Profides X: O experimento mediando a relação objeto e sujeito
As dinâmicas que realizamos me passaram a sensação de que o Profides é um grande e costurado conjunto de exercícios para a inteligência emocional e para nosso lado racional. Revisitamos questões de lógica e de foco narrativo e exercitamos a observação participante, mas de uma nova maneira, para mim: com o olhar descentralizado para as múltiplas esferas do que vai se desenvolvendo, tudo simultaneamente. Pareceu desafiador e foi encantador ao mesmo tempo”. Cristina Uchoa
A leitura dos aspectos invisíveis implica em “ver” relações internas do fenômeno e dele com seu mundo exterior.
Procurar olhar para as habilidades da observação, da imaginação e da leitura dos processos, percebendo alguns desses locais, além de suas influências, foi a provocação feita durante a atividade O experimento como mestre: mediando a relação objeto e sujeito, um momento de pessoas interessadas conhecerem de forma mais profunda a proposta do Profides: Profissão desenvolvimento.
A oficina aconteceu na primeira quinzena de fevereiro, na sede do Ficas, e contou com a facilitação de Tião Guerra e Flora Lovato, consultores responsáveis pelo Profides X. Para eles, o central neste dia foi considerar que uma situação pode ter pontos de vistas diferentes e as abordagens diferenciadas conduzem seu tratamento para um lugar também peculiar e, consequentemente, para desfechos igualmente distintos.
“E como procuramos desenvolver essa percepção? Fizemos um exercício em que a gente trabalhou, comentou e leu uma situação sobre três pontos de vistas: um de senso comum, que equivaleria a uma conversa de elevador; outro de um especialista que quer resolver aquela situação e que dava conselhos; e um final, o ponto de vista de quem quer ajudar a pessoa que está envolvida naquela situação a criar uma compreensão sobre aquilo que ela está vivendo”, explicou Tião Guerra.
A percepção: dependendo de qual dos três caminhos é escolhido, o que ocorre dentro de cada pessoa envolvida no tratamento daquele caso é diferente, como também é diferente o resultado final da própria situação. Essa distinção é importante, pois não valora nenhum dos procedimentos – tipo esse ou aquele é melhor ou mais adequado – , mas é um convite pra que as pessoas prestem atenção sobre qual o ponto de vista tem tratado diferentes situações na própria vida ou no trabalho.
Para o consultor Tião Guerra, “esse prestar atenção em como você trata de uma forma superficial e rápida, ou de uma forma buscando soluções custe o que custar, ou de uma forma a gerar uma maior compreensão para o que está acontecendo, é fundamental, pois falará sobre sua abordagem e forma de ler as situações”.
Essa vivência, que mostrou um pouco do grande potencial do Profides, foi uma amostra da capacidade de experimentarmos, observarmos, refletirmos e avançarmos em grupo, com o outro e também individualmente. O momento atual pede uma prática mais consciente que promova maior capacidade de diálogo, articulação e transformação”. Roberta Rossi
Geometria projetiva: O outro exercício do dia consistiu em trabalhar esse mesmo conceito sobre a perspectiva da geometria projetiva na criação de um círculo. “Num primeiro momento, criamos um círculo à mão livre. Em um segundo, com raios equidistantes de um centro, e depois, em um terceiro momento, sem os raios e apenas com tangentes de raios imaginários. O movimento do círculo que aparece do centro para a periferia e da periferia para o centro é um tratamento metafórico, uma outra linguagem da mesma atividade da manhã”, acrescentou Flora.
Ou seja, como é que a gente trata um círculo, fazendo com que ele apareça a qualquer custo, ou fazendo com que ele emerja da aproximação de diferentes elementos vindo de uma periferia distante ou de pouca consciência pra proximidade de maior consciência, de maior compreensão, fazendo com que o círculo emerja”. Flora Lovato
Sobre o Profides: As inscrições seguem abertas! O início da décima turma acontece em Abril de 2019 e é possível acessar todas as explicações em: http://new.institutofonte.org.br/profides2019/
O Fonte pra mim sempre foi uma referência. Não é de hoje que eu conheço o Profides. Já tinha ouvido falar e dessa vez eu decidi que gostaria de participar por que nos últimos dez anos, com as minhas filhas, a base antroposófica foi muito presente na minha vida. Eu resolvi fazer a formação de professores Waldorf e acredito que participar nesse momento seja o ideal. O Esquenta foi super bacana, pois deu uma pincelada sobre o que vai ser esse desenvolvimento, e que pra mim traz essa consciência de que a gente se desenvolve a partir dos relacionamentos, a partir dos diálogos, a partir do olhar pra mim e o olhar para o outro. Eu já tinha feito os exercícios com figuras geométricas dentro do currículo de geometria, e esse olhar da circunferência, sobre o que vem de fora e do ponto que vai pra fora, e confronta meu olhar para outras situações, se sou passiva, ativa, como me comporto dentro dos relacionamentos, dentro do mundo, enfim… mexeu comigo. Acho que vai ser gratificante e importante desenvolver esse olhar pra mim mesma e como eu me comporto no mundo, seja o profissional, ou o de casa”. Adriana da Glória


“E como procuramos desenvolver essa percepção? Fizemos um exercício em que a gente trabalhou, comentou e leu uma situação sobre três pontos de vistas: um de senso comum, que equivaleria a uma conversa de elevador; outro de um especialista que quer resolver aquela situação e que dava conselhos; e um final, o ponto de vista de quem quer ajudar a pessoa que está envolvida naquela situação a criar uma compreensão sobre aquilo que ela está vivendo”, explicou Tião Guerra.
Essa vivência, que mostrou um pouco do grande potencial do Profides, foi uma amostra da capacidade de experimentarmos, observarmos, refletirmos e avançarmos em grupo, com o outro e também individualmente. O momento atual pede uma prática mais consciente que promova maior capacidade de diálogo, articulação e transformação”. Roberta Rossi
Ou seja, como é que a gente trata um círculo, fazendo com que ele apareça a qualquer custo, ou fazendo com que ele emerja da aproximação de diferentes elementos vindo de uma periferia distante ou de pouca consciência pra proximidade de maior consciência, de maior compreensão, fazendo com que o círculo emerja”. Flora Lovato












Começa assim a nascer esse conceito de uma escola que tem crianças e jovens, mas que o centro dessa escola não são as crianças e os jovens. É uma ideia contra intuitiva, um rompimento. As pessoas não dizem isso, as crianças sempre foram o centro da escola. E eu começo a dizer que o centro da escola são os adultos e a sua vida social, seja uma escola pública ou Waldorf, de que essa escola vai ser tão mais interessante, estimulante, significativa quanto mais qualificada for a vida social dos adultos que estão em torno dessa escola?


























Tião Guerra: Consultor Associado do Instituto Fonte, desde 1999. Pedagogo dedicado ao desenvolvimento do ser humano enquanto indivíduo e em grupos. Desde 1979 trabalha com instituições e movimentos sociais, em especial as que atuam no âmbito da infância, juventude e desenvolvimento comunitário. Atuou como educador formal em escolas desde 1980. Fundou o Instituto de Educação de Nova Friburgo em 1985, e foi o diretor da escola de aplicação do mesmo. Fundou a Associação Crianças do Vale de Luz em 1988, mantenedora de duas Escolas Waldorf público-comunitárias e um Centro de Formação de Professores Waldorf, onde desenvolveu habilidades de gestão organizacional e de apoio ao desenvolvimento de pessoas e de organizações sociais. Em 1996, começou a atuar como consultor de processos de desenvolvimento social. Foi coordenador Regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ ‐ Fundação para Infância e Adolescência, em 2002. Realizou estágios na área educacional na França, Suíça e África do Sul. É graduado em pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. De 2007 a 2011, prestou assessoria parlamentar (ALERJ) na área de projetos de desenvolvimento. Em 2017, compartilhou seu tempo profissional com grupos muito interessantes: Coordenador do projeto Fortalecendo a Resiliência em Comunidades da Região Serrana do Rio de Janeiro (C&A Foundation e Save the Children); Jardim Escola Michaelis/RJ; Departamento Nacional do SESC, Área de Desenvolvimento Comunitário; Avo – Meaningful Branding; JLT Seguros; UNICEF/RJ. É docente na graduação “Pedagogia da Liberdade” e consultor eventual em diversas potentes iniciativas socioculturais por aí… Também aprecia muitíssimo caminhar, é músico, leitor e escritor https://cartasdofundo.wixsite.com/site e acredita no contato consigo mesmo, com a natureza, com a arte e com o outro como estilo de vida, abordagem de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. Tem 56 anos, é pai de seis filhos maravilhosos e mora em sua malinha de viagens. Contato: tiao@institutofonte.org.br


Suzany Costa – Consultora e facilitadora de processos, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará, atua no campo social desde 1992 em projetos e programas em áreas rurais e urbanas no nordeste do Brasil, especialmente para gestão e desenvolvimento organizacional, juventude, formação para lideranças sociais. Atuou na gestão de projetos, programas e organizações não governamentais durante 14 anos. Consultora associada do Instituto Fonte desde 2015. Mora em Fortaleza/Ceará. Contato: 


Lembro do primeiro módulo, da primeira turma do Artistas do Invisível (programa de formação do Instituto Fonte), no qual uma reflexão do grupo levantou a seguinte questão: a que e a quem o Marco Lógico serve? Será que é isso que precisamos no campo social? Será que isso vai propiciar mudança e transformação social? E Patton retoma essa linha de pensamento agora e me faz refletir sobre esse período em que estamos nos deparando com essa disparidade”.











