend, realizado pela Fundação Otacílio Coser, em 2018
Aristides no Centro Paulus, em 2016
Congresso do GIFE, em 2016
Workshop da Pós Graduação em Prática Social Reflexiva realizado no Centro Luiz Freire em Olinda, 2017