Pequena retrospectiva de 2024
Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos.
Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.

Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos.
Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.

Queridas pessoas e organizações, 🌿
O ano de 2024 proporcionou descobertas valiosas para o Instituto Fonte.
E, para este final de ano, tentamos olhar para esses aprendizados e trazer um pouco daquilo que nasceu em nós a partir de nossa prática, assim como nos ensina a simbologia do Natal, e que gostaríamos de compartilhar com o mundo.
O conjunto dessas reflexões forma um mosaico de vivências, sentimentos e reflexões que queremos presentes em 2025.
Agradecemos a luminosidade das relações e situações que tanto nos inspiraram na elaboração de um presente de Ano Novo para vocês, pessoas e organizações com quem seguimos, lado a lado.
E para você, “o que nasceu na sua prática neste ano de 2024 que gostaria de manter e compartilhar com o mundo em 2025?”
Obrigada a cada peça deste mosaico de nascimentos e aprendizados!
*estaremos em recesso de 24/12/2024 a 05/01/2025.
Participe de uma vivência online gratuita com Allan Kaplan e Sue Davidoff, diretamente da África do Sul! Essa experiência abordará transformação social e participação consciente.
🌍 Kaplan e Davidoff, autores de “Artistas do Invisível” e “O Ativismo Delicado”, são referência internacional em processos de facilitação e docentes da pós-graduação em Facilitação de Processos da FRS.
🔗 Inscreva-se e garanta sua vaga: https://frs617.activehosted.com/f/25

Sobre a pós-graduação em facilitação de processos
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Sobre a pós-graduação
A Pós-graduação em Facilitação de Processos é orientada para pessoas que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
https://frs.edu.br/cursos/facilitacao-de-processos-2025-26/

Se você deseja se desenvolver como facilitador ou facilitadora de processos e promover mudanças significativas no contexto social , educacional ou organizacional, já é possível se inscrever, até 06/12, para a pós-graduação em Facilitação de processos à luz da prática social reflexiva.
Esta pós-graduação entende facilitação de processos como uma postura ou atitude de curiosidade e busca, colocada em prática com a intenção de apoiar um grupo ou pessoa a construir uma imagem sobre o que está vivendo, a ampliar sua compreensão e consciência sobre sua situação e a realizar os movimentos intrínsecos e necessários para a transformar.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Objetivos do curso
Disciplinas
Essa disciplina busca desenvolver habilidades de ler (atenção e observação), de atribuir sentido (reflexão e compreensão) e de intervir (facilitação) em processos sociais compreendidos como vivos, dinâmicos e complexos – tais como pessoas, grupos, iniciativas e/ou organizações.
Investigará a maneira pela qual tais processos desenvolvem suas formas, fluxos e práticas, estudando ideias como mudança, morfologia e metamorfose, além de apreciar o que possibilita e o que impede movimentos de transformação e desenvolvimento.
Também aprofundará a compreensão sobre a realidade do mundo atual e do Brasil, identificando relações entre o contexto e a situação específica – ou entre parte e todo -, assim como as formas de intervenção social predominantes na atualidade.
Explorará a relação entre a teoria e a prática da facilitação de processos, trazendo pressupostos básicos, fundamentos e princípios da facilitação e contribuirá para que os participantes ampliem sua capacidade de facilitar processos de intervenção e mudanças. A “Pesquisa-ação” será a principal metodologia para aprimoramento da intervenção e investigação da prática de facilitação.
Tornar-se um facilitador, cuja prática social é reflexiva, significa observar rigorosamente seu fazer, buscando aprimorá-lo sistematicamente ao mesmo tempo em que se autodesenvolve. Os participantes devem ser capazes de reconhecer suas características pessoais e como elas impactam as situações sociais nas quais estão intervindo. A leitura de si e a autorreflexão compartilhados são aspectos fundamentais a serem exercitados ao longo desse programa.
Esta disciplina contribui para que os alunos compreendam e experimentem abordagens para trabalhar a autoconsciência crítica e o autodesenvolvimento, tais como a biografia humana, o olhar para habilidades sociais e uma compreensão holística do ser humano – individual e em sociedade.
Nesta disciplina se pretende discutir como o sujeito é elemento de percepção do mundo e como diferentes modos de pensar (analítico, complexo, orgânico) marcam a interação entre sujeito e objeto. Para isso, serão estudados temas e leis que orientam o pensamento embasado pela inteligência da vida (dos organismos vivos). Também serão abordadas as origens das diferentes vertentes da fenomenologia e as especificidades em particular do pensamento desenvolvido por Goethe. Os alunos exercitarão o desenvolvimento das habilidades necessárias para compreender as ideias que compõem o pensamento de Goethe e poderão observar de que maneira as diferentes formas de pensar influenciam a situação e definem as escolhas feitas na facilitação.
Metodologia de ensino
Essa formação baseia-se na metodologia da aprendizagem pela experiência e na Prática Social Reflexiva. Ambas propõem a integração entre a prática, a reflexão e a autopercepção no processo de aprendizagem.
Todo o conteúdo dessa formação será trabalhado a partir de:
Público
Esta pós-graduação é orientada principalmente para pessoas com idade superior a 28 anos, que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Os participantes precisam estar dispostos a compartilhar suas experiências com o grupo, a refletir profundamente sobre si e sobre sua prática, e devem estar preparados para exercitar o aprendizado na formação a partir dos exercícios e tarefas inter-módulos.
Perfil do egresso
Ao final do curso, os participantes terão aprimorando suas habilidades de facilitação à luz da prática social reflexiva, que na perspectiva desta formação significam:
Pré-requisitos
Local, formato e calendário
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Serão oferecidas 35 vagas.
A abertura de turma está condicionada ao preenchimento do número mínimo de 28 participantes matriculados.
O curso será realizado em 24 meses, de janeiro de 2025 a dezembro de 2026, em formato semipresencial, com aulas presenciais e aulas remotas, com a seguinte estrutura:
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
https://frs.edu.br/cursos/facilitacao-de-processos-2025-26/

As dinâmicas que realizamos me passaram a sensação de que o Profides é um grande e costurado conjunto de exercícios para a inteligência emocional e para nosso lado racional. Revisitamos questões de lógica e de foco narrativo e exercitamos a observação participante, mas de uma nova maneira, para mim: com o olhar descentralizado para as múltiplas esferas do que vai se desenvolvendo, tudo simultaneamente. Pareceu desafiador e foi encantador ao mesmo tempo”. Cristina Uchoa
A leitura dos aspectos invisíveis implica em “ver” relações internas do fenômeno e dele com seu mundo exterior.
Procurar olhar para as habilidades da observação, da imaginação e da leitura dos processos, percebendo alguns desses locais, além de suas influências, foi a provocação feita durante a atividade O experimento como mestre: mediando a relação objeto e sujeito, um momento de pessoas interessadas conhecerem de forma mais profunda a proposta do Profides: Profissão desenvolvimento.
A oficina aconteceu na primeira quinzena de fevereiro, na sede do Ficas, e contou com a facilitação de Tião Guerra e Flora Lovato, consultores responsáveis pelo Profides X. Para eles, o central neste dia foi considerar que uma situação pode ter pontos de vistas diferentes e as abordagens diferenciadas conduzem seu tratamento para um lugar também peculiar e, consequentemente, para desfechos igualmente distintos.
“E como procuramos desenvolver essa percepção? Fizemos um exercício em que a gente trabalhou, comentou e leu uma situação sobre três pontos de vistas: um de senso comum, que equivaleria a uma conversa de elevador; outro de um especialista que quer resolver aquela situação e que dava conselhos; e um final, o ponto de vista de quem quer ajudar a pessoa que está envolvida naquela situação a criar uma compreensão sobre aquilo que ela está vivendo”, explicou Tião Guerra.
A percepção: dependendo de qual dos três caminhos é escolhido, o que ocorre dentro de cada pessoa envolvida no tratamento daquele caso é diferente, como também é diferente o resultado final da própria situação. Essa distinção é importante, pois não valora nenhum dos procedimentos – tipo esse ou aquele é melhor ou mais adequado – , mas é um convite pra que as pessoas prestem atenção sobre qual o ponto de vista tem tratado diferentes situações na própria vida ou no trabalho.
Para o consultor Tião Guerra, “esse prestar atenção em como você trata de uma forma superficial e rápida, ou de uma forma buscando soluções custe o que custar, ou de uma forma a gerar uma maior compreensão para o que está acontecendo, é fundamental, pois falará sobre sua abordagem e forma de ler as situações”.
Essa vivência, que mostrou um pouco do grande potencial do Profides, foi uma amostra da capacidade de experimentarmos, observarmos, refletirmos e avançarmos em grupo, com o outro e também individualmente. O momento atual pede uma prática mais consciente que promova maior capacidade de diálogo, articulação e transformação”. Roberta Rossi
Geometria projetiva: O outro exercício do dia consistiu em trabalhar esse mesmo conceito sobre a perspectiva da geometria projetiva na criação de um círculo. “Num primeiro momento, criamos um círculo à mão livre. Em um segundo, com raios equidistantes de um centro, e depois, em um terceiro momento, sem os raios e apenas com tangentes de raios imaginários. O movimento do círculo que aparece do centro para a periferia e da periferia para o centro é um tratamento metafórico, uma outra linguagem da mesma atividade da manhã”, acrescentou Flora.
Ou seja, como é que a gente trata um círculo, fazendo com que ele apareça a qualquer custo, ou fazendo com que ele emerja da aproximação de diferentes elementos vindo de uma periferia distante ou de pouca consciência pra proximidade de maior consciência, de maior compreensão, fazendo com que o círculo emerja”. Flora Lovato
Sobre o Profides: As inscrições seguem abertas! O início da décima turma acontece em Abril de 2019 e é possível acessar todas as explicações em: http://new.institutofonte.org.br/profides2019/
O Fonte pra mim sempre foi uma referência. Não é de hoje que eu conheço o Profides. Já tinha ouvido falar e dessa vez eu decidi que gostaria de participar por que nos últimos dez anos, com as minhas filhas, a base antroposófica foi muito presente na minha vida. Eu resolvi fazer a formação de professores Waldorf e acredito que participar nesse momento seja o ideal. O Esquenta foi super bacana, pois deu uma pincelada sobre o que vai ser esse desenvolvimento, e que pra mim traz essa consciência de que a gente se desenvolve a partir dos relacionamentos, a partir dos diálogos, a partir do olhar pra mim e o olhar para o outro. Eu já tinha feito os exercícios com figuras geométricas dentro do currículo de geometria, e esse olhar da circunferência, sobre o que vem de fora e do ponto que vai pra fora, e confronta meu olhar para outras situações, se sou passiva, ativa, como me comporto dentro dos relacionamentos, dentro do mundo, enfim… mexeu comigo. Acho que vai ser gratificante e importante desenvolver esse olhar pra mim mesma e como eu me comporto no mundo, seja o profissional, ou o de casa”. Adriana da Glória
Ficarei perdida entre a mudez dos sinais? Ficarei, pois sei como sou: nunca soube ver sem logo precisar mais do que ver. Sei que me horrorizarei como uma pessoa que fosse cega e enfim abrisse os olhos e enxergasse – mas enxergasse o quê? um [objeto/situação] mudo e incompreensível. Poderia essa pessoa não se considerar mais cega só por estar vendo um [objeto] incompreensível?”
Clarice Lispector
Quando observo e quando imagino, o que está acontecendo em mim?
O que é do fenômeno e o que é meu? O que projeto?
O que ocorre dentro da pessoa tem diferentes níveis… Da observação acurada, que implica leitura, escuta e visão…
Da imaginação sensorial exata, que implica em rememorar, reviver, fazer conexões entre diferentes aspectos manifestados pelo fenômeno…
A leitura dos aspectos invisíveis implica em “ver” relações internas do fenômeno e dele com seu mundo exterior…
Gostaríamos de convidar você para fazer parte do encontro do dia 8 de fevereiro, com a nova turma do Profides: Profissão Desenvolvimento.
Queremos olhar para as habilidades da observação, da imaginação e da intuição como momentos da leitura de processos.
Está sentindo que é hora de olhar profundamente para seu lugar profissional e para sua ação no mundo?
Participe conosco. Esse será nosso último encontro aberto antes do início do Profides X, em Abril de 2019.
Quando: 8 de fevereiro, das 9h às 17h.
Onde: Ficas – R. Dr. Lopes de Almeida, 180 – Vila Mariana
Quer compartilhar com seus amigos, baixe o flyer e nos ajude a divulgar esse encontro!

Tião Guerra. Consultor, facilitador, educador, amador, sonhador, cuidador, cantor, compositor… Adjetivá-lo é uma tarefa difícil, pois qualquer definição, dependendo do contexto, pode tornar-se frágil e limitadora do alcance de suas asas invisíveis. Mas sua autodescrição destaca, para além daquilo que já foi apontado antes, seu gosto por caminhar e suas aptidões como músico, leitor, escritor (https://cartasdofundo.wixsite.com/site) e como pai de seis filhos maravilhosos.
Como o sobrenome indica, aos seus 58 anos de vida Tião luta suas próprias batalhas. Acredita no contato consigo mesmo, com a natureza, com a arte e com o outro como estilo de vida, abordagem de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. Após 39 anos de atuação como educador, desenvolveu um olhar muito dinâmico, crítico e realista para as situações que envolvem a educação de crianças e jovens, fruto de uma trajetória multifacetada e inquieta, iniciada em 1979, no Estado do Rio de Janeiro, e que ultrapassou os muros da escola pública e alcançou movimentos e organizações sociais de várias localidades e naturezas, incluindo aquelas voltadas para a Pedagogia Waldorf.

Com base nesse caminho, influências e inúmeras perguntas ainda sem respostas, Tião tem aperfeiçoado um conceito próprio que intitulou “educação vigorosa”.
E esse é o foco deste texto, fruto de uma longa conversa-aula, que tratou desde a origem e inquietações presentes no conceito, como também se preocupou em apontar qual é o caminho pedagógico para o qual procura olhar a educação vigorosa.
E, apenas lembrando, Tião Guerra será um dos facilitadores do Profides X, ao lado de Flora Lovato. Já fez sua inscrição?
A origem do termo “educação vigorosa”
Tem a ver com uma trajetória de 37 anos dentro de escola, tanto privada como públicas, estas últimas, em áreas periféricas onde o tema da violência ou da inadequação, ou a falta de sentido do espaço escolar para uma boa parte das crianças e dos jovens é um tema muito recorrente. Sobretudo para os jovens. Como olhar para a instituição escola pública, que é a maior instituição pública desse país, onde mais circulam cidadãos, como um espaço que pudesse ser interessante, desejável, estimulante?
Essas inquietações surgiram paralelamente ao meu convívio com a Pedagogia Waldorf, que tem na sua base o princípio associativo, ou seja, a escola não é do Estado, não é de um dono, de um proprietário, mas a escola é gerida, construída por uma tríade composta os professores, pais e comunidade.
A aposta da Pedagogia Waldorf, de que a relação dos adultos é aquilo que vai gerar a estrutura ou o leito por onde vai correr o “rio escola”, por onde vai correr o “rio crianças” em processo educativo, sempre foi pra mim um grande atrativo dessa abordagem pedagógica. Porém, ao longo dos anos fui percebendo que esse é um grande tesouro repleto de grandes desafios.
O desafio da vida em comunidade
A vida associativa é um grande desafio na contemporaneidade. A vida associativa, de colaboração, de criar consensos, de haver dissensos, de discordar, de estabelecer mandatos, de diferenciar alçadas, todos esses processos que são centrais na vida social estão muito fora de moda.
Não é algo que está sendo estimulado na esquina, ou seja, vamos colaborar, vamos organizar bons encontros para produzir metas definidas no bairro, no condomínio, na cidade, enfim… E isso não é culpa das pessoas que estão envolvidas no processo.
Pra mim, nasce essa constatação de que essa fragilidade da presença dos adultos, tanto nas escolas públicas como na Escola Waldorf, que não são públicas, são comunitárias e associativas, era um fenômeno mais profundo do que a inabilidade daquele grupo de adultos, ou daquela comunidade que estava em torno daquela da escola pública. Mas que a gente deveria olhar pra isso com mais cuidado na conjuntura moderna, na qual o ideal de adulto bem sucedido é um adulto privatizado, que tem seu plano de saúde, que tem a chave da sua casa, que está dentro do condomínio, que se locomove no seu carro, que é “independente”. Isso tudo é tido como sucesso.
Essa “pulga atrás da minha orelha” foi crescendo e chegou uma hora que uma pergunta do Steiner, em um livro chamado “A questão social como questão pedagógica” fez muito sentido. Logo na abertura ele diz: “como nós adultos devemos nos comportar diante das crianças se quisermos que elas mergulhem com entusiasmo na vida cultural, jurídica e econômica?” Eu me agarrei nessa pergunta e falei “é com essa que eu vou”.
Uma escola sem crianças no centro?
Começa assim a nascer esse conceito de uma escola que tem crianças e jovens, mas que o centro dessa escola não são as crianças e os jovens. É uma ideia contra intuitiva, um rompimento. As pessoas não dizem isso, as crianças sempre foram o centro da escola. E eu começo a dizer que o centro da escola são os adultos e a sua vida social, seja uma escola pública ou Waldorf, de que essa escola vai ser tão mais interessante, estimulante, significativa quanto mais qualificada for a vida social dos adultos que estão em torno dessa escola?
Na medida em que a vida dos adultos, a vida de colaboração, associativa, se qualifica e se torna entusiasmante para os adultos, as crianças e os jovens vão se espelhando e conforme vão ganhando idade, iniciam sua própria participação nessa estrutura, a partir desse comportamento.
A escola é um lugar onde os adultos são referências. Eles não são faladores de mundos românticos, idealizados, mas eles são uma referência prática do quanto é bom e dilemático ser adulto, no sentido de que não é harmônico, mas no sentido de que a vida adulta é uma vida interessante. Ela tem uma ludicidade dramática. Crianças e jovens, quando olham para esses adultos, pensam, sentem “nossa, é bom amadurecer, é bom ser adulto. É bom caminhar para meu próximo estado”.
Eu tenho sido muito chamado para trabalhar com Escolas Waldorf, fortalecer a vida associativa. Eu tenho feito o que disse até agora, lembrar as pessoas de que se a gente “brinca bem como adulto”, isso é a escola. A relação entre os adultos é o que vai fazer esse fluxo. Vivenciar situações reais que vão representar um currículo vigoroso. Que é um currículo de comportamento adulto, maduro.
O fluxo da força: da violência à virtude

Há uns seis meses, uma universidade me convidou para falar sobre educação não-violenta. À medida que iam passando os dias, crescia uma questão em mim: se a gente tirasse a violência da educação ela seria morta, uma vez eu o componente violência é um componente da vida. Se você tira esse componente da vida, uma outra polaridade desaparece também.
Fui pesquisar sobre a origem etimológica da palavra violência e descobri que o prefixo vis, que nas línguas neolatinas se transformou em vir, quer dizer força da vida. Então, a etimologia de violência é força em excesso.
Se há uma força em excesso, deve ter uma força adequada, pensei. Virtude quer dizer força adequada. A etimologia de virtude é: a força adequada para cada situação. Não é uma força adequada para tudo, quer dizer a força adequada para cada situação. E violência é a força em excesso para qualquer situação.
Por exemplo, um silêncio excessivo em uma situação determinada pode ser um ato de violência. Violência não caracteriza apenas o tapa, a sacudida, o palavrão. A violência pode ser qualquer comportamento, qualquer força em excesso em uma situação determinada. O que é muito interessante, pois se há um excesso de força e uma força adequada, deve ter uma dança entre as duas. Ou seja, deve haver um movimento que oscila entre o excesso e a adequação. E essa palavra é o vigor. O vigor é a prática da força, sem adjetivos.
Quando eu fui dar a aula, eu trabalhei todo esse conteúdo, para o escândalo inicial das pessoas que estavam por lá. Depois criou um entusiasmo e uma compreensão. Meu esforço é levantar a questão sobre o que pode criar condições para uma educação vigorosa, uma educação onde os adultos estejam atentos a prática continua da força, pois estamos continuamente sendo excessivos em nossa prática e estamos continuamente quebrando o excesso de força, transformando violência em virtude.
Estamos sempre oscilando entre virtude e violência. A questão é que se a gente presta atenção nessa oscilação, a gente vai se tornando uma pessoa vigorosa, na prática, alguém que está prestando atenção em suas mancadas e nas suas coisas incríveis. E se a gente vai nessa direção, a gente tem mais condições de desenvolver coletivos educadores vigorosos como, por exemplo, nas escolas, ou em espaços informais, associações, pois não serão excessivamente violentos, nem divinamente virtuosos. Mas serão instituições fortes e vigorosas.
Estaremos atentos ao fenômeno da prática da força para, que ele fale pra você. Nesse sentido, não chegarei a tratar de conteúdos, de formatos. Estou lidando com os sujeitos, com o comportamento dos sujeitos responsáveis por essas organizações, instituições.
A transformação do paradigma: significados para o processo educativo

Como eu trabalho isso? Imaginemos uma linha vermelha que vem do passado e que posiciona o processo educativo no tripé antroposófico do pensar, sentir e querer.
A virada, para transmutar esses três:
Um sucesso educativo é gerar criaturas que chegam nos ambientes, compreendem e os transformam. Pois se levam ao ambiente e propõem uma interferência. Essa transformação dos paradigmas do aprender, manter-se, porta-se para o compreender, relacionar-se, comporta-se é o resultado de uma educação vigorosa.
Os três primeiros selecionados recebem um prêmio e apresentam suas iniciativas em novembro, na Itália

A Escola da Juventude está entre os 13 finalistas do Prophetic Economy Award (Prêmio de Economia Profética). Esta competição é parte do evento internacional Economia Profética 2018, que acontecerá em Castel Gandolfo, Itália, de 2 a 4 de Novembro.
Os três vencedores, que serão apresentados até o final deste mês, recebem um prêmio e terão os custos de viagem e hospedagem cobertos para apresentarem seus projetos durante a atividade na Itália. A proposta pretende dar visibilidade e reconhecimento aos diversos agentes de mudança que, guiados por uma visão ousada, somada à inventividade, ao diálogo e à criatividade, desenvolvem soluções sustentáveis para os problemas ambientais e sociais do nosso tempo.
Os projetos precisam seguir uma abordagem integral, envolvendo desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, inclusivo e sustentável, ou seja, com proposta para garantir a dignidade de cada pessoa, respeitando os limites ambientais. A competição é organizada colaborativamente com a Economia de Comunhão (Movimento dos Focolares – PAFOM), ATD Forth World, Associação Papa João XXIII, Comunidade Nomadelfia, Slotmob, Movimento Climático Global Católico, World of community and family e Teens4Unity.
Escola da Juventude: Curso de Empreendedorismo Social é um projeto do Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social, realizado em parceria com a Fundação Arconic, Ponto Cidadão, Polo Ginetta, Escritório do Empreendedor de Igarassu e a empresa Itamaracá Transportes.

O projeto se propõe a ser um espaço de formação para 40 jovens, na faixa etária de 16 a 29 anos e trabalha habilidades sociais, ajuda a desenvolver capacidades de liderança, protagonismo e empreendedorismo. Além disso, as formações procuram valorizar as potencialidades da juventude, como criatividade e idealismo, para favorecer um olhar empreendedor capaz de promover seu próprio desenvolvimento e da comunidade.
Helena Rondon, idealizadora e coordenadora da ação, conta que foi uma grande alegria fazer parte dos 13 finalistas. “Isso representa o reconhecimento da força e da vontade da juventude local em criar seu próprio projeto / trabalho e renda e abrir possibilidades para que a comunidade onde vive possa desenvolver-se”, conta.
Nesta edição, a “Escola da Juventude – Curso de Empreendedorismo Social” abordou temas para cultivar, despertar ou impulsionar qualidades e habilidades empreendedoras capazes de influenciar e promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável. A ideia consiste em estimular a participação cidadã e o empreendedorismo, a partir de abordagens comuns ao Instituto Fonte, como a descoberta do potencial de cada jovem e do fazer em grupo, com olhar sensível para o processo de desenvolvimento do contexto em que vivem. “A visibilidade e quiçá o recurso
financeiro deste premio vai ajudar a colocar de pé, a tornar esses sonhos uma realidade. São 11 projetos que estão aguardando uma chance para mudar vidas”, completa Helena Rondon.
Assista ao vídeo do projeto
Ainda é possível participar do evento. Veja mais informações em:
Prophetic Economy Event: www.propheticeconomy.org
O objetivo da Escola da Juventude é o de criar um ambiente propício para que jovens
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo
Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Quer entrar em contato, escreva para: escoladajuventude@
*foto publicada pelo Observatório da Sociedade Civil (http://observatoriosc.org.br/noticia/michel-quinn-patton-avaliar-para-aprender-aprimorar-e-transformar)

A presença de Michael Patton, fundador e presidente da Utilization-Focused Evaluation (Avaliação Focada no Uso), nos Estados Unidos, durante o 14º Seminário Internacional de Avaliação, iniciativa do GIFE, Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e Instituto C&A, que aconteceu em agosto, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), levantou algumas questões sobre os desafios da avaliação na atualidade.
O Instituto Fonte atua a cerca de duas décadas com processos de avaliação no Brasil e tem o tema como uma de suas linhas de pesquisa e ação. Aproveitamos a presença e as provocações trazidas por Patton, pesquisador e consultor em avaliação de destaque mundial por focar, em toda a sua trajetória, questões como avaliação e aprendizagem, avaliação e desenvolvimento, avaliação e seus usos, e convidamos para uma conversa dois consultores do Instituto Fonte que estiveram presentes no evento: Flora Lovato e Alexandre Randi.

Ao olhar para esse lugar da avaliação no Brasil e na trajetória do Instituto, os consultores aproveitaram para destacar pontos que consideraram relevantes na e a partir da fala de Patton, que, é importante lembrar, traz em seu currículo cerca de cinquenta anos de dedicação à interface avaliação e aprendizagem.
Um jeito de falar sobre Avaliação: Flora Lovatto destacou a presença do especialista no Brasil como o grande mérito de todo o Seminário. “Primeiro, ele é um avaliador muito reconhecido, além de sensível e gentil na forma como faz a avaliação e como aborda e compartilha o conhecimento que tem”, acrescentou. Para Patton, diferentes enfoques ou jeitos de se pensar a avaliação, como um estudo, uma ciência, um método, uma pessoa, um avaliador, tudo isso representa variadas formas e lugares de olhar e pensar sobre o assunto. “E diante dessa imagem, ele nos deixou a seguinte questão: que tipo de avaliação engloba tudo isso, sem ser só uma coisa ou outra?”.
Outro elemento de destaque segundo a consultora foi o fato de, mesmo refletindo sobre diferentes tipos de avaliação, o pesquisador trazer aspectos da avaliação de impacto. “No Brasil, ainda estamos aprendendo a fazer e não temos clareza sobre o que é a avaliação de impacto. Nem as organizações, mesmo as financiadoras, estão compreendendo ‘impacto’ ou sendo capazes de diferenciar o impacto do seu próprio projeto daquele que o resto da sociedade provoca na vida de uma pessoa ou de um grupo social”, explora Flora.
“Quando ele (Patton) fala em transformação, acho que é mais profundo do que pensar a partir de seu próprio círculo de ação. Trata-se da capacidade em desenvolver olhares para a mudança de cultura, de padrão, do jeito da sociedade lidar com determinadas situações. Ele falou, por exemplo, sobre a diminuição ou eliminação de casos de uma doença devido a uma nova vacina, ou a mudança radical no número de gestantes adolescentes. São avaliações que envolvem sistemas mais complexos, uma cadeia de relações dos beneficiários, como a família, comunidade, amigos, escola, mundo virtual. Criar um processo de avaliação capaz de olhar para realidades complexas exige sensibilidades e habilidades abertas, ou conectadas a essa complexidade”.
A última questão trazida por Flora, a partir da fala de Patton, trata da conexão do pensamento avaliativo conduzido pelo pesquisador, ao de Paulo Freire. Ambos tratam como princípios essenciais aos processos a participação, o envolvimento de todos os cidadãos, ou das pessoas diretamente relacionadas ao caso a ser decifrado. “De fato, é um brasileiro cujo pensamento impacta tantas áreas do pensamento e transformação social, que sempre se aproxima de nós trazidos por novas e inesperadas fontes”, finaliza.
Pensamentos complexos X ferramentas cartesianas: Alexandre Randi é consultor do Instituto Fonte desde 2007. A partir de enfoques já explorados na fala de Flora, o facilitador de processos considera interessante localizar a importância do pensamento complexo nos processos avaliativos, de acordo com a fala de Michel Patton. “Para mim, o ponto alto foi a provocação que ele trouxe no final de sua fala, sobre o fato de que, apesar de todo um contexto o qual nos leva a analisar um mundo de relações interligadas, que nos provoca a desenvolver um olhar holístico, continuamos trabalhando com ferramentas cartesianas, a partir de projetos e programas para a transformação social”, lembrou ao repetir algumas falas de Michel Patton.
O que é interessante de tudo isso, e também preocupante, na opinião de Randi, é que tem muita gente, há muito tempo, falando da importância de um olhar expansivo ou sobre o fato de que não dá para tratar o campo social de forma cartesiana. “Mas, ao mesmo tempo, continuamos operando da mesma maneira, com projetos, programas, com ferramentas baseadas em Marco Lógico. A Teoria da Mudança, que é uma metodologia considerada inovadora, por exemplo, é uma variação do Marco Lógico”, analisa.
A pergunta que fica, para Alexandre, é como saímos desse lugar e enfrentamos a situação real na qual temos um discurso quase de futuro sobre o olhar para a complexidade, e, na prática, não conseguimos sair desses modelos cartesianos.
Lembro do primeiro módulo, da primeira turma do Artistas do Invisível (programa de formação do Instituto Fonte), no qual uma reflexão do grupo levantou a seguinte questão: a que e a quem o Marco Lógico serve? Será que é isso que precisamos no campo social? Será que isso vai propiciar mudança e transformação social? E Patton retoma essa linha de pensamento agora e me faz refletir sobre esse período em que estamos nos deparando com essa disparidade”.
Outra coisa importante, segundo o consultor, foi a provocação sobre intensificar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da base de qualquer processo. “Para além de métodos, ferramentas e estruturas avaliativas, há que se evocar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da natureza, do sentido da ação, pois é isso que vai diferenciar um contexto avaliativo de uma simples medição. E grande parte desse potencial se manifestará na forma de conduzir o processo”, finaliza Alexandre Randi.
Nos dias 30 de agosto, 01 e 02 de setembro, o consultor do Instituto Fonte, Tião Guerra, esteve presente em Diamantina, Minas Gerais, trabalhando com pais, professores e gestores da Escola Waldorf Querubim.
O encontro foi direcionado para o fortalecimento da participação dos pais na vida associativa da escola.
Também aconteceram diálogos com o grupo gestor para refinamento das questões orientadoras para um planejamento de curto e médio prazo.
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