O Instituto Fonte e o Programa Aprimora* convidam para o Encontra 2018.
O tema deste ano é Trabalhando com Perguntas.
O espírito da atividade é o de uma comunidade de aprendizagem, na qual os participantes antigos e atuais do Aprimora trocam reflexões e experiências relacionadas a processos sociais.
O Encontra é uma ação voluntária e construída coletivamente. Por isso, todos são convidados a trazer contribuições como:
conteúdo para ser compartilhado ou aprendizagens para serem construídas em grupo
contribuições para o café da manhã e coffee-breaks
doação de milhas e hospedagem solidária para os participantes que vêm de fora
Já fazem parte da programação algumas oficinas como:
“Trabalhando com Perguntas”, com Mariangela Paiva;
“Qualidade das perguntas: questões abordadas por Edgar Schein em seu livro Consultoria de Processos”, com Flora Lovato e Márcia Thomazinho;
“Perguntas em processos avaliativos”, com Emília Bretan.
O Instituto Fonte fornecerá o material básico (flip chart, pincéis atômicos, lápis de cor, giz de cera, pastel seco, papel sulfite, lápis 2B, borrachas, apontadores, cola, tesoura). Cada oficineiro deverá providenciar apenas materiais adicionais, caso sejam necessários.
Quando: 08 e 09 de junho de 2018
Horário: das 9h00 às 18h00
Onde: Casa da Cidade – R. Rodesia, 398 – Sumarezinho, São Paulo – SP
* O Programa Aprimoravem do desejo de facilitadores e profissionais do campo social em participar de um espaço regular de reflexão e de aprofundamento da sua prática. Possui um formato dinâmico e bastante adaptável às necessidades daqueles que querem aprimorar suas habilidades de facilitação, particularmente na leitura e intervenção em processos.
ATENÇÃO! O evento é destinado a antigos e atuais participantes do Programa Aprimora.
Fruto da união de organizações que investem no campo social e provocados pelo contexto e significado do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março desse ano no Rio de Janeiro, foi lançado, durante o 10º Congresso Gife, um fundo voltado para fortalecer a participação e liderança de mulheres negras brasileiras no cenário político nacional.
O Fundo Marielle, iniciativa da Fundação Ford, a Open Society Foundations e o Instituto Ibirapitanga contará com aporte inicial de US$ 30 milhões ao Fundo Baobá para a Equidade Racial, criado em 2011. Sua diretora, Selma Moreira, destacou, durante o lançamento, a importância da iniciativa para, além de fortalecer ações de promoção de mulheres negras, também promover outros formatos de investimento em ações estruturantes do campo social.
“É especialmente importante, sendo eu, mulher negra, ajudar no processo de construção do Fundo Baobá com esse foco de promover o protagonismo de mulheres negras. O que a gente precisa é que a população brasileira como um todo se mobilize para essas questões”, explicou. A perspectiva da diretora é fazer do Fundo Baobá o maior fundo patrimonial para a igualdade racial fora dos Estados Unidos.
A novidade: Para Flora Lovato, consultora do Instituto Fonte em processos de desenvolvimento social, esse foi um momento importante do evento. Na sua avaliação, o fato de quatro fundações se juntarem para criar o Fundo Marielle favorece outras lógicas e olhares para o campo, principalmente para o tema de “gênero e raça”, novo, dentro desse formato, para a área dos institutos e fundações. “O sinal de mudança, a meu ver, acontece, particularmente, quando a iniciativa se justifica dizendo que Marielle representava a possibilidade de uma mulher negra, da favela, bissexual chegar em espaços de poder e que é necessário dizer que o Brasil produzirá novas Marielles”, enfatiza a consultora.
Neca Setubal, presidente do Conselho do GIFE, também considera que a iniciativa segue uma proposta de inovação do ISP no Brasil. “Todos os atores precisam ter espaços e voz e, em um país com uma das piores representações femininas na política, no cenário mundial, é um passo grandioso para essas mulheres”, finalizou.
O Fundo foi anunciado em 5 de abril, no 10º Congresso GIFE, evento voltado para debater o investimento social privado no Brasil. Durante o lançamento não foram especificados os formatos de funcionamento ou prazos para acessar o Fundo Marielle.
“As causas defendidas por Marielle dizem respeito a todos nós e trazem pra esse espaço a afirmação do compromisso de promoção de equidade. A gente trabalha com a ideia de educação para a redução de injustiças no país e temos aqui uma trajetória pautada na superação das desigualdades”.
Alguns aspectos do diálogo entre as práticas que tratam de assuntos sociais de interesse público puderam ser debatidos durante a mesa “Advocacy e incidência pública: dilemas e princípios para a construção de práticas efetivas”, durante o X Congresso Gife, na Fecomércio, em São Paulo.
Andrea Gozetto, cientista política, Rafael Gioielli, do Instituto Votorantin, Giuliana Ortega, do Instituto CEA e o mediador André Degenszajn levantaram aspectos da ação e dos desafios dos institutos e fundações empresariais para construir práticas pautadas nas falas das comunidades.
Um dos itens destacados foi o desafio da articulação do próprio setor responsável pelo Investimento Social Privado, como enfatizou Rafael Gioielli. A partir da experiência no campo da educação, foi possível para o gestor exemplificar a necessidade de cuidar dos caminhos comuns para influenciar política pública. “Muitos atuam com educação, mas somos diversos em nossa atuação enquanto institutos e fundações e precisamos ter capacidade de falar em conjunto também”, articulou o gestor.
Giuliana Ortega destacou a ação do IC&A no fortalecimento das parcerias com organizações da sociedade civil. “Geralmente são as organizações que estão próximas dos públicos beneficiários de nossos projetos e que são capazes de estabelecer um diálogo mais fiel com o poder público”, explicou. Para ela, muito mais do que financiar projetos, o Investimento Social Privado precisa apoiar a capacitação e formação das próprias organizações.
De certa forma, os olhares são similares para a construção de processos transparentes e capazes de evidenciar a “causa que defendo” e “por que defendo”. Boas práticas de condutas para as fundações e organizações são importantes para fortalecer a legitimidade tanto da ação, quanto da parceria.
Grilo falante: Nesse caminho, outro ponto destacado foi o possível benefício do alinhamento da ação do instituto ou fundação empresarial com o próprio negócio. Para os debatedores, a partir desse processo é possível pautar questões que vão influenciar na mudança de comportamento da empresa, como por exemplo, na temática racial ou de gênero. “Essa retroalimentação pode ser benéfica. Ter o grilo falante sobre sua própria prática é muito importante”, disse Gioielli. “E os institutos acabam funcionando como provocadores de mudanças dentro da empresa, que reverberam em novas práticas”, finalizou.
Construir boas práticas de advocacy: Para influenciar em políticas públicas, assim como em outras áreas, é necessário desenvolver planos e caminhos de ação para que a incidência também possa ser estruturada, acompanhada, medida e avaliada ao longo do tempo. Para Andrea, o melhor é evitar uma ação intuitiva. “Devem ser construídas coletivamente propostas de incidência, que não podem ser lideradas pelas empresas. As comunidades têm que falar por elas próprias”, esmiuçou durante sua fala. O que os institutos podem fazer, na visão da cientista política, é fortalecer as próprias comunidades, investindo, por exemplo, em formações. “Além disso, fortalecer as redes, na minha opinião, é a grande contribuição dos institutos e fundações para a democracia”, encerrou.
Outros pontos do debate:
As organizações sociais também precisam cuidar das parcerias, avaliar a ação das empresas e dos institutos, para minimizar as relações de poder e fortalecer relações dialógicas, nas quais as organizações da sociedade civil sejam reconhecidas em sua ação e capazes de influenciar, em reciprocidade, na ação dos institutos e das empresas.
A organização empresarial deve conversar com o beneficiário enquanto está construindo seu plano de ação e não após delimitar todo o seu campo de ação.
É fundamental fortalecer a representação democrática das organizações da sociedade civil.
Favorecer políticas públicas baseadas em evidencias a partir da produção do conhecimento como prática constante.
O Instituto Fonte, em datas e momentos especiais, tem procurado oferecer para sua rede de amigas e amigos, reflexões como presentes. Nessa Páscoa, oferecemos um belo texto de Cristiane Félix, grande parceira, e a linda ilustração do talentoso Rodrigo Cabral, criada especialmente para esse momento. Agradecemos aos dois pelo carinho.
Feliz Páscoa.
Texto: Cristiane Felix*
Ilustração: Rodrigo Cabral**
Resgatar o sentido da Páscoa é sempre um desafio em meio ao apelo dos chocolates que invadem as prateleiras nesta época do ano. Em que pese o singelo e bonito ato de se ofertar um chocolate (doçura) a alguém que se gosta, não podemos deixar de enxergar como o comércio se apropriou de todo este simbolismo para incrementar suas vendas, estimulando o consumo, principalmente em datas comemorativas como é o caso da Páscoa. É quando o coelho, símbolo da fertilidade, assume seu lugar de destaque nas versões chocolate branco, meio amargo, preto. E os ovos, dos mais diversos tamanhos e preços, com brindes ou “recheados” de figuras de super heróis, invadem as prateleiras, forjando a ideia de que “o doce mesmo é o presente que vem dentro do ovo” (com sorte, uma bonequinha da moda ou um carrinho miniatura).
E, claro, as crianças adoram a Páscoa. Fazem suas encomendas não só de sabores mas, principalmente, de suas marcas prediletas, acompanhadas das “surpresinhas” embaladas no melhor estilo Walt Disney, Hot Wheels, Monstros S.A. E os pais, listinha em punho, saem na busca pelo ovo ideal (eu já fiz incontáveis vezes!). E a Páscoa se resume ao dia feliz em que se recebe coelhos e ovos de chocolate com brinquedinhos. Oi?
Até que minha filha parou de me pedir chocolate, sob a alegação de que este tinha se tornado mais um habito de consumo, que desvirtuava o verdadeiro significado da Páscoa. Oi, de novo?
É claro que eu já tinha pensado sobre isso, inclusive todas as vezes que tinha que comprar os ovos para presenteá-la. É claro também que, mesmo assim, com tantas reflexões, eu continuava comprando os ovos, afinal era compensador ver a alegria dela ao receber o chocolate com a surpresa. E assim seguia a minha humanidade…
Quase sempre sabemos das coisas, refletimos sobre elas e continuamos no mesmo lugar. Neste caso na mesma prateleira de supermercado. Simples assim. E apesar de ter tantos elementos ao nosso redor, continuamos promovendo o coelho e o “Kinder Ovo”.
Desta vez, o questionamento de Clara, minha filha, trouxe-me de fato um sabor especial. Ela percebeu que a mudança está em fazer escolhas conscientes. Ainda que isso represente a renúncia do chocolate, que aliás, ela tanto gosta. E eu também!
Fiquei pensando no brinde precioso que Clara me ofertou com aquela reflexão sobre a Páscoa: de que é preciso recuperar sentidos. E se a Páscoa nos traz a ideia de libertação, renascimento, ressurreição, por que não começar por aí?
Do que preciso me libertar?
O que precisa renascer que estava adormecido em mim?
Qual é o novo que preciso fazer nascer no mundo?
E essas perguntas foram ofertadas a mim como um presente de Páscoa, por Clara Felix. E não tem chocolate que supere o sabor da transformação que uma reflexão verdadeira pode nos trazer. E vocês devem estar se perguntado: e aí, vai comer chocolate na Páscoa? E a resposta é sim, porque como chocolate sempre. Mas há uma diferença entre comer chocolate e deixar a Páscoa se consumir no chocolate, ou melhor, se resumir a ele. E essa reflexão foi o presente mais doce que a minha filha pode me dar. Obrigada meu amor!
Desejo a todos uma Páscoa doce, transformadora e cheia de sentidos!
*Cristiane Felix é mãe de Clara, Jornalista, profissional de Desenvolvimento Social, Profidiana (nome carinhoso de ex-participantes do Programa Profides: Profissão Desenvolvimento), integrante do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem.
**Rodrigo Cabral, enquanto ilustrava essa linda imagem de Páscoa.
Acordei com o sol na cara. No canto do quarto um monte de roupas suadas do velório de Marielle a 40 graus. Estou salgado e nu. Sento na cama, bebo água e, mesmo antes dos trens do pensamento pegarem seus trilhos, um grito, uma pergunta incomoda. A princípio, carregada de culpa, ácida, chega como um bofetão na cara ainda amassada: Por que não eu?
Diabos de pergunta estúpida! As respostas óbvias cavalgam na frente: sou homem branco, divorciado, professor público aposentado, trabalhando com causas sociais a vida toda. Até que se prove o contrário, um cara legal. Mas não era eu quem estava naquela noite do 14 de março, dentro do carro fatal.
Onde eu estava? Por quais caminhos minhas escolhas tinham me levado? Por que não fui eu a pessoa assassinada? Que bolha de segurança, a altos custos, havia criado em torno de mim para não ser a pessoa que estava lá?
A pergunta feita por Marielle há uma semana atrás foi claramente por ela respondida: Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?
Para mim ela responde: Todos nós devemos precisar morrer! Todos nós devemos estar dispostos e disponíveis a morrer, junto com eles, no lugar delas, tantas, tantos.
Mas não é a morte que nos interessa! A morte, o assassinato, são tão somente a culminância de um trajeto. É o trajeto que me importa. O meu trajeto. O seu trajeto. Nossos trajetos seguros, bem intencionados e quase insuspeitos.
Porque não eu? Porque não você? É pergunta que carece ser olhada. O pranto, o luto, a ausência, podem ser somente armadilhas autocentradas, se nossos trajetos, o meu e o seu, não nos conduzirem ao oferecimento radical de nós mesmos.
Presente?
Consultor de processos de desenvolvimento pelo Instituto Fonte e fundador da Associação Crianças do Vale de Luz. Desde 1979 trabalha em instituições sociais, em especial as que atuam no âmbito da infância e juventude, com gestão e desenvolvimento organizacional e apoiando o fortalecimento das pessoas nelas envolvidas. Atua como coordenador do Programa Mais Educação numa escola pública em Nova Friburgo, tendo sido diretor do Instituto de Educação de Nova Friburgo, da Escola Comunitária Municipal do Vale de Luz e coordenador regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ. Realizou estágios no campo educacional e social na França, Suíça, África do Sul e Moçambique. É graduado em Pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. É músico e contador de histórias; pratica e acredita na arte como instrumento de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. De Nova Friburgo (RJ), vive entre Nova Friburgo, Rio de Janeiro e São Paulo. Contato:tiao@institutofonte.org.br
Sobre 2015, 2016 e 2017, anos vividos como muitos. Tempo de entrar formalmente no Instituto Fonte, tempo de selar um namoro que já vinha se desenhando há algumas primaveras, tempo de ir além do lugar “seguro” da gestão de uma OSC e me entregar também à prática da consultoria e da formação.
Pela formação eu já vinha transitando, mas na consultoria, ah, como eu resisti em me dizer consultora, como se a palavra tivesse um peso desproporcional em relação ao que eu queria realizar no mundo. Parei de resistir e me entreguei, dizendo para mim “tudo bem, você pode experimentar isso por um tempo, não tá escrito na pedra”…
E de experimentar essa prática me vieram incontáveis lições, num processo intenso de aprendizagem pela prática, que me virou do avesso e me colocou no “direito” novamente… ou que me mostrou o “direito” que há no avesso.
Nessa aventura de me ver consultora, me ver “facilitadora de processos”, tive a alegria de me encontrar em processos muito ricos, com organizações sólidas e ativas, desejosas por um processo de mudança ou por simplesmente conseguir enxergar mais à frente ou por extrair aprendizagens de uma experiência.
Ao me colocar no lugar de quem facilita processos pude aprender a me colocar ao lado dessas organizações, dessas pessoas e construir com elas um caminho que fizesse sentido, sem chegar com nada muito “pronto” ou “pré-definido”, mas me dispondo a fazer com elas uma leitura do processo que estavam vivendo e sobre qual seria o próximo passo.
Experimentei deixar de lado muitas certezas, aprendi a “segurar de levinho” (expressão precisa que aprendi com Tião Guerra) aquilo que eu já sabia ou aquele desejo que trazia comigo.
Experimentei ter planejado tudo bonitinho e chegar na hora e ver que a coisa tomou outro rumo e que talvez nada daquilo que estava planejado fizesse mais sentido, e a me perguntar ali, ao vivo, ‘qual o próximo passo então? ’. Esse passo só pode emergir do próprio processo, mas ele não é tão óbvio, é preciso desenvolver olhos para ver e uma espécie de confiança e de abertura capazes de sustentar aqueles minutos em que todo o meu plano foi jogado fora e eu ainda não sei o que fazer à frente.
Isso me lembra de algo que aprendi nos meus estudos sobre as Constelações Sistêmicas: a atitude fenomenológica ou a capacidade de ver o “campo” implica em saber que só se pode ver até o próximo passo… isso é tudo o que nos é permitido ver… Ah, e como é difícil sustentar isso! Nossa mente foi treinada para solucionar problemas, para desenhar caminhos, mecanismos e soluções para as coisas. Mas, e quando a gente não quer necessariamente solucionar nada, mas só ajudar a acontecer o próximo movimento possível, o próximo movimento preciso? Aí essas soluções não cabem, ou há um grande risco de elas sobrepujarem aquilo que o processo de fato pede. É preciso se conectar com o que é vivo nos processos para conseguir “facilitar” o seu fluxo, o livre movimento dele em direção ao seu próximo momento. E como? Usando que instrumento? Em grande parte usando a mim e ponto. Uau!
Facilitar o livre movimento pede de nós uma qualidade de confiança e abertura sem igual. Não é algo que eu planejo, nem um “lugar” para o qual eu vou quando desejo ir, não tem botão de “liga e desliga” e nem é algo que se conquista e “pronto, já posso descansar”… nada disso… é um contínuo… é uma prática, algo que me pede presença e dedicação.
Lembro-me de uma fala do Allan Kaplan no Programa Artistas do Invisível, na qual ele trata da facilitação de processos explicando que o grande trabalho não é facilitar, mas sim toda a preparação contínua e necessária para estar ali.
Hoje compreendo profundamente que essa preparação não diz respeito a fazer bons planejamentos, desenhar bons “PPTs” ou bons exercícios, mas sim estar profundamente afinado como o instrumento. Isso é uma “prática”, um exercício mesmo, não é nada que você aprenda com os livros, nem algo que você alcance e pronto, já não seja preciso mais nenhum esforço.
Não. Pede atenção plena, pede presença, pede conexão, pede sintonia, um tipo de sintonia fina que só se consegue estando pronto a mudar, a deixar a ir, a aprender, sempre.
Ah, que bom poder ter me colocado no caminho desta “prática”! Quero cada vez mais conseguir me dedicar a ela com disciplina e constância em quaisquer processos nos quais estiver implicada, afinando constantemente meu instrumento. Que venham mais anos de prática!
Este artigo integra o Relatório de Gestão 2015-2016, um importante instrumento de reflexão e aprendizagem do Instituto Fonte. Para ler outros textos ou baixar o relatório, clique aqui.
(1) Consultora associada do Instituto Fonte desde 2015. Atua em processos de desenvolvimento/aprendizagem organizacional, sistematização de experiências e a investigações no campo do desenvolvimento. Está no campo do Desenvolvimento há 15 anos, onde já atuou na gestão organizacional e de projetos em organizações como: Instituto Auá de Empreendedorismo Socioambiental e Instituto de Cidadania Empresarial. Bióloga, formada pela Universidade Mackenzie, pós-graduanda no programa “Reflective Social Practice” pelo Crossfields Institute (UK) e Alanus University (Alemanha). Tem diversas formações técnicas em Gestão de Organizações do Terceiro Setor e Gestão/Avaliação de Projetos e, mais recentemente, vem se dedicando a formações relacionadas ao Pensamento Complexo e Sistêmico aplicado a processos sociais, como as Constelações Sistêmicas e o Programa Artistas do Invisível. Cursou o programa Profides – Profissão Desenvolvimento entre 2009-2010 (do qual foi posteriormente co-facilitadora na 6ª edição, entre 2011 e 2012). Contato:marcia@institutofonte.org.br
Meu interesse e minha atuação no campo social foram marcados por uma formação em empreendedorismo social que realizei, em 2001, em parceria com o Instituto Gaia. Começava o século XXI ao mesmo tempo em que o universo do campo social se revelava diante de mim. Empreendi iniciativas de formação para Juventude como o projeto Guardiões do Oceano e também comecei a buscar formações nas quais eu mesma pudesse me formar.
Comecei a carregar comigo um questionamento: Afinal como eu aprendo o que apreendo? Esse questionamento surgiu à medida que me percebia como educadora e facilitadora de pequenos grupos de adolescentes, ao mesmo tempo em que um sentimento de responsabilidade crescia em meu peito. Os modelos de aprendizagem formal haviam me ensinado a memorizar e a passar em provas e vestibulares, mas algo em mim dizia que memorizar não era aprender a pensar de fato.
Em 2002 uma colega, Mariana, que me auxiliou a desenhar a proposta pedagógica do Guardiões do Oceano, me introduziu um jeito novo de produzir e compartilhar conhecimento. Eu disse que queria saber mais, e ela me indicou para participar do Seminário de Pedagogia Social, no qual membros do Instituto Fonte também estavam presentes no grupo facilitador. Foi nessa imersão que entrei em contato com formas participativas de aprender: o conhecimento estava no grupo e não somente no facilitador/educador.
O Instituto Fonte tornava-se conhecido como uma instituição com grande capacidade de formar e influenciar atores e instituições do terceiro setor, que se encontrava em significativa expansão. Ele orbitava o meu campo de atuação e eu orbitava a prática social dele. Foram muitos os encontros: em livros e publicações, em formações, em congressos, em pessoas. Hoje eu não orbito tão somente, mas sou parte do Planeta Fonte como uma de suas consultoras associadas.
O campo social já não é o mesmo de outrora, mas se encontra mais preparado, mais consciente, e ao mesmo tempo, tem que aprender a lidar com incertezas de outra natureza, diferentes daquelas dos anos 2000. Estamos atualmente com os sentidos em alerta para entender o que o mundo pede de nós enquanto organização, enquanto consultores, facilitadores e empreendedores…
Que a trajetória dessa geração que ingressa no campo social possa contribuir com esse processo de ressignificação das iniciativas sociais, do campo social e, principalmente, de nossa própria prática como profissionais de desenvolvimento.
Este artigo integra o Relatório de Gestão 2015-2016, um importante instrumento de reflexão e aprendizagem do Instituto Fonte. Para ler outros textos ou baixar o relatório, clique aqui.
(1) Facilitadora de processos de aprendizagem e associada ao Instituto Fonte desde 2015. Desde 2002 atua em iniciativas e instituições sociais que militam pelas causas da juventude, educação e do meio ambiente nas áreas de formação, elaboração de projetos e mobilização de recursos. É idealizadora e gestora do Guardiões do Oceano, uma iniciativa de formação socioambiental para jovens que acontece há 10 anos em municípios do litoral de São Paulo. Também atuou como facilitadora na área de responsabilidade social de diversas empresas. Mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Educação Ambiental pela mesma universidade e especializada em gestão do terceiro setor pela FGV. Se formou nos programas do Instituto Fonte, Artistas do Invisível e Aprimora e atualmente é mestranda no Programa “Reflective Social Practice” pela Proteus Initiative e Alanus University (Alemanha). Acredita que o processo é o lugar a se chegar. Contato: juliana@institutofonte.org.br