Uma comunidade não pode florescer em uma vida dividida. Muito antes de uma comunidade assumir uma forma e uma aparência externas, ela deve estar presente como uma semente num self íntegro: apenas se estivermos em comunhão com nós mesmos poderemos encontrar a comunidade com os outros”. (Parker Palmer, em Tudo sobre o amor, de Bell Hooks)
Inspiradas pela mensagem de Parker Palmer e ao som do Samba da Utopia, foi dada a largada do encontro “Somos uma comunidade de aprendizagem em PMAA?”, que reuniu diversas organizações da sociedade civil (OSCs), em São Paulos, nos dias 25 e 26 de abril de 2023, que integram a parceria entre Instituto Fonte e Pão para o Mundo. O encontro debateu, a partir de vivências e trocas de experiências, temas presentes no dia a dia das OSCs, como o planejamento, monitoramento, avaliação e aprendizagem.
Desenvolver uma comunidade de aprendizagem envolve muitos fatores. Por um lado, existe a necessidade de criar laços laços, afetos, confiança, escutas e cuidados coletivos, naturais em um processo onde a coletividade é um diferencial. Por outro, o coletivo vivencia formas de estudo com muita criatividade e experiências de compartilhamento de histórias de pessoas e de organizações. E, a partir desse formato, é possível fortalecer o interesse por um espaço coletivo de construção do conhecimento.
Essas são pequenas amostras de algumas das reflexões vivenciadas neste grupo de pessoas e de organizações repletas de histórias, de belezas, de tradições, de conhecimento e de afetos, que fizeram parte dos dois dias de formação, 25 e 26 de abril, na sede da Ação Educativa.
As formações fruto da parceria de Pão para o Mundo e Instituto Fonte acontecem há mais de dois anos e envolvem vários temas de interesse das organizações apoiadas no Brasil, em assuntos relacionados ao planejamento, monitoramento, avaliação e aprendizagem. Esse foi o primeiro encontro presencial de formação desde o início das atividades.
Estiveram conosco: Inesc, PACS, CAA, Cria, Assessoar, Capina, Ibase, Aspta, Ceseep, Fundo Brasil, Koinonia, Terra de Direitos, CPT-PR, CPT Nacional, CNMP, CPT-MT, Instituto Cultivar, CESE, Ação Educativa, FLD, Terramar, Abong, SOF, Fase, Cebi.
Ela é de palavras suficientes. Nem muitas, nem poucas. Suficientes. Também não é fácil cultivar seu sorriso. Ele tem um tempo para surgir, vem aos poucos e pode ser permanentemente controlado com certa facilidade. Sua docilidade não aparece de imediato, mas surge em pequenos gestos de cuidado com o próximo: uma lembrança, um chocolate, um mimo delicado.
Seu nome fala sobre sua essência, Flora, que há 20 anos floresce e faz florescer, junto a uma enorme rede de profissionais do desenvolvimento, o Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social. Nesse dia 17 de maio, data em que essa fonte completa, oficialmente, 20 primaveras, comemoramos com uma logomarca especial e relembrando/projetando a história dessa organização, a partir da voz de quem esteve presente durante todo esse período.
Flora Lovato contou sobre o passado e realizações. Mas também tratou de perspectivas para o futuro organizacional, em um momento ainda difícil para projeções futuras no campo social.
De especial para esse momento, Flora carrega sua voz em sintonia com as de outras quatro mulheres comprometidas com a missão do Instituto Fonte, sua renovação e seu olhar profundo para a prática social reflexiva como proposta de intervenção e aprendizagem.
Vinte anos de parceria entre Flora e Fonte. Vinte anos de Fonte contados por Flora. Vinte anos de Flora contados pelo Fonte.
De onde chego…
Eu chego no Instituto Fonte no fim dos anos 90. O contexto externo era muito propício à inserção das empresas, das iniciativas privadas e fundações no setor social. Havia uma necessidade em aprender a dialogar com as organizações sociais e era comum a indagação, pelo mundo corporativo, sobre a capacidade de gestão das organizações.
A entrada das empresas no setor social traz recursos e vem também atrelada à capacitação das ONGs em sua gestão, e esse foi meu viés profissional naquele momento. Eu trabalhava para que as organizações aprimorassem a sua gestão.
Logo depois, quando o Instituto Fonte se funde com o Instituto Christophorus, tenho contato com uma nova visão de mundo, que olha para as trajetórias das organizações e aponta como maior desafio para elas a compreensão em torno de seu próprio caminho, para que o próximo passo desta trajetória seja dado com assertividade, com correção, com primor. Eu saio de um lugar onde a gestão era o centro e vou para outro no qual a gestão transforma-se em mais uma ferramenta para o desenvolvimento. A partir daí, faço vários cursos e formações para me apropriar desse novo jeito de olhar o mundo e compreender as organizações. E a transformação que eu percebia em mim, assim como nas organizações com as quais eu trabalhava, era muito maior do que aquele que percebia ao trabalhar apenas a partir da qualificação de sua gestão.
20 anos praticando o desenvolvimento de organizações
Nesses 20 anos, o Instituto Fonte realizou muito em consultorias, desenvolveu programas de formação e foi uma organização bem inovadora na abordagem que adotou para seus diferentes campos de atuação.
O Profides: profissão desenvolvimento, que está entrando em sua décima edição, inspirou vários participantes a criarem também iniciativas a partir desse olhar social de desenvolvimento, sobre as organizações e o contexto social.
Preparando atividade do Profides 3, em 2008
Acho que devo falar do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem como um grupo do Nordeste e que carrega a identidade do Profides, com integrantes das edições II, IV e VIII, e que hoje é um coletivo muito sólido capaz inclusive de organizar uma Pós-Graduação sobre a prática social reflexiva, a primeira no Brasil. É um grupo que se forma como desdobramento de um programa do Fonte, de uma prática do Fonte e que permanece unido para praticar, no Nordeste. E é importante diferenciar essa natureza de identidade, do qual emerge também um Fonte no mundo que acontece a partir desses coletivos que surgem livremente. Um Fonte que se viu multiplicado em diversas outras iniciativas.
Então, acho que o Profides e o Artistas do Invisível são programas muito inovadores, que vão servir de semente ou inspiração para outras iniciativas como o Instituto Geração, o Programa Lidera, da Ação Empresarial para a Cidadania, e vários outros projetos.
O Artistas do Invisível consolida um grupo de pessoas aqui no Brasil que vem sendo o que hoje a gente chama de profissional da prática social reflexiva, que cria uma dinâmica, com disciplina e rigor, voltada para seu próprio desenvolvimento como processo para que o mundo e as organizações também possam se transformar. Vale lembrar que a Noetá foi um parceiro importante no desenvolvimento de novas turmas do Artistas e em outras atividades, como na oficina do Ativismo Delicado.
Para ajudar organizações a ajudarem o mundo a mudar, o próprio praticante tem que contribuir com seu próprio desenvolvimento.
Consultorias: prática, aprendizagem e desenvolvimento
Outro ponto muito inovador e inspirador veio das consultorias, realizadas por esse corpo muito sólido de consultores para os mais diversos tipos de organizações, empresas, a ponto de precisarmos expandir o grupo inicial. Em um determinado momento, ganhamos força e presença no campo social e ficou difícil cuidar do tamanho que o Fonte adquiriu e acabamos perdendo vitalidade institucional dentro daquele formato de atuação.
Facilitando reunião de planejamento na Liga Solidaria
Hoje, o grupo de pessoas que está no Fonte são cinco mulheres que têm em comum o fato de terem participado de um programa de pós-graduação dentro da prática social reflexiva e possuem o desejo de continuar fazendo uma diferença significativa no mundo por meio do Fonte.
O Fonte, como organização, precisa ser um esteio. Precisa praticar dentro de si o que ele faz para fora. O que a gente prega para os nossos clientes e para os nossos parceiros também deve viver dentro do Instituto Fonte, como organização.
As publicações sempre tiveram relevância na trajetória do Instituto Fonte. O primeiro grande marco é a Coleção Gestão e Sustentabilidade, um conjunto de livros que fez diferença em um momento em que havia pouca publicação voltada para organizações da sociedade civil ou que tratasse desse tema de forma específica para as ONGs. Alguns livros dessa coleção foram reeditados três vezes. Vários ainda continuam sendo usados como referência, seja no trabalho, seja em pesquisa. O ICE – Instituto de Cidadania Empresarial – que também comemora 20 anos em 2019, foi a organização que acreditou nesse trabalho e apoiou financeiramente sua realização.
O ICE também apoiou o Projeto Gestão, que realizamos na mesma época, com 25 instituições que viveram significativos processos de desenvolvimento, envolvendo desde sua governança até sua comunicação, mobilização de recursos e gestão financeira. O apoio do ICE nessa fase inicial foi crucial para o fortalecimento das ONGs e para a construção do vínculo entre elas e a iniciativa privada que começava a dar passos mais consistentes no campo social. Nossa crença nessa época, e que continua até hoje, é a de que com as publicações podemos alcançar pessoas e grupos que, de outra forma, não teriam acesso a esse conhecimento.
No caminho da construção de processos a partir da “prática social reflexiva”, houve uma parceria que marcou toda nossa história e que começa ainda com o Cristophorus. Nesses 20 anos, construímos muitos diálogos com Allan Kaplan e o Proteus (organização criada e gerida por Allan e Sue Davidoff na África do Sul). A primeira coisa que ele faz conosco é nos ajudar a cuidar do Fonte.
Uma outra coisa foi a inspiração e o apoio que ele nos deu no desenho do Profides, e do Artistas do Invisível, este último a pedido de Marina Magalhães, que era nossa colega de Fonte na época. Com esses programas nossa relação se fortalece e ele se aproxima de outros outros atores aqui no Brasil. Claro que ele caminha com as próprias pernas, mas a gente, de certa forma, vai abrindo canais para outras organizações, outras pessoas dialogarem com Allan e sua teoria.
Esta é uma reunião de planejamento, em 2004, conduzida por Allan
Essa parceria foi crescendo e hoje três grupos de pessoas concluíram o Artistas. Realizamos várias oficinas em diferentes cidades do país e inclusive a série Delicado Ativismo em que Ana Biglione, da Noetá, foi parceira. E mais recentemente realizamos um programa de pós-graduação no Recife a partir da iniciativa do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem, certificado pela Alanus University. As parcerias com o GRA e com a Noetá ainda frutificam e com elas vamos criar outras propostas bem sólidas para o futuro.
Avalio que juntas, essas organizações (Proteus, Fonte, GRA e Noetá) estão batalhando muito para que no Brasil se tenha um corpo de profissionais, praticantes sociais reflexivos, além de estarem ajudando esse corpo a se reconhecer e a se fortalecer.
O Fonte e o agora…
Allan contribuiu muito com toda nossa trajetória e achamos importante contar novamente com ele em 2018. Ele nos fez duas perguntas cruciais: se o Fonte ainda poderia fazer sentido para o mundo e, em fazendo, se haveria um grupo dentre nós que aceitaria colocar energia e empenho em renová-lo.
Entendemos que se a organização fosse continuar ela só valeria continuar se ela fizesse sentido para o mundo, se a gente de fato visse que iríamos fazer algum tipo de diferencial para as organizações e para o campo social. Tudo que a gente quer estar falando pra fora era algo que precisava renascer, uma fogueira que precisaria ser reacendida dentro do próprio Fonte. Teve um trabalho conjunto, como Fonte, de aprendizagem e ter a disciplina em torno dessa prática como central. Tanto no trabalho que a gente faz no mundo, como no trabalho que a gente faz pra dentro do próprio Fonte. Isso significa, primeiro, assim como dizemos pro nosso cliente, vamos observar a sua organização, o que está acontecendo, quais são os fatos, quais são os padrões seguidos ou criados, era necessário que a gente também olhasse pra esses aspectos dentro do Fonte: quais são os sinais da nossa prática? Como podemos cuidar do que parece que está se estagnando? Onde parece que tem vida e como a gente pode cuidar da vida?
Encontro de planejamento do Fonte, em setembro de 2018 na Serrinha após decisão das cinco mulheres.
As cinco mulheres que compõem o Instituto Fonte acreditaram e acreditam nisso. Além de terem participado conjuntamente da Pós-Graduação em Prática Social Reflexiva, partilham a crença de que organizações como o Instituto Fonte foram e continuam sendo relevantes no contexto social, particularmente hoje. Por isso, decidiram renovar a organização, mantendo inclusive alguns de seus programas. O Profides iniciou agora sua décima turma. Em breve, o conhecimento construído em torno dessa prática ao longo destes 20 anos também será disponibilizado com nossa escrita. Será uma publicação autoral, sobre nossas reflexões e aprendizagens e sobre esse jeito de atuar no mundo a partir de nossa própria experiência.
O mundo do Fonte e o mundo
Aqui no Brasil estamos vivendo um momento muito singular. Eu acho que em raros momentos vi tanto acirramento de forças acontecendo, tão baixa capacidade de diálogo, e vi tão pouca capacidade de as pessoas compreenderem o sentido do que elas mesmas estão fazendo e do que está emergindo no país, para o significado deste momento, principalmente em termos de políticas públicas: o que significa um programa como o Escola sem partido, o que significa acabar com o SUS entre tantas outras possíveis perguntas que poderia lançar. Enfim, acho que estamos com pouca capacidade de compreensão e de leitura sobre o sentido de nossas escolhas. E cada vez menos com capacidade de conversar, de dialogar, de ouvir, de se ouvir, de se compreender, e também de compreender o outro. Acho que nesse momento tem muita incompreensão.
Esse contexto mais amplo me diz que organizações como o Fonte, que ajudam outras a construir sentido sobre o que vem fazendo, a refletir e assumir consequências pelas escolhas que vem assumindo, de como seu jeito de pensar afeta e produz coisas no mundo, ainda são necessárias. Sinto que o mundo está dizendo que quem contribui para a criação de sentido e significado tem espaço para atuar no mundo.
Acho que também está sendo dito pelo mundo, pelas organizações, que esse não é o momento de atuação isolada. Não é o momento de se fazer coisas sozinhos, é o momento de se fortalecer nesse espírito de “ninguém solta a mão de ninguém”. A gente quer muito fazer junto a outras pessoas e com outras organizações… e uma dessas, por exemplo, é o Ficas, com quem estamos compartilhando sua casa e com quem estamos desenhando projetos novos. Queremos fazer junto com outras organizações, como Noetá e o GRA, com quem já trabalhamos, mas também com novas. Eu acho que a gente precisa fazer junto para criar o novo, o futuro que imaginamos e queremos.
Para comemorar os 20 anos, o Fonte planejou uma série de entrevistas mensais sobre temas e ações importantes no contexto do desenvolvimento social de organizações e profissionais.
Cada rede social institucional vai contar com diferentes formas de publicações, que nos ajudarão a contar essa história para parceiras/os, amigas/os e outras pessoas interessadas na trajetória do Instituto Fonte.
Venha com a gente. Gostaria de escrever, lembrar, contar alguma história vivida conosco, enviar fotos de formações, escreva e mande para contato@institutofonte.org.br.
Facilitando reunião de planejamento na Liga Solidaria
Facilitando encontro de avaliação do Programa Proniño da Fundação Telefônica, na Espanha
Profides 3, com Alexandre Randi, no Centro Paulus, em dezembro de 2003
Reunião de planejamento, em 2004, conduzida por Allan.
Reunião de planejamento, em 2004.
No Profides 4, em 2010..
Facilitando a observação de plantas no Profides 4, em 2010.
Preparando atividade do Profides 3, em 2008.
Em aula de geometria projetiva conduzida por Allan Kaplan com meus colegas do Fellowship do CDRA, em 2005.
Numa reunião de planejamento do Fonte, em 2004
Preparação para contar história no Profides 6, em 2012.
Numa festa de confraternização do Instituto Fonte.
No Profides 10, em 2019.
No Profides 10, em 2019.
Encontro de aprendizagem da equipe do projeto Escola da Juventude, 2017.
Equipe do Artistas do Invisível em reunião durante um dos módulos, 2017
Facilitação de encontro de avaliação do programa São Paulo pela Primeiríssima Infância, realizado pela Fundação Maria Cecília de Souto Vidigal – encontro realizado em Votuporanga, em 2017
Encontro de planejamento do Fonte, em setembro de 2018 na Serrinha após decisão das cinco mulheres.
Encontro da equipe de facilitação do Programa Blend, realizado pela Fundação Otacílio Coser, em 2018
Aristides no Centro Paulus, em 2016
Congresso do GIFE, em 2016
Workshop da Pós Graduação em Prática Social Reflexiva realizado no Centro Luiz Freire em Olinda, 2017
Os últimos encontros do Programa Escuta Nordeste aconteceram no mês de março, com organizações do Ceará: o Centro de Estudos e Assistência às lutas do/a trabalhador/a rural (Cealtru), Associação Santo Dias e o CEU – Condomínio Espiritual Uirapuru, de Fortaleza e a Associação dos Remanescentes de Quilombo da Comunidade Povoado Boqueirão do Arara e a Associação de Desenvolvimento Comunitário de Baixa das Carnaúbas, de Caucaia.
O tema da mobilização de recursos tem sido recorrente e esteve presente nesses encontros, mas é importante destacar que houve pontos que retornam, agora em 2019, para a pauta temática dessas organizações e que vão influenciar, diretamente, suas ações: a luta de terras, no caso da Associação Quilombola, e a fome, na Associação Baixa das Carnaúbas.
Suzany Costa, consultora do Instituto Fonte. Ao fundo, muita reflexão e trabalho!
Os encontros presenciais fazem parte da primeira etapa do Escuta Nordeste e consistem em uma intervenção relacionada a questões apontadas previamente. A segunda etapa é a elaboração de um artigo (analítico) sobre o conjunto das escutas das organizações selecionadas. Por fim, a terceira fase é a realização do Lab Escuta Nordeste, um momento de retorno, interação e trocas entre essas e outras organizações e seus temas. Está programado para o início do segundo semestre de 2019.
O Escuta NE é uma iniciativa pró-bono do Instituto Fonte, que apoia organizações sociais por meio da facilitação diferenciada e com novas reflexões sobre suas próprias práticas. Nesta edição, o projeto contou com a parceria do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA).
Um programa para fomentar uma prática política reflexiva para sermos, hoje, artistas criadores da nação democrática e sustentável do amanhã.
O Ser Político é um programa para um mergulho profundo no político que vive em cada um de nós, despertando habilidades para agirmos conscientes dos efeitos de nossas ações sobre um mundo que é vivo, complexo e que pede responsabilidade para transformá-lo.
O programa se propõe a promover o desenvolvimento:
de um pensar próprio para agir em liberdade, no qual este Ser Político conduza a si mesmo como agente criador de uma sociedade democrática e sustentável, em colaboração.
de habilidades perceptivas e sociais para a qualidade da intervenção política, por meio de atividades de observação, da natureza e de situações sociais reais, e de práticas meditativas, artísticas e de escrita.
da capacidade de se estabelecer relações de confiança na diversidade e na divergência para que, diante das realidades que se apresentam, possamos nos reconhecer pares alinhados na aptidão de enxergar a complexidade social como fenômeno vivo, interconectado e apresentar soluções capazes de criar um futuro que sustente a vida.
de lideranças políticas – dentro e fora do sistema político – com potencial de inovação para incidir nas agendas e nos processos de formulação e implementação de políticas públicas.
de relações de confiança na diversidade e na divergência, para que, diante das realidades que se apresentam, possamos nos reconhecer pares alinhados na aptidão de enxergar a complexidade social como fenômeno vivo, interconectado e apresentar soluções capazes de criar um futuro que sustente a vida.
Para quem?
Um programa para pessoas que atuam ou se sentem chamadas a atuar politicamente e sejam questionadoras da qualidade de sua incidência.
Fundamentos e abordagem
O programa se fundamenta na compreensão de que os processos sociais são fenômenos vivos e cada indivíduo é parte ativa da situação na qual está inserido.
Neste caminho da aprendizagem, a experiência do participante é o principal referencial para que um novo tipo de consciência emerja da compreensão dos processos naturais e sociais. Para tanto, serão conduzidos exercícios de leitura, observação, artísticos e de escrita na busca por um desenvolvimento auto reflexivo acurado e disciplinado.
O Programa apoia-se na Prática Social Reflexiva (PSR), uma abordagem cunhada pelo The Proteus School of Reflective Social Pratice e propagada no Brasil, desde 2002, pelo Instituto Fonte. Trata-se de uma prática de profunda sensibilidade social, baseada na compreensão de que o mundo das relações sociais é tão vivo e emergente quanto qualquer organismo. Sua referência é a fenomenologia de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), desenvolvida para enxergar as profundezas do mundo vivo, adaptando o pensamento para que ele se torne um órgão de percepção da vida.
Formato do programa
Imersão
O programa será de imersão, em quatro (4) módulos com duração de quatro (4) dias cada. Durante cada módulo, os participantes ficarão hospedados no mesmo local da realização do programa. Em cada intervalo entre os módulos haverá uma sessão de mentoria para o acompanhamento dos participantes.
A prática política ancorada na observação atenta da realidade requer tanto a imersão nessas realidades, para enxerga-las e senti-las de perto, como também um distanciamento da posição em que costumamos estar como observadores, nos deslocando para outras posições de ponto de vista.
Em um país diverso como o Brasil, as realidades são muitas e maiores ainda os pontos de vista.
Para instigar a observação consciente das relações que se estabelecem em diferentes contextos, os quatro (4) módulos do percurso formativo serão divididos entre duas capitais simbólicas do Brasil contemporâneo: São Paulo, símbolo do desenvolvimento econômico e do Brasil industrializado; e Recife, símbolo do nascimento da sociedade brasileira miscigenada, ocidentalizada e politizada.
DATA
LOCAL
Módulo 1
01 a 04 de Agosto/19
Recife/PE
Módulo 2
03 a 06 de Outubro/19
São Paulo/SP
Módulo 3
06 a 09 de Fevereiro/20
Recife/PE
Módulo 4
21 a 24 de Maio/20
São Paulo/SP
Conteúdo do programa
Módulo I: O Ser Político.
O Programa inicia-se com ênfase no desenvolvimento de faculdades centrais da Prática Social Reflexiva: qualidades da atenção, da consciência e da abertura. Expande no participante suas habilidades perceptivas, levando-o a ter um olhar cada vez mais atento sobre si, o mundo e as relações que se estabelecem entre estes. O aprendizado permite que o participante reconheça o que sua ação mantém, fortalece e transforma no mundo.
Trabalho escrito (entre módulos): Eu político (1500 palavras)
Módulo II: A complexidade no fazer político.
Este módulo busca ampliar a compreensão da complexidade presente na paisagem política – polaridades, contradições, relações – reconhecendo um mundo vivo, de conexões e constante mudança. A partir do estudo sobre o sistema democrático brasileiro – sistemas de governo e político, forma de organização de Estado, partidos e de controle social – promoverá a investigação de situações vivenciadas pelos participantes e também por convidados, provocando a busca pela compreensão sobre a qualidade da intervenção política própria de cada um.
Módulo III: Uma prática servidora.
O foco é compreender os desafios do exercício do poder ao colocar sua vontade no fazer politico. O participante irá vivenciar 24h da rotina de uma família em comunidade em situação de vulnerabilidade e risco social e ambiental. Esse módulo pedirá abertura do participante para que dê dois passos para dentro de si em busca dos padrões e forças motrizes que orientam sua ação. Um mergulho radical, luz e sombra, numa dança de aprendizagem em busca da real mudança capaz de sustentar e honrar o poder que é outorgado pela representação.
Trabalho escrito (entre módulos): O Ser Político (1500 palavras)
Módulo IV: Uma politica autêntica
O percurso de desenvolvimento culminará no reconhecimento sobre o que se transforma na prática política de cada um e o que emerge no caminhar da vida politica do grupo de participantes. Estes, conscientes de que cada um é corresponsável pela criação das realidades coletivas, irão em busca de se maravilhar com o que quer nascer da relação do grupo e que seja capaz de se sustentar na complexidade do fazer político autêntico para, assim, propagarem uma prática política reflexiva.
Coordenação Pedagógica
André Previato é natural de São Paulo/SP, onde reside, tem atuado nos últimos quatro anos com empreendedorismo cívico voltado ao aprimoramento da democracia, em especial na RAPS – Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e no AGORA!. Nesse período se envolveu ativamente em candidaturas de renovação alinhadas ao desenvolvimento sustentável. É mestre pela London School of Economics and Political Science (LSE), especialista em Direito Econômico pela GV-Law e graduado em Direito pela PUC-SP. Certificou-se como mediador pela CEDR e pela FIESP.
Dalva Correia é natural de Recife/PE, onde reside, e atua na gestão pública do município em diferentes políticas públicas, atualmente com foco no envelhecimento e como consultora em processos de Desenvolvimento Institucional (DI), além do empreendimento do “O Ser Político” como proposta de formação para novas lideranças. É graduada em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco especialista em processos de facilitações grupais com ênfase nos referenciais da Prática Social Reflexiva e Pedagogia Social.
Denise Castro é ativista e facilitadora de processos multissetoriais. Líder da Rede de Ação Politica pela Sustentabilidade (RAPS). Se desenvolveu como gestora organizacional no terceiro setor, articuladora e estrategista, adquirindo experiência na gestão pública por meio da relação público-privada. Atua no desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de transformação social. Desenha e empreende programas de aprendizagem com abordagem inovadora a partir da prática da pessoa e de um olhar sensível e integrado a natureza. É uma das idealizadoras e empreendedoras da oficina de aprendizagem O Ser Político, concebida para contribuir com o desenvolvimento de novas lideranças políticas. Pós-graduada em Prática Social Reflexiva pelo Instituto de Filosofia da Inovação Social da Alanus University em Bonn e Graduada em Ciências Biológicas pela PUC-CAMPINAS.
Organização
O programa é organizado pelo Grupo Recife de Aprendizagem (GRA) e o Instituto Fonte em meio ao contexto político do país que nos desafia a ressignificar nossa prática. Esta é mais uma atuação conjunta entre esses dois atores que reúnem profissionais com forte experiência em formação. O GRA e Instituto Fonte também estiveram juntos no Escuta NE, na Pós-graduação em Pratica Social Reflexiva e no Profissão Desenvolvimento.
Grupo Recife de Aprendizagem: Coletivo de 14 lideranças com atuação nos setores governamental, empresarial e da sociedade civil organizada. Desde 2006, essas lideranças vêm experimentando na sua prática profissional os princípios e a abordagem de desenvolvimento baseada na premissa de que os processos sociais são orgânicos e dinâmicos. Dessa forma, vêm exercendo um papel transformador nos campos da defesa de direitos, meio ambiente, criança e adolescente, responsabilidade empresarial, investimento social privado, educação popular, dentre outros.
Instituto Fonte: Organização da sociedade civil brasileira que, há 20 anos, facilita processos de desenvolvimento social, ajuda indivíduos a compreenderem e aprofundarem sua atuação e apoia a sustentabilidade de comunidades, grupos e iniciativas sociais.
Inscrições
A política trata da convivência entre diferentes que se organizam para objetivos comuns. A riqueza do percurso formativo proposto será tão grande quanto maior a diversidade do grupo. Nesta perspectiva, a coordenação cuidará para que o custo do Programa não seja impeditivo para a formação de um grupo diverso, que o potencialize.
Todas e todos que se identifiquem com a proposta O Ser Político estão convidados a realizar a inscrição e se engajar no desenvolvimento de ações de mobilização de recursos que estão sendo desenvolvidas. Essa disposição promoverá o comprometimento e a corresponsabilização financeira do grupo, inclusive para a obtenção de fontes alternativas de financiamento.
O Programa tem a intensão de que sua dimensão econômica faça parte do processo de desenvolvimento. Desde as inscrições, a coordenação dará transparência ao orçamento geral e trará à tona a reflexão sobre a relação entre os padrões valorativos dominantes e nossa situação social de desigualdade.
Inscrições encerradas.
A coordenação fica à disposição para responder a eventuais dúvidas pelo email: contato@institutofonte.org.br
“Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”.
Rubem Alves
O Instituto Fonte esteve presente no Fórum Nordestino de Economia de Comunhão, que aconteceu no dia 9 de novembro de 2018, em Recife, uma realização da comissão local de EdC e a Anpecom. Com o tema “Desenvolvendo competências para um empreendedorismo de impacto”, o evento contou com a facilitação da consultora Saritta Falcão Brito. “O chamado para levar a prática da escuta às empresas da EdC – Economia de Comunhão, em meio ao ambiente do Fórum de Finanças Sociais me encheu, e ao Instituto Fonte, de sentido e pertencimento”, declarou Saritta.
Saritta aproveitou para contar um pouco sobre os exercícios desenvolvidos:
Durante o Fórum, eu realizei essencialmente duas práticas de escuta. A primeira que tem a ver com a escuta do silêncio: o que emerge quando a gente silencia, em si próprio, no ambiente da sala e lá fora. Objetivo é perceber como a gente pratica nossa escuta e se dá conta dos campos de percepção que estão interagindo e interferindo o tempo todo no nosso diálogo e nas formas de se relacionar com o outro.
E o outro exercício é o “falar e ouvir”, que tem o objetivo de olhar para o lugar de onde a gente escuta o outro. E, num primeiro momento, o exercício desperta o interesse ou a compreensão do quanto eu escuto o outro esvaziado de mim mesmo ou a partir de uma conversa interna muito grande. As falas, durante o Fórum, trouxeram a necessidade de contrapor; do não ouvir, mas do para esperar para falar; de escutar o outro fazendo conexões com suas próprias vivências; a dificuldade de escutar o outro quando você não conhece o assunto. O processo diz respeito a se dar conta do que vai interferindo no processo de escuta, são exercícios para tomar consciência de como a gente escuta e para perceber o que interfere nessa escuta, tanto em campos externos assim como no nosso próprio campo de barulhos e vozes interiores”.
A Associação Nacional por uma Economia de Comunhão (Anpecom) tem como objetivo reunir e articular pessoas, empresas, instituições públicas e privadas que estejam interessadas em contribuir com os objetivos da Economia de Comunhão de consolidar uma cultura econômica fundamentada na comunhão e reduzir a pobreza. Acreditam que o empreendedorismo concebido a partir desta perspectiva cultural é um instrumento potente para a superação da vulnerabilidade econômica e social.
Dia 21 de outubro, o espaço Cita – Cantinho de Integração de Todas as Artes – acolheu um grupo de jovens para juntos compartilharem suas alegrias e inquietações diante das transformações que procuram para si, para seus empreendimentos e para o mundo.
O Encontro Geração Cidadã propôs diferentes dinâmicas com o objetivo de favorecer a percepção sobre seus empreendimentos. Cerca de 20 participantes puderam explorar a noção de “sustentabilidade” para além dos pilares financeiros e de impacto, focando o pilar principal de sustentação das iniciativas: a/o empreendedor, a/o ativista.
Juliana Cortez, coordenadora e uma das idealizadoras do projeto ao lado de Ivy Moreira, conta que o Geração Coletivos tem como proposta reunir empreendedores socioculturais e negócios de impactos sociais das regiões periféricas da cidade de São Paulo. “O intuito é criar pontes, conexões, além de promover uma reflexão aprofundada sobre o que os diferencia e o que os une”, explica.
Diferentes iniciativas, relacionadas a arquitetura periférica, brinquedos lúdicos, eventos culturais da periferia, vídeo, mobilização, arte, cultura e esportes, compuseram o grupo. As vivências trataram sobre «o cuidar de si», «do outro» e como é possível expandir esse cuidado aos sonhos, ideais e iniciativas nas quais participam os jovens. Juntos, foi possível revelar e debater algumas premissas que têm sustentado as iniciativas de transformação sociocultural nos dias de hoje, a partir das percepções dos próprios jovens, como:
“Quanto mais você acreditar no seu propósito, mais vai atrair uma rede que te ajude a sustentar sua iniciativa.”
“É importante cultivar o modo ativista para manter a atenção e evitar cair no modelo automático e de tempos em tempos se distanciar, se descolar da sua iniciativa, questioná-la. Muitas vezes nós tornamos reféns do próprio sistema instalado que questionamos.”
“Há uma motivação de se manter no limiar da transformação social mesmo estando ciente de todos os dilemas e contradições que esse lugar desperta”.
“Há uma vontade profunda em fazer diferente e encontrar meios para fazer diferente”.
“Eu sou o ator principal de toda essa sustentação, e eu preciso ter espaços para me cuidar, preciso de espaços de respiros, de fortalecimento, de reconhecimento para seguir adiante”.
“Preciso prestar atenção no radicalismo de querer sair de uma caixa a qualquer custo e acabar caindo em outra caixa. O mais importante é criarmos uma teia de sustentação, mesmo que para isso eu estabeleça conexões com pessoas que não necessariamente pensem como eu”.
Haverá mais um encontro, também com formato semelhante. Mas é necessário ficar atenta/o para quando abrirem as inscrições, pois as vagas são limitadas a um grupo de até 20 participantes. O Projeto Geração Coletivos é uma realização do Instituto Fonte em parceria com o Instituto Geração. É coordenado por Juliana Cortez, com a colaboração de Ivy Moreira, Tati Piva e Luciana Leo.
Sobre o local: O espaço Cita é um centro de coletivos artísticos que reúne uma galera incrível de diferentes iniciativas que vale a pena conhecer. Fica na Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Jardim Bom Refúgio.
Quer conversar com a gente, tirar dúvidas ou conhecer mais sobre o projeto, mande e-mail para: geracaocoletivos@gmail.com
Sobre o projeto Geração Coletivos:
O projeto Geração Coletivos (PGC) é um programa de fortalecimento de iniciativas e coletivos liderados por jovens entre 18 e 35 anos da cidade de São Paulo. Pretende criar espaços de diálogo e reflexão entre os participantes para a promoção do desenvolvimento pessoal e da sua iniciativa, fomentando a criação de uma rede que expanda e fortaleça o campo de atuação de tais coletivos.
Atua por meio de uma abordagem fundamentada no desenvolvimento de habilidades sociais, bem como da prática da observação, possibilitando ao participante realizar leituras de processos contextualizadas e aprofundadas ao mesmo tempo que se desenvolve como agente de transformação social.
Como é sustentar iniciativas de transformação socioculturais no contexto atual?
O projeto Geração Coletivos convida você, que tem entre 21 e 35 anos, empreendedor de iniciativas socioculturais, a participar de um encontro entre pares para que juntos possamos trocar experiências e ampliar nosso entendimento sobre as delícias e os desafios de promover a transformação sociocultural no momento atual.
Iremos nos inspirar em vivências sobre «o cuidar de si», «do outro» e como expandimos esse cuidado aos nossos sonhos, ideais e a nossas iniciativas, no contexto atual.
O projeto Geração Coletivos é uma iniciativa do Instituto Geração e Instituto Fonte.
Quando: Sábado, 21/10 das 9h00 às 17h00. Onde: Espaço Cultural Cita
Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Jardim Bom Refúgio
É necessário preencher a ficha de inscrição, pois as vagas são limitadas!
Quer conversar com a gente, tirar dúvidas ou conhecer mais sobre o projeto, mande e-mail para: geracaocoletivos@gmail.com
Sobre o projeto Geração Coletivos:
O projeto Geração Coletivos (PGC) é um programa de fortalecimento de iniciativas e coletivos liderados por jovens entre 18 e 35 anos da cidade de São Paulo. Pretende criar espaços de diálogo e reflexão entre os participantes para a promoção do desenvolvimento pessoal e da sua iniciativa, fomentando a criação de uma rede que expanda e fortaleça o campo de atuação de tais coletivos.
Atua por meio de uma abordagem fundamentada no desenvolvimento de habilidades sociais, bem como da prática da observação, possibilitando ao participante realizar leituras de processos contextualizadas e aprofundadas ao mesmo tempo que se desenvolve como agente de transformação social.