O projeto Escola da Juventude publica a lista dos jovens selecionadas/os para a segunda edição do projeto, que vai tratar do tema do Empreendedorismo com adolescentes da Região da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Abaixo seguem instruções e os contatos para tirar dúvidas! Agradecemos a todas/os inscritas/os. Nosso sonho é, em próximas edições, poder contemplar a todas/os as/os interessadas/os.
O objetivo da Escola da Juventude é o de criar um ambiente propício para que jovens
possam conhecer e aprofundar suas compreensões sobre suas comunidades e a complexidades das relações e questões que a permeiam;
possam conhecer e discutir sua própria condição de jovem, o papel de cada um face ao seu próprio desenvolvimento e face ao desenvolvimento de suas comunidades;
tenham espaços para descobrir e aprimorar suas capacidades e habilidades de liderança e de empreendedor, colocando-as a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade, e
tenham oportunidades de se experimentarem e melhores condições de atuar, em suas próprias vidas, com a plenitude de seus potenciais.
criem e desenvolvam seu projeto para atuar no mundo de forma empreendedora.
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Meu interesse e minha atuação no campo social foram marcados por uma formação em empreendedorismo social que realizei, em 2001, em parceria com o Instituto Gaia. Começava o século XXI ao mesmo tempo em que o universo do campo social se revelava diante de mim. Empreendi iniciativas de formação para Juventude como o projeto Guardiões do Oceano e também comecei a buscar formações nas quais eu mesma pudesse me formar.
Comecei a carregar comigo um questionamento: Afinal como eu aprendo o que apreendo? Esse questionamento surgiu à medida que me percebia como educadora e facilitadora de pequenos grupos de adolescentes, ao mesmo tempo em que um sentimento de responsabilidade crescia em meu peito. Os modelos de aprendizagem formal haviam me ensinado a memorizar e a passar em provas e vestibulares, mas algo em mim dizia que memorizar não era aprender a pensar de fato.
Em 2002 uma colega, Mariana, que me auxiliou a desenhar a proposta pedagógica do Guardiões do Oceano, me introduziu um jeito novo de produzir e compartilhar conhecimento. Eu disse que queria saber mais, e ela me indicou para participar do Seminário de Pedagogia Social, no qual membros do Instituto Fonte também estavam presentes no grupo facilitador. Foi nessa imersão que entrei em contato com formas participativas de aprender: o conhecimento estava no grupo e não somente no facilitador/educador.
O Instituto Fonte tornava-se conhecido como uma instituição com grande capacidade de formar e influenciar atores e instituições do terceiro setor, que se encontrava em significativa expansão. Ele orbitava o meu campo de atuação e eu orbitava a prática social dele. Foram muitos os encontros: em livros e publicações, em formações, em congressos, em pessoas. Hoje eu não orbito tão somente, mas sou parte do Planeta Fonte como uma de suas consultoras associadas.
O campo social já não é o mesmo de outrora, mas se encontra mais preparado, mais consciente, e ao mesmo tempo, tem que aprender a lidar com incertezas de outra natureza, diferentes daquelas dos anos 2000. Estamos atualmente com os sentidos em alerta para entender o que o mundo pede de nós enquanto organização, enquanto consultores, facilitadores e empreendedores…
Que a trajetória dessa geração que ingressa no campo social possa contribuir com esse processo de ressignificação das iniciativas sociais, do campo social e, principalmente, de nossa própria prática como profissionais de desenvolvimento.
Este artigo integra o Relatório de Gestão 2015-2016, um importante instrumento de reflexão e aprendizagem do Instituto Fonte. Para ler outros textos ou baixar o relatório, clique aqui.
(1) Facilitadora de processos de aprendizagem e associada ao Instituto Fonte desde 2015. Desde 2002 atua em iniciativas e instituições sociais que militam pelas causas da juventude, educação e do meio ambiente nas áreas de formação, elaboração de projetos e mobilização de recursos. É idealizadora e gestora do Guardiões do Oceano, uma iniciativa de formação socioambiental para jovens que acontece há 10 anos em municípios do litoral de São Paulo. Também atuou como facilitadora na área de responsabilidade social de diversas empresas. Mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Educação Ambiental pela mesma universidade e especializada em gestão do terceiro setor pela FGV. Se formou nos programas do Instituto Fonte, Artistas do Invisível e Aprimora e atualmente é mestranda no Programa “Reflective Social Practice” pela Proteus Initiative e Alanus University (Alemanha). Acredita que o processo é o lugar a se chegar. Contato: juliana@institutofonte.org.br
Diálogos como forma de trazer percepções e construir caminhos formativos. Essa foi a essência do primeiro encontro realizado pela Escola da Juventude, que aconteceu dia 07, em São Paulo, na sede do Instituto Fonte. O projeto, que está em sua segunda edição, vai tratar do tema do Empreendedorismo com adolescentes da Região da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Entre os convidados, estiveram presentes Regina Pfiffner, coordenadora do Programa Geração Empreendedora na Aliança Empreendedora, Guilherme Oliveira, do Instituto Coca-Cola, Júlia Câncio, do projeto Jovens em Ação, da ONG Acer Brasil e Juliana Cortez, apresentando o projeto Geração Coletivos.
Cada um compartilhou suas experiências em projetos com juventude. A idealizadora da Escola da Juventude, a consultora Helena Rondon, explicou a proposta de realizar uma troca inicial sobre práticas no campo do empreendedorismo juvenil, como forma de construir uma proposta que faça sentido dentro do contexto da região da Mata Norte. “Quando realizamos a primeira turma do projeto, ao final havia uma interrogação constante na fala dos jovens: como arrumo emprego? Como faço para inserir meu currículo no mercado? Como faço pra começar algo? E desenvolvemos um segundo momento para ajudar a desenvolver características empreendedoras”, reforçou.
Flora Lovato, consultora que integra a equipe de formação, explicou que o projeto procura desenvolver habilidades sociais, sobre a convivência e ação na comunidade, além de favorecer que o jovem compreenda aspectos de cidadania. De acordo com Flora, “a proposta é que tudo isso esteja intimamente relacionado com a realidade do jovem dessa região, que está vivenciando grandes mudanças locais com o desenvolvimento de um novo polo industrial”.
Regina Pfiffer abriu os debates, explicando a proposta da Aliança Empreendedora. “Procuramos um método que tem a ver com a juventude. São 24 horas de formação que trabalham questões sobre quem sou, o que sei e conheço, para tentar localizar uma ideia, às vezes, ainda muito inicial. Depois tem um momento de experimentação, que é o que de fato gera concretude para essa inspiração inicial”, enfatizou. Após compartilharem suas iniciativas, é iniciado um período de mentoria, capaz de auxiliar na realização do projeto.
O projeto Jovens em Ação teve uma proposta de empreendedorismo social e aconteceu em uma escola pública de Diadema. O objetivo não era gerar recursos, mas pensar como uma ação pensada pelos próprios jovens poderia auxiliar a comunidade escolar. Julia contextualizou que um dos destaques foi uma ação na qual o adolescente reuniu um grupo e articularam um processo de auxílio na aprendizagem dos alunos de séries anteriores. “Eles perceberam que era possível tentar reduzir a permanência dos estudantes nas aulas de reforço. E foi um super impacto na escola”. Outros exemplos foram desenvolvidos, como plantio de árvores por toda a localidade.
Já a ação do Instituto Coca-Cola, o Coletivo Jovem, tem um perfil mais focado na empregabilidade, além de uma dimensão de impacto (quantitativo) maior quando comparado com as outras iniciativas. Guilherme contou que as áreas de formação, atualmente, abrangem três trilhas formativas: na área do Marketing e vendas, Comunicação e Tecnologia (em parceria com o Google) e de Eventos. “Cerca de 80% do processo formativo trabalha com o que chamamos de habilidades para a vida e o jovem é responsável por desenvolver seu plano de vida e desenvolver suas habilidades pensando algo para a própria comunidade”. Nesse programa, os jovens ao final podem, a partir de seus interesses, concorrer a vagas oferecidas por outras empresas parceiras do projeto.
Para fechar a manhã, Juliana Cortez, consultora do Instituto Fonte apresentou a proposta do projeto Geração Coletivos. “Acho que temos um diferencial, no sentido de que direcionamos nossas ações para jovens que já são empreendedores sociais, para que possam refletir sobre sua iniciativa, inspirados na proposta metodológica do Instituto Fonte, só que agora, voltado para a juventude”.
As formações da Escola da Juventude vão acontecer em 2018 e as inscrições estão abertas no link abaixo até o dia 16 de novembro. Corra para não perder sua vaga!
O objetivo da Escola da Juventude é o de criar um ambiente propício para que jovens
possam conhecer e aprofundar suas compreensões sobre suas comunidades e a complexidades das relações e questões que a permeiam;
possam conhecer e discutir sua própria condição de jovem, o papel de cada um face ao seu próprio desenvolvimento e face ao desenvolvimento de suas comunidades;
tenham espaços para descobrir e aprimorar suas capacidades e habilidades de liderança e de empreendedor, colocando-as a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade, e
tenham oportunidades de se experimentarem e melhores condições de atuar, em suas próprias vidas, com a plenitude de seus potenciais.
criem e desenvolvam seu projeto para atuar no mundo de forma empreendedora.
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Exercícios práticos que imitam uma situação real visam preparar comunidades escolares para eventos adversos
Durante o mês de novembro, com a proximidade do período de chuvas, as dez escolas da rede municipal de ensino que participam do Projeto Fortalecendo a Resiliência se preparam para realização de simulados de resposta à emergência. Trata-se de exercícios práticos que imitam uma situação real em que a escola precisa responder a um evento crítico, como, por exemplo, uma inundação ou um incêndio nas instalações escolares. Os simulados serão conduzidos pelos Comitês de Segurança Escolar de cada unidade, que vêm se preparando ao longo do ano para este momento, e contarão com a participação do Núcleo Comunitário de Defesa Civil – Nudec local e da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Ações Voluntárias.
Segundo Rodrigo D’Almeida, um dos coordenadores de campo do Fortalecendo a Resiliência, os simulados são a parte final do cronograma do Projeto, que teve início em 2016, e possibilitarão os participantes colocarem em prática o que aprenderam neste período. “O que vamos trabalhar nos simulados são uma forma de responder às ameaças apontadas nas matrizes de risco construídas pelos Comitês de Segurança Escolar. Depois de mapear os riscos na escola, os jovens estudantes, funcionários e familiares, que compõem os Comitês, elaboraram um plano de ação para fazer frente a esses cenários, cada um com uma pequena tarefa sob sua responsabilidade que, somadas, constituirão essa resposta coletiva. Saber o que fazer em situações como essas reduz o pânico, diminui incidentes encadenados e pode salvar muitas vidas”, explica Rodrigo.
Para Marcia de Palma, Subsecretária Municipal de Educação, a parceria com o Fortalecendo a Resiliência tem sido fundamental para contribuir com o aumento da capacidade de resposta escolar frente aos desastres. “O trabalho que vem sendo realizado pelo Projeto tem despertado e amadurecido as escolas participantes para a redução de risco de desastres no ambiente escolar, que é uma recomendação da Iniciativa Global para Escolas Seguras das Nações Unidas, além de influenciar toda comunidade em que está inserida. E realizar simulados nas escolas possibilita que os alunos, funcionários e familiares estejam melhor preparados para responder a uma situação de emergência” avalia Marcia.
O primeiro simulado vai acontecer na Escola Municipal Luiz Carlos Soares, no Morin, no dia 07/11, na parte da manhã. “Nesse dia a escola toda vai parar para vivenciar esse exercício prático final, reunindo o que foi aprendido e experimentado ao longo do ano com o projeto. Os nossos alunos, professores, funcionários, administração e familiares que formam o Comitê serão os protagonistas, orientando todos nós em como agir em uma situação de emergência. Fico muito satisfeita com o caminho trilhado por esse grupo, que é plural, interessado e colaborativo, requisitos, a meu ver, necessários para manter uma escola segura”, avalia Maria Augusta Almeida Duarte, diretora da E.M. Luiz Carlos Soares.
Além da participação de membros do Nudec local e da Secretaria Municipal de Defesa Civil, este simulado terá também contará com o apoio de voluntários do Instituto C&A, apoiador do Projeto Fortalecendo a Resiliência. No dia seguinte, 08/11, será a vez da E.M. Clemente Fernandes, na 24 de Maio, simular uma emergência. As outras oito escolas que fazem parte do Projeto farão seus simulados no decorrer do mês de novembro, em datas que estão sendo conciliadas com o calendário escolar.
Projeto vai selecionar 40 jovens da região da Mata do Norte de Pernambuco. As atividades estão previstas para acontecer de novembro/2017 a junho/2018
A região da Mata Norte do Estado de Pernambuco, em especial os municípios Igarassu, Itapissuma, Itamaracá e Goiana, são os locais escolhidos para o desenvolvimento de mais uma edição do Escola da Juventude.
O projeto se propõe a ser um espaço de formação para 40 jovens, na faixa etária de 16 a 29 anos e trabalha habilidades sociais, ajuda a desenvolver capacidades de liderança, protagonismo e empreendedorismo. Além disso, as formações procuram valorizar as potencialidades da juventude, como criatividade e idealismo, para favorecer um olhar empreendedor capaz de promover seu próprio desenvolvimento e da comunidade.
Nesta edição, a “Escola da Juventude – Curso de Empreendedorismo Social” abordará temas para cultivar, despertar ou impulsionar qualidades e habilidades empreendedoras capazes de influenciar e promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável. Esse segundo momento levou em consideração as necessidades e desafios levantados na primeira edição do curso.
A ideia consiste em estimular a participação cidadã e o empreendedorismo, a partir de abordagens comuns ao Instituto Fonte, como a descoberta do potencial de cada jovem e do fazer em grupo, com olhar sensível para o processo de desenvolvimento do contexto em que vivem.
O objetivo do projeto é o de criar um ambiente propício para que jovens
possam conhecer e aprofundar suas compreensões sobre suas comunidades e a complexidades das relações e questões que a permeiam;
possam conhecer e discutir sua própria condição de jovem, o papel de cada um face ao seu próprio desenvolvimento e face ao desenvolvimento de suas comunidades;
tenham espaços para descobrir e aprimorar suas capacidades e habilidades de liderança e de empreendedor, colocando-as a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade, e
tenham oportunidades de se experimentarem e melhores condições de atuar, em suas próprias vidas, com a plenitude de seus potenciais.
criem e desenvolvam seu projeto para atuar no mundo de forma empreendedora.
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Projeto Fortalecendo a Resiliência compartilha aprendizagens com defesas civis de outros municípios do estado
A equipe do Projeto Fortalecendo a Resiliência esteve na sede da Escola Estadual de Defesa Civil – ESDEC, no Rio de Janeiro, capacitando mais de 40 técnicos de defesa civil de diversos municípios do estado em “Gestão Participativa de Risco de Desastres em Escolas” e em “Primeiros Socorros Psicológicos para Crianças”, totalizando 16 horas de treinamento. Na ocasião, foram compartilhados métodos, experiências e aprendizagens do Projeto, que vem acontecendo em Petrópolis desde outubro de 2016.
O Diretor da ESDEC, Tenente-Coronel Marcio Romano Corrêa Custodio, considera que a promoção destes treinamentos, dentro da parceria da ESDEC com o Projeto Fortalecendo a Resiliência, traz diversos aspectos positivos: “Esta é uma experiência bem sucedida que trabalha com a Redução de Risco de Desastres junto a comunidades, o que para nós tem grande valor, porque é onde os desastres normalmente acontecem. E, com metodologia já desenvolvida e testada, pode ser multiplicada, poupando tempo, melhorando a comunicação e a integração entre os atores e otimizando o trabalho de agentes de proteção e defesa civil do estado do Rio, que sempre precisam de aprofundamento e aprendizagem”, avalia Cel. Romano.
Para Rodrigo D’Almeida, um dos coordenadores de campo do Fortalecendo a Resiliência, e que facilitou o treinamento no dia 25/10, a gestão escolar de desastres é fundamental para proteger os estudantes, os profissionais da educação e a educação em si. “Claro que as mais terríveis consequências dos desastres são perdas humanas. Mas há outros prejuízos que podem ser também muito custosos, como escolas inutilizáveis em razão de danos, uso prolongado como abrigo, acesso impedido ou inseguro, perda de equipamentos e materiais, enfim, situações que interrompem o processo escolar, podendo provocar consequências severas para as crianças, jovens e suas famílias. São questões que as autoridades responsáveis pela gestão de desastres precisam conhecer e tivemos aqui vários agentes que já atuam com escolas”, conclui Rodrigo.
No segundo dia de treinamento, os participantes foram introduzidos aos primeiros socorros psicológicos para crianças. “Em uma situação de crise ou desastres, durante ou logo após um evento crítico, as crianças costumam ser um dos públicos mais vulneráveis. Os primeiros socorros psicológicos são mundialmente reconhecidos como um método simples e eficiente de prover o apoio inicial, garantindo os direitos das crianças à proteção e aos cuidados em ações humanitárias. O objetivo do treinamento é empoderar os participantes com habilidades e conhecimentos para que possam exercê-los”, explica Roberta Dutra, que facilitou este treinamento e também é coordenadora de campo do Fortalecendo a Resiliência.
Para os participantes, o ciclo de formação contribuiu para ampliar os conhecimentos e apoiar a prática profissional deles. “Pra mim, que trabalho há anos com crianças e jovens, foi muito valiosa, porque aprimora nossos conhecimentos, recicla o profissional que milita nesta área. Trabalhamos com amor, carinho, mas revisitar as técnicas e muito importante. Não basta somente querer fazer, tem que saber fazer. Com as novas ferramentas que adquiri, posso melhorar aquilo que eu achava que estava bom ou vencer dificuldades que eu não estava sabendo como conduzir“, conta Andreia Cunha Pereira, agente de Defesa Civil de Maricá. “Foi proveitoso porque pude expandir e reciclar meus conhecimentos e capacidades, trazer também um pouco da minha experiência, para que possamos cada vez mais melhorar o trabalho de proteção e prevenção nas escolas”, avaliou o Agente de Proteção e Defesa Civil do município do Rio de Janeiro Jorge Domingues, que é Coordenador do Projeto Defesa Civil nas Escolas do Rio.
Os conteúdos abordados nos treinamentos estão compilados em duas publicações, com o que há de mais atual sobre os temas, traduzidas para o português no âmbito do Fortalecendo a Resiliência.
Dia 21 de outubro, o espaço Cita – Cantinho de Integração de Todas as Artes – acolheu um grupo de jovens para juntos compartilharem suas alegrias e inquietações diante das transformações que procuram para si, para seus empreendimentos e para o mundo.
O Encontro Geração Cidadã propôs diferentes dinâmicas com o objetivo de favorecer a percepção sobre seus empreendimentos. Cerca de 20 participantes puderam explorar a noção de “sustentabilidade” para além dos pilares financeiros e de impacto, focando o pilar principal de sustentação das iniciativas: a/o empreendedor, a/o ativista.
Juliana Cortez, coordenadora e uma das idealizadoras do projeto ao lado de Ivy Moreira, conta que o Geração Coletivos tem como proposta reunir empreendedores socioculturais e negócios de impactos sociais das regiões periféricas da cidade de São Paulo. “O intuito é criar pontes, conexões, além de promover uma reflexão aprofundada sobre o que os diferencia e o que os une”, explica.
Diferentes iniciativas, relacionadas a arquitetura periférica, brinquedos lúdicos, eventos culturais da periferia, vídeo, mobilização, arte, cultura e esportes, compuseram o grupo. As vivências trataram sobre «o cuidar de si», «do outro» e como é possível expandir esse cuidado aos sonhos, ideais e iniciativas nas quais participam os jovens. Juntos, foi possível revelar e debater algumas premissas que têm sustentado as iniciativas de transformação sociocultural nos dias de hoje, a partir das percepções dos próprios jovens, como:
“Quanto mais você acreditar no seu propósito, mais vai atrair uma rede que te ajude a sustentar sua iniciativa.”
“É importante cultivar o modo ativista para manter a atenção e evitar cair no modelo automático e de tempos em tempos se distanciar, se descolar da sua iniciativa, questioná-la. Muitas vezes nós tornamos reféns do próprio sistema instalado que questionamos.”
“Há uma motivação de se manter no limiar da transformação social mesmo estando ciente de todos os dilemas e contradições que esse lugar desperta”.
“Há uma vontade profunda em fazer diferente e encontrar meios para fazer diferente”.
“Eu sou o ator principal de toda essa sustentação, e eu preciso ter espaços para me cuidar, preciso de espaços de respiros, de fortalecimento, de reconhecimento para seguir adiante”.
“Preciso prestar atenção no radicalismo de querer sair de uma caixa a qualquer custo e acabar caindo em outra caixa. O mais importante é criarmos uma teia de sustentação, mesmo que para isso eu estabeleça conexões com pessoas que não necessariamente pensem como eu”.
Haverá mais um encontro, também com formato semelhante. Mas é necessário ficar atenta/o para quando abrirem as inscrições, pois as vagas são limitadas a um grupo de até 20 participantes. O Projeto Geração Coletivos é uma realização do Instituto Fonte em parceria com o Instituto Geração. É coordenado por Juliana Cortez, com a colaboração de Ivy Moreira, Tati Piva e Luciana Leo.
Sobre o local: O espaço Cita é um centro de coletivos artísticos que reúne uma galera incrível de diferentes iniciativas que vale a pena conhecer. Fica na Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Jardim Bom Refúgio.
Quer conversar com a gente, tirar dúvidas ou conhecer mais sobre o projeto, mande e-mail para: geracaocoletivos@gmail.com
Sobre o projeto Geração Coletivos:
O projeto Geração Coletivos (PGC) é um programa de fortalecimento de iniciativas e coletivos liderados por jovens entre 18 e 35 anos da cidade de São Paulo. Pretende criar espaços de diálogo e reflexão entre os participantes para a promoção do desenvolvimento pessoal e da sua iniciativa, fomentando a criação de uma rede que expanda e fortaleça o campo de atuação de tais coletivos.
Atua por meio de uma abordagem fundamentada no desenvolvimento de habilidades sociais, bem como da prática da observação, possibilitando ao participante realizar leituras de processos contextualizadas e aprofundadas ao mesmo tempo que se desenvolve como agente de transformação social.
Cooperação internacional fomenta a realização de microprojetos comunitários e escolares para Redução de Risco de Desastres no município
Escolas da rede municipal de ensino e Núcleos Comunitários de Defesa Civil – Nudecs de dez territórios de Petrópolis estão recebendo investimentos no valor de € 20 mil (euros), que correspondem a aproximadamente R$ 75 mil reais, para a execução de microprojetos concebidos, planejados e executados localmente, que vão contribuir para a redução de risco de desastres nas comunidades envolvidas.
A ação é parte do Fortalecendo a Resiliência, um projeto realizado com o apoio do Instituto C&A, coordenado pela ONG internacional Save the Children, implementado, no Brasil, pelo Instituto Fonte, tendo como parceiros estratégicos a Prefeitura Municipal de Petrópolis, através das Secretarias de Defesa Civil e de Educação, e a Escola de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro – ESDEC. O projeto acontece desde outubro de 2016 no município e tem o objetivo de estimular redes comunitárias de gestão de risco de desastres (GRD), com capacitação e integração entre comunidades escolares e Nudecs, na Posse, Pedro do Rio, Araras, Estrada da Saudade, Bingen, Morin, Alto Independência, Itaipava/Vale do Cuiabá, Corrêas/Nogueira e Centro (24 de Maio). Fortalecendo a Resiliência faz parte também de uma pesquisa mundial que engloba cinco países: China, Índia, Bangladesh, México e Brasil, sendo que no Brasil, o projeto ocorre apenas em Petrópolis.
“Este projeto cumpre a missão de contribuir com a educação para o risco e com o despertar comunitário e escolar para o autocuidado, para a prevenção e a preparação destas pessoas para reduzir os riscos de desastres onde vivem. Atualmente, há cerca de 500 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, envolvidas diretamente neste projeto nos dez territórios de Petrópolis em que ele acontece. Todas essas pessoas, de maneira colaborativa, mapearam riscos das suas comunidades ou escolas, construíram planos de ação para mitigar os riscos identificados e, na etapa atual, estão desenvolvendo microprojetos, em que põem em prática os aprendizados adquiridos, concebendo do zero, coletivamente, algo real, que dialoga com a prevenção e a redução de risco em seus territórios”, explica Tião Guerra, coordenador do projeto.
Na 24 de Maio, por exemplo, jovens do Comitê de Segurança Escolar da Escola Municipal Clemente Fernandes e membros do Nudec estão atuando em conjunto na construção de seus microprojetos, que são, respectivamente, mapear a comunidade por drone e conscientizar os moradores sobre o descarte correto do lixo. Ulric Ferreira Damazio, 13 anos, é morador do bairro e faz parte do Comitê de Segurança Escolar. Ele conta que o grupo escolheu este projeto para conhecer a comunidade por outros ângulos, trazendo detalhes que eles não conseguem enxergar, principalmente áreas de risco. “Entramos num consenso, porque todos queríamos ver a comunidade de cima. Queríamos enxergar coisas, visualizar riscos que a gente não vê da rua, como locais de descarte de lixo, alguns em encostas, que deslizam quando vêm as chuvas, e casas construídas em locais inadequados. Também estamos procurando um local para reivindicarmos a construção um parquinho ou algo assim, porque não temos aqui na 20”, conclui Ulric, animado com as atividades. Já o Nudec vai trabalhar a conscientização comunitária sobre o lixo, porque avaliam que este é um dos maiores problemas da comunidade. “Agora em novembro faremos um dia “D” de mobilização comunitária junto com o Comitê da escola, passando nas casas para ajudar a separar e recolher o lixo reciclável, que, ao final, será levado pela Comdep. Muitos moradores jogam o lixo em qualquer lugar, fora das caçambas, fora do dia de coleta, deixam na entrada das servidões, e até queimam esse lixo. Quando chove o lixo desce, entope bueiros, fazem encostas deslizarem, além de trazerem ratos e outros insetos. É uma forma de trazermos este assunto, educar e conscientizar”, explica Milena da Costa Santos, moradora e membro do Nudec.
Em novembro, serão realizados simulados em todas as escolas participantes do projeto, sendo que os próprios jovens e membros dos Nudecs conduzirão a simulação de emergência. “Todos os Comitês são divididos em cinco brigadas, tendo cada uma delas um papel a desempenhar em uma situação de emergência na escola. Desde o início do projeto, trabalhamos o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e práticas colaborativas para estas situações. O simulado é o dia de porem em prática o que aprenderam, cada qual sendo responsável por uma micromissão que coletivamente lhe foi conferida”, conta Rodrigo D’Almeida, coordenador de campo do projeto nas escolas. Para Roberta Dutra, coordenadora de campo do projeto nos Nudecs, este é um momento especial. Os simulados integrarão escolas e Nudecs, que trabalharão juntos a capacidade local para preparação e prevenção. Isso é fundamental na redução de risco de desastres”, conclui.
No dia 29 de novembro, finalizando as atividades, o Projeto promoverá o Seminário Fortalecendo a Resiliência: o manual vivo, um encontro regional sobre Gestão de Risco de Desastres.
*Na foto, membros do Comitê de Segurança Escolar da E.M. Clemente Fernandes ou/ Jovens do projeto Fortalecendo a Resiliência da 24 de Maio trabalham no mapeamento comunitário por drone para reduzir riscos de desastres.
Participantes do Projeto Fortalecendo a Resiliência discutiram aprendizados e desafios, incluindo a temática de gênero, na Gestão de Risco de Desastres
A programação do I Colóquio de Defesa Civil de Petrópolis, que aconteceu na FASE, deu voz ao saber comunitário, trazendo a experiência do Fortalecendo a Resiliência na formação de redes comunitárias de gestão de risco de desastres (GRD) no município. Desde outubro de 2016, o projeto vem promovendo a capacitação e integração de comunidades escolares e Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs) em dez territórios de Petrópolis: Posse, Pedro do Rio, Araras, Estrada da Saudade, Bingen, Morin, Alto Independência, Itaipava/Vale do Cuiabá, Corrêas/Nogueira e Centro (24 de Maio). O Projeto é realizado com o apoio do Instituto C&A, coordenado pela ONG internacional Save the Children, implementado, no Brasil, pelo Instituto Fonte, tendo como parceiros estratégicos as Secretarias Municipais de Defesa Civil e Ações Voluntárias e de Educação de Petrópolis e a Escola de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro – ESDEC.
O I Colóquio de Defesa Civil de Petrópolis, coordenado pela Secretaria Municipal de Defesa Civil e Ações Voluntárias, aconteceu durante a semana mundial de Redução de Risco de Desastres (RRD) (11/10) e foi desenhado para interconectar os saberes, trazendo reflexões nos campos científico, profissional e comunitário. “Não há um saber mais importante que o outro. Da mesma forma que queremos a melhor Defesa Civil, com todo o saber científico, também queremos estar próximos das outras Defesas Civis municipais, compartilhando experiências, e também da população, que é quem conhece as dificuldades e os problemas que precisamos enfrentar. Somente desta maneira vamos criar uma Petrópolis efetivamente resiliente”, avalia Paulo Renato Martins Vaz, Secretário Municipal de Defesa Civil e Ações Voluntárias, que comemorou o sucesso do evento, inédito na cidade, e já planeja um próximo em 2018.
“O saldo é bastante positivo e vamos repetir a dose no ano que vem”, disse o secretário.
Presença das mulheres
Dentro da programação, uma das mesas foi dedicada à temática de gênero e redução de risco de desastres, trazendo a experiência das mulheres na formação de Nudecs. Para Tião Guerra, coordenador do Projeto Fortalecendo a Resiliência, é importante promover este espaço e esta discussão uma vez que as mulheres são fundamentais para as mudanças de comportamento frente aos riscos de desastres. “Temos percebido como as mulheres petropolitanas são engajadas quando o assunto é segurança e redução de risco nas suas comunidades e o quanto elas são polinizadoras, fazendo uma alusão às abelhas. Porque mais do que aprender, elas querem disseminar, ampliando a capacidade do local onde vivem. Todos da equipe somos gratos por realizar este trabalho e por apoiar essas mulheres incríveis em trocas de experiências sobre tema tão relevante para elas, suas famílias, comunidades e cidade”, avalia Tião.
Representando o Nudec da Estrada do Gentio, a educadora Ana Maria Paranhos lembrou a importância do trabalho realizado ser em conjunto com a comunidade. “O mais legal de ter participado foi que os moradores da comunidade não se sentiram excluídos do debate. Sabemos que nossa opinião também é importante. Esperamos ter outras oportunidades de conversar com a Defesa Civil”, afirmou.
Analice Ramos, geóloga da Defesa Civil de Teresópolis, falou sobre as dificuldades encontradas pelo órgão no município e elogiou a oportunidade de participar do evento. “A Defesa Civil de Petrópolis está de parabéns pela qualidade do Colóquio. Todos os presentes puderam aprender nas mais diversas esferas. Esperamos que seja um primeiro passo com o foco na prevenção aos desastres”, comentou.
Mulheres interessadas e envolvidas em temáticas ligadas a desastres socioambientais estiveram reunidas na tarde da última segunda (02/10) para uma roda de conversa, na Casa Cláudio de Souza, em Petrópolis. O encontro foi promovido pelo projeto Fortalecendo a Resiliência, com o objetivo de estimular a troca de experiências a partir do ponto de vista da mulher, compartilhando boas práticas e discutindo dificuldades e desafios no papel que elas vêm exercendo na mudança de comportamento frente ao risco de desastres nas comunidades e nos espaços em que atuam.
Estiveram presentes quinze mulheres de comunidades e escolas públicas de Petrópolis em que o Projeto acontece, além de representante da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Ações Voluntárias, parceira estratégica do Projeto, da equipe executora do Fortalecendo a Resiliência e também das coordenadoras mundiais Sarah Sabry e Loreto Barceló, da ONG internacional Save The Children, que estavam no Brasil para acompanhar as ações em curso.
O bate papo teve início com a discussão sobre como é percebida a vulnerabilidade de mulheres e crianças em uma situação de desastre. A troca de informação e experiência mostrou como aquelas mulheres são movidas pela solidariedade e pelo instinto em um desastre e, assim, o quanto a falta de preparação, ou seja, não saber o que fazer e como fazer as deixam em situações de maior risco e vulnerabilidade. “Na última chuva forte que tivemos lá na comunidade eu entrei na casa de uma família com água até o peito, para tirar as pessoas que moravam naquela casa, inclusive crianças. Eu nem pensei, simplesmente fui. Hoje percebo que não podemos agir por impulso. Precisamos nos informar, nos capacitar, nos preparar para apoiar nossa comunidade e também não colocarmos nossa vida em risco. Hoje, mais preparada, não faria da mesma forma”, contou Ana Maria Pacheco, 45 anos, moradora e membro do Núcleo Comunitário de Defesa Civil – NUDEC do Gentio, no Vale do Cuiabá, em Itaipava, e que participa do projeto Fortalecendo a Resiliência.
Elas conhecem as suas comunidades e vivenciaram desastres. E nesta roda de conversa uma voz foi comum: todas as mulheres entendem que mais informação e preparação é fundamental para que haja mais segurança, menos desespero e menos vidas perdidas em situações de desastres. “Na nossa comunidade já vimos histórias muito tristes quando vem a chuva forte. Mas as pessoas não têm informação, não sabem o que fazer”, disse Maria das Graças Aquino, conhecida como Dona Graça, moradora e membro do NUDEC de Vista Alegre, em Araras, criado com o apoio do Projeto Fortalecendo a Resiliência. “Mas nós não queremos sair de lá. Agora com mais informação é que queremos mesmo ficar, para ajudar outras pessoas, passar a informação, para que elas tenham mais segurança e possam também dar segurança às suas famílias. Se formos embora, não estaremos exercendo nosso papel”, complementou Ketlen Santos, 20 anos, moradora e membro do NUDEC Juvenil de Vista Alegre, também recém-criado. “Não queremos ser tiradas de onde estamos. Temos laços afetivos com nosso lugar e as pessoas. Precisamos sim nos preparar mais, estarmos mais unidos para enfrentar um desastre. E é nisso que trabalhando, apesar de nem sempre ser fácil mobilizar a comunidade”, acrescentou Ana Paula Guedes, moradora e membro tanto do NUDEC como do Comitê de Segurança Escolar de Vila Rica, em Pedro do Rio, ambos criados com o apoio do Projeto.
Contribuindo com esta reflexão, Maria Alice Oliveira da Silva, jovem de 22 anos, membro do NUDEC do Gentio, trouxe à discussão o cenário de cidades norte americanas com os furacões, observando a mobilização da população: “Acompanhando pela televisão, eu percebo o quanto todo esse trabalho que reúne comunidade e poder público reduz os riscos, salva vidas, porque além dos sistemas de alerta, as pessoas sabem o que fazer. Aqui não temos nem esta cultura e nem a estrutura e nós moradores precisamos desse apoio”, avaliou Maria Alice. “Informação é muito importante, mas as pessoas precisam de mais. Quem vive em área de risco precisa também vivenciar, simular uma situação de desastre, porque aí sim vão entender o que é pra fazer quando for preciso”, complementou Ana Angélica Brendolin, moradora, agente de saúde e membro do NUDEC da Posse, também criado com o apoio do Projeto Fortalecendo a Resiliência.
Maria Luisa dos Anjos Silva, arquiteta da Secretaria Municipal de Defesa Civil, participou da roda de conversa e avaliou como mais uma boa oportunidade de aproximar a Defesa Civil não somente das necessidades, mas também das ações que vêm acontecendo nas comunidades. “Foi produtivo e agradável e eu fiquei positivamente surpresa de ver como algumas comunidades têm sido representadas por pessoas engajadas e melhor preparadas para o risco. Temos buscado estar mais próximos das comunidades para apoiar as pessoas, que às vezes precisam de ajuda em questões simples. E, estar por perto nos permite também entender as necessidades daquele lugar, o que nos dá melhores recursos para agirmos preventivamente”, explica Maria Luisa.
Para Tião Guerra, coordenador do Projeto Fortalecendo a Resiliência, as mulheres são fundamentais para as mudanças de comportamento frente aos riscos de desastres. “Temos percebido como as mulheres petropolitanas são engajadas quando o assunto é segurança e redução de risco nas suas comunidades e o quanto elas são polinizadoras, fazendo uma alusão às abelhas. Porque mais do que aprender, elas querem disseminar, ampliando a capacidade do local onde vivem. Todos da equipe somos gratos por realizar este trabalho e por apoiar essas mulheres incríveis em trocas de experiências sobre tema tão relevante para elas, suas famílias, comunidades e cidade”, avalia Tião.
Ao final, as mulheres conversaram sobre ideias e práticas que vêm dando certo em suas comunidades, inclusive compartilharam iniciativas recém realizadas por um Núcleo Comunitário de Defesa Civil que foram inspiradas em ações feitas por um outro. “Nós fizemos uma campanha de informação e esclarecimento no transbordo de Itaipava, porque vimos o quanto deu certo o que o NUDEC da Posse fez para sensibilizar moradores de lá sobre a situação das queimadas”, contou Cristina Rosário, membro do NUDEC do Gentio. “Estar aqui, trocando experiências, é fundamental para melhorarmos nossa capacidade de agir diante de um desastre”, concluiu.
No próximo dia 11 de outubro, estas mulheres estarão novamente reunidas no I Colóquio da Defesa Civil de Petrópolis, que acontecerá na FASE e discutirá saberes e experiências comunitárias, profissionais e científicas. Neste dia, à tarde, haverá uma mesa dedicada a gênero e redução de risco de desastres, trazendo a experiência das mulheres na formação de NUDECs.
Projeto Fortalecendo a Resiliência
Fortalecendo a Resiliência é um projeto que acontece desde outubro de 2016, em Petrópolis, com o apoio do Instituto C&A, coordenado pela ONG Save the Children e implementado, no Brasil, pelo Instituto Fonte. Local e regionalmente, tem como parceiros estratégicos as Secretarias Municipais de Defesa Civil e Ações Voluntárias e de Educação de Petrópolis e a Escola de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro – ESDEC. O objetivo é estimular redes comunitárias de gestão de risco de desastres (GRD), com capacitação e integração entre comunidades escolares e Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs), em dez territórios de Petrópolis: Posse, Pedro do Rio, Araras, Estrada da Saudade, Bingen, Morin, Alto Independência, Itaipava/Vale do Cuiabá, Corrêas/Nogueira e Centro (24 de Maio).
Fortalecendo a Resiliência faz parte também de uma pesquisa mundial que engloba cinco países: China, Índia, Bangladesh, México e Brasil, sendo que no Brasil, o projeto ocorre apenas em Petrópolis.