Conversar para se fortalecer. Esse foi o sentido principal do encontro, promovido pelo Instituto Fonte, Idesq e Ficas, e que reuniu, virtualmente, no dia 07 de maio, cerca de 20 organizações para compartilhar um pouco da sua realidade durante a quarentena. Participaram organizações que saíram de Florianópolis em Santa Catarina, passando por São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste, subindo para Ceará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão no Nordeste e encerrando sua jornada no Pará, representante da Região Norte. O percurso garantiu uma diversidade de falas, realidades e um diálogo rico, com diferentes olhares e necessidades de cada OSC diante da pandemia.
A sustentabilidade é um tema forte, mas não é a única preocupação das organizações. A conversa também levantou o aumento da violação de direitos em tempos de Covid-19 e o fechamento para a participação das organizações na construção de políticas públicas.
Para as organizações que fazem um trabalho na ponta, existe a preocupação com as comunidades empobrecidas, que concentram os piores IDHs e estão mais isoladas em locais onde nem o poder público ou a Internet alcançam. Também foi colocado como grande preocupação o cuidado e a prevenção das equipes das organizações que fazem atendimento direto a famílias em vulnerabilidade e com a saúde mental e emocional de quem está no trabalho na ponta.
Desafios
Nos relatos, surgiram propostas de iniciar a construção de um documento para o futuro, no qual o grupo pudesse seguir pesquisando sobre caminhos da sustentabilidade, e olhando para a realidade das organizações menores e de ponta, que dificilmente acessam recursos de agências internacionais, por exemplo. Uma saída seria a criação de Fundos de Emergência Locais.
Outros desafios estão relacionados a ajustar acordos, indicadores, gerar flexibilidade nos orçamentos para atender o que é mais urgente. “Será que a gente consegue relatar o que estamos vivendo e o que podemos fazer para enfrentar esse contexto? Será necessário organizar as informações sobre como as organizações estão lidando com a pandemia, gerar um diagnóstico, demonstrar o impacto do orçamento, as necessidades jurídicas, a solução que estamos construindo enquanto organizações”, indagou Suzany Costa, do Instituto Fonte.
A proposta de continuidade construída pelo coletivo
O grupo seguirá com os encontros com o propósito de dialogar sobre as realidades das organizações no contexto do COVID-19 e permanece com a missão de criar um ambiente seguro de trocas. Também vão cuidar de encaminhamentos surgidos das conversas, como:
Convite do encontro de 07 de maio
construir um documento coletivo, capaz de demonstrar a realidade das organizações
olhar para a sustentabilidade, nesse momento de pandemia
fortalecer politicamente a defesa do campo de atuação das OSCs
criar grupos de trabalho para ampliar a capacidade de fala e de diálogo em outros âmbitos
convidar outras pessoas e organizações, de outros estados
ampliar as formas de se comunicar, criando um grupo em outras redes sociais
garantir espaços de conversa, realizando um encontro mensal de escuta e diálogo
Para quem estava esperando, já pode marcar na agenda! O Instituto Fonte, Idesq e Ficas se reúnem para promover o segundo encontro Conversas que fortalecem: Diálogos para o empoderamento coletivo das organizações.
O objetivo é reunir um integrantes de instituições de todo o Brasil e particularmente do Nordeste para conversar sobre questões e dúvidas que estão rondando o dia-a-dia das equipes após o início da Pandemia do Covid 19.
“Queremos um espaço para fala e escuta mútua, no qual cada participante possa expor como está lidando com o momento em sua organização, dentro de um ambiente seguro de trocas e planos coletivos”, explica Suzany Costa, consultora do Instituto Fonte e uma das idealizadoras dos encontros, que integra as atividades do programa Escuta Nordeste*.
Um dos temas a serem debatidos será “cenários futuros: o que nós, enquanto organizações do campo social, estamos percebendo a respeito do que está por vir?”
*O Escuta Nordeste é um programa do Instituto Fonte que surge com a proposta de ofertar gratuitamente organizações espaços de escuta. Em sua segunda edição, também procurou fortalecer a capacidade da organização sobre suas questões e também dos públicos com os quais atua.
O contexto atual está exigindo profunda transformação em seu fazer? Você sente necessidade de olhar para a sua prática com a atenção e o cuidado que o momento exige?
Para quem essas perguntas fazem sentido, temos uma boa notícia.
Sue Davidoff e Allan Kaplan, iniciadores do “ativismo delicado” no campo social, transformaram sua própria prática para estar com as pessoas e ajuda-las a olhar para isso. Acabam de lançar um processo de formação com acompanhamento virtual, para quem necessita refletir sobre seu fazer diante das mudanças que estão acontecendo no mundo provocadas, principalmente, pela pandemia do Covid-19.
O curso é todo em inglês, com duração de três meses (de maio a julho), e terá atividades individuais e em grupos, com plenárias e encontros periódicos com seus facilitadores, Allan e Sue. A contribuição será construída por cada participante.
As/Os interessadas/os devem responder ao convite até quarta-feira, 6 de maio, diretamente no e-mail: proteusinitiative@gmail.com.
A pretensão de Sue e Allan é realizar a plenária de abertura na quarta-feira, 13 de maio (o tempo real dependerá da variedade de lugares onde as pessoas estão vivendo), pelo Zoom.
Como toda a sociedade, neste momento inquietante, estamos ciosas em cuidar de nossos colaboradores e parceiros e contribuir com as políticas para a contenção da transmissão do Covid-19.
Desde o início desta semana, suspendemos as atividades presenciais das áreas administrativo-financeira e de comunicação. Janaína Oliveira, responsável pela administração, pode ser contatada pelo email janaina@institutofonte.org.br ou pelo telefone +55 (81) 98734 0669. Lilian Romão (lilian@institutofonte.org.br ), responsável pela comunicação, segue cuidando do e-mail contato@institutofonte.org.br. Elas encaminharão as atividades de nosso dia a dia, zelando para que a gestão institucional se mantenha dentro dos princípios de lisura e transparência que sempre tem nos orientado.
Todas as atividades de consultoria estão sendo realizadas virtualmente (reuniões e encaminhamentos prioritários). Estamos dialogando com nossos clientes sobre procedimentos a serem adotados colaborativamente neste período de isolamento social e prevemos a continuidade, de forma integral, dos processos após esse período.
Na área programática, o Profides: Profissão Desenvolvimento! está com inscrições abertas para a turma de 2020. Sugerimos que as pessoas interessadas vejam as informações sobre o programa disponíveis em http://new.institutofonte.org.br/wp-content/uploads/2020/03/profides_informacoes-gerais_FINAL.pdf. Também recomendamos que acessem as notícias específicas sobre a nova turma e a ficha de inscrição, ambas disponíveis em http://new.institutofonte.org.br/profidesxi/. Até o início das atividades presenciais, que estão suspensas, estaremos esclarecendo dúvidas, fazendo entrevistas e iniciando o processo seletivo das pessoas interessadas.
No Instituto Fonte, nos sentimos responsáveis pelo todo e sabemos que nosso melhor está em nossa disposição e entusiasmo em construir novos aprendizados. Assim, convidamos nossas/os amigas/os e parceiras/os que se aproveitem da quarentena para escrever, nos enviarem suas reflexões e compartilharem suas práticas em torno do isolamento social e do impacto do Covid-19 em suas vidas. Temos certeza de que acessar nossa interdependência e resgatar nossa colaboração ajudam a criar novas possibilidades, para nós mesmos e para as pessoas mais vulneráveis em nosso país e planeta.
O Instituto Fonte, com o apoio da Canella & Guerra, da Reúna e do Urucum Sítio Vale de Luz, está lançando a 11ª Edição do Profides: Desenvolvimento como Profissão, que vai ocorrer entre as cidades do Rio de Janeiro e Nova Friburgo, de abril a novembro de 2020.
O Profides é um espaço para aprofundar a compreensão sobre nossa forma de atuar enquanto profissionais e indivíduos, assim como para qualificar nossas habilidades de observar e intervir em processos sociais, seja de dentro de uma organização da sociedade civil, um órgão público, uma empresa, um projeto social, um coletivo, ou outras formas de atuar com desenvolvimento.
Lembramos que, para a Edição XI, o programa segue dividido em cinco módulos, que têm as seguintes questões inspiradoras e que ocorrerão nas seguintes datas:
Módulo 1: Como as mudanças ocorrem?
De 30/04 a 03/05 – Entre módulos: 27/05
Módulo 2: Então, o que é desenvolvimento?
De 25/06 a 28/06 – Entre módulos: 22/07
Módulo 3: Como desenvolver nossas habilidades para reconhecer dinâmicas de desenvolvimento em nós mesmos, em grupos e em organizações?
De 20/08 a 23/08 – Entre módulos: 09/09
Módulo 4: Como atuar de forma a gerar condições para que o desenvolvimento ocorra?
De 01/10 a 04/10 – Entre módulos: 28/10
Módulo 5: Como seguir aprendendo e se desenvolvendo?
De 26/11 a 29/11
Facilitação é o assunto de mais uma entrevista da série #fonte20anos*. Dessa vez, conversamos com o consultor e facilitador de processos Arnaldo Motta, que contou como essa prática foi se desenhando ao longo do percurso do Instituto Fonte
Psicólogo de formação, com atuação no campo social desde o final da década de 70. No início dos 80, Arnaldo Motta participou, de forma muito ativa, da implementação de novas políticas na área da saúde mental do primeiro governo de São Paulo eleito diretamente (André Franco Montoro, 1983-1987), que, em sua avaliação, “representou uma grande guinada na forma de abordar as pessoas com transtornos mentais”. Atuou também na criação do primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) de São Paulo e das propostas de tratamento ambulatorial fora do hospital, dentro da comunidade e junto com a família.
Devido à necessidade de novos dispositivos capazes de auxiliar esse formato de atenção, montamos a Associação Franco Basaglia (foi um psiquiatra italiano que inspirou o processo de reformulação da atenção psiquiátrica no Brasil), uma organização voltada para o desenvolvimento de iniciativas de socialização dos usuários do CAPs, com atividades e intervenções nas comunidades. Ao criar uma organização social, começamos a sentir a necessidade de investir na estruturação e gestão dessa organização, para potencializar sua atividade-fim.
Capa da revista do Projeto DIES.
Nessa época, como representante da Associação, Arnaldo Motta passa a participar do Projeto Dies: Desenvolvimento Institucional de Entidades Sociais, uma iniciativa da Fundação Kellogg e Fundação Orsa, que reunia cerca de de 25 organizações sociais que receberiam uma capacitação nas diversas áreas de gestão. Paralelamente, estava se formando o coletivo que criaria o Instituto Fonte. “E eu fui convidado a participar desse grupo e a integrar a equipe do Projeto Gestão. E assim foi minha chegada”, lembra Arnaldo.
A partir daqui, o psicólogo e consultor, que esteve presente nos 20 anos da trajetória do Instituto Fonte, passa a nos contar, com suas próprias palavras, sobre a facilitação de processos, uma prática central na atuação dessa organização.
Boa leitura!
* A entrevista de Arnaldo Motta é parte da série comemorativa #fonte20anos, que trata de assuntos centrais na existência e na trajetória do Instituto Fonte, organização que ocupa um importante lugar para a reflexão e fortalecimento das OSCs no Brasil.
Facilitação do Seminário UNESCO, em Brasília, Abril de 2013.
O movimento ininterrupto das organizações sociais
No Instituto Fonte, nós entendemos que os grupos e organizações são organismos vivos, não coisas estáticas. Estão em transformação o tempo todo. Uma imagem boa para pensar sobre isso é o próprio percurso de um rio. Eventualmente, a água pode ter o seu caminho interrompido, encontrar obstáculos, ter momentos de cheia e seca.
O processo social tem esse fluxo. Uma organização tem o seu objetivo e foi criada para percorrer seu trajeto, dialogando permanentemente com o contexto no qual está inserida. Ela tem um sentido, assim como a água do rio.
Em alguns momentos, esse percurso corre mais liso, mais solto, as atividades caminham bem, sem muitos problemas. Em outros, esse processo apresenta crise, tem entupimentos, conflitos, divisores, divergências, que são partes naturais do caminho de qualquer organismo. A facilitação tem a ver com intervenções que buscam justamente facilitar o desenrolar desses processos.
Registro de atividade de facilitação de processo. OXFAM, Brasília, Abril de 2014.
Obviamente, uma ação como essa implica certo nível de complexidade. Assim como as instituições, o contexto também muda. A sociedade pede e propõe novos desafios, constrói outras respostas. E toda organização interage com essa diversidade de acontecimentos, num determinado tempo e um lugar, e dialoga com as forças que agem no campo no qual ela própria está presente e atuando.
Em alguns momentos, aquilo que parecia claro, deixa de ser. Interna e externamente, as situações se transformam, as pessoas mudam, a equipe cresce, alguns vão embora, o dinheiro diminui… Então, se alguma organização consegue ter clareza do seu contexto, do seu trabalho, da sua atuação, precisa entender que essa condição não é eterna.
Quando uma organização se vê provocada, tensionada, desafiada no sentido de que as respostas que ela tinha já não servem mais, ou a forma como se organizou já não responde às demandas colocadas, é necessário construir novas ela precisa buscar novas saídas. Como é possível imaginar, esse movimento traz algumas crises.
Ajudar a enxergar o que está acontecendo
Facilitar é tornar mais fácil algo que está se debatendo para achar o seu caminho. É dar voz para algo com dificuldade para se expressar, que ainda não encontrou o curso adequado. É abrir espaço para aquilo que está incipiente, incrustado ou reprimido desabroche, apareça e ganhe voz. Abrir espaço para a expressão.
É complicado, ao mesmo tempo em que desenvolve o seu trabalho, olhar para a organização e pensar sobre ela com certo distanciamento, identificando as questões presentes. O facilitador, na verdade, cuida dessa função. Primeiro, para ajudar a entender o que está acontecendo. Nesse sentido, o olhar de fora é muito privilegiado, porque não tem determinadas amarras ou o mesmo nível de envolvimento que as pessoas da equipe. Isso oferece mais liberdade ao olhar. Vale lembrar que o trabalho social é sempre um trabalho muito envolvente. Grande parte das pessoas é tocada pessoalmente. Esse componente afetivo permanece na maneira como as organizações e as suas equipes lidam com as suas crises.
Arnaldo Motta, na consultoria para o Ministério da Cultura. Brasília, Agosto de 2008.
O facilitador tem um olhar distanciado da organização, o que é útil para uma equipe mergulhada no seu cotidiano. Compartilhar a sua realidade com alguém que está vindo de fora pode arejar e a intervenção auxiliar na autorreflexão.
Para o Instituto Fonte, é importante olhar para organizações como seres vivos, formadas por pessoas que precisam ser levadas em consideração, devem ser escutadas e percebidas como agentes que interferem no processo. Contemplar as pessoas é um diferencial muito importante do nosso trabalho. Isso, hoje, pode ser óbvio, mas tempos atrás não era tão natural. Pelo contrário.
Um “jeito” de ser e fazer
O Projeto Dies, que era coordenado por profissionais que também criariam o Instituto Fonte na sequência, já tinha um ritmo diferente em suas formações. De tempos em tempos a gente se levantava, com uma interrupção, um lanchinho, um espreguiçar, um movimento corporal… Havia um clima de cuidado com os sentimentos, espaço para ser ouvido, para discussões. Por fim, as expressões criativas, não só de formas verbais, mas também musicais, plásticas e corporais eram constantes na abordagem.
O Instituto Fonte tem uma referência para o significado da facilitação e um jeito de facilitar. É reconhecido, elogiado e criticado por isso.
Grupo do Projeto Gestão, no Centro Paulus. Inspirado no Projeto Dies, foi o início das ações do Instituto Fonte.
Esse modo de trabalhar tem a ver com as referências que usamos. As duas primeiras, do meu ponto de vista, são a antroposofia e a pedagogia social, centrais para desenvolver a percepção sobre seres em movimento, em processo, vivos.
Trabalhar com diferentes dimensões do ser humano me chamou muita atenção e foi a primeira vez que vi esse formato aplicado no trabalho social. Até então, tínhamos como referência o perfil da militância, muito cabeça, racional, focada nos estudos. A relação com o corpo e com a criatividade ficava de fora e arcávamos com todo o prejuízo que essa escolha causava.
A antroposofia traz esse cuidado dos detalhes, seja de uma conversa ou uma reunião. Nada é feito de qualquer jeito. Uma escuta tem preparação, atitude, provocação. A facilitação do Instituto Fonte tem o cuidado como uma de suas marcas. Cada processo é olhado nos seus detalhes, desde a música, o espaço, a disposição das cadeiras, do material necessário, o encadeamento entre as conversas, a relação entre temas, o momento de atividade corporal. Esse esmero é muito característico e tem essa conexão com a antroposofia e a pedagogia social.
Eu também trago minhas referências da Psicologia. Carl Gustav Jung elaborou alguns instrumentos muito potentes para o trabalho de facilitação, que exige uma escuta que não é apenas auditiva, mas é o que chamamos de uma escuta ampliada, capaz de se colocar inteiramente, como um órgão perceptivo do que está se passando no contexto que você tá querendo desvendar, ler e entender.
A psicologia analítica vai trazer uma série de dispositivos, como o conceito de transferência, no qual muitas coisas que você vivência numa interação diz respeito ao que está acontecendo na situação, como se você fosse uma caixa de ressonância, amplificando questões presentes no processo. A partir dessa lógica, é possível usar aquilo que está sentindo, pensando, fantasiando. Poder se colocar nesse lugar é um instrumento muito poderoso para o processo de facilitação, porque permite que você alcance sutilezas do fenômeno que não teria acesso de outra forma.
Outro conceito importante, advindo da psicologia analítica, é o de símbolo, uma leitura ampliada das situações, na qual as coisas “são o que são”, mas também “são mais do que são”. Uma imagem feita durante uma conversa pode representar muito do que está se passando naquela situação e ampliar o universo de percepções objetivas e subjetivas que merecem ser contempladas, respeitadas e consideradas quando você vai fazer uma leitura de processo dentro de um trabalho de facilitação.
Assim como a pedagogia social cuida da maneira de estar, da construção dos lugares de intervenção, a psicologia vai zelar também pela forma como se dão as interações e conversas. Tornam-se dois campos complementares, nesse sentido.
Só para fechar essa parte do cuidado, tem um terceiro elemento, que chega mais tarde e vai potencializar bastante o nosso trabalho, que é a observação. E isso acontece quando entramos em contato com a fenomenologia goetheana, que aprofunda conosco a prática social reflexiva (que faz parte do corpo da Antroposofia, uma vez que Rudolf Steiner foi o organizador de todo o material que Goethe produziu).
Allan Kaplan, quando aprofunda a teoria goetheana com a equipe do Instituto Fonte, impacta e legitima muito do que já fazíamos. Ele, pessoalmente, passa a ser decisivo em nossa formação como profissionais de desenvolvimento. Logicamente, a facilitação que nasceu há 20 anos no Fonte é hoje muito diferente, uma vez que também somos esse organismo vivo, que incorpora elementos do mundo e do que nele nos provoca, composto por pessoas, que trazem, absorvem e transformam essa prática.
Durante o retiro do Instituto Fonte, momento de estudos e aprendizagem coletiva. Centro Paulus, Setembro de 2010.
Nosso grupo de facilitadores sempre foi muito curioso, estudioso, preocupado com a própria aprendizagem, outra característica marcante dentro da nossa própria perspectiva de facilitação. A aprendizagem diz muito da nossa postura e acaba sendo decisiva na construção desse entendimento líquido, que precisa mudar com o tempo, com as influências e com as mudanças que vivenciamos no processo social. Quando facilitamos, aprendemos também.
Por isso fomos gradativamente incorporando outros autores e teorias, como o Christopher Schiefer, depois o Edgar Schein, que vem da consultoria corporativa com a perspectiva de processo e sistematiza o conhecimento de um jeito muito interessante. O próprio Jung ganha espaço na medida em que aprofundamos nossos estudos. Peter Drucker e outros nomes aparecem no cenário, como Fritjof Capra, com O tao da física e O ponto de mutação, que vai falar dos fenômenos da complexidade e das teorias sistêmicas.
No trajeto percorrido, o que está por vir
Nos seus 20 anos de existência, acho que o Instituto Fonte publicou pouco, escreveu pouco sobre si, sobre sua prática. Publicou muito de outros autores, fizemos traduções importantes para o campo do desenvolvimento social, mas não materiais nossos, de nossa autoria. Temos alguns artigos, relatórios, publicações das quais participamos. Tudo muito esporádico. Mas não desenvolvemos uma prática de estudar e escrever sobre o conhecimento nascido.
Arnaldo facilitando uma reunião, atividade da Consultoria para a UNAS – União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região. São Paulo, Setembro de 2015.
Pensando para o futuro, precisamos atuar com a sistematização da aprendizagem acumulada, isto é, escrever sobre o que é tão óbvio, mas ao mesmo tempo deve ser nominado justamente para que o óbvio possa ser dito. Acho que esse é um desafio. Estamos trabalhando em uma primeira publicação com esse viés.
Outro ponto é que tivemos um lugar organizador aqui no Brasil dos conceitos em torno do profissional de desenvolvimento e acho que toda essa crise, do ponto de vista institucional e conjuntural, trazem muitas questões. As pessoas estão espalhadas. Manter algum nível de notícia, de conexão e de relacionamento dessa rede, de pensar em como manter esses canais de trocas, não mais de uma instituição, mas de algo mais aberto e solto, talvez configure uma outra pauta institucional.
Os alun@s da Escola da Juventude, projeto criado e coordenado pelo Instituto Fonte, tem o prazer de convidar você para um Roda de conversa com o DJ BOLA, do Jardim Ângela – São Paulo.
Ele vai contar um pouco de sua história de vida, empreendedorismo e de como surgiu a Produtora A Banca e a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia – ANIP.
Quando?05/10/2019 – 9h30 as 12h30
Onde?
ONG Trapeiros de Emaús Recife – Av. Uriel de Holanda, 640, Linha do Tiro – Recife
Mais informações:
helena@institutofonte.org.br
ricsalves@gmail.com
81 996488449 whatsapp
Valor da inscrição: contribuição voluntária no local para a Produtora A Banca.
*FOTO: Oficina de Escuta na Associação de Mulheres Indígenas Jenipapo Kanindé – IDESQ / Projeto São José
O Lab Escuta Ceará encerrou, no último dia 03, as atividades do programa Escuta Nordeste – Edição 2018/2019. O encontro aconteceu no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), em Fortaleza, e contou com a presença de profissionais de sete diferentes organizações do Estado.
LAB Escuta Ceará, 03 de setembro de 2019, no CEU.
Suzany Costa e Saritta Falcão Britto foram as consultoras do Instituto Fonte responsáveis pela condução do encontro. Entre outros objetivos, o Lab Escuta é a atividade que proporciona o encontro das organizações e oferece uma vivência de troca e escuta ativa entre os participantes, a partir de um exercício de escuta capaz de contribuir com processos de desenvolvimento institucional.
O Escuta Nordeste é um programa do Instituto Fonte que está em sua segunda edição. Em dois anos, um total de 11 organizações da sociedade civil do Ceará recebeu uma escuta organizacional, usufruindo de uma ação capaz de propiciar um mergulho em suas práticas institucionais.
Boa colheita: Fruto desse trabalho, em 2019, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Qualificação Profissional (IDESQ), uma das organizações integrantes do Escuta NE, convidou o Instituto Fonte para desenvolver um processo de escuta qualificada com outras 10 associações comunitárias e rurais participantes do Projeto São José. Com características diversas e espalhadas por diferentes municípios da região metropolitana de Fortaleza, norte, litoral, sertão central do Ceará, a ação envolveu comunidades remanescentes de quilombo, pescadores, assentados, mulheres indígenas e grupos de mulheres rurais.
As oficinas, desenhadas e facilitadas pelas consultoras Saritta Falcão e Suzany Costa, tiveram como foco a origem, identidade e práticas organizacionais. Estimular um momento de reflexão capaz de auxiliar essas organizações a mergulharem em conversas institucionais generativas acerca do seu desenvolvimento e futuro esse foi um dos objetivos da ação.
Suzany Costa, durante atividade de planejamento na Associação Remanescente de Quilombo Boqueirão de Araras.
O que tem gerado desenvolvimento?
E o que não tem gerado desenvolvimento?
Que questões desafiam o futuro da organização?
Somado a isso, as dinâmicas de Escuta organizacional procuraram apoiar organizações na compreensão e aprendizagem sobre suas práticas institucionais, com base na prática social reflexiva, tentando olhar para aquelas que ajudam ou prejudicam o desenvolvimento.
Suzany Costa, uma das consultoras que idealizou o Escuta Nordeste, explicou que as oficinas de escuta representaram um momento de aprendizado e troca, uma oportunidade para conhecer um pouco do fazer da cada organização. “Foi possível adentrar num universo rico de identidades, cultura, desejos e força para o desenvolvimento produtivo e social de comunidades rurais no Ceará . Nesse sentido, nós do Instituto Fonte estamos conscientes que contribuindo com essas OSCs para olharem para o que fazem, expandimos nossa leitura do mundo ao ter contato com tanta diversidade de ações e ideias. Nossa gratidão ao Idesq e a equipe do Projeto São José”, completou.
Escutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São José
Sobre o Idesq :: Há mais de 35 anos, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Qualificação Profissional (IDESQ) atua no bairro Parque Santa Maria, em Fortaleza, com a qualificação de aprendizes. Oferece aos jovens da comunidade a oportunidade do primeiro emprego e a inserção digna no mercado de trabalho.
O Programa Escuta :: é uma ação desenvolvida pelo Instituto Fonte e que propõe escutas qualificadas para organizações da sociedade civil ou de projetos sociais. É fruto de uma demanda muito sensível de instituições interessadas em formas diferenciadas de debater sobre sua realidade e práticas, ao mesmo tempo em que construíam entendimentos sobre seu lugar diante de um contexto social tão complexo como o atual. Possui uma metodologia embasada na Prática Social Reflexiva, capaz de lidar com as diferentes dinâmicas e práticas das OSCs, além de construir um ambiente seguro de fala, escuta e trocas entre as pessoas que dão vida a essas iniciativas.
O Instituto fonte agradece à gestão do CEU por disponibilizar o espaço e participar deste momento e as organizações participantes do Escuta NE 2018/2019.
Aguarde! O Instituto Fonte está planejando a primeira edição do Escuta Sudeste.
Você gostaria de propiciar um espaço de escuta qualificada em sua organização. Procure o Instituto Fonte! Será uma alegria escutar vocês!
Escutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São JoséEscutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São JoséEscutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São JoséEscutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São JoséEscutar para planejar! Oficina Escuta Idesq/Projeto São José
O último dia da oficina “Ativismo Delicado”, em Olinda, foi encerrado com muita comemoração.
Por quê?
Faz 20 anos que o Instituto Fonte se propôs a olhar para processos de desenvolvimento social a partir da Prática Social Reflexiva – a abordagem da fenomenologia goetheana para processos sociais.
E, ao longo desse tempo, a cada processo, lida com a re-construção de suas próprias sensibilidades.
Cada iniciativa o desafia a construir novos olhares para os movimentos da vida das organizações e de sua própria vida.
… há uma diferença entre ver e ver; … os olhos do espírito têm que trabalhar em uma conexão perpétua com os do corpo, pois de outra forma o indivíduo corre o risco de ver e ainda assim não ver.” Goethe
UMA PRÁTICA RADICAL PARA PROMOVER MUDANÇAS
Estou fazendo o melhor a ser feito nessa situação?
Como esticar o pensar a partir de explorações rigorosas da sua prática?
Qual o jeito de olhar que orienta seu pensar e a sua prática?
Após três edições em São Paulo, pela primeira vez o Nordeste receberá a oficina sobre Ativismo Delicado. Será em Olinda, Pernambuco, dias 23 e 24 de agosto, como parte das celebrações dos 20 anos do Instituto Fonte, em conjunto com a comunidade profissionais, amigos e parceiros dessa região do país.
A oficina, um convite para enxergar as relações do campo social e favorecer o pensar a partir de explorações rigorosas da prática individual, foi desenvolvida pelo Instituto Fonte em parceria com a Noetá e o Proteus Institute. Procura ajudar as pessoas a manter viva uma prática social que permite ir além das ambiguidades e incertezas e que solicita que estejamos “acordados” para a coerência entre nosso fazer e o nosso pensar.
A abordagem dessa oficina tem sua raiz no empirismo delicado de Johann Wolfgang von Goethe. A contribuição científica deste autor, cientista e estadista alemão é a base da Prática Social Reflexiva, desenvolvida pelo Instituto Proteus (África do Sul) e trazida para o Brasil de forma pioneira pelo Instituto Fonte, em 2002.
Sua facilitação será realizada por Flora Lovato e Saritta Falcão Brito, consultoras associadas do Instituto Fonte, além de profissionais de desenvolvimento e ativistas delicadas.
O delicado empirismo de Goethe é uma ciência da vida em todas as suas formas. Para obter uma compreensão completa da vida, o método de Goethe exige que o cientista respeite e atenda a vida. Eu argumento que, para alcançar esse objetivo, é preciso se tornar um aprendiz para a vida. Tornar-se um aprendiz para a vida exige que se recuse a comer o Outro. Isso implica que o método de Goethe pode ser empregado com sucesso por qualquer pessoa que busque justiça social”. Bill Bywater
FACILITADORAS ::
Saritta Falcão Brito é consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social, desde 2012.É graduada em Administração de Empresas pela UPE – Universidade de Pernambuco e pós-graduada em Reflective Social Practice pelo Philosophy of Social Innovation Institute da Alanus University – Alfter, Alemanha.É empreendedora social e há 18 anos trabalha com gestão de projetos, programas e organizações da sociedade civil e no desenho e facilitação de processos de aprendizagem. Atua como membro do Grupo Recife de Aprendizagem – GRA (2012); do Conselho Deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos (2011) e da Kellogg Fellows Leadership Alliance – KFLA.
Flora Lovato é consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte desde 1999. É graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, onde realizou seus estudos de pós-graduação. Há 20 anos trabalha em processos de desenvolvimento organizacional, planejamento estratégico, aprendizagem e avaliação de programas e projetos junto a diferentes iniciativas sociais. Atua como co-facilitadora em programas de formação desenvolvidos pelo Instituto Fonte e por outros parceiros, como na Pós-Graduação em Prática Social Reflexiva realizada pelo The Proteus Initiative, GRA – Grupo Recife de Aprendizagem, Instituto Crossfields e Alanus University. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource e do Community Development Resource Association.
OFICINA ATIVISMO DELICADO
Quando :: 23 e 24 de agosto, das 8h30 às 18h30 (e 1h30 para o almoço)
Onde :: Convento de São Francisco – Olinda, PE
Investimento :: R$ 320,00, até 12/08 :: R$ 420,00 a partir de 13/08 :: O Instituto Fonte vai oferecer um desconto de R$ 70,00 às 10 primeiras inscrições.