A importância da escuta para a economia de comunhão

Durante o Fórum, eu realizei essencialmente duas práticas de escuta. A primeira que tem a ver com a escuta do silêncio: o que emerge quando a gente silencia, em si próprio, no ambiente da sala e lá fora. Objetivo é perceber como a gente pratica nossa escuta e se dá conta dos campos de percepção que estão interagindo e interferindo o tempo todo no nosso diálogo e nas formas de se relacionar com o outro.E o outro exercício é o “falar e ouvir”, que tem o objetivo de olhar para o lugar de onde a gente escuta o outro. E, num primeiro momento, o exercício desperta o interesse ou a compreensão do quanto eu escuto o outro esvaziado de mim mesmo ou a partir de uma conversa interna muito grande. As falas, durante o Fórum, trouxeram a necessidade de contrapor; do não ouvir, mas do para esperar para falar; de escutar o outro fazendo conexões com suas próprias vivências; a dificuldade de escutar o outro quando você não conhece o assunto. O processo diz respeito a se dar conta do que vai interferindo no processo de escuta, são exercícios para tomar consciência de como a gente escuta e para perceber o que interfere nessa escuta, tanto em campos externos assim como no nosso próprio campo de barulhos e vozes interiores”.




Será que somos capazes de olhar de frente para nossa prática e ver o que ela nos revela sobre o que de fato estamos trazendo pro mundo? O que muda no mundo a partir da minha prática? Onde está a vida – o novo – e onde está o automático – o velho – naquilo que eu faço?
Flora Lovato: Consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte desde 1999. Integrou a diretoria da organização de 1999 a 2007 e a de 2015-2016. É graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, escola em que realizou também seus estudos de pós-graduação. Foi gerente geral da Fundação Iochpe por cinco anos e há 18 vem trabalhando em processos de desenvolvimento junto a diferentes iniciativas sociais. Co-facilita programas de formação tais como Artistas do Invisível (ao lado de Allan Kaplan, consultor sul-africano vinculado à Proteus Initiative) e Profissão: Desenvolvimento, programa voltado ao desenvolvimento da prática de intervenção no desenvolvimento social realizado pelo Instituto Fonte. É facilitadora convidada na Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Coordenou diferentes publicações, entre elas os sete títulos da Coleção Gestão e Sustentabilidade, editada pela Editora Global e Instituto Fonte em 2001. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource e do CDRA (Community Development Resource Association), organização junto à qual cursou o Fellowship Programme, programa avançado com foco em intervenção social.






