Ficarei perdida entre a mudez dos sinais? Ficarei, pois sei como sou: nunca soube ver sem logo precisar mais do que ver. Sei que me horrorizarei como uma pessoa que fosse cega e enfim abrisse os olhos e enxergasse – mas enxergasse o quê? um [objeto/situação] mudo e incompreensível. Poderia essa pessoa não se considerar mais cega só por estar vendo um [objeto] incompreensível?”
Clarice Lispector
Quando observo e quando imagino, o que está acontecendo em mim?
O que é do fenômeno e o que é meu? O que projeto?
O que ocorre dentro da pessoa tem diferentes níveis… Da observação acurada, que implica leitura, escuta e visão…
Da imaginação sensorial exata, que implica em rememorar, reviver, fazer conexões entre diferentes aspectos manifestados pelo fenômeno…
A leitura dos aspectos invisíveis implica em “ver” relações internas do fenômeno e dele com seu mundo exterior…
Gostaríamos de convidar você para fazer parte do encontro do dia 8 de fevereiro, com a nova turma do Profides: Profissão Desenvolvimento.
Queremos olhar para as habilidades da observação, da imaginação e da intuição como momentos da leitura de processos.
Está sentindo que é hora de olhar profundamente para seu lugar profissional e para sua ação no mundo?
Participe conosco. Esse será nosso último encontro aberto antes do início do Profides X, em Abril de 2019.
Quando: 8 de fevereiro, das 9h às 17h. Onde: Ficas – R. Dr. Lopes de Almeida, 180 – Vila Mariana
Tião Guerra. Consultor, facilitador, educador, amador, sonhador, cuidador, cantor, compositor… Adjetivá-lo é uma tarefa difícil, pois qualquer definição, dependendo do contexto, pode tornar-se frágil e limitadora do alcance de suas asas invisíveis. Mas sua autodescrição destaca, para além daquilo que já foi apontado antes, seu gosto por caminhar e suas aptidões como músico, leitor, escritor (https://cartasdofundo.wixsite.com/site) e como pai de seis filhos maravilhosos.
Como o sobrenome indica, aos seus 58 anos de vida Tião luta suas próprias batalhas. Acredita no contato consigo mesmo, com a natureza, com a arte e com o outro como estilo de vida, abordagem de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. Após 39 anos de atuação como educador, desenvolveu um olhar muito dinâmico, crítico e realista para as situações que envolvem a educação de crianças e jovens, fruto de uma trajetória multifacetada e inquieta, iniciada em 1979, no Estado do Rio de Janeiro, e que ultrapassou os muros da escola pública e alcançou movimentos e organizações sociais de várias localidades e naturezas, incluindo aquelas voltadas para a Pedagogia Waldorf.
Tião soma muitas atividades em seu currículo: fundou o Instituto de Educação de Nova Friburgo em 1985, e foi o diretor da escola de aplicação do mesmo. Fundou a Associação Crianças do Vale de Luz em 1988, mantenedora de duas Escolas Waldorf público-comunitárias e um Centro de Formação de Professores Waldorf, onde desenvolveu habilidades de gestão organizacional e de apoio ao desenvolvimento de pessoas e de organizações sociais. Em 1996, começou a atuar como consultor de processos de desenvolvimento social. Foi coordenador Regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ ‐ Fundação para Infância e Adolescência, em 2002. Realizou estágios na área educacional na França, Suíça e África do Sul. É graduado em pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. De 2007 a 2011, prestou assessoria parlamentar (ALERJ) na área de projetos de desenvolvimento. Em 2017, compartilhou seu tempo profissional com grupos muito interessantes: Coordenador do projeto Fortalecendo a Resiliência em Comunidades da Região Serrana do Rio de Janeiro (C&A Foundation e Save the Children); Jardim Escola Michaelis/RJ; Departamento Nacional do SESC, Área de Desenvolvimento Comunitário; Avo – Meaningful Branding; JLT Seguros; UNICEF/RJ. É docente na graduação “Pedagogia da Liberdade” e consultor eventual em diversas potentes iniciativas socioculturais por aí… Contato: tiao@institutofonte.org.br
Com base nesse caminho, influências e inúmeras perguntas ainda sem respostas, Tião tem aperfeiçoado um conceito próprio que intitulou “educação vigorosa”.
E esse é o foco deste texto, fruto de uma longa conversa-aula, que tratou desde a origem e inquietações presentes no conceito, como também se preocupou em apontar qual é o caminho pedagógico para o qual procura olhar a educação vigorosa.
E, apenas lembrando, Tião Guerra será um dos facilitadores do Profides X, ao lado de Flora Lovato. Já fez sua inscrição?
A origem do termo “educação vigorosa”
Tem a ver com uma trajetória de 37 anos dentro de escola, tanto privada como públicas, estas últimas, em áreas periféricas onde o tema da violência ou da inadequação, ou a falta de sentido do espaço escolar para uma boa parte das crianças e dos jovens é um tema muito recorrente. Sobretudo para os jovens. Como olhar para a instituição escola pública, que é a maior instituição pública desse país, onde mais circulam cidadãos, como um espaço que pudesse ser interessante, desejável, estimulante?
Essas inquietações surgiram paralelamente ao meu convívio com a Pedagogia Waldorf, que tem na sua base o princípio associativo, ou seja, a escola não é do Estado, não é de um dono, de um proprietário, mas a escola é gerida, construída por uma tríade composta os professores, pais e comunidade.
A aposta da Pedagogia Waldorf, de que a relação dos adultos é aquilo que vai gerar a estrutura ou o leito por onde vai correr o “rio escola”, por onde vai correr o “rio crianças” em processo educativo, sempre foi pra mim um grande atrativo dessa abordagem pedagógica. Porém, ao longo dos anos fui percebendo que esse é um grande tesouro repleto de grandes desafios.
O desafio da vida em comunidade
A vida associativa é um grande desafio na contemporaneidade. A vida associativa, de colaboração, de criar consensos, de haver dissensos, de discordar, de estabelecer mandatos, de diferenciar alçadas, todos esses processos que são centrais na vida social estão muito fora de moda.
Não é algo que está sendo estimulado na esquina, ou seja, vamos colaborar, vamos organizar bons encontros para produzir metas definidas no bairro, no condomínio, na cidade, enfim… E isso não é culpa das pessoas que estão envolvidas no processo.
Pra mim, nasce essa constatação de que essa fragilidade da presença dos adultos, tanto nas escolas públicas como na Escola Waldorf, que não são públicas, são comunitárias e associativas, era um fenômeno mais profundo do que a inabilidade daquele grupo de adultos, ou daquela comunidade que estava em torno daquela da escola pública. Mas que a gente deveria olhar pra isso com mais cuidado na conjuntura moderna, na qual o ideal de adulto bem sucedido é um adulto privatizado, que tem seu plano de saúde, que tem a chave da sua casa, que está dentro do condomínio, que se locomove no seu carro, que é “independente”. Isso tudo é tido como sucesso.
Essa “pulga atrás da minha orelha” foi crescendo e chegou uma hora que uma pergunta do Steiner, em um livro chamado “A questão social como questão pedagógica” fez muito sentido. Logo na abertura ele diz: “como nós adultos devemos nos comportar diante das crianças se quisermos que elas mergulhem com entusiasmo na vida cultural, jurídica e econômica?” Eu me agarrei nessa pergunta e falei “é com essa que eu vou”.
Uma escola sem crianças no centro?
Começa assim a nascer esse conceito de uma escola que tem crianças e jovens, mas que o centro dessa escola não são as crianças e os jovens. É uma ideia contra intuitiva, um rompimento. As pessoas não dizem isso, as crianças sempre foram o centro da escola. E eu começo a dizer que o centro da escola são os adultos e a sua vida social, seja uma escola pública ou Waldorf, de que essa escola vai ser tão mais interessante, estimulante, significativa quanto mais qualificada for a vida social dos adultos que estão em torno dessa escola?
Na medida em que a vida dos adultos, a vida de colaboração, associativa, se qualifica e se torna entusiasmante para os adultos, as crianças e os jovens vão se espelhando e conforme vão ganhando idade, iniciam sua própria participação nessa estrutura, a partir desse comportamento.
A escola é um lugar onde os adultos são referências. Eles não são faladores de mundos românticos, idealizados, mas eles são uma referência prática do quanto é bom e dilemático ser adulto, no sentido de que não é harmônico, mas no sentido de que a vida adulta é uma vida interessante. Ela tem uma ludicidade dramática. Crianças e jovens, quando olham para esses adultos, pensam, sentem “nossa, é bom amadurecer, é bom ser adulto. É bom caminhar para meu próximo estado”.
Eu tenho sido muito chamado para trabalhar com Escolas Waldorf, fortalecer a vida associativa. Eu tenho feito o que disse até agora, lembrar as pessoas de que se a gente “brinca bem como adulto”, isso é a escola. A relação entre os adultos é o que vai fazer esse fluxo. Vivenciar situações reais que vão representar um currículo vigoroso. Que é um currículo de comportamento adulto, maduro.
O fluxo da força: da violência à virtude
Tião e educadoras de Petrópolis durante o lançamento do projeto Fortalecendo a Resiliência
Há uns seis meses, uma universidade me convidou para falar sobre educação não-violenta. À medida que iam passando os dias, crescia uma questão em mim: se a gente tirasse a violência da educação ela seria morta, uma vez eu o componente violência é um componente da vida. Se você tira esse componente da vida, uma outra polaridade desaparece também.
Fui pesquisar sobre a origem etimológica da palavra violência e descobri que o prefixo vis, que nas línguas neolatinas se transformou em vir, quer dizer forçada vida. Então, a etimologia de violência é força em excesso.
Se há uma força em excesso, deve ter uma força adequada, pensei. Virtude quer dizer força adequada. A etimologia de virtude é: a força adequada para cada situação. Não é uma força adequada para tudo, quer dizer a força adequada para cada situação. E violência é a força em excesso para qualquer situação.
Por exemplo, um silêncio excessivo em uma situação determinada pode ser um ato de violência. Violência não caracteriza apenas o tapa, a sacudida, o palavrão. A violência pode ser qualquer comportamento, qualquer força em excesso em uma situação determinada. O que é muito interessante, pois se há um excesso de força e uma força adequada, deve ter uma dança entre as duas. Ou seja, deve haver um movimento que oscila entre o excesso e a adequação. E essa palavra é o vigor. O vigor é a prática da força, sem adjetivos.
Quando eu fui dar a aula, eu trabalhei todo esse conteúdo, para o escândalo inicial das pessoas que estavam por lá. Depois criou um entusiasmo e uma compreensão. Meu esforço é levantar a questão sobre o que pode criar condições para uma educação vigorosa, uma educação onde os adultos estejam atentos a prática continua da força, pois estamos continuamente sendo excessivos em nossa prática e estamos continuamente quebrando o excesso de força, transformando violência em virtude.
Estamos sempre oscilando entre virtude e violência. A questão é que se a gente presta atenção nessa oscilação, a gente vai se tornando uma pessoa vigorosa, na prática, alguém que está prestando atenção em suas mancadas e nas suas coisas incríveis. E se a gente vai nessa direção, a gente tem mais condições de desenvolver coletivos educadores vigorosos como, por exemplo, nas escolas, ou em espaços informais, associações, pois não serão excessivamente violentos, nem divinamente virtuosos. Mas serão instituições fortes e vigorosas.
Estaremos atentos ao fenômeno da prática da força para, que ele fale pra você. Nesse sentido, não chegarei a tratar de conteúdos, de formatos. Estou lidando com os sujeitos, com o comportamento dos sujeitos responsáveis por essas organizações, instituições.
A transformação do paradigma: significados para o processo educativo
Atividade com pais e educadores.
Como eu trabalho isso? Imaginemos uma linha vermelha que vem do passado e que posiciona o processo educativo no tripé antroposófico do pensar, sentir e querer.
Pensar: você vai aprender coisas, conceitos, memorizar conteúdos, por para dentro informações. Isso vai te formar.
Sentir: trata de um lugar político, das relações sociais. O sujeito será formado para manter-se: Custe o que custar. Terá um emprego, salário, comida…
Querer: no nível mais do querer, a escola vai nos ajudar para que a gente se porte. Educação que nos educa para algo: aqui é assim que eu devo me portar para ser aceito. Assim, terei retorno, recompensas afetivas.
A virada, para transmutar esses três:
aprender deixar de ser central e compreender ganha espaço. Não basta eu saber 10 coisas, mas é importante que eu saiba relaciona-las entre si. E fazer outras composições entre elas. Criar compreensão passa a ser mais sofisticado, mais vigoroso como resultado no educando, passa a ser mais desejável, pois é um passo além do aprender. Ou seja, além de saber coisas, eu consigo relacionar coisas, e quando eu relaciono, eu transformo esses conteúdos;
O segundo paradigma transpõe o manter-se e chega ao relacionar-se. Eu não vou me manter a qualquer custo, mas eu me mantenho em relação a…, me mantenho em relação. Por exemplo, me mantenho em relação ao meio ambiente. Entendo minha manutenção em relação ao outro, sem custar a manutenção do outro.
E pra terminar, o portar-se quebra o paradigma para comportar-se. Eu faço uma leitura desse ambiente, eu aprendo as regras, entendo como tenho benefícios, mas eu contenho a mim mesmo nesse ambiente e entendo que é possível transforma-lo, e não apenas adaptar-me a ele. Então, é uma leitura das regras do ambiente, mas também uma transformação, pois eu também estou presente. Não sou apenas alguém a ser ajustado, mas assumo que meu desajuste é proveitoso para esse ambiente e que sou capaz de propor uma nova situação.
Um sucesso educativo é gerar criaturas que chegam nos ambientes, compreendem e os transformam. Pois se levam ao ambiente e propõem uma interferência. Essa transformação dos paradigmas do aprender, manter-se, porta-se para o compreender, relacionar-se, comporta-se é o resultado de uma educação vigorosa.
A última semana de 2018 foi palco de mais uma ação do Escuta Nordeste. As cortinas, e os ouvidos, se abriram para a Em Cena Arte e Cidadania, organização que atua desde 1999 na zona central do Recife, com a missão de promover educação artística, cultural e cidadã de crianças e adolescentes por meio da arte, teatro e dança, em ações complementares à escola. De acordo com as consultoras Saritta Falcão Brito, do Instituto Fonte, e Dalva Correia, do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), parceiro nessa edição do Escuta NE,a organização está em um momento muito especial, reconstruindo sua atuação após o incêndio de 2014.
Para desenvolver a intervenção com a equipe, foi necessária uma primeira escuta com a gestora da ONG, Bethânia Gonçalves, na qual foi possível compreender que, diante do momento político e contexto de mudanças vivenciado pela organização, o desenho da atividade deveria favorecer um ambiente capaz de reavivar a visão de futuro da equipe e o sonho da Em Cena, olhando para esse novo momento e considerando a trajetória de mais de 20 anos.
Representação do momento atual da Em Cena, construída durante a atividade do Escuta NE.
“Trabalhamos no sentido de envolver a equipe numa escuta individual e coletiva sobre o fazer de cada educador e o que estava vivo na organização, no grupo, na comunidade, identificando desafios, potencialidades e sentimentos que eles conseguiram acessar”, disse Saritta.
Ao final de quatro horas de processo, dois cenários emergiram: um do sonho e outro sobre o que é possível fazer em 2019. Na avaliação das consultoras, foi algo que fez muito sentido para o planejamento que acontecerá em janeiro de 2019, pois levantou novas ideias e favoreceu uma percepção das possíveis linhas de atuação e das relações entre as possibilidades construídas e os limites da equipe sobre o que é essencial e precisa ser focado.
Para a coordenadora Betânia Gonçalves, foi importante entender que o Escuta Nordeste é um momento de parada, reflexão, mas despretensioso de ser um planejamento estratégico ou uma avaliação. “A Em Cena está sofrendo uma crise financeira como há muito não vivia, que desestabiliza a sua estrutura e deixa incerto o futuro real da instituição, além de toda a reflexão sobre sua ação política no contexto que estamos passando. O Escuta chega nesse momento, trazido por duas pessoas muito queridas, nossas Saritta e Dalvinha”, contextualizou.
Representação do “futuro sonhado” pela equipe da Em cena durante o Escuta NE.
A equipe está num período muito resistente a novidades e mudanças, vivendo um momento de falta de brilho nos olhos. A dinâmica mais significativa pra nós foi a da representação concreta do momento atual da instituição e o futuro sonhado. Nesse momento foi possível fazer uma leitura mais sensível sobre como as pessoas estão. E o quanto elas ainda acreditam na Em Cena”. Betânia Gonçalves, Coordenadora da Em Cena Arte e Cidadania.
O Escuta NE é uma iniciativa pró-bono do Instituto Fonte, que apoia organizações sociais por meio da facilitação diferenciada, com novas reflexões sobre suas próprias práticas. Nessa edição o projeto contou com a parceria do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA).
De alguma forma todas/os sabíamos que havia chegado o momento da grande conversa. O momento de lidar com a nossa biografia organizacional, nossas escolhas, nossos acertos e erros.
*as fotos que ilustram essa mensagem foram tiradas durante a imersão da equipe do IF, em Setembro de 2018, na Serrinha.
Observando o fenômeno ainda sem entendê-lo, a principal pergunta que ressoava, interna e externamente, como um eco coletivo, era “como deixamos as coisas chegarem até esse ponto”?
O Instituto Fonte foi fundado em 1998 e refundado no ano de 2002, com a fusão do Instituto Cristophorus. Sempre trouxe no seu DNA o desejo de “ajudar pessoas a construírem o mundo em que querem viver”. Focou em apoiar outras organizações da sociedade civil nos seus processos de gestão e desenvolvimento por meio dos princípios da Pedagogia Social de base antroposófica. A partir dessa prática mergulhou na fenomenologia goetheana e cultivou a Prática Social Reflexiva no Brasil, um jeito singular de ver e se relacionar com as organizações e os indivíduos que a animam.
O compromisso com essa prática nos levou à consciência do que fomos, para então encontrar em nós aquilo que não somos mais. Ao fazer isso, foi inevitável ver o que morreu dentro e fora de cada associado e do Instituto. Desse lugar, foi inevitável nos fazer perguntas como:
Nossos programas de formação presencial, que pedem um tempo de presença e reflexão profunda, fazem sentido em tempos de educação à distância?
Qual o lugar da consultoria de processos em tempos de Design Thinking e Dragon Dreaming?
Para quem é relevante viver com a complexidade e as contradições do mundo, indo além das tecnologias e ferramentas de gestão?
Diante desta situação, em que não temos clareza das respostas, decidimos submetermo-nos completamente a ela sem fingir que sabemos a saída. Confiando que, se houver saída, ela somente será revelada para aqueles que sentiram no coração um chamado – ou inspiração – e compromisso com o que dessa situação poderia emergir.
Com medo e com coragem, com dúvidas e certezas, um grupo de associados saiu e outro assumiu a governança desse futuro incerto. No pequeno e novo grupo de associadas ficaram mulheres que representam diferenças culturais de duas regiões historicamente polarizadas no país: o nordeste e o sudeste.
Mulheres que construíram suas identidades profissionais a partir da identidade do Fonte e que acreditam nesta prática, que revela nosso jeito Fonte de atuar no mundo, na qual compreendemos que “à medida que mudamos nossas posturas diante do mundo, o mundo muda e nós também somos mudados”.
Como parte de um todo maior, percebemos que nosso microcosmo organizacional vive de alguma forma no macrocosmo do país, do continente, do planeta. Natureza, sociedade, organizações se transformam todos os dias a partir do que escolhem deixar morrer e viver. Assim a vida se renova, se recria e faz emergir novas formas de se relacionar consigo e com o mundo, recriando também relações que seguem sendo tecidas com quem se foi, com quem fica e com aqueles que queremos ao nosso redor.
Que venha 2019!
Equipe de consultoras que assumiu a gestão do Instituto Fonte. A partir da esquerda: Saritta Falcão Brito, Márcia Thomazinho, Helena Rondon, Suzany Costa e Flora Lovato.
A mudança necessária é tão profunda que se costuma dizer que ela é impossível. Tão profunda que se costuma dizer que ela é inimaginável. Mas o impossível está por vir. E o inimaginável nos é devido”. (Paul B. Preciado)
Um momento complexo, num mundo complexo e repleto de contradições. Isto é o que vivemos hoje. Frente a isso, há a tendência a sucumbir e passar a atuar de forma gerencial, buscando manter tudo sob controle, o que gera insatisfações as mais diversas. Nessas situações, é comum profissionais que atuam com desenvolvimento se perguntarem:
Em um contexto de retrocesso de direitos, como ajudar a sociedade civil se articular efetivamente?
Como podemos nos tornar conscientes do nosso jeito de ver e de pensar e de como esse pensar marca nossa forma de atuar no mundo?
Como tornar a minha prática profissional mais humana? Como podemos desenvolver nossa capacidade de perceber a vida em processos sociais?
Como lidar com a pluralidade, sem perder a individualidade, respeitando a diversidade?
Como podemos desenvolver respeito por aquilo que está em gestação, num vir a ser, em uma pessoa, grupo, comunidade ou organização?
Como melhorar a minha escuta e a minha capacidade de ler as diferentes realidades?
O que é resultado? Qual a relação entre processos e resultados?
O que é crescimento? O que é desenvolvimento?
Porque as pessoas não conseguem viver suas vidas plenamente?
PROFIDES – Profissão: Desenvolvimento! – é um programa inovador de formação continuada que procura ampliar o sentido, a qualidade e a relevância das ações de profissionais que atuam em ONGs, movimentos sociais, no setor público ou privado. É dedicado aos que estão interessados em buscar – e também construir colaborativamente – a arte da intervenção social a partir de uma perspectiva mais humana e orgânica.
É composto por um conjunto de atividades com o objetivo de criar espaços cuidados para a análise crítica e qualificação das práticas de desenvolvimento social no Brasil.
É um processo profundo, delicado e interativo em que os temas e conteúdos são abordados cada vez em maior profundidade, oportunizando novos níveis de compreensão a cada vez que são explorados. Os períodos de aprendizado formal em grupo – que serão vivenciais e individuais ao mesmo tempo – serão intercalados com períodos de prática real em campo (e também de reflexão sobre essa prática). Se baseia, assim, no envolvimento real dos participantes consigo mesmos e com os outros. O programa desenvolve capacidades de facilitação do diálogo entre diferentes atores; de enfrentamento de situações tensas e conflituosas; de intervenção criativa em situações de mudança; de fomento da aprendizagem de pessoas e organizações entre outras.
Quem deve participar?
Quem tem questões quanto às reais transformações sociais nascidas de seu trabalho;
Quem tem alguma trajetória social (em ONGs, movimento sociais, governo ou empresas) e perspectiva de continuidade de atuação em desenvolvimento;
Quem se sente responsável por promover mudanças no contexto em que atua;
Quem está disposto a trazer suas experiências e aprender com elas.
O caminho:
O programa não é teórico – embora várias teorias deem-lhe corpo – e é baseado na experiência e no envolvimento real dos participantes consigo e com os outros. Conta com atividades a serem desenvolvidas entre os módulos que buscam desenvolver atenção disciplinada e compreensão genuína sobre os fatos e demanda que os participantes tenham uma prática social à qual possam se referir e da qual possam aprender.
São cinco módulos presenciais de quatro dias cada um, com intervalos aproximados de dois meses, intercalados por atividades intermódulos, num total de 256 horas de estudo. Os módulos são compostos por trabalhos em grupo, reflexões individuais, debates e plenárias, estudos dirigidos, análises de casos, produção de textos, exercícios vivenciais e de observação, além de atividades artísticas com intencionalidade pedagógica.
móduloI :: 10 a 13 de Abril de 2019
Oqueédesenvolvimento?
móduloII :: 05 a 09 de Junho de 2019
Comoocorremasmudanças?
móduloIII :: 07 a 10 de Agosto de 2019
Comolerprocessosdedesenvolvimento?
móduloIV :: 16 a 19 de Outubro de 2019
Comointerviremprocessosdedesenvolvimento?
móduloV :: 04 a 07 de Dezembro de 2019
Comomanter-seaprendendo?
Investimento
O programa custa:
R$ 7.000,00 por participante (para um número mínimo de 20 participantes);
R$ 5.400,00 por participante (para um número mínimo de 26 participantes);
R$ 4.700,00 por participante (para um número mínimo de 30).
Esse valor pode ser pago por módulo ou por mês durante a realização dos módulos. Os acordos financeiros são parte do engajamento com o programa e serão acompanhados por todo o grupo.
Esses custos incluem a facilitação de Flora Lovato e Tião Guerra, os materiais, despesas de transporte e acomodação dos facilitadores.
Esses custos NÃO consideram despesas de deslocamento e acomodação dos participantes. As hospedagens custam por volta de R$ 200/dia em quarto duplo e os encontros serão realizados em locais próximos de São Paulo – (até cerca 3 horas de São Paulo). Espera-se que os participantes apoiem a busca e a gestão da logística de realização dos eventos.
Muitas pessoas podem não ser capazes de arcar com esse valor. O programa, por enquanto, não possui financiamento externo. Os participantes podem ajudar uns aos outros ou ajudar com ideias e ações em relação à captação de doações ou patrocínios. O orçamento geral será compartilhado com os participantes de tal forma que os custos sejam abertos e transparentes a todos, na crença que os participantes desse programa são maduros e comprometidos o suficiente para assumir o programa como algo “deles” e reconhecer que o programa pode não acontecer sem o compromisso de todos. Se você puder ajudar, o Grupo de Coordenação apreciará sugestões e ideias que você tiver, bem como qualquer ajuda que você possa oferecer.
Conheça os facilitadores:
Flora Lovato: Consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte desde 1999. Integrou a diretoria da organização de 1999 a 2007 e a de 2015-2016. É graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, escola em que realizou também seus estudos de pós-graduação. Foi gerente geral da Fundação Iochpe por cinco anos e há 18 vem trabalhando em processos de desenvolvimento junto a diferentes iniciativas sociais. Co-facilita programas de formação tais como Artistas do Invisível (ao lado de Allan Kaplan, consultor sul-africano vinculado à Proteus Initiative) e Profissão: Desenvolvimento, programa voltado ao desenvolvimento da prática de intervenção no desenvolvimento social realizado pelo Instituto Fonte. É facilitadora convidada na Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Coordenou diferentes publicações, entre elas os sete títulos da Coleção Gestão e Sustentabilidade, editada pela Editora Global e Instituto Fonte em 2001. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource e do CDRA (Community Development Resource Association), organização junto à qual cursou o Fellowship Programme, programa avançado com foco em intervenção social. Gosta muito de se perder nos diferentes bairros de São Paulo, cidade em que viveu os seus 60 anos de vida. Adora receber amigas e amigos de forma acolhedora, observar e desenhar plantas em particular, além de fazer amigurumis para seus sobrinhos. Contato: flora@institutofonte.org.br
Tião Guerra: Consultor Associado do Instituto Fonte, desde 1999. Pedagogo dedicado ao desenvolvimento do ser humano enquanto indivíduo e em grupos. Desde 1979 trabalha com instituições e movimentos sociais, em especial as que atuam no âmbito da infância, juventude e desenvolvimento comunitário. Atuou como educador formal em escolas desde 1980. Fundou o Instituto de Educação de Nova Friburgo em 1985, e foi o diretor da escola de aplicação do mesmo. Fundou a Associação Crianças do Vale de Luz em 1988, mantenedora de duas Escolas Waldorf público-comunitárias e um Centro de Formação de Professores Waldorf, onde desenvolveu habilidades de gestão organizacional e de apoio ao desenvolvimento de pessoas e de organizações sociais. Em 1996, começou a atuar como consultor de processos de desenvolvimento social. Foi coordenador Regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ ‐ Fundação para Infância e Adolescência, em 2002. Realizou estágios na área educacional na França, Suíça e África do Sul. É graduado em pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. De 2007 a 2011, prestou assessoria parlamentar (ALERJ) na área de projetos de desenvolvimento. Em 2017, compartilhou seu tempo profissional com grupos muito interessantes: Coordenador do projeto Fortalecendo a Resiliência em Comunidades da Região Serrana do Rio de Janeiro (C&A Foundation e Save the Children); Jardim Escola Michaelis/RJ; Departamento Nacional do SESC, Área de Desenvolvimento Comunitário; Avo – Meaningful Branding; JLT Seguros; UNICEF/RJ. É docente na graduação “Pedagogia da Liberdade” e consultor eventual em diversas potentes iniciativas socioculturais por aí… Também aprecia muitíssimo caminhar, é músico, leitor e escritor https://cartasdofundo.wixsite.com/site e acredita no contato consigo mesmo, com a natureza, com a arte e com o outro como estilo de vida, abordagem de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. Tem 56 anos, é pai de seis filhos maravilhosos e mora em sua malinha de viagens. Contato: tiao@institutofonte.org.br
O Instituto Fonte, ao longo dos anos, tem procurado acompanhar os fluxos de interesse em seus programas de formação para definir os inícios de novas edições.
No momento, o Profides: Profissão Desenvolvimento, ainda não tem previsão para uma próxima turma.
Mas, caso você tenha interesse em integrar uma nova edição do programa, preencha o Formulário de Interesse!
Agradecemos! E esperamos, em breve, nos encontrar!
O Instituto Fonte tem a alegria de apresentar as organizações selecionadas para o Escuta Nordeste 2018.
CEARÁ
Centro de Formação e Assessoria da Mulher – Elofeminista
Associação Condomínio Espiritual Uirapuru – CEU
Associação dos Remanescente Quilombolas comunidade povoado Boqueirão da Arara
Centro de Estudos e Assistência às lutas do/a Trabalhador/a Rural – CEALTRU
Associação Santo Dias
Associação Baixa das Carnaúbas
PERNAMBUCO
Em cena arte e cidadania
Associação Pedagógica Waldorf do Recife
Queremos parabenizar as organizações selecionadas e agradecer, com muito carinho, a cada inscrição recebida.
Essa é uma atividade institucional pró-bono, que nessa edição conta com a parceria do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA). As instituições selecionadas serão responsáveis apenas por eventuais despesas de hospedagem, alimentação e transporte.
Além da atividade de escuta e aprendizagem organizacional, as facilitadoras irão organizar três LABs Escuta NE e produzir um novo artigo sobre o processo junto a essas novas organizações.
Conheça as consultoras e idealizadores do Escuta Nordeste:
Helena Rondon – Consultora e facilitadora de processos, associada ao Instituto Fonte desde 2007 e membro do colegiado gestor. Mestra em Gestão Pública pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco. Profissional de comunicação, especialização em marketing na ESPM-SP e em Fund Raising pela Indiana University Center on Philanthropy em parceria com Instituto Procura – México. Participante da Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Atuou por 15 anos no setor privado e desde 1999 vem atuando no Terceiro Setor. Coordenou a área de Mobilização de Recursos dos Doutores da Alegria – Recife e foi coordenadora executiva da Aliança INTERAGE. Professora dos módulos de Mobilização de Recursos, comunicação, MKT Social e planejamento estratégico do curso de extensão da FCAP – Faculdade de Ciências e Administração de Pernambuco da UPE e da pós-graduação de Gestão do Terceiro Setor da Universidade Mackenzie(PE) e do IPOG(GO). Mora em Recife (PE). Contato: helena@institutofonte.org.br
Saritta Falcão Brito – Consultora associada desde 2012, tem trabalhado com facilitação de processos de planejamento, comunicação, sistematização e aprendizagem de adultos. Preside o Conselho Deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos e faz parte do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), que realiza iniciatvias para disseminar a Prática Social Reflexiva no campo acadêmico. Antes de ingressar no Instituto Fonte, foi superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, criado pelo Programa LIP – Leadership of Philantropy (Fundação W.K Kellogg), onde coordenou o Programa Lidera – Programa para Lideranças Empresariais Sustentáveis, o Programa Parcerias entre Empresas e Ongs e o primeiro Seminário Internacional de Cidadania Empresarial e Negócios Sociais. Possui formação em Administração de Empresas e especializações focadas em desenvolvimento de índivíduos e organizações, onde se destaca o PROFIDES: A Arte e o Ofício de Ajudar o Mundo a Mudar (Instituto Fonte) e o III Social Leadership Seminar (Laspau, Cambridge – MA/EUA). Atualmente é pós-graduanda no programa “Reflective Social Practice”, pelo Crossfields Institute (UK) e Alanus University, em Bonn, Alemanha. Mora em Olinda (PE). Contato: saritta@institutofonte.org.br
Suzany Costa – Consultora e facilitadora de processos, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará, atua no campo social desde 1992 em projetos e programas em áreas rurais e urbanas no nordeste do Brasil, especialmente para gestão e desenvolvimento organizacional, juventude, formação para lideranças sociais. Atuou na gestão de projetos, programas e organizações não governamentais durante 14 anos. Consultora associada do Instituto Fonte desde 2015. Mora em Fortaleza/Ceará. Contato: suzany@institutofonte.org.br
*foto publicada pelo Observatório da Sociedade Civil (http://observatoriosc.org.br/noticia/michel-quinn-patton-avaliar-para-aprender-aprimorar-e-transformar)
A presença de Michael Patton, fundador e presidente da Utilization-Focused Evaluation (Avaliação Focada no Uso), nos Estados Unidos, durante o 14º Seminário Internacional de Avaliação, iniciativa do GIFE, Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e Instituto C&A, que aconteceu em agosto, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), levantou algumas questões sobre os desafios da avaliação na atualidade.
O Instituto Fonte atua a cerca de duas décadas com processos de avaliação no Brasil e tem o tema como uma de suas linhas de pesquisa e ação. Aproveitamos a presença e as provocações trazidas por Patton, pesquisador e consultor em avaliação de destaque mundial por focar, em toda a sua trajetória, questões como avaliação e aprendizagem, avaliação e desenvolvimento, avaliação e seus usos, e convidamos para uma conversa dois consultores do Instituto Fonte que estiveram presentes no evento: Flora Lovato e Alexandre Randi.
Ao olhar para esse lugar da avaliação no Brasil e na trajetória do Instituto, os consultores aproveitaram para destacar pontos que consideraram relevantes na e a partir da fala de Patton, que, é importante lembrar, traz em seu currículo cerca de cinquenta anos de dedicação à interface avaliação e aprendizagem.
Um jeito de falar sobre Avaliação: Flora Lovatto destacou a presença do especialista no Brasil como o grande mérito de todo o Seminário. “Primeiro, ele é um avaliador muito reconhecido, além de sensível e gentil na forma como faz a avaliação e como aborda e compartilha o conhecimento que tem”, acrescentou. Para Patton, diferentes enfoques ou jeitos de se pensar a avaliação, como um estudo, uma ciência, um método, uma pessoa, um avaliador, tudo isso representa variadas formas e lugares de olhar e pensar sobre o assunto. “E diante dessa imagem, ele nos deixou a seguinte questão: que tipo de avaliação engloba tudo isso, sem ser só uma coisa ou outra?”.
Outro elemento de destaque segundo a consultora foi o fato de, mesmo refletindo sobre diferentes tipos de avaliação, o pesquisador trazer aspectos da avaliação de impacto. “No Brasil, ainda estamos aprendendo a fazer e não temos clareza sobre o que é a avaliação de impacto. Nem as organizações, mesmo as financiadoras, estão compreendendo ‘impacto’ ou sendo capazes de diferenciar o impacto do seu próprio projeto daquele que o resto da sociedade provoca na vida de uma pessoa ou de um grupo social”, explora Flora.
“Quando ele (Patton) fala em transformação, acho que é mais profundo do que pensar a partir de seu próprio círculo de ação. Trata-se da capacidade em desenvolver olhares para a mudança de cultura, de padrão, do jeito da sociedade lidar com determinadas situações. Ele falou, por exemplo, sobre a diminuição ou eliminação de casos de uma doença devido a uma nova vacina, ou a mudança radical no número de gestantes adolescentes. São avaliações que envolvem sistemas mais complexos, uma cadeia de relações dos beneficiários, como a família, comunidade, amigos, escola, mundo virtual. Criar um processo de avaliação capaz de olhar para realidades complexas exige sensibilidades e habilidades abertas, ou conectadas a essa complexidade”.
A última questão trazida por Flora, a partir da fala de Patton, trata da conexão do pensamento avaliativo conduzido pelo pesquisador, ao de Paulo Freire. Ambos tratam como princípios essenciais aos processos a participação, o envolvimento de todos os cidadãos, ou das pessoas diretamente relacionadas ao caso a ser decifrado. “De fato, é um brasileiro cujo pensamento impacta tantas áreas do pensamento e transformação social, que sempre se aproxima de nós trazidos por novas e inesperadas fontes”, finaliza.
Pensamentos complexos X ferramentas cartesianas: Alexandre Randi é consultor do Instituto Fonte desde 2007. A partir de enfoques já explorados na fala de Flora, o facilitador de processos considera interessante localizar a importância do pensamento complexo nos processos avaliativos, de acordo com a fala de Michel Patton. “Para mim, o ponto alto foi a provocação que ele trouxe no final de sua fala, sobre o fato de que, apesar de todo um contexto o qual nos leva a analisar um mundo de relações interligadas, que nos provoca a desenvolver um olhar holístico, continuamos trabalhando com ferramentas cartesianas, a partir de projetos e programas para a transformação social”, lembrou ao repetir algumas falas de Michel Patton.
O que é interessante de tudo isso, e também preocupante, na opinião de Randi, é que tem muita gente, há muito tempo, falando da importância de um olhar expansivo ou sobre o fato de que não dá para tratar o campo social de forma cartesiana. “Mas, ao mesmo tempo, continuamos operando da mesma maneira, com projetos, programas, com ferramentas baseadas em Marco Lógico. A Teoria da Mudança, que é uma metodologia considerada inovadora, por exemplo, é uma variação do Marco Lógico”, analisa.
A pergunta que fica, para Alexandre, é como saímos desse lugar e enfrentamos a situação real na qual temos um discurso quase de futuro sobre o olhar para a complexidade, e, na prática, não conseguimos sair desses modelos cartesianos.
Lembro do primeiro módulo, da primeira turma do Artistas do Invisível (programa de formação do Instituto Fonte), no qual uma reflexão do grupo levantou a seguinte questão: a que e a quem o Marco Lógico serve? Será que é isso que precisamos no campo social? Será que isso vai propiciar mudança e transformação social? E Patton retoma essa linha de pensamento agora e me faz refletir sobre esse período em que estamos nos deparando com essa disparidade”.
Outra coisa importante, segundo o consultor, foi a provocação sobre intensificar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da base de qualquer processo. “Para além de métodos, ferramentas e estruturas avaliativas, há que se evocar o pensamento avaliativo como algo que faz parte da natureza, do sentido da ação, pois é isso que vai diferenciar um contexto avaliativo de uma simples medição. E grande parte desse potencial se manifestará na forma de conduzir o processo”, finaliza Alexandre Randi.
Nos dias 30 de agosto, 01 e 02 de setembro, o consultor do Instituto Fonte, Tião Guerra, esteve presente em Diamantina, Minas Gerais, trabalhando com pais, professores e gestores da Escola Waldorf Querubim.
O encontro foi direcionado para o fortalecimento da participação dos pais na vida associativa da escola.
Também aconteceram diálogos com o grupo gestor para refinamento das questões orientadoras para um planejamento de curto e médio prazo.
Quer saber mais sobre as iniciativas no campo da educação do Instituto Fonte?
Diante do emaranhado de mudanças que vimos assistindo no cenário político-institucional do país, do seu impacto na desconstrução de programas sociais e retrocesso na conquista de direitos, nos pareceu importante abrir um ambiente de ‘ouvidoria Fonte’. Algo que nos ajudasse e às organizações a ver mais sobre o momento e seus desdobramentos. Algo que apresentasse aos atores sociais de Pernambuco, Ceará e Alagoas o diferencial desse jeito do Instituto Fonte de atuar”.
Saritta Falcão Brito, consultora do Instituto Fonte
A partir dos resultados alcançados em 2017, o Instituto Fonte lança a segunda edição do Projeto Escuta Nordeste, que busca apoiar as organizações diante da atual conjuntura política-econômica-social do país, por meio de escuta e facilitação diferenciada, com perguntas capazes de gerar novas reflexões sobre suas práticas.
Proposto pelas consultoras Helena Rondon (PE), Saritta Falcao Brito (PE) e Suzany Costa (CE), o Escuta NE tem o propósito de oferecer uma oportunidade de aprendizagem organizacional sobre uma situação real que a organização queira entender e encontrar soluções para lidar melhor com ela. Além de oferecer também uma abordagem metodológica que poderá ser multiplicada por um grupo estratégico, para outros temas e equipes desta organização.
As consultoras atuarão em duplas para apoiar o grupo de representantes na identificação de:
quais elementosatuam nessa situação?
que compreensões emergem ao revisitá-los juntos?
que motivação isso gera em cada um?
o que pode ser diferente numa próxima situação?
As organizações interessadas em participar do Escuta/NE deverão responder o formulário sobre qual a situação-problema que querem estudar e indicar uma proposta de data e horário para reunir a equipe envolvida, por até 4 horas, no período de 20 DE SETEMBRO à 15 DE NOVEMBRO de 2018.
As organizações devem estar cientes de que somente os honorários das consultoras são pró-bono e que despesas de deslocamento, hospedagem (se necessário) e alimentação são de responsabilidade das organizações contempladas.
Além desta atividade de escuta e aprendizagem organizacional, as facilitadoras irão organizar três LABs Escuta NE e produzir um novo artigo sobre o processo junto a essas novas organizações.
Serão contempladas 18 organizações e, devido à parceria com o Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), ampliamos a área geográfica, incluindo as organizações de Alagoas, além de Pernambuco e Ceará. O resultado será divulgado no site do Instituto Fonte em 15 de setembro.
O Escuta NE foi um momento bem prazeroso, que a gente pode realmente se escutar e rever alguns processos que estávamos fazendo, principalmente na área da mobilização de recursos. O momento com as organizações reunidas foi mais um de fortalecimento, de ver o nosso conjunto e que estamos nos mesmos processos, nós organizações que integramos o movimento social. O projeto é louvável, tanto o momento na instituição, como todos reunidos pra fazer esse alinhavar da escuta. Foi um momento de escutar, de poder dizer novas possibilidades e, além disso, foi interessante, revigorante e prazeroso”.
Fátima Pontes, mestre em Educação e coordenadora Executiva da Escola Pernambucana de Circo.
Conheça as consultoras…
Helena Rondon – Consultora e facilitadora de processos, associada ao Instituto Fonte desde 2007 e membro do colegiado gestor. Mestra em Gestão Pública pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco. Profissional de comunicação, especialização em marketing na ESPM-SP e em Fund Raising pela Indiana University Center on Philanthropy em parceria com Instituto Procura – México. Participante da Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Atuou por 15 anos no setor privado e desde 1999 vem atuando no Terceiro Setor. Coordenou a área de Mobilização de Recursos dos Doutores da Alegria – Recife e foi coordenadora executiva da Aliança INTERAGE. Professora dos módulos de Mobilização de Recursos, comunicação, MKT Social e planejamento estratégico do curso de extensão da FCAP – Faculdade de Ciências e Administração de Pernambuco da UPE e da pós-graduação de Gestão do Terceiro Setor da Universidade Mackenzie(PE) e do IPOG(GO). Mora em Recife (PE). Contato: helena@institutofonte.org.br
Saritta Falcão Brito – Consultora associada desde 2012, tem trabalhado com facilitação de processos de planejamento, comunicação, sistematização e aprendizagem de adultos. Preside o Conselho Deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos e faz parte do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), que realiza iniciatvias para disseminar a Prática Social Reflexiva no campo acadêmico. Antes de ingressar no Instituto Fonte, foi superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, criado pelo Programa LIP – Leadership of Philantropy (Fundação W.K Kellogg), onde coordenou o Programa Lidera – Programa para Lideranças Empresariais Sustentáveis, o Programa Parcerias entre Empresas e Ongs e o primeiro Seminário Internacional de Cidadania Empresarial e Negócios Sociais. Possui formação em Administração de Empresas e especializações focadas em desenvolvimento de índivíduos e organizações, onde se destaca o PROFIDES: A Arte e o Ofício de Ajudar o Mundo a Mudar (Instituto Fonte) e o III Social Leadership Seminar (Laspau, Cambridge – MA/EUA). Atualmente é pós-graduanda no programa “Reflective Social Practice”, pelo Crossfields Institute (UK) e Alanus University, em Bonn, Alemanha. Mora em Olinda (PE). Contato: saritta@institutofonte.org.br
Suzany Costa – Consultora e facilitadora de processos, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará, atua no campo social desde 1992 em projetos e programas em áreas rurais e urbanas no nordeste do Brasil, especialmente para gestão e desenvolvimento organizacional, juventude, formação para lideranças sociais. Atuou na gestão de projetos, programas e organizações não governamentais durante 14 anos. Consultora associada do Instituto Fonte desde 2015. Mora em Fortaleza/Ceará. Contato: suzany@institutofonte.org.br
As inscrições foram prorrogadas até dia 15 de Setembro, e devem ser feitas no formulário abaixo.
Prestar atenção nas relações dos coletivos de adultos interessados na educação de crianças é condição obrigatória para a construção da “Educação Vigorosa”.
Participaram do encontro “Inspirar para Transformar”, 35 educadoras/es, vindas/os de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, interessadas/os na abordagem do consultor do Instituto Fonte, Tiao Guerra, sobre o conceito de “educação vigorosa”.
Durante três dias, de 25 a 27, em Parati-RJ, as/os participantes desenvolveram laços colaborativos entre os projetos presentes, para o fortalecimento de uma rede dedicada ao resgate da educação de crianças e jovens, embasadas em processos comunitários liderados por adultos.
Uma linda iniciativa do Cirandas na Educação. Em parceria com o Instituto Fonte.