Nos dias 30 de agosto, 01 e 02 de setembro, o consultor do Instituto Fonte, Tião Guerra, esteve presente em Diamantina, Minas Gerais, trabalhando com pais, professores e gestores da Escola Waldorf Querubim.
O encontro foi direcionado para o fortalecimento da participação dos pais na vida associativa da escola.
Também aconteceram diálogos com o grupo gestor para refinamento das questões orientadoras para um planejamento de curto e médio prazo.
Quer saber mais sobre as iniciativas no campo da educação do Instituto Fonte?
Diante do emaranhado de mudanças que vimos assistindo no cenário político-institucional do país, do seu impacto na desconstrução de programas sociais e retrocesso na conquista de direitos, nos pareceu importante abrir um ambiente de ‘ouvidoria Fonte’. Algo que nos ajudasse e às organizações a ver mais sobre o momento e seus desdobramentos. Algo que apresentasse aos atores sociais de Pernambuco, Ceará e Alagoas o diferencial desse jeito do Instituto Fonte de atuar”.
Saritta Falcão Brito, consultora do Instituto Fonte
A partir dos resultados alcançados em 2017, o Instituto Fonte lança a segunda edição do Projeto Escuta Nordeste, que busca apoiar as organizações diante da atual conjuntura política-econômica-social do país, por meio de escuta e facilitação diferenciada, com perguntas capazes de gerar novas reflexões sobre suas práticas.
Proposto pelas consultoras Helena Rondon (PE), Saritta Falcao Brito (PE) e Suzany Costa (CE), o Escuta NE tem o propósito de oferecer uma oportunidade de aprendizagem organizacional sobre uma situação real que a organização queira entender e encontrar soluções para lidar melhor com ela. Além de oferecer também uma abordagem metodológica que poderá ser multiplicada por um grupo estratégico, para outros temas e equipes desta organização.
As consultoras atuarão em duplas para apoiar o grupo de representantes na identificação de:
quais elementosatuam nessa situação?
que compreensões emergem ao revisitá-los juntos?
que motivação isso gera em cada um?
o que pode ser diferente numa próxima situação?
As organizações interessadas em participar do Escuta/NE deverão responder o formulário sobre qual a situação-problema que querem estudar e indicar uma proposta de data e horário para reunir a equipe envolvida, por até 4 horas, no período de 20 DE SETEMBRO à 15 DE NOVEMBRO de 2018.
As organizações devem estar cientes de que somente os honorários das consultoras são pró-bono e que despesas de deslocamento, hospedagem (se necessário) e alimentação são de responsabilidade das organizações contempladas.
Além desta atividade de escuta e aprendizagem organizacional, as facilitadoras irão organizar três LABs Escuta NE e produzir um novo artigo sobre o processo junto a essas novas organizações.
Serão contempladas 18 organizações e, devido à parceria com o Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), ampliamos a área geográfica, incluindo as organizações de Alagoas, além de Pernambuco e Ceará. O resultado será divulgado no site do Instituto Fonte em 15 de setembro.
O Escuta NE foi um momento bem prazeroso, que a gente pode realmente se escutar e rever alguns processos que estávamos fazendo, principalmente na área da mobilização de recursos. O momento com as organizações reunidas foi mais um de fortalecimento, de ver o nosso conjunto e que estamos nos mesmos processos, nós organizações que integramos o movimento social. O projeto é louvável, tanto o momento na instituição, como todos reunidos pra fazer esse alinhavar da escuta. Foi um momento de escutar, de poder dizer novas possibilidades e, além disso, foi interessante, revigorante e prazeroso”.
Fátima Pontes, mestre em Educação e coordenadora Executiva da Escola Pernambucana de Circo.
Conheça as consultoras…
Helena Rondon – Consultora e facilitadora de processos, associada ao Instituto Fonte desde 2007 e membro do colegiado gestor. Mestra em Gestão Pública pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco. Profissional de comunicação, especialização em marketing na ESPM-SP e em Fund Raising pela Indiana University Center on Philanthropy em parceria com Instituto Procura – México. Participante da Pós-Graduação “Reflective Social Practice” realizada pelo The Proteus Initiative de Cape Town, África do Sul, em parceria com o Crossfields Institute, de Londres, na Inglaterra e a Alanus University de Bonn, Alemanha. Atuou por 15 anos no setor privado e desde 1999 vem atuando no Terceiro Setor. Coordenou a área de Mobilização de Recursos dos Doutores da Alegria – Recife e foi coordenadora executiva da Aliança INTERAGE. Professora dos módulos de Mobilização de Recursos, comunicação, MKT Social e planejamento estratégico do curso de extensão da FCAP – Faculdade de Ciências e Administração de Pernambuco da UPE e da pós-graduação de Gestão do Terceiro Setor da Universidade Mackenzie(PE) e do IPOG(GO). Mora em Recife (PE). Contato: helena@institutofonte.org.br
Saritta Falcão Brito – Consultora associada desde 2012, tem trabalhado com facilitação de processos de planejamento, comunicação, sistematização e aprendizagem de adultos. Preside o Conselho Deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos e faz parte do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), que realiza iniciatvias para disseminar a Prática Social Reflexiva no campo acadêmico. Antes de ingressar no Instituto Fonte, foi superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, criado pelo Programa LIP – Leadership of Philantropy (Fundação W.K Kellogg), onde coordenou o Programa Lidera – Programa para Lideranças Empresariais Sustentáveis, o Programa Parcerias entre Empresas e Ongs e o primeiro Seminário Internacional de Cidadania Empresarial e Negócios Sociais. Possui formação em Administração de Empresas e especializações focadas em desenvolvimento de índivíduos e organizações, onde se destaca o PROFIDES: A Arte e o Ofício de Ajudar o Mundo a Mudar (Instituto Fonte) e o III Social Leadership Seminar (Laspau, Cambridge – MA/EUA). Atualmente é pós-graduanda no programa “Reflective Social Practice”, pelo Crossfields Institute (UK) e Alanus University, em Bonn, Alemanha. Mora em Olinda (PE). Contato: saritta@institutofonte.org.br
Suzany Costa – Consultora e facilitadora de processos, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará, atua no campo social desde 1992 em projetos e programas em áreas rurais e urbanas no nordeste do Brasil, especialmente para gestão e desenvolvimento organizacional, juventude, formação para lideranças sociais. Atuou na gestão de projetos, programas e organizações não governamentais durante 14 anos. Consultora associada do Instituto Fonte desde 2015. Mora em Fortaleza/Ceará. Contato: suzany@institutofonte.org.br
As inscrições foram prorrogadas até dia 15 de Setembro, e devem ser feitas no formulário abaixo.
Prestar atenção nas relações dos coletivos de adultos interessados na educação de crianças é condição obrigatória para a construção da “Educação Vigorosa”.
Participaram do encontro “Inspirar para Transformar”, 35 educadoras/es, vindas/os de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, interessadas/os na abordagem do consultor do Instituto Fonte, Tiao Guerra, sobre o conceito de “educação vigorosa”.
Durante três dias, de 25 a 27, em Parati-RJ, as/os participantes desenvolveram laços colaborativos entre os projetos presentes, para o fortalecimento de uma rede dedicada ao resgate da educação de crianças e jovens, embasadas em processos comunitários liderados por adultos.
Uma linda iniciativa do Cirandas na Educação. Em parceria com o Instituto Fonte.
Escola da Juventude: Curso de Empreendedorismo Social é um projeto do Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social, realizado em parceria com a Fundação Arconic, Ponto Cidadão, Polo Ginetta, Escritório do Empreendedor de Igarassu e a empresa Itamaracá Transportes.
Assista ao vídeo sobre a iniciativa e conheça um pouco mais sobre essa rica experiência.
O objetivo da Escola da Juventude é o de criar um ambiente propício para que jovens
possam conhecer e aprofundar suas compreensões sobre suas comunidades e a complexidades das relações e questões que a permeiam;
possam conhecer e discutir sua própria condição de jovem, o papel de cada um face ao seu próprio desenvolvimento e face ao desenvolvimento de suas comunidades;
tenham espaços para descobrir e aprimorar suas capacidades e habilidades de liderança e de empreendedor, colocando-as a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade, e
tenham oportunidades de se experimentarem e melhores condições de atuar, em suas próprias vidas, com a plenitude de seus potenciais.
criem e desenvolvam seu projeto para atuar no mundo de forma empreendedora.
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo
Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Prestar atenção nas relações dos coletivos de adultos interessados na educação de crianças é condição obrigatória para a construção da “Educação Vigorosa”.
O que todas essas formas coletivas de educar crianças têm em comum?
Que tramas, desafios e oportunidades compartilham?
Prestar atenção nas relações dos coletivos de adultos enredados intencionalmente na educação de crianças e no transbordamento desta relação para as crianças é condição obrigatória para a construção da Educação Vigorosa, um processo integral, multigeracional, multipapéis, multissegmentado socialmente, no qual todos, adultos, jovens e crianças se sentem desafiados, entusiasmados e mutuamente apoiados para a radicalidade da experiência humana.
Para aprofundar esse conceito, o Cirandas na Educação vai realizar um encontro de três dias, fruto da parceria com dois outros projetos que praticam educação com características muito peculiares e inspiradoras: a Casa João de Barro e o Instituto Beija Flor.
O facilitador dos processos, Tião Guerra, descreve a metodologia como um formato capaz de olhar, debater e vivenciar algumas práticas. “Os dois primeiros dias são dedicados ao aprofundamento do conceito da educação vigorosa, iluminado por estudos de caso de escolas, grupamentos parentais e outros coletivos educadores. No terceiro dia, visitaremos dois espaços educadores e conheceremos sua abordagem e suas comunidades”, detalha Tião. Após os dois primeiros dias de reflexões, trocas e co-criação, as duas organizações abrem suas portas para que os participantes experimentem sua realidade cotidiana e inspirem novas possibilidades.
De acordo com o educador, “o objetivo é a construção de laços colaborativos entre os projetos presentes, para o fortalecimento de uma rede dedicada ao resgate da educação de crianças e jovens, embasadas em processos comunitários liderados por adultos”.
Dias 25 e 26/08: Encontro com Tião Guerra – 50 vagas
Um encontro para:
apresentar o novo conceito “Educação Vigorosa”, por Tião Guerra;
gerar parcerias e ampliar a rede colaborativa em prol da educação;
refletir sobre novas possibilidades no campo da educação;
inspirar novas práticas pelo conhecimento de ações já em desenvolvimento e facilitar conexões entre educação pública, privada e coletivos de educação.
Dia 25: de 9h as 18h
Dia 26: de 10h as 15h
Local: Casa do Centro Histórico (Lanches e almoços colaborativos)
Valores:
R$ 50,00 – valor social
R$ 200,00 – valor que contribui pela sua participação e ajuda a cobrir os custos de realização do encontro
R$ 400,00 – valor que apoia a participação de pessoas que não podem contribuir com R$200,00 e dá direito a um jantar no Thai Brasil com cardápio criado especialmente para o Cirandas na Educação.
Sebastião Guerra: Pedagogo dedicado ao desenvolvimento do ser humano. Desde 1979 trabalha com escolas públicas, outras instituições e movimentos sociais, em especial as que atuam no âmbito da infância, juventude e desenvolvimento comunitário. Fundou o Instituto de Educação de Nova Friburgo em 1985. Fundou a Associação Crianças do Vale de Luz em 1988, mantenedora de duas Escolas Waldorf público-comunitárias e um Centro de Formação de Professores Waldorf e Desenvolvimento Humano, onde desenvolveu habilidades de gestão organizacional e de apoio ao desenvolvimento de pessoas e de organizações sociais. A partir daí, em 1996, começou a atuar como consultor de processos de desenvolvimento social, associando-se ao Instituto Christophorus/SP, hoje Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social(www.institutofonte.org.br).
Foi coordenador Regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ ‐ Fundação para Infância e Adolescência, em 2002. Realizou estágios na área educacional na França, Suíça e África do Sul. É graduado em pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. De 2007 a 2011, prestou assessoria parlamentar (ALERJ) na área de projetos de desenvolvimento. Em 2017, compartilhou seu tempo profissional com grupos como: Coordenador do projeto Fortalecendo a Resiliência em Comunidades da Região Serrana do Rio de Janeiro (C&A Foundation e Save the Children); Jardim Escola Michaelis/RJ; Departamento Nacional do SESC, Área de Desenvolvimento Comunitário; Avo – Meaningful Branding; Equipe do UNICEF, escritório Rio; Docente na graduação “Pedagogia da Liberdade”; Consultor em diversas iniciativas socioculturais.
Dia 27/08: Visita à Casa João de Barro e ao Instituto Beija Flor – 12 vagas
O Jardim do Beija Flor é uma Iniciativa Social Rural que trabalha para o desenvolvimento social e comunitário por meio de atividades transformadoras, capazes de propiciar o crescimento, a educação integral e a preservação do meio ambiente. Realiza um trabalho com e para as crianças do primeiro setênio, como também para quaisquer pessoas que o busque a procura de alternativas transformadoras.
A Casa João de Barro é um lugar de brincar e de apoio aos pais e mães, cuidadosamente preparado para exploração livre pelas crianças. A arte e a ludicidade são base para as propostas das atividades e rotinas. Tudo com muito carinho e respeito às individualidades.
Programação:
08:30h às 12h: Recepção no Jardim do Beija-Flor, vivência da rotina com as crianças, educação na natureza e passeio no rio.
12:30h às 16:30h: Recepção na Casa João de Barro com o almoço (incluso). Apresentação do projeto e oficina de labirintos lúdicos.
Valor único: R$ 100,00
RESUMO DOS VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO
1) Dias 25 e 26/08: Encontro com Tião Guerra – 50 vagas
R$ 50,00 – valor social
R$ 200,00 – valor que contribui pela sua participação e ajuda a cobrir os custos de realização do encontro
R$ 400,00 – valor que apoia a participação de pessoas que não podem contribuir dá direito a um jantar no Thai Brasil
2) Dia 27/08: Visita à Casa João de Barro e Instituto Beija Flor – 12 vagas
R$ 100,00 – valor único
FORMAS DE PAGAMENTO – o envio do comprovante é a confirmação de sua inscrição.
1- À vista
Depósito em conta com envio de comprovante para cirandasnaeducaco@gmail.com Dados bancários:
Banco do Brasil
Agencia: 2406-6
C/C: 19134-5
Monalisa Sukorski Nunes do Couto
CPF: 223.676.188-01
2- Parcelado – até 3 vezes Primeira parcela com depósito em conta com envio de comprovante para cirandasnaeducaco@gmail.com Dados bancários:
Banco do Brasil
Agencia: 2406-6
C/C: 19134-5
Monalisa Sukorski Nunes do Couto
CPF: 223.676.188-01
Demais parcelas entregues em cheque ou dinheiro no dia em que você participar.
ATENÇÃO – Se os valores acima inviabilizam a sua participação, faça uma contraproposta na qual conta suas motivações para fazer a oficina e como pode contribuir.
Experimentar, vivenciar, escutar sobre a Escuta… Esses foram alguns enfoques do LAB Escuta Nordeste, atividade responsável por encerrar o ciclo de quase dez meses desde o desenho da metodologia, o lançamento do edital, a escolha das organizações, da escuta presencial, da análise atenciosa e da devolutiva vivencial.
O LAB Escuta NE aconteceu em Fortaleza e em Recife e contou com a participação de muitas organizações, tanto aquelas selecionadas pelo edital, assim como outras interessadas no processo e metodologia e também consultores e pessoas interessadas em facilitação.
As dinâmicas foram conduzidas pelas consultoras Helena Rondon, Saritta Falcão Britto e Suzany Costa, com a parceria de Cristiane Félix, integrante do Grupo Recife de Aprendizagem. De acordo com Helena, esse momento teve como propósito reunir organizações e aprender mais sobre o que foi interessante e inovador no processo, assim como angariar sugestões e percepções para a próxima edição.
O exercício proposto serviu para mostrar o que representa o escutar dentro da proposta metodológica do Fonte. “Realizamos um exercício clássico de nossos processos de formação, que se chama ‘falar e ouvir’. Em trios, um participante levanta um assunto, o segundo debate e o terceiro observa o diálogo. A regra é, antes de falar algo novo, repetir o que disse o outro. Nesse processo, o grupo todo observou fenômenos importantes que surgem dessa interatividade”, explicou Suzany.
Como surgiu o Escuta NE?
Proposto pelas consultoras Helena Rondon (PE), Saritta Falcao Brito (PE) e Suzany Costa (CE), o Escuta NE tem como o propósito de oferecer uma oportunidade de aprendizagem organizacional sobre uma situação real que a organização queira entender e encontrar soluções para lidar melhor com ela. Além de oferecer também uma abordagem metodológica que poderá ser multiplicada por um grupo estratégico, para outros temas e equipes desta organização.
“Diante do emaranhado de mudanças que vimos assistindo há pouco mais de um ano no cenário político-institucional do país, do seu impacto na desconstrução de programas sociais e retrocesso na conquista de direitos, nos pareceu importante abrir um ambiente de ‘ouvidoria Fonte’. Algo que nos ajudasse e às organizações a ver mais sobre o momento e seus desdobramentos. Algo que apresentasse aos atores sociais de Pernambuco e do Ceará o diferencial desse jeito do Instituto Fonte de atuar”.
Saritta Falcão Brito, consultora do Instituto Fonte
Construindo percepções
Como a proposta era levantar impressões e também exercitar as escutas com as pessoas, reunimos algumas falas de participantes do LAB Escuta NE no Ceará e também em Pernambuco. Acompanhe algumas reflexões e impressões:
“Estamos em uma loucura em nossas organizações que está difícil a gente se escutar. Eu não participei do processo do Escuta Nordeste, apenas do evento de devolutiva e surpreendeu a pluralidade dos temas e dos campos das organizações parceiras.
Os relatos demonstraram como despertou processos de autocrítica, correção de metodologia ou de percurso. Nesse momento de crise, acho que foi muito válido o fato do projeto ser pró-bono, pois desperta a lógica da cooperação e solidariedade. Não apenas, algumas dessas questões aparecem provocadas também pela crise e, não fosse essa oportunidade, dificilmente teriam possibilidades de lidar com essas situações.
Foi minha primeira oportunidade de conhecer o Instituto Fonte. Fui conhecer a metodologia, os conteúdos, materiais, pois fiquei impressionada com a facilidade em dialogar com as organizações e o grande domínio e conhecimento das consultoras”.
Eveline Nogueira Augusto, assessora do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável do Ceará, cientista política e educadora popular.
“Fomos uma das quatro instituições selecionadas para o Escuta Nordeste. Escolhemos o tema gestão, que estamos trabalhando com muito afinco há uns três anos. Implantamos muitas mudanças e queríamos avaliar se nossas decisões estavam em um rumo correto. E achávamos bom fazer isso com pessoas de fora. Coincidiu com o momento do Escuta NE, do Instituto Fonte, que a gente já tinha referência.
Foi muito importante fazer esse processo com uma ferramenta tão simples, mas que às vezes a gente esquece por conta desse contexto de muito trabalho, muita atividade no qual corremos e esquecemos de escutar, olhar, observar, sentir, respirar.
Colocamos em nossa pauta como organização ‘o observar’ mais dentro, as pessoas e como as coisas estão se dando, com um olhar mais calmo, levando em consideração os sentidos. É como se a gente tivesse parado um pouco para nos olhar e começar de uma forma diferente, de uma forma mais cuidadosa. Não que a gente não fosse. Mas a pressa com tudo, o pouco tempo para dar conta de tudo fazia com que a gente deixasse de priorizar o cuidado.
A metodologia desse projeto e do Instituto Fonte eu considero simples e fundamental. A reflexão sobre nossas práticas, a partir de uma escuta mais ativa, do falar o necessário provoca um ‘fazer de outra forma’ que leva em consideração o todo, com respeito e cuidado.
É importante trazer pra consciência a velocidade que a gente vive e o Escuta nos chama a parar um pouco para escutar melhor, fazer melhor, ampliar olhares e conviver melhor. Eu achei fantástico o momento. Eu acho necessário para as OSCs e para qualquer outro campo que atua em grupo e com grupos.
Eudázio Nobre, 35 anos, gestor administrativo do Idesq – Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Qualificação Profissional, de Fortaleza
“O Escuta NE foi um momento bem prazeroso, que a gente pode realmente se escutar e rever alguns processos que estávamos fazendo, principalmente na área da mobilização de recursos. O momento com as organizações reunidas foi mais um de fortalecimento, de ver o nosso conjunto e que estamos nos mesmos processos, nós organizações que integramos o movimento social.
O projeto é louvável, tanto o momento na instituição, como todos reunidos pra fazer esse alinhavar da escuta. Foi um momento de escutar, de poder dizer novas possibilidades e, além disso, foi interessante, revigorante e prazeroso”.
Fátima Pontes, mestre em Educação e coordenadora Executiva da Escola Pernambucana de Circo
“Fizemos uma análise conjunta de um elemento que queríamos avaliar e fazer isso com o Instituto Fonte foi muito mais rico do que apenas fazer internamente apenas com pessoas da organização. Esse olhar externo levantou questões para refletir e tomar um posicionamento estratégico sobre a continuação do nosso programa e de possíveis mudanças. Foi muito enriquecedor para a organização, porque foi uma avaliação complementada por um olhar que analisa e indica reflexões que tem a ver com o processo do serviço que estávamos prestando.
Na devolutiva, nós tivemos a oportunidade de vivenciar um formato de laboratório do próprio exercício de escuta. Então, pra mim significou um aprendizado e uma reflexão: ‘por que é que, continuadamente, nós queremos só dar respostas?
O ato de ouvir pede um exercício de desapego, de abertura e foi muito bom viver isso nos grupos e partilhar nossas conclusões, compreensões e reflexões com outras organizações. O que indicaria para uma próxima versão: precisaria de mais tempo. No mínimo uma jornada de oito horas com cada instituição.
Maria Clezia Pinto de Santana, Diretora de Articulação Sócio Político Institucional do Polo Empresarial Ginetta
“Participar de um dos momentos do Escuta Nordeste foi bem gostoso. Sendo jornalista, sei que muitas vezes a gente mais fala do que escuta, inclusive somos cobradas por isso. Ouvir é o início de tudo pro jornalismo (e pra comunicação, por que não?), mas muitas vezes esquecemos disso. Como contar histórias sem ter ouvido direito? Comunicação é aprendizagem e participar de um momento exclusivo sobre ouvir me ajudou a intensificar esta certeza”.
Roberta França, jornalista profissional na Adelco – Associação para o Desenvolvimento Local Co-produzido
Qual o efeito de uma boa escuta sobre determinada situação?
Para o Instituto Fonte, ouvir é uma habilidade social desenvolvida por organizações atentas ao que acontece consigo: na relação com seus indivíduos, com o público atendido e com o campo em que atua.
Depois de escutar 10 organizações em Pernambuco e Ceará e registrar essa experiência com as temáticas institucionais mais relevantes, o Instituto Fonte convida para o LAB Escuta NE.
Serão dois momentos de debates para contemplar os dois Estados participantes do Edital lançado em 2017.
Venha praticar e aprender o quê ajuda a desenvolver essa habilidade, junto conosco e as organizações participantes! Na ocasião será lançado o Escuta NE/2018!
Proposto pelas consultoras Helena Rondon (PE), Saritta Falcao Brito (PE) e Suzany Costa (CE), o Escuta NE tem como o propósito de oferecer uma oportunidade de aprendizagem organizacional sobre uma situação real que a organização queira entender e encontrar soluções para lidar melhor com ela. Além de oferecer também uma abordagem metodológica que poderá ser multiplicada por um grupo estratégico, para outros temas e equipes desta organização.
“O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo”, disse Wemerson, coordenador de projetos, do Giral (PE), uma das 10 organizações[1] que participaram do projeto Escuta Nordeste (NE), do Instituto Fonte (IF), citando um trecho do texto Vista Cansada[2], de Otto Lara Resende. E continuou “A retina cansa de observar a mesma coisa e vocês mostraram para a gente o que estavam vendo”.
A escuta como uma faculdade que vê, que revela, é uma das habilidades sociais mais praticadas no jeito do Instituto Fonte trabalhar com o campo social. Ela é base nas nossas atividades de formação e consultoria. Por meio dela, apreendemos as relações entre as partes e o todo de uma organização, de um grupo. Um exercício que exige muita disciplina interna para se manter presente e aberto ao conjunto de fatos, sentimentos e reflexões trazidas sob diferentes olhares ao reunir, por exemplo, a equipe gestora de uma organização “É fundamental termos tempo para fazer esse trabalho da escuta, dos grupos da comunidade. Sinto falta de que as pessoas da comunidade sejam protagonistas da história”, disse Andrea, da Associação Quilombola de Porteiras (CE).
Diante do emaranhado de mudanças que vimos assistindo há pouco mais de um ano no cenário político-institucional do país, do seu impacto na desconstrução de programas sociais e retrocesso na conquista de direitos, nos pareceu importante abrir um ambiente de “ouvidoria Fonte”. Algo que nos ajudasse e as organizações a ver mais sobre esse momento e seus desdobramentos. Algo que apresentasse aos atores sociais de Pernambuco e do Ceará o diferencial desse jeito IF de atuar. Por quê esses dois estados? Primeiro, o instituto está fisicamente mais distante desses locais, tendo sua sede em São Paulo. Depois, o Escuta NE foi proposto por mim, Helena Rondon e Suzany Costa, as consultoras Fonte “do Nordeste”, em resposta ao edital interno do IF. Estávamos muito “afiadas” na habilidade da escuta. Além da bagagem pessoal de cada uma, havíamos acabado a Pós-graduação Prática Social Reflexiva onde trabalhamos intensamente a escuta e outras habilidades de percepção importantes na “lida” com processo social “Fiquei muito impressionada com o improviso (leitura de cenários), foi forte e muito positivo”, disse Wania, do IDESQ (CE).
Um desafiador processo de inscrição, entrevista e seleção nos aproximou das organizações sociais que desejavam ser escutadas por nós. A preparação que antecedeu as quatro horas de escuta em cada uma delas, foi permeada de conversas de planejamento onde identificamos diferentes caminhos para trabalhar com os grupos gestores dessas organizações. Os métodos do Ciclo Ação-Aprendizagem, de Reg Revens e da Investigação Apreciativa, de David L. Cooperrider e Diana Whitney, fizeram a diferença na forma como as equipes mergulharam com coragem e transparência nas suas questões-problemas. Também a disciplina para silenciar nossos diálogos internos sobre o que nos era conhecido a respeito de cada organização, garantiu um estado de “esvaziamento de (pré) conceitos” capaz de criar presença e interesse ativo nas trocas. Assim, começamos um delicado movimento de escuta organizacional.
Por meio da socialização de percepções pessoais sobre fatos objetivos, as questões foram se manifestando em cada grupo com singularidade e nitidez, compondo um mosaico único de forças e padrões. Um intervalo de 20 a 30 minutos marcava o momento em que eu e Helena, minha dupla na facilitação em Pernambuco, nos recolhemos para trocar impressões sobre o que foi escutado e o que isso estava revelando daquele processo. Depois desse intervalo preparamos o grupo para escutar nossa conversa, aquilo que Wania, do IDESQ, chamou de “improviso”. Com muita responsabilidade e rigor conversamos sobre nossa leitura e o que estávamos “vendo” daquela situação, citando falas, compreensões, dúvidas, hipóteses, como se estivéssemos a sós na sala do IF “Precisava ouvir o outro sem ser pela boca do outro; já me percebo diferente de quando entrei”, disse Anne, da Escola Pernambucana de Circo (PE), “Foi objetivo e produtivo. Um trabalho deste faz com que a gente escute o que precisa e veja o que nem sempre se consegue ver”, avaliou Sirley, do Instituto Papai (PE).
Esse jeito de fazer trouxe aprendizagens, novas compreensões e significados para as equipes “Assumimos as falhas que é uma tarefa muito difícil para o ser humano. O que podemos mudar a partir das nossas falhas? No mínimo isso valeu, a gente nunca parou para olhar dessa forma, a gente passava batido, estamos vendo uma outra forma de olhar sem caçar culpadas”, avaliou Ilma, uma das fundadoras do CEPOMA (PE); “Esse momento revelou pontos que estavam adormecidos, que não dava a devida atenção. Temos que saber o porquê não podemos gastar ou devemos cortar”, disse Lucinalda, do CEACRI (CE). Ao ajudar as organizações a enxergarem mais, o projeto Escuta NE também nos ajudou a perceber quais temáticas institucionais estão vivas nessa pequena mostra de organizações. Uma delas foi o “vazio programático” em função da implantação da política pública das Escolas de Referência – as escolas de tempo integral. Com percepções diferentes sobre se este fato é ou não uma conquista, tanto o Giral (PE) que atua com a juventude rural, quanto o Em Cena Arte e Cidadania[3](PE) que atua com a juventude urbana, concordam que o foco na aprovação o vestibular tem gerado resultados, há também o sentimento de carência de outros aspectos da aprendizagem “Tenho críticas a prática das escolas de referência. Embora tenha mais alunos aprovados no vestibular, eles nos procuram para trabalhar com música e voluntariado “, contou Everaldo, um dos fundadores do Giral.
Outra temática que emergiu em quatro instituições escutadas foi o processo sucessório de fundadores “Como eu fundei e idealizei, estou querendo passar a bola cada vez mais. Concordo com as duas falas, precisamos saber diferenciar processos pessoais dos profissionais”, nos contou Eliane, da AMUNAM (PE). Na na fala de Sirley, do Instituto Papai (PE), ele fala “A instituição é muito maior do que os seus fundadores. O que a organização leva adiante é o seu projeto. A equipe reconhece a importância dos seus fundadores e o legado da organização e sua atuação política. O que mantém a instituição é o seu reconhecimento político. Existe um simbólico, uma marca”; e na fala de Everaldo, do Giral “A gente precisa de alguém que assuma o institucional, que tenha o perfil do Leonildo, do meu, que não estou mais aqui, alguém com perfil de gestão. Quem assume quando não estivermos mais aqui? A semana passada foi de celebração dos 10 anos”.
A temática de mobilização de recursos também foi outro tema de destaque “O investimento internacional garantia as bases do trabalho da organização. O governo anterior (PT) trouxe possibilidades com editais do governo Federal, com investimentos para estruturação. E de uma hora para outra perdeu-se 80% de investimento de estruturação”, contou Tiago, do Instituto Papai; “Viemos de uma onda próspera de editais do período Lula e Dilma. Hoje os editais estão com recortes que não nos inserimos, como Tecnologia da Informação, Geração de Renda, Formação Técnica para o Mercado (…) as pessoas não visualizam a arte-educação como um mercado de trabalho”, disse Fátima, da Escola Pernambucana de Circo (PE).
O sentimento de reciprocidade que permeou as trocas do Escuta NE mostrou que mais que um serviço o ato de escutar esvaziado de julgamentos sobre certo e errado é um ato de acolhimento, condição primordial para quem quer ajudar. Nos colocar com essa qualidade e abertura encorajou as organizações a investigarem suas questões com transparência e objetividade. Por sua vez, a coragem delas nos estimulou a trazer aquilo que estava invisível e fragmentado nos diferentes olhares sobre a situação de uma forma inovadora. A revelar as partes e apreender o todo. A criar olhos capazes de ver com o corpo, ouvir com o coração, registrando o dito e compreendendo o não dito. A descobrir os olhos que moram nos ouvidos e que no Escuta NE revelaram a oportunidade de criar confiança e fortalecer a cultura de ajuda mútua no campo social.
[1] Organizações atendidas no Projeto Escuta NE: Instituto Papai; Escola Pernambucana de Circo; AMUNAM – Associação de Mulheres de Nazaré da Mata; Giral; CEPOMA – Centro de Educação Popular Maíde Araújo; Polo Ginetta (Pernambuco); IDESQ – Instituto Nacional para o Desenvolvimento Social e Qualificação Profissional; CEACRI – Centro de Apoio à Criança; Associação para o Desenvolvimento Local Co-produzido; Associação Remanescente Quilombola de Porteiras (Ceará)
[2]Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. (http://www.releituras.com/olresende_vista.asp)
[3] Embora não tenha sido possível agendar o trabalho com a equipe do Em Cena Arte e Cidadania, houve uma escuta muito acurada na entrevista de seleção.
* Consultora associada desde 2012, tem trabalhado com facilitação de processos de planejamento, comunicação, sistematização e aprendizagem de adultos. Preside o Conselho Deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos e faz parte do Grupo Recife de Aprendizagem (GRA), que realiza iniciatvias para disseminar a Prática Social Reflexiva no campo acadêmico. Antes de ingressar no Instituto Fonte, foi superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, criado pelo Programa LIP – Leadership of Philantropy (Fundação W.K Kellogg), onde coordenou o Programa Lidera – Programa para Lideranças Empresariais Sustentáveis, o Programa Parcerias entre Empresas e Ongs e o primeiro Seminário Internacional de Cidadania Empresarial e Negócios Sociais. Possui formação em Administração de Empresas e especializações focadas em desenvolvimento de índivíduos e organizações, onde se destaca o PROFIDES: A Arte e o Ofício de Ajudar o Mundo a Mudar (Instituto Fonte) e o III Social Leadership Seminar (Laspau, Cambridge – MA/EUA). Atualmente é pós-graduanda no programa “Reflective Social Practice”, pelo Crossfields Institute (UK) e Alanus University, em Bonn, Alemanha. Mora em Olinda (PE). Contato:saritta@institutofonte.org.br
Qual o efeito de uma boa escuta sobre determinada situação?
Para o Instituto Fonte, ouvir é uma habilidade social desenvolvida por organizações atentas ao que acontece consigo: na relação com seus indivíduos, com o público atendido e com o campo em que atua.
Depois de escutar 10 organizações em Pernambuco e Ceará e registrar essa experiência com as temáticas institucionais mais relevantes, o Instituto Fonte convida para o LAB Escuta NE.
Serão dois momentos de debates para contemplar os dois Estados participantes do Edital lançado em 2017.
Venha praticar e aprender o quê ajuda a desenvolver essa habilidade, junto conosco e as organizações participantes! Na ocasião será lançado o Escuta NE/2018!
Proposto pelas consultoras Helena Rondon (PE), Saritta Falcao Brito (PE) e Suzany Costa (CE), o Escuta NE tem como o propósito de oferecer uma oportunidade de aprendizagem organizacional sobre uma situação real que a organização queira entender e encontrar soluções para lidar melhor com ela. Além de oferecer também uma abordagem metodológica que poderá ser multiplicada por um grupo estratégico, para outros temas e equipes desta organização.