Pequena retrospectiva de 2024
Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos.
Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.

Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos.
Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.

Queridas pessoas e organizações, 🌿
O ano de 2024 proporcionou descobertas valiosas para o Instituto Fonte.
E, para este final de ano, tentamos olhar para esses aprendizados e trazer um pouco daquilo que nasceu em nós a partir de nossa prática, assim como nos ensina a simbologia do Natal, e que gostaríamos de compartilhar com o mundo.
O conjunto dessas reflexões forma um mosaico de vivências, sentimentos e reflexões que queremos presentes em 2025.
Agradecemos a luminosidade das relações e situações que tanto nos inspiraram na elaboração de um presente de Ano Novo para vocês, pessoas e organizações com quem seguimos, lado a lado.
E para você, “o que nasceu na sua prática neste ano de 2024 que gostaria de manter e compartilhar com o mundo em 2025?”
Obrigada a cada peça deste mosaico de nascimentos e aprendizados!
*estaremos em recesso de 24/12/2024 a 05/01/2025.
Participe de uma vivência online gratuita com Allan Kaplan e Sue Davidoff, diretamente da África do Sul! Essa experiência abordará transformação social e participação consciente.
🌍 Kaplan e Davidoff, autores de “Artistas do Invisível” e “O Ativismo Delicado”, são referência internacional em processos de facilitação e docentes da pós-graduação em Facilitação de Processos da FRS.
🔗 Inscreva-se e garanta sua vaga: https://frs617.activehosted.com/f/25

Sobre a pós-graduação em facilitação de processos
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Sobre a pós-graduação
A Pós-graduação em Facilitação de Processos é orientada para pessoas que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
https://frs.edu.br/cursos/facilitacao-de-processos-2025-26/

Se você deseja se desenvolver como facilitador ou facilitadora de processos e promover mudanças significativas no contexto social , educacional ou organizacional, já é possível se inscrever, até 06/12, para a pós-graduação em Facilitação de processos à luz da prática social reflexiva.
Esta pós-graduação entende facilitação de processos como uma postura ou atitude de curiosidade e busca, colocada em prática com a intenção de apoiar um grupo ou pessoa a construir uma imagem sobre o que está vivendo, a ampliar sua compreensão e consciência sobre sua situação e a realizar os movimentos intrínsecos e necessários para a transformar.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Objetivos do curso
Disciplinas
Essa disciplina busca desenvolver habilidades de ler (atenção e observação), de atribuir sentido (reflexão e compreensão) e de intervir (facilitação) em processos sociais compreendidos como vivos, dinâmicos e complexos – tais como pessoas, grupos, iniciativas e/ou organizações.
Investigará a maneira pela qual tais processos desenvolvem suas formas, fluxos e práticas, estudando ideias como mudança, morfologia e metamorfose, além de apreciar o que possibilita e o que impede movimentos de transformação e desenvolvimento.
Também aprofundará a compreensão sobre a realidade do mundo atual e do Brasil, identificando relações entre o contexto e a situação específica – ou entre parte e todo -, assim como as formas de intervenção social predominantes na atualidade.
Explorará a relação entre a teoria e a prática da facilitação de processos, trazendo pressupostos básicos, fundamentos e princípios da facilitação e contribuirá para que os participantes ampliem sua capacidade de facilitar processos de intervenção e mudanças. A “Pesquisa-ação” será a principal metodologia para aprimoramento da intervenção e investigação da prática de facilitação.
Tornar-se um facilitador, cuja prática social é reflexiva, significa observar rigorosamente seu fazer, buscando aprimorá-lo sistematicamente ao mesmo tempo em que se autodesenvolve. Os participantes devem ser capazes de reconhecer suas características pessoais e como elas impactam as situações sociais nas quais estão intervindo. A leitura de si e a autorreflexão compartilhados são aspectos fundamentais a serem exercitados ao longo desse programa.
Esta disciplina contribui para que os alunos compreendam e experimentem abordagens para trabalhar a autoconsciência crítica e o autodesenvolvimento, tais como a biografia humana, o olhar para habilidades sociais e uma compreensão holística do ser humano – individual e em sociedade.
Nesta disciplina se pretende discutir como o sujeito é elemento de percepção do mundo e como diferentes modos de pensar (analítico, complexo, orgânico) marcam a interação entre sujeito e objeto. Para isso, serão estudados temas e leis que orientam o pensamento embasado pela inteligência da vida (dos organismos vivos). Também serão abordadas as origens das diferentes vertentes da fenomenologia e as especificidades em particular do pensamento desenvolvido por Goethe. Os alunos exercitarão o desenvolvimento das habilidades necessárias para compreender as ideias que compõem o pensamento de Goethe e poderão observar de que maneira as diferentes formas de pensar influenciam a situação e definem as escolhas feitas na facilitação.
Metodologia de ensino
Essa formação baseia-se na metodologia da aprendizagem pela experiência e na Prática Social Reflexiva. Ambas propõem a integração entre a prática, a reflexão e a autopercepção no processo de aprendizagem.
Todo o conteúdo dessa formação será trabalhado a partir de:
Público
Esta pós-graduação é orientada principalmente para pessoas com idade superior a 28 anos, que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Os participantes precisam estar dispostos a compartilhar suas experiências com o grupo, a refletir profundamente sobre si e sobre sua prática, e devem estar preparados para exercitar o aprendizado na formação a partir dos exercícios e tarefas inter-módulos.
Perfil do egresso
Ao final do curso, os participantes terão aprimorando suas habilidades de facilitação à luz da prática social reflexiva, que na perspectiva desta formação significam:
Pré-requisitos
Local, formato e calendário
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Serão oferecidas 35 vagas.
A abertura de turma está condicionada ao preenchimento do número mínimo de 28 participantes matriculados.
O curso será realizado em 24 meses, de janeiro de 2025 a dezembro de 2026, em formato semipresencial, com aulas presenciais e aulas remotas, com a seguinte estrutura:
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
https://frs.edu.br/cursos/facilitacao-de-processos-2025-26/

Que tal conhecer um pouco mais sobre o Profides a partir dos depoimentos de alguns de seus participantes?
No último dia 27/04, realizamos a oficina aberta #esquentaprofides2021 e apresentamos um pouco sobre a metodologia que será utilizada durante o programa.
Para você que não pode participar, assista agora e saiba mais sobre a edição de 2021 do Profides: Desenvolvimento como Profissão.
As inscrições seguem abertas. É só CLICAR AQUI!
As inscrições para o Profides estão abertas. E, neste período, é muito comum as pessoas terem dúvidas sobre o programa e sua proposta de aprendizagem.
Por isso, vamos realizar um #esquentaprofides, uma oportunidade de entender um pouco sobre a prática social reflexiva e a metodologia deste curso.
Na próxima terça-feira (27/04), das 15h às 18h, vamos praticar, tirar dúvidas e apresentar a edição 2021. E será uma alegria ter você conosco!
MAS LEMBRE-SE, É NECESSÁRIO FAZER SUA INSCRIÇÃO CLICANDO AQUI!

Veja o convite da consultora e facilitadora Flora Lovato e aproveite para conhecer a proposta e a metodologia deste curso.

É só acessar: https://us02web.zoom.us/j/7130258961
Pode uma prática que coloca a observação em primeiro plano, ter um papel de cura no mundo?
Deixamos aqui uma valiosa indicação do Instituto Fonte, um convite para a prática da resiliência, que nasce da colaboração entre Proteus Initiative e Ecosocial, para aqueles que foram tocadas/os pela palestra de Allan Kaplan dada nas “Gotas Antroposóficas”.
Incluímos aqui o material de divulgação, que pode ser acessado CLICANDO AQUI , e contém informações sobre o objetivo, o processo, período e ciclo de aprendizagem, investimento e outras informações.
Mas atenção, as inscrições respeitarão a ordem de chegada e deverão ser feitas até o dia 05 de março de 2021, com José Carlos, pelo telefone/WhatsApp (11) 98999-2705 ou pelo e-mail josecarlos@ecosocial.com.br

Reproduzimos a reportagem de Priscila dos Anjos, para o site Notícias da Educação, do Itaú Social, que contou com a participação da consultora Flora Lovato e a formação realizada pelo Instituto Fonte sobre governança e gestão compartilhada para o Moinho Cultural (MS), pelo programa Missão em Foco.
Crédito: Notícias da Educação/Itau Social. Por Priscila dos Anjos, Rede Galápagos, Florianópolis (SC).
Publicada em: https://www.itausocial.org.br/noticias/o-potencial-educativo-do-territorio/
Em 2020, Paula Madeira, moradora do bairro Monte Cristo, em Florianópolis (SC), começou a fazer as compras do mês no Mercado da Família, localizado bem próximo de onde mora. Até então a mãe de Levi Madeira, de três anos, não costumava comprar arroz, feijão e carne nas mercearias do bairro. Isso mudou quando ela foi contemplada pelo projeto Caderneta Social, promovido pelo Centro de Educação Popular (CEDEP). No início da pandemia a empregada doméstica foi suspensa do trabalho e enfrentou um significativo corte salarial. Foi com o auxílio do recurso emergencial do Itaú Social que o CEDEP conseguiu complementar a renda de Paula Madeira e de outras 300 famílias, por meio de uma articulação com os comerciantes locais para a promoção de uma prática de compra que já era bem conhecida na comunidade: a de anotação dos itens comprados em uma caderneta. Uma vez implantada, a operação é relativamente simples. O CEDEP selecionou seis estabelecimentos na comunidade. Cada um deles forneceu mantimentos a 50 famílias, que compravam com caderneta em um estabelecimento cadastrado. A conta era paga pela OSC diretamente aos comerciantes.
A ação, que procurou garantir a segurança alimentar das famílias atendidas e fortalecer os pequenos comerciantes do bairro, se deu a partir do reconhecimento, pela equipe do CEDEP, da necessidade de fomentar o desenvolvimento da comunidade onde se localiza a sede.
A formação é um dos eixos estratégicos do programa Missão em Foco, do Itaú Social, e aborda vários aspectos que contribuem para o desenvolvimento de organizações da sociedade civil (OSCs). (Leia mais em Moinho Cultural constrói gestão horizontal.) Segundo o coordenador de projetos do CEDEP, Cayo Pedroso, essa perspectiva de ação junto à comunidade foi construída no processo de revisão do Projeto Político-Pedagógico (PPP), realizada entre os meses de março e agosto, pelos 35 gestores, técnicos e educadores da OSC. Desenvolvida como parte do programa Missão em Foco, a revisão do PPP contou com o apoio da assessoria técnica Cidade Escola Aprendiz, com sede em São Paulo. “Quando fomos selecionados para receber a verba emergencial, começamos a pensar em um projeto que trouxesse uma perspectiva de fomento do desenvolvimento territorial, pois era uma temática que vínhamos discutindo durante a revisão do PPP”, relata Pedroso.

Olhar o contexto, ampliar a visão
A identificação de potencialidades educativas de um território, como o Monte Cristo, é uma prática necessária para fortalecer o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens. Para a jornalista Raiana Ribeiro, coordenadora de Programas da Cidade Escola Aprendiz, o desenvolvimento integral dos sujeitos está diretamente associado ao fomento das práticas e modos de vida no território onde residem as famílias atendidas pelas organizações da sociedade civil.
Raiana destaca que é preciso ampliar o trabalho das instituições por meio da articulação de ações em rede nos territórios, para que as transformações ocorram não somente entre os portões das OSCs, mas também no entorno. “Durante a revisão do PPP, impulsionamos a equipe do CEDEP a identificar os potenciais educativos no território. Fomos em busca dos saberes produzidos no entorno”, explica. “Assim é possível promover um processo que impacte o território e garanta o desenvolvimento integral das crianças, adolescentes e jovens que são atendidos na organização.”
Lia Salomão, assessora técnica da Cidade Escola Aprendiz, lembra que a noção de território educativo é um dos fundamentos para a promoção da educação integral. “A revisão de um projeto político-pedagógico, alinhada com os conceitos de desenvolvimento integral, precisa sempre fazer um movimento de ampliação da visão sobre os sujeitos atendidos nos projetos”, observa. “É preciso contextualizar o educando em seu território, para assim construir processos de aprendizagem que sejam significativos”.
Datado de 2006, o projeto político-pedagógico do CEDEP já não contemplava, totalmente, as atividades realizadas pela instituição. Ao longo dos anos, os educadores identificaram a necessidade de uma atualização no documento, mas foi somente após a adesão ao programa Missão em Foco, que puderam efetivamente parar, tomar fôlego e priorizar as necessidades para a atualização do PPP.
“Estou há 15 anos no CEDEP e acompanhei o crescimento da instituição. A partir de 2006, começamos a desenvolver atividades educativas, culturais e esportivas, com as crianças e adolescentes, no âmbito do Projeto Oficinas do Saber, mas atualmente, com a ampliação de parcerias e recursos, já estamos atuando em outros cinco projetos. Apesar do bom andamento das atividades, era preciso dar um passo atrás e questionar se esses programas faziam sentido dentro de uma proposta pedagógica. Para essa revisão sabíamos que era necessária uma assessoria técnica e qualificada, como a Cidade Escola Aprendiz”, relata a coordenadora-geral do CEDEP, Maria Marlene da Silva.
Etapas de revisão de um projeto político-pedagógico
Na primeira etapa da revisão, as facilitadoras tiveram acesso aos documentos já produzidos pelo CEDEP, como o PPP, as fichas de matrículas dos educandos e informações coletadas das famílias atendidas pela organização. A partir da leitura crítica dos documentos, iniciou-se uma série de entrevistas com 12 membros da equipe, que possuem funções distintas dentro da instituição.
Depois, foi produzido e compartilhado um diagnóstico que procurou identificar as necessidades latentes da organização. Verificou-se que os educadores e técnicos do CEDEP tinham a intenção de potencializar as atividades de fomento do território e desenvolver os processos de tomada de decisão internos de forma mais democrática e participativa.
Com base na validação dessas intenções com a equipe do CEDEP, teve início a etapa formativa. Os gestores foram divididos em três comissões de trabalho: mapeamento, práticas pedagógicas e sistematização. A comissão de mapeamento realizou uma ampla pesquisa sobre o território e as condições de vida das crianças, adolescentes e jovens atendidos pelo CEDEP. Já a de práticas pedagógicas procurou reunir os princípios que pautam as ações do CEDEP e elaborar propostas pedagógicas que pudessem impulsionar as atividades da organização. A comissão de sistematização ficou responsável por estudar os marcos legais que ancoram o projeto e sistematizar a produção textual das comissões de mapeamento e práticas pedagógicas. Concomitantemente a essa etapa, foram realizados sete grandes encontros remotos, com toda a equipe, para compartilhar as informações coletadas e analisadas dentro das comissões.
Nesse processo de reformulação do PPP, a equipe do CEDEP organizou os projetos já existentes em dois grandes programas. O Semeando Conhecimento, que reúne os três projetos que exercem o desenvolvimento educacional das crianças, adolescentes e jovens atendidos no contraturno da escola: Oficinas do Saber, Projeto Fênix e Avançar. E o Cultivando Comunidade, um programa que visa identificar as demandas da comunidade localizada no entorno, a fim de tornar o CEDEP um espaço de acolhimento e referência do bairro Monte Cristo. Os projetos realizados dentro dessa proposta são o Movimentar e o Mulheres Empreendedoras.
O coordenador de projetos do CEDEP, Cayo Pedroso, avalia que o processo de revisão do PPP não só atualizou um documento essencial para o cotidiano da organização, como também cultivou uma nova cultura de trabalho pautada na apropriação da equipe sobre a missão, visão e valores do CEDEP. “A revisão do PPP consolidou os papéis de cada educador e técnico do projeto. Faz total diferença ter uma equipe que tem clareza a respeito do que a instituição faz, que entende para onde a instituição está caminhando e como é possível contribuir”, diz Pedroso. “Essa revisão foi potente, positiva e muito transformadora. É incrível perceber quanto eu e os educadores nos apropriamos da instituição.”
Construção de gestão participativa
Identificada como uma das preocupações mais latentes para a equipe gestora do CEDEP, a descentralização das tomadas de decisão na entidade está sendo superada após a revisão do projeto político-pedagógico. Uma cultura mais participativa começou a ser semeada a partir do processo de reestruturação do PPP. A metodologia experienciada pela equipe foi pensada para que se garantissem espaços seguros de fala e de acolhimento das diferenças.
“Foi muito importante que durante esse processo eles pudessem experimentar de fato o que é construir coletivamente, assim como compreender os ganhos e as dificuldades da ampliação da participação. E entender como uma gestão mais democrática e participativa só poderia contribuir para fortalecer essa instituição”, explica a assessora Lia Salomão.
Moinho Cultural constrói gestão horizontal: A experiência de incluir mais os educadores e gestores nos debates e decisões
A descentralização das tomadas de decisão também foi uma experiência vivida pela equipe do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, organização da sociedade civil (OSC) que promove o aprendizado de atividades artísticas de crianças e adolescentes em Corumbá (MS) e arredores. Por meio do programa Missão em Foco, o Moinho Cultural foi contemplado com um processo formativo em governança, entre novembro de 2019 e setembro de 2020. A formação teve como facilitadora a consultora Flora Lovato, do Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social.
De acordo com Flora, muitas organizações enfrentam entraves quanto à participação de suas equipes nos processos de decisão. Para superar a centralização na gestão de organizações é necessário que sejam criadas, pelas lideranças, condições propícias para a contribuição dos educadores e gestores. “Muitas vezes, apesar de bem-intencionadas, as lideranças assumem muitos papéis nas instituições, deixando então de criar condições para que outras pessoas se envolvam na organização”, afirma.

No processo de formação em governança, em que esteve como assessora, Flora procurou auxiliar os gestores no desenvolvimento de capacidades perante suas diferentes responsabilidades dentro do Moinho Cultural. Após realizar entrevistas com o núcleo gestor e os cinco conselheiros do Instituto, promoveu diálogos conjuntos, nos quais os participantes puderam analisar as potencialidades de trabalho que emergiram nas entrevistas, para então decidirem os encaminhamentos necessários.
“Foi um processo voltado ao desenvolvimento das diferentes esferas de governança da organização. O trabalho foi o de auxiliar no desenvolvimento das capacidades dos conselheiros e do núcleo gestor, impulsionando-os a fazer a gestão da organização de forma que um complemente o outro, sempre a partir das diferentes responsabilidades que cada instância deve ter”, explica.
A fundadora e diretora executiva do Moinho, Marcia Raquel Rolon, avalia que a formação em governança produziu uma gerência mais participativa dos gestores e conselheiros. “Eu havia identificado que não queria um conselho que só concordasse com as minhas ideias e decisões. Eu queria que eles discordassem também, mas não sabia como empoderá-los para que pudessem questionar e propor outras soluções. O trabalho com a assessoria proporcionou exatamente essa mudança de postura. Atualmente, a nossa governança está totalmente horizontal. O Moinho Cultural não é só o pensamento da Marcia. Hoje, eu não consigo tomar uma decisão sem consultar o conselho”, relata.
A nova experiência de gestão do Instituto Moinho Cultural ampliou os espaços de debate e tomada de decisão. A partir da formação em governança foi criado um grupo cogestor constituído por familiares das crianças e adolescentes atendidos pela organização. Neste ano, a gestão do Moinho Cultural se prepara para continuar as mudanças estruturais no projeto, e os gestores e conselheiros vão reformular o estatuto da instituição.