O Instituto Fonte e o Programa Aprimora* convidam para o Encontra 2018.
O tema deste ano é Trabalhando com Perguntas.
O espírito da atividade é o de uma comunidade de aprendizagem, na qual os participantes antigos e atuais do Aprimora trocam reflexões e experiências relacionadas a processos sociais.
O Encontra é uma ação voluntária e construída coletivamente. Por isso, todos são convidados a trazer contribuições como:
conteúdo para ser compartilhado ou aprendizagens para serem construídas em grupo
contribuições para o café da manhã e coffee-breaks
doação de milhas e hospedagem solidária para os participantes que vêm de fora
Já fazem parte da programação algumas oficinas como:
“Trabalhando com Perguntas”, com Mariangela Paiva;
“Qualidade das perguntas: questões abordadas por Edgar Schein em seu livro Consultoria de Processos”, com Flora Lovato e Márcia Thomazinho;
“Perguntas em processos avaliativos”, com Emília Bretan.
O Instituto Fonte fornecerá o material básico (flip chart, pincéis atômicos, lápis de cor, giz de cera, pastel seco, papel sulfite, lápis 2B, borrachas, apontadores, cola, tesoura). Cada oficineiro deverá providenciar apenas materiais adicionais, caso sejam necessários.
Quando: 08 e 09 de junho de 2018
Horário: das 9h00 às 18h00
Onde: Casa da Cidade – R. Rodesia, 398 – Sumarezinho, São Paulo – SP
* O Programa Aprimoravem do desejo de facilitadores e profissionais do campo social em participar de um espaço regular de reflexão e de aprofundamento da sua prática. Possui um formato dinâmico e bastante adaptável às necessidades daqueles que querem aprimorar suas habilidades de facilitação, particularmente na leitura e intervenção em processos.
ATENÇÃO! O evento é destinado a antigos e atuais participantes do Programa Aprimora.
Fruto da união de organizações que investem no campo social e provocados pelo contexto e significado do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março desse ano no Rio de Janeiro, foi lançado, durante o 10º Congresso Gife, um fundo voltado para fortalecer a participação e liderança de mulheres negras brasileiras no cenário político nacional.
O Fundo Marielle, iniciativa da Fundação Ford, a Open Society Foundations e o Instituto Ibirapitanga contará com aporte inicial de US$ 30 milhões ao Fundo Baobá para a Equidade Racial, criado em 2011. Sua diretora, Selma Moreira, destacou, durante o lançamento, a importância da iniciativa para, além de fortalecer ações de promoção de mulheres negras, também promover outros formatos de investimento em ações estruturantes do campo social.
“É especialmente importante, sendo eu, mulher negra, ajudar no processo de construção do Fundo Baobá com esse foco de promover o protagonismo de mulheres negras. O que a gente precisa é que a população brasileira como um todo se mobilize para essas questões”, explicou. A perspectiva da diretora é fazer do Fundo Baobá o maior fundo patrimonial para a igualdade racial fora dos Estados Unidos.
A novidade: Para Flora Lovato, consultora do Instituto Fonte em processos de desenvolvimento social, esse foi um momento importante do evento. Na sua avaliação, o fato de quatro fundações se juntarem para criar o Fundo Marielle favorece outras lógicas e olhares para o campo, principalmente para o tema de “gênero e raça”, novo, dentro desse formato, para a área dos institutos e fundações. “O sinal de mudança, a meu ver, acontece, particularmente, quando a iniciativa se justifica dizendo que Marielle representava a possibilidade de uma mulher negra, da favela, bissexual chegar em espaços de poder e que é necessário dizer que o Brasil produzirá novas Marielles”, enfatiza a consultora.
Neca Setubal, presidente do Conselho do GIFE, também considera que a iniciativa segue uma proposta de inovação do ISP no Brasil. “Todos os atores precisam ter espaços e voz e, em um país com uma das piores representações femininas na política, no cenário mundial, é um passo grandioso para essas mulheres”, finalizou.
O Fundo foi anunciado em 5 de abril, no 10º Congresso GIFE, evento voltado para debater o investimento social privado no Brasil. Durante o lançamento não foram especificados os formatos de funcionamento ou prazos para acessar o Fundo Marielle.
“As causas defendidas por Marielle dizem respeito a todos nós e trazem pra esse espaço a afirmação do compromisso de promoção de equidade. A gente trabalha com a ideia de educação para a redução de injustiças no país e temos aqui uma trajetória pautada na superação das desigualdades”.
Alguns aspectos do diálogo entre as práticas que tratam de assuntos sociais de interesse público puderam ser debatidos durante a mesa “Advocacy e incidência pública: dilemas e princípios para a construção de práticas efetivas”, durante o X Congresso Gife, na Fecomércio, em São Paulo.
Andrea Gozetto, cientista política, Rafael Gioielli, do Instituto Votorantin, Giuliana Ortega, do Instituto CEA e o mediador André Degenszajn levantaram aspectos da ação e dos desafios dos institutos e fundações empresariais para construir práticas pautadas nas falas das comunidades.
Um dos itens destacados foi o desafio da articulação do próprio setor responsável pelo Investimento Social Privado, como enfatizou Rafael Gioielli. A partir da experiência no campo da educação, foi possível para o gestor exemplificar a necessidade de cuidar dos caminhos comuns para influenciar política pública. “Muitos atuam com educação, mas somos diversos em nossa atuação enquanto institutos e fundações e precisamos ter capacidade de falar em conjunto também”, articulou o gestor.
Giuliana Ortega destacou a ação do IC&A no fortalecimento das parcerias com organizações da sociedade civil. “Geralmente são as organizações que estão próximas dos públicos beneficiários de nossos projetos e que são capazes de estabelecer um diálogo mais fiel com o poder público”, explicou. Para ela, muito mais do que financiar projetos, o Investimento Social Privado precisa apoiar a capacitação e formação das próprias organizações.
De certa forma, os olhares são similares para a construção de processos transparentes e capazes de evidenciar a “causa que defendo” e “por que defendo”. Boas práticas de condutas para as fundações e organizações são importantes para fortalecer a legitimidade tanto da ação, quanto da parceria.
Grilo falante: Nesse caminho, outro ponto destacado foi o possível benefício do alinhamento da ação do instituto ou fundação empresarial com o próprio negócio. Para os debatedores, a partir desse processo é possível pautar questões que vão influenciar na mudança de comportamento da empresa, como por exemplo, na temática racial ou de gênero. “Essa retroalimentação pode ser benéfica. Ter o grilo falante sobre sua própria prática é muito importante”, disse Gioielli. “E os institutos acabam funcionando como provocadores de mudanças dentro da empresa, que reverberam em novas práticas”, finalizou.
Construir boas práticas de advocacy: Para influenciar em políticas públicas, assim como em outras áreas, é necessário desenvolver planos e caminhos de ação para que a incidência também possa ser estruturada, acompanhada, medida e avaliada ao longo do tempo. Para Andrea, o melhor é evitar uma ação intuitiva. “Devem ser construídas coletivamente propostas de incidência, que não podem ser lideradas pelas empresas. As comunidades têm que falar por elas próprias”, esmiuçou durante sua fala. O que os institutos podem fazer, na visão da cientista política, é fortalecer as próprias comunidades, investindo, por exemplo, em formações. “Além disso, fortalecer as redes, na minha opinião, é a grande contribuição dos institutos e fundações para a democracia”, encerrou.
Outros pontos do debate:
As organizações sociais também precisam cuidar das parcerias, avaliar a ação das empresas e dos institutos, para minimizar as relações de poder e fortalecer relações dialógicas, nas quais as organizações da sociedade civil sejam reconhecidas em sua ação e capazes de influenciar, em reciprocidade, na ação dos institutos e das empresas.
A organização empresarial deve conversar com o beneficiário enquanto está construindo seu plano de ação e não após delimitar todo o seu campo de ação.
É fundamental fortalecer a representação democrática das organizações da sociedade civil.
Favorecer políticas públicas baseadas em evidencias a partir da produção do conhecimento como prática constante.
O Instituto Fonte, em datas e momentos especiais, tem procurado oferecer para sua rede de amigas e amigos, reflexões como presentes. Nessa Páscoa, oferecemos um belo texto de Cristiane Félix, grande parceira, e a linda ilustração do talentoso Rodrigo Cabral, criada especialmente para esse momento. Agradecemos aos dois pelo carinho.
Feliz Páscoa.
Texto: Cristiane Felix*
Ilustração: Rodrigo Cabral**
Resgatar o sentido da Páscoa é sempre um desafio em meio ao apelo dos chocolates que invadem as prateleiras nesta época do ano. Em que pese o singelo e bonito ato de se ofertar um chocolate (doçura) a alguém que se gosta, não podemos deixar de enxergar como o comércio se apropriou de todo este simbolismo para incrementar suas vendas, estimulando o consumo, principalmente em datas comemorativas como é o caso da Páscoa. É quando o coelho, símbolo da fertilidade, assume seu lugar de destaque nas versões chocolate branco, meio amargo, preto. E os ovos, dos mais diversos tamanhos e preços, com brindes ou “recheados” de figuras de super heróis, invadem as prateleiras, forjando a ideia de que “o doce mesmo é o presente que vem dentro do ovo” (com sorte, uma bonequinha da moda ou um carrinho miniatura).
E, claro, as crianças adoram a Páscoa. Fazem suas encomendas não só de sabores mas, principalmente, de suas marcas prediletas, acompanhadas das “surpresinhas” embaladas no melhor estilo Walt Disney, Hot Wheels, Monstros S.A. E os pais, listinha em punho, saem na busca pelo ovo ideal (eu já fiz incontáveis vezes!). E a Páscoa se resume ao dia feliz em que se recebe coelhos e ovos de chocolate com brinquedinhos. Oi?
Até que minha filha parou de me pedir chocolate, sob a alegação de que este tinha se tornado mais um habito de consumo, que desvirtuava o verdadeiro significado da Páscoa. Oi, de novo?
É claro que eu já tinha pensado sobre isso, inclusive todas as vezes que tinha que comprar os ovos para presenteá-la. É claro também que, mesmo assim, com tantas reflexões, eu continuava comprando os ovos, afinal era compensador ver a alegria dela ao receber o chocolate com a surpresa. E assim seguia a minha humanidade…
Quase sempre sabemos das coisas, refletimos sobre elas e continuamos no mesmo lugar. Neste caso na mesma prateleira de supermercado. Simples assim. E apesar de ter tantos elementos ao nosso redor, continuamos promovendo o coelho e o “Kinder Ovo”.
Desta vez, o questionamento de Clara, minha filha, trouxe-me de fato um sabor especial. Ela percebeu que a mudança está em fazer escolhas conscientes. Ainda que isso represente a renúncia do chocolate, que aliás, ela tanto gosta. E eu também!
Fiquei pensando no brinde precioso que Clara me ofertou com aquela reflexão sobre a Páscoa: de que é preciso recuperar sentidos. E se a Páscoa nos traz a ideia de libertação, renascimento, ressurreição, por que não começar por aí?
Do que preciso me libertar?
O que precisa renascer que estava adormecido em mim?
Qual é o novo que preciso fazer nascer no mundo?
E essas perguntas foram ofertadas a mim como um presente de Páscoa, por Clara Felix. E não tem chocolate que supere o sabor da transformação que uma reflexão verdadeira pode nos trazer. E vocês devem estar se perguntado: e aí, vai comer chocolate na Páscoa? E a resposta é sim, porque como chocolate sempre. Mas há uma diferença entre comer chocolate e deixar a Páscoa se consumir no chocolate, ou melhor, se resumir a ele. E essa reflexão foi o presente mais doce que a minha filha pode me dar. Obrigada meu amor!
Desejo a todos uma Páscoa doce, transformadora e cheia de sentidos!
*Cristiane Felix é mãe de Clara, Jornalista, profissional de Desenvolvimento Social, Profidiana (nome carinhoso de ex-participantes do Programa Profides: Profissão Desenvolvimento), integrante do GRA – Grupo Recife de Aprendizagem.
**Rodrigo Cabral, enquanto ilustrava essa linda imagem de Páscoa.
Parceira do Instituto Fonte desde 2012 em processos de avaliação, a Biblioteca de São Paulo (BSP) é uma das finalistas do Prêmio Excelência Internacional 2018 na categoria Biblioteca do Ano. O evento, organizado pela Feira do Livro de Londres, anunciou no último dia 9 a colocação da BSP, que concorre ao lado da biblioteca de Oslo (Noruega), Aarhus (Dinamarca) e Riga (Letônia).
“O simples fato de estarmos entre os finalistas deste prêmio, junto com outras três bibliotecas extraordinárias, é o reconhecimento internacional do trabalho feito ao longo desses anos para oferecer à população uma biblioteca cidadã, aberta à diversidade e focada no público e nas comunidades a que serve”, comenta Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, organização social que gere o equipamento.
Um dos diferenciais apresentados foi a transformação da área em que anteriormente existia a Casa de Detenção Carandiru em uma praça cultural. Além disso, a entidade é calcada no conceito de biblioteca viva, que valoriza as pessoas e seus saberes e incentiva a troca de experiências.
A parceria Fonte e SP Leituras
O Instituto Fonte acompanha e apoia o processo de avaliação da SP Leituras desde 2012. A organização atua no campo cultural, promovendo ações de estímulo à leitura e a gestão da Biblioteca de São Paulo e da Biblioteca Villa Lobos, do SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) e vários outros projetos, como o Viagem Literária, o Praler (Prazeres da Leitura), a publicação do “Notas de Bibliotecas”, a doação de acervo, entre outros.
Ao longo dos anos a avaliação realizada pelo Instituto Fonte tem avançado para o aprofundamento do olhar sobre os resultados e impactos da atuação da SP Leituras. “Isso tem sido possível porque os instrumentos e rotinas de coleta que respondem ao foco da avaliação foram construídos e são revisitados a cada ano, sendo que, progressivamente, as equipes também têm incorporado as rotinas da avaliação em suas atividades, explica a consultora Martina Rillo Otero, responsável, ao lado de Joana Mussi, pelo processo no Instituto Fonte.
Com as questões essenciais sendo atendidas na rotina da organização, estudos específicos voltados para aprofundamentos temáticos que estão mobilizando as equipes podem ser elaborados e conduzidos pelo Instituto Fonte. “Um bom exemplo é um levantamento mais aprofundado com pessoas que moram nas redondezas das bibliotecas, mas não as frequentam”, abordou Joana Mussi.
Em 2017 a “Avaliação na área da cultura sob uma perspectiva do desenvolvimento social” foi o título do curso ministrado pela consultora Martina Rillo Otero e o Grupo Contrafilé, no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. A formação refletiu sobre a avaliação, uma prática cada vez mais difundida socialmente, sob uma perspectiva ao mesmo tempo construtiva e crítica e relacionada à temática cultural.
Sobre o prêmio: é fruto de parceria com a Associação de Editores do Reino Unido (UK Publishers Association) e tem como objetivo celebrar as melhores iniciativas internacionais em 17 categorias: audiolivro, livraria, inovação editorial, iniciativa educacional, festival literário, publicação acadêmica, publicação infantil, tradução literária, inovação digital, entre outras. Para cada uma delas, há um júri composto por especialistas na área.
O resultado será anunciado no dia 10 de abril, em Londres, durante a London Book Fair, uma das mais importantes feiras de livros do mundo, ao lado da de Frankfurt e Guadalajara.
* O Instituto Fonte está contribuindo com a divulgação e cobertura do Congresso Gife 2018.
Estão abertas, até hoje, as inscrições para o programa DocMakers que vai selecionar dez jovens afrodescendentes, de 18 a 24 anos, moradores das áreas periféricas da cidade de São Paulo e com atuação ativa em movimentos sociais, culturais e artísticos, para produzirem minidocumentários sobre as temáticas discutidas durante a 10ª edição do Congresso GIFE, que acontece entre 4 e 6 de abril, em São Paulo.
O Congresso debaterá como o investimento social privado pode ser um motor para enfrentar os desafios de desenvolvimento do Brasil e orientar a destinação de recursos para colaborar na resolução de problemas que envolvem a desigualdade social, racial e de gênero, a educação, a cultura de doação, a sustentabilidade, entre outros.
Os interessados em participar do programa podem se inscrever no link (https://www.docmakers.com.br/gife) até o dia 23 de março. Os selecionados serão conhecidos no dia 26 de março. Todos os participantes receberão uma ajuda de custo para a participação no Congresso e bolsas de estudos para o curso DocMakers, a ser realizado de 6 de abril a 6 de maio, em São Paulo.
Também participarão de uma oficina prévia ao Congresso (nos dias 29 de março e 3 de abril), com a proposta de discutir conceitos técnicos básicos da linguagem audiovisual, assim como conhecer mais a proposta do evento, suas linhas temáticas, conteúdos e palestrantes. Através dos olhares da juventude, o movimento DocMakers – coordenado pelo documentarista e empreendedor Leonardo Brant – propõe conectar audiências com pautas de relevância social, promoção da justiça social e direitos humanos.
“A ideia é estimular o protagonismo criativo dos jovens, incentivando-os a criar ideias e formatos originais, inundando o Congresso de conteúdos diversificados e instigantes, engajando tanto o público presente quanto o das redes sociais a se conectar com os temas do Congresso. O audiovisual é uma ferramenta potente nas mãos de jovens. Por isso, queremos instigá-los a olhar para o que já fazem e a dar visibilidade a isso, e que também consigam visualizar o que ainda pode ser feito. É empoderamento”, ressalta Brant.
Ao final do evento, uma equipe de profissionais irá acompanhar os jovens para finalização dos filmes, que serão publicados em plataformas de YouTube, para dar continuidade às discussões e dar visibilidade ao movimento DocMakers.
X Congresso GIFE – Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável
Data: de 4 a 6 de abril de 2018
Endereço: Fecomercio SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo)
Inscrições: https://congressogife.org.br/2018/
Sobre o GIFE: Com mais de 20 anos, o GIFE, Grupo de Institutos Fundações e Empresas, é referência no país quando o assunto é investimento social privado. A associação, sem fins lucrativos, reúne institutos, fundações e empresas brasileiras com o intuito de gerar conhecimento. A partir de articulações em rede, o GIFE trabalha para aperfeiçoar o ambiente político institucional do investimento social e ampliar a qualidade, legitimidade e relevância da atuação dos investidores sociais privados.
Informações para a imprensa – Agência Juntos
Carolina Barankiewicz – carolina.barankiewicz@agenciajuntos.com.br
Telefone: (11) 3846-5787 ramal 45
Acordei com o sol na cara. No canto do quarto um monte de roupas suadas do velório de Marielle a 40 graus. Estou salgado e nu. Sento na cama, bebo água e, mesmo antes dos trens do pensamento pegarem seus trilhos, um grito, uma pergunta incomoda. A princípio, carregada de culpa, ácida, chega como um bofetão na cara ainda amassada: Por que não eu?
Diabos de pergunta estúpida! As respostas óbvias cavalgam na frente: sou homem branco, divorciado, professor público aposentado, trabalhando com causas sociais a vida toda. Até que se prove o contrário, um cara legal. Mas não era eu quem estava naquela noite do 14 de março, dentro do carro fatal.
Onde eu estava? Por quais caminhos minhas escolhas tinham me levado? Por que não fui eu a pessoa assassinada? Que bolha de segurança, a altos custos, havia criado em torno de mim para não ser a pessoa que estava lá?
A pergunta feita por Marielle há uma semana atrás foi claramente por ela respondida: Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?
Para mim ela responde: Todos nós devemos precisar morrer! Todos nós devemos estar dispostos e disponíveis a morrer, junto com eles, no lugar delas, tantas, tantos.
Mas não é a morte que nos interessa! A morte, o assassinato, são tão somente a culminância de um trajeto. É o trajeto que me importa. O meu trajeto. O seu trajeto. Nossos trajetos seguros, bem intencionados e quase insuspeitos.
Porque não eu? Porque não você? É pergunta que carece ser olhada. O pranto, o luto, a ausência, podem ser somente armadilhas autocentradas, se nossos trajetos, o meu e o seu, não nos conduzirem ao oferecimento radical de nós mesmos.
Presente?
Consultor de processos de desenvolvimento pelo Instituto Fonte e fundador da Associação Crianças do Vale de Luz. Desde 1979 trabalha em instituições sociais, em especial as que atuam no âmbito da infância e juventude, com gestão e desenvolvimento organizacional e apoiando o fortalecimento das pessoas nelas envolvidas. Atua como coordenador do Programa Mais Educação numa escola pública em Nova Friburgo, tendo sido diretor do Instituto de Educação de Nova Friburgo, da Escola Comunitária Municipal do Vale de Luz e coordenador regional (Região Serrana do Rio de Janeiro) da FIA/RJ. Realizou estágios no campo educacional e social na França, Suíça, África do Sul e Moçambique. É graduado em Pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. É músico e contador de histórias; pratica e acredita na arte como instrumento de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social. De Nova Friburgo (RJ), vive entre Nova Friburgo, Rio de Janeiro e São Paulo. Contato:tiao@institutofonte.org.br
A iniciativa, pioneira no Nordeste, é realizada pelo Curso de Empreendedorismo Social – Escola da Juventude
A crise econômica vivenciada pelo Brasil e as incertezas do futuro do trabalho estão desafiando um grupo de jovens do interior de Pernambuco a investirem no sonho do próprio negócio. Ao todo, 30 jovens, na faixa etária de 16 a 29 anos, em especial dos municípios de Igarassu, Itapissuma, Itamaracá e Goiana, estão recebendo uma formação especial para desenvolverem sua própria ideia empreendedora na localidade em que vivem.
A iniciativa, pioneira no Nordeste, é realizada pela Escola da Juventude: Curso de Empreendedorismo Social, um projeto do Instituto Fonte para o Desenvolvimento Social. Também estão engajados na ação a Fundação Arconic, Ponto Cidadão, Polo Ginetta, Escritório do Empreendedor de Igarassu e a empresa Itamaracá Transportes.
No último sábado (3), o grupo de futuros jovens empreendedores pegaram a estrada e foram até o município de Glória do Goitá, na Zona da Mata, para conhecer de perto o trabalho da ONG Acreditar, que fomenta o desenvolvimento local por meio do crédito financeiro alternativo destinado a projetos de jovens, mulheres e agricultores da região. Também aproveitaram para conhecer alguns empreendimentos apoiados pela organização. O encontro aconteceu na sede do Grupo de Informática, Comunicação e Ação Local (GIRAL), organização empreendida por jovens, ligada à transformação social.
Durante o encontro, o público participou de uma roda de diálogo sobre os desafios e segredos para se tornar um empreendedor de sucesso. A diretora executiva da Acreditar, Lilian Prado, que atua há mais de 10 anos na capacitação de pessoas para o capital humano e transformação social, falou sobre características importantes para quem quer desenvolver sua própria ideia. “Para ter uma vida longa nos negócios, é preciso ser otimista, autoconfiante, resiliente e perseverante. A fonte do empreendedor é o sonho”, explicou.
Para a coordenadora da Escola da Juventude, Helena Rondon, esse momento é fundamental para colaborar nas ideias do projeto de cada participante. “Esse tipo de atividade incentiva um aprendizado mais dinâmico, a partir das trocas de conhecimento com quem já faz e vai construindo uma rede”, analisa.
Na ocasião, os jovens puderam visitar alguns empreendedores do município e conheceram as histórias que tornaram-se realidade. “Estou bastante feliz em saber que pessoas com tão pouco recursos financeiros conseguiram tirar seu sonho do papel. Isso ajudou a amadurecer minhas ideias”, disse a estudante Soraia Tenório, 19 anos.
Para Ivson Nascimento, de 30 anos, foi um encontro de muito aprendizado. “Poder conhecer as histórias desses empreendedores trouxe novas ideias e determinação para investir no meu próprio negócio futuramente”, afirmou.
Formação – Até Junho de 2018 estão programadas outras cinco aulas e mentorias voltadas ao negócio a ser implementado pelos jovens. A mobilização vai contar com apoio do Escritório do Empreendedor de Igarassu. Já o financiamento dos projetos é algo que não está garantido no projeto inicial, mas a equipe do Instituto Fonte pretende articular um fundo rotativo para a execução dos projetos.
O objetivo da Escola da Juventude é o de criar um ambiente propício para que jovens
possam conhecer e aprofundar suas compreensões sobre suas comunidades e a complexidades das relações e questões que a permeiam;
possam conhecer e discutir sua própria condição de jovem, o papel de cada um face ao seu próprio desenvolvimento e face ao desenvolvimento de suas comunidades;
tenham espaços para descobrir e aprimorar suas capacidades e habilidades de liderança e de empreendedor, colocando-as a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade, e
tenham oportunidades de se experimentarem e melhores condições de atuar, em suas próprias vidas, com a plenitude de seus potenciais.
criem e desenvolvam seu projeto para atuar no mundo de forma empreendedora.
Sobre a região
De acordo com o censo demográfico de 2010 do IBGE, a população da região da Mata Norte do Estado de Pernambuco conta com um total 30.635 jovens na faixa etária de 16 a 29 anos. No entanto, a maioria dos projetos realizados na região contempla outros públicos, prioritariamente crianças.
As alternativas de educação profissionalizante (Cursos do SENAC e do IFPE – Instituto Federal de Pernambuco) surgiram para contribuir no preenchimento das oportunidades de trabalho e renda oferecidos pelas empresas estabelecidas na região nos últimos anos.
A transformação econômica radical aconteceu com a implantação do Polo
Industrial de Goiana, que inclui a indústria, farmacoquímica, vidreira e automotiva. A intensa transformação ocorre, principalmente, pela chegada da nova fábrica de automóveis da Fiat. É uma região de forte cultura canavieira, que teve nos últimos seis anos seu PIB elevado em 203%.
O projeto acontece em parceria com funcionários da empresa Arconic (por meio da Fundação Arconic) e o apoio da organização Ponto Cidadão e a empresa Itamaracá Transportes.
Exercícios práticos realizados pelo Projeto Fortalecendo a Resiliência nos meses de novembro e dezembro visaram preparar comunidades escolares para eventos adversos
Dez escolas da rede municipal de ensino, que ao longo de 2017 participaram do Projeto Fortalecendo a Resiliência, realizaram, no decorrer de novembro e primeira quinzena de dezembro, simulados de resposta a emergência. Foram exercícios práticos que imitaram uma situação real em que a escola precisou responder a um evento crítico, como, por exemplo, uma inundação ou um incêndio nas instalações escolares. Os simulados foram conduzidos pelos Comitês de Segurança Escolar de cada unidade, criados no âmbito do Projeto, com a participação dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil – Nudec das comunidades em que as escolas estão inseridas e com o apoio da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Ações Voluntárias.
Esses simulados reuniram mais de mil pessoas, uma média de 120 participantes por escola, entre estudantes, funcionários e moradores do entorno das unidades escolares, que estão localizadas em dez territórios de Petrópolis: Posse, Pedro do Rio, Araras, Estrada da Saudade, Bingen, Morin, Alto Independência, Itaipava/Vale do Cuiabá, Nogueira e Centro (24 de Maio).
Segundo Rodrigo D’Almeida, coordenador do Projeto nas escolas, os simulados trazem basicamente dois objetivos principais. “Um deles é as escolas trabalharem a educação para a risco e serem um centro irradiador na comunidade de novos comportamentos voltados à prevenção e à preparação para eventuais adversidades.
A outra razão tem a ver com a culminância metodológica de todo o trabalho desenvolvido com e pelos próprios estudantes ao longo de um ano. Eles e elas se constituíram como um novo grupo, de diferentes faixas etárias, em um ambiente que já frequentavam. Juntos, aprenderam conceitos de redução de risco de desastres, mapearam suas escolas, elaboraram um plano de ação para mitigar ameaças e vulnerabilidades e desenvolveram e implementaram um micro-projeto de redução de riscos”, explica Rodrigo. “Por fim, o simulado foi, então, o momento de colocarem em prática o que aprenderam e planejaram. E foi, também e sobretudo, a oportunidade de perceberem a capacidade de se organizarem, de liderarem, de cooperarem e de se relacionarem em um evento adverso. Saber o que fazer em situações como essas reduz o pânico, diminui incidentes encadenados e pode salvar muitas vidas”, conclui.
Para Marcia de Palma, Subsecretária Municipal de Educação, a parceria com o Fortalecendo a Resiliência foi fundamental para contribuir com o aumento da capacidade de resposta escolar frente aos desastres. “O trabalho realizado pelo Projeto tem despertado e amadurecido as escolas participantes para a redução de risco de desastres no ambiente escolar, que é uma recomendação da Iniciativa Global para Escolas Seguras das Nações Unidas, além de influenciar toda comunidade em que está inserida. E realizar simulados nas escolas possibilita que os alunos, funcionários e familiares estejam melhor preparados para responder a uma situação de emergência” avalia Marcia.
“Os simulados contribuem e aproximam ainda mais a Defesa Civil da população, que conhece as dificuldades e os problemas que precisamos enfrentar. Estar próximo dos moradores foi determinado pelo prefeito Bernardo Rossi, que entende essa parceria com a população como fundamental no trabalho de prevenção que estamos realizando no município”, afirma o secretário de Defesa Civil e Ações Voluntárias, coronel Paulo Renato Vaz.
Para Ana Cecília Clavery Macedo, 13 anos, estudante da E. M. Luiz Carlos Soares, no Morin, o simulado deu uma visão mais real do que pode ser uma emergência na escola. “Ele nos orientou melhor no que poderíamos ou deveríamos fazer. O que eu mais gostei foi o grupo ter conseguido fazer tudo, de termos feito algo bom, em um tempo bom. Ficamos felizes. Não tivemos problemas, ninguém caiu ou se machucou de verdade. Tivemos uma avaliação final com todos os participantes e vimos que precisamos, por exemplo, melhorar a nossa sinalização de emergência. É a primeira vez que eu participo de um simulado e sempre podemos melhorar, se tivermos mais treinamentos”, conta Ana Cecília.
Na Escola Municipal Alto Independência o simulado foi especial. Mascote do Fortalecendo a Resiliência, porque os estudantes têm a menor faixa etária (de 6 a 12 anos) das escolas participantes, o Comitê Mirim de Segurança Escolar realizou o “simulado do conhecimento”, em que os pequenos estudantes participaram de jogos elaborados com a temática de redução de risco de desastres. “Neste grupo trabalhamos a educação para o risco com as crianças menores, utilizando muito o lúdico. Petrópolis é uma cidade com relevante histórico de desastres socioambientais, uma das cidades de maior risco do Brasil, e as crianças não estão alheias às ocorrências. Ao contrário, são um dos públicos mais vulneráveis. Elas já podem e devem aprender sobre redução de risco de desastres, com metodologia que seja apropriada para a faixa etária e, assim, vai-se constituindo uma nova cultura de prevenção, a partir da escola”, explica Rodrigo.
Sobre o Projeto Fortalecendo a Resiliência
Fortalecendo a Resiliência aos Desastres na Região Serrana do Rio de Janeiro é um projeto realizado com o apoio do Instituto C&A, coordenado pela ONG internacional Save the Children, implementado, no Brasil, pelo Instituto Fonte, tendo como parceiros estratégicos a Prefeitura Municipal de Petrópolis, através das Secretarias de Defesa Civil e de Educação, e a Escola de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro – Esdec.
Realizado em Petrópolis, de outubro de 2016 a dezembro de 2017, promoveu a formação de redes comunitárias de gestão de risco de desastres (GRD), com capacitação e integração entre comunidades escolares e Núcleos Comunitários de Defesa Civil – Nudecs, em dez territórios do município, envolvendo um público direto de aproximadamente 500 pessoas.
Fortalecendo a Resiliência faz parte também de uma pesquisa mundial em Redução de Risco de Desastres (RRD) que engloba cinco países: China, Índia, Bangladesh, México e Brasil, sendo que no Brasil, o projeto ocorre apenas em Petrópolis.
Informação à imprensa
Thaís Ferreira
thatha_ferreira@hotmail.com
(24) 9.8808-9720