Mais uma parceria de consultoras integrando as atividades da Escola de Formação da Ação Educativa. Agora, Ana Paula Giorgio e Flora Lovato se reúnem para a oficina Delicado ativismo: uma prática radical de promover mudança, nos dias 08 e 09 de novembro.
A atividadetraz a tona a reflexão sobre a coerência, ambiguidades e incertezas entre o fazer e o pensar do ativismo, com base na intervenção social para a mudança a partir da abordagem fenomenológica desenvolvida por J.W. Goethe.
Muitas pessoas que trabalham com transformação social têm buscado desenvolver uma prática que zela pela profundidade e singularidade de cada fenômeno com que se relacionam. O discurso – apaixonante – das organizações sociais voltadas à mudança fala disso o tempo todo.
Querem agir de forma humana e consistente, sem simplificar a complexidade que encontram no seu entorno. Querem uma prática que faz emergir a distinção e não a separação, que preste atenção nas sutilezas e ajude a agir no mundo, não sobre o mundo. Essas mesmas pessoas se sentem enredadas pelo “automático”, pressionadas pelo tempo, levadas a solucionar as questões com as quais se defrontam e mantendo inalterado exatamente aquilo que querem mudar no mundo.
Será que somos capazes de olhar de frente para nossa prática e ver o que ela nos revela sobre o que de fato estamos trazendo pro mundo? O que muda no mundo a partir da minha prática? Onde está a vida – o novo – e onde está o automático – o velho – naquilo que eu faço?
Esta oficina foi desenhada para ajudar essas pessoas a manter viva dentro de si uma prática que supere essas ambiguidades e incertezas. Uma prática que pede que estejamos “acordados” para a coerência entre nosso fazer e o nosso pensar, para as formas de pensar que constroem liberdade e vida, que compreendem os fenômenos ao invés de buscar resolvê-los. Uma prática que, para ser assim, pede que nós mesmos sejamos assim.
A quem se destina: Profissionais que atuam com desenvolvimento social.
Carga horária: 12h
Investimento: R$150,00
Período: Quinta e sexta-feira, 08/11 e 09/11 de 2018 (2 encontros)
Ana Paula Giorgi: Formada em Letras pela USP, com mestrado em Desenvolvimento Sustentável e Treinamento (School for International Training, EUA) e Doutorado em Educação (UNESP), trabalha com Desenvolvimento Social desde 1996. Foi consultora por dez anos, trabalhando com ONGs, fundações, escolas agrícolas e programas de formação. Fundou e coordenou um programa de educação complementar para crianças em sua comunidade, onde também foi presidente do CMDCA. Escreveu um livro sobre um programa de educação rural realizado pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Retrato Falado da Alternância) e um guia, Elaboração Participativa de Projetos, publicado como parte de um programa da Fundação VITAE. Traduziu o livro de Allan Kaplan, Artistas do Invisível. Hoje atua como facilitadora de processos. Mora na cidade de Oriente, SP. Contato: anapaula.chavesg@gmail.com
Flora Lovato: Consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte desde 1999. Integrou a diretoria da organização de 1999 a 2007 e a de 2015-2016. É graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, escola em que realizou também seus estudos de pós-graduação. Foi gerente geral da Fundação Iochpe por cinco anos e há 18 vem trabalhando em processos de desenvolvimento junto a diferentes iniciativas sociais. Co-facilita programas de formação tais como Artistas do Invisível (ao lado de Allan Kaplan, consultor sul-africano vinculado à Proteus Initiative) e Profissão: Desenvolvimento, programa voltado ao desenvolvimento da prática de intervenção no desenvolvimento social realizado pelo Instituto Fonte. É facilitadora convidada na Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Coordenou diferentes publicações, entre elas os sete títulos da Coleção Gestão e Sustentabilidade, editada pela Editora Global e Instituto Fonte em 2001. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource e do CDRA (Community Development Resource Association), organização junto à qual cursou o Fellowship Programme, programa avançado com foco em intervenção social.
Nada mudou, ainda assim, o mundo inteiro está diferente»
Wittgenstein
Bons encontros conectam olhares, sentidos, ideias, objetivos… Para formar a turma do Profides 2018: Profissão Desenvolvimento, os consultores Flora Lovato e Tião Guerra estão a procura de criar sentidos para uma verdadeira conexão em torno dessa proposta de formação para profissionais que atuam com desenvolvimento social.
Pensando nisso, vão realizar um «esquenta» para a nova turma com o tema Modos de ver o mundo: que diferença isso faz para as intervenções no campo social.
24 de outubro será dedicado a conversas individuais, um formato de coaching para questões relacionadas a sua prática.
25 de outubro será dedicado a atividades de reflexão e interação, como um primeiro contato do grupo que está se formando.
Esse evento é gratuito e aceita contribuições voluntárias!
O Profides 2018: é um programa de formação que pretende favorecer a criação de espaços cuidados para a análise crítica e qualificação das práticas de desenvolvimento social no Brasil. Está previsto para iniciar em Fevereiro de 2019 e os novos valores são:
R$ 7.000,00 por participante (para um número mínimo de 20 participantes); R$ 5.400,00 por participante (para um número mínimo de 26 participantes); R$ 4.700,00 por participante (para um número mínimo de 30 participantes).
*foto publicada pelo Observatório da Sociedade Civil (http://observatoriosc.org.br/noticia/michel-quinn-patton-avaliar-para-aprender-aprimorar-e-transformar)
A presença de Michael Patton, fundador e presidente da Utilization-Focused Evaluation (Avaliação Focada no Uso), nos Estados Unidos, durante o 14º Seminário Internacional de Avaliação, iniciativa do GIFE, Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e Instituto C&A, que aconteceu em agosto, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), levantou algumas questões sobre os desafios da avaliação na atualidade.
O Instituto Fonte atua a cerca de duas décadas com processos de avaliação no Brasil e tem o tema como uma de suas linhas de pesquisa e ação. Aproveitamos a presença e as provocações trazidas por Patton, pesquisador e consultor em avaliação de destaque mundial por focar, em toda a sua trajetória, questões como avaliação e aprendizagem, avaliação e desenvolvimento, avaliação e seus usos, e convidamos para uma conversa dois consultores do Instituto Fonte que estiveram presentes no evento: Flora Lovato e Alexandre Randi.
Ao olhar para esse lugar da avaliação no Brasil e na trajetória do Instituto, os consultores aproveitaram para destacar pontos que consideraram relevantes na e a partir da fala de Patton, que, é importante lembrar, traz em seu currículo cerca de cinquenta anos de dedicação à interface avaliação e aprendizagem.
Um jeito de falar sobre Avaliação: Flora Lovatto destacou a presença do especialista no Brasil como o grande mérito de todo o Seminário. “Primeiro, ele é um avaliador muito reconhecido, além de sensível e gentil na forma como faz a avaliação e como aborda e compartilha o conhecimento que tem”, acrescentou. Para Patton, diferentes enfoques ou jeitos de se pensar a avaliação, como um estudo, uma ciência, um método, uma pessoa, um avaliador, tudo isso representa variadas formas e lugares de olhar e pensar sobre o assunto. “E diante dessa imagem, ele nos deixou a seguinte questão: que tipo de avaliação engloba tudo isso, sem ser só uma coisa ou outra?”.
Outro elemento de destaque segundo a consultora foi o fato de, mesmo refletindo sobre diferentes tipos de avaliação, o pesquisador trazer aspectos da avaliação de impacto. “No Brasil, ainda estamos aprendendo a fazer e não temos clareza sobre o que é a avaliação de impacto. Nem as organizações, mesmo as financiadoras, estão compreendendo ‘impacto’ ou sendo capazes de diferenciar o impacto do seu próprio projeto daquele que o resto da sociedade provoca na vida de uma pessoa ou de um grupo social”, explora Flora.
“Quando ele (Patton) fala em transformação, acho que é mais profundo do que pensar a partir de seu próprio círculo de ação. Trata-se da capacidade em desenvolver olhares para a mudança de cultura, de padrão, do jeito da sociedade lidar com determinadas situações. Ele falou, por exemplo, sobre a diminuição ou eliminação de casos de uma doença devido a uma nova vacina, ou a mudança radical no número de gestantes adolescentes. São avaliações que envolvem sistemas mais complexos, uma cadeia de relações dos beneficiários, como a família, comunidade, amigos, escola, mundo virtual. Criar um processo de avaliação capaz de olhar para realidades complexas exige sensibilidades e habilidades abertas, ou conectadas a essa complexidade”.
A última questão trazida por Flora, a partir da fala de Patton, trata da conexão do pensamento avaliativo conduzido pelo pesquisador, ao de Paulo Freire. Ambos tratam como princípios essenciais aos processos a participação, o envolvimento de todos os cidadãos, ou das pessoas diretamente relacionadas ao caso a ser decifrado. “De fato, é um brasileiro cujo pensamento impacta tantas áreas do pensamento e transformação social, que sempre se aproxima de nós trazidos por novas e inesperadas fontes”, finaliza.
Pensamentos complexos X ferramentas cartesianas: Alexandre Randi é consultor do Instituto Fonte desde 2007. A partir de enfoques já explorados na fala de Flora, o facilitador de processos considera interessante localizar a importância do pensamento complexo nos processos avaliativos, de acordo com a fala de Michel Patton. “Para mim, o ponto alto foi a provocação que ele trouxe no final de sua fala, sobre o fato de que, apesar de todo um contexto o qual nos leva a analisar um mundo de relações interligadas, que nos provoca a desenvolver um olhar holístico, continuamos trabalhando com ferramentas cartesianas, a partir de projetos e programas para a transformação social”, lembrou ao repetir algumas falas de Michel Patton.
O que é interessante de tudo isso, e também preocupante, na opinião de Randi, é que tem muita gente, há muito tempo, falando da importância de um olhar expansivo ou sobre o fato de que não dá para tratar o campo social de forma cartesiana. “Mas, ao mesmo tempo, continuamos operando da mesma maneira, com projetos, programas, com ferramentas baseadas em Marco Lógico. A Teoria da Mudança, que é uma metodologia considerada inovadora, por exemplo, é uma variação do Marco Lógico”, analisa.
A pergunta que fica, para Alexandre, é como saímos desse lugar e enfrentamos a situação real na qual temos um discurso quase de futuro sobre o olhar para a complexidade, e, na prática, não conseguimos sair desses modelos cartesianos.
Lembro do primeiro módulo, da primeira turma do Artistas do Invisível (programa de formação do Instituto Fonte), no qual uma reflexão do grupo levantou a seguinte questão: a que e a quem o Marco Lógico serve? Será que é isso que precisamos no campo social? Será que isso vai propiciar mudança e transformação social? E Patton retoma essa linha de pensamento agora e me faz refletir sobre esse período em que estamos nos deparando com essa disparidade”.
Outra coisa importante, segundo o consultor, foi a provocação sobre intensificar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da base de qualquer processo. “Para além de métodos, ferramentas e estruturas avaliativas, há que se evocar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da natureza, do sentido da ação, pois é isso que vai diferenciar um contexto avaliativo de uma simples medição. E grande parte desse potencial se manifestará na forma de conduzir o processo”, finaliza Alexandre Randi.