O encontro Conversas que fortalecem deste mês de novembro contou com a presença de 18 participantes de organizações do Nordeste e Sudeste do Brasil, que compartilharam suas experiências sobre cultura de doação.
Perguntas como “O que é mobilização de recursos” ou “O que te motiva a doar?” guiaram os debates em torno de ferramentas, desafios e sugestões construídas pelas organizações sociais sobre o tema.
As conversas trouxeram aspectos sobre como as organizações, principalmente diante da pandemia do Covid-19, tiveram que aprender sobre as novas tecnologias como possibilidades de captação e mobilização de recursos, como as plataformas de crowdfunding ou com o uso adequado das redes sociais. Ainda assim, destacaram o cuidado necessário ao dialogar sobre esse assunto com diferentes públicos. Cada segmento tem uma forma de contribuir ou doar, e as organizações sociais precisam saber “o que” e “como” pedir para cada segmento, como empresas, pessoas físicas, comunidade. “É muito importante cuidar da construção de relações para qualquer processo de mobilização de recursos”, explicou Andrea Saul, facilitadora do encontro pelo Ficas.
Outro a aspecto destacado durante o encontro foi a importância de organizar diferentes tipos de campanhas de acordo com a atuação da organização, mas também de acordo com o momento. Foram citados exemplos como apadrinhamento, doações em espécie (alimentos, materiais), realização de bazares e gincanas. Mas, em 2020, várias organizações precisaram criar campanhas específicas para lidar com as necessidades mais urgentes das pessoas, como, por exemplo, para arrecadação de cestas básicas para comunidades que sofreram com a redução de renda durante a pandemia.
O próximo encontro: As conversas que fortalecem de dezembro será destinada a uma avaliação, que também dará base para o planejamento de 2021. Voltaremos com mais informações em Janeiro. Aguarde!
Que tal ajudar a fortalecer a cultura de doação?
Dia 01 de dezembro é o Dia de Doar (https://diadedoar.org.br/). Organizações de todo o Brasil estão participando. Este é um momento importante para entender como é possível contribuir com iniciativas sociais de todo o Brasil.
A campanha do Instituto Fonte é destinada para as Conversas que fortalecem, para viabilizar os encontros em 2021 e fortalecer esse espaço mensal de trocas, escuta qualificada e cuidado, permitindo que as organizações construam caminhos para suas questões a partir do diálogo e da troca.
Quer contribuir? Faça sua doação e indique uma organização para participar das Conversas que Fortalecem em 2021.
O quinto encontro Conversas que fortalecem reuniu cerca de 15 diferentes organizações para debaterem Cultura de Doação. O convidado, João Paulo, da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), apresentou a experiência do Dia de Doar. O debate trouxe questões importantes sobre o tema. Primeiro, o grupo avaliou a necessidade de que experiências coletivas como o Dia de Doar extrapolem o eixo Rio-São Paulo e ganhem força em outras regiões, como o Nordeste, por exemplo.
Paralelamente, várias organizações apresentaram seus próprios exemplos de atividades que realizaram isoladamente para a mobilização de doadores, voltando seu olhar para práticas que já fazem e como vivenciaram a cultura de doação neste período de pandemia.
Caminhos coletivos: A consultora do Instituto Fonte, Suzany Costa, analisa que o tema da sustentabilidade das organizações tem ganhado força e intensidade nas Conversas que Fortalecem. “No início, não tínhamos muita clareza dos assuntos a serem abordados. Procuramos um formato mais livre, de acolhimento, de troca, de escuta. Estamos naturalmente caminhando para esse lugar de um debate conjunto sobre mobilização de recursos”, explica.
Para a consultora, o processo coletivo é um diferencial. Suzany considera que a participação é importante metodologicamente, pois fortalece e direciona os conteúdos a serem debatidos a partir do olhar e necessidades das instituições.
O encontro de Novembro vai aprofundar o tema da Cultura de Doação a partir de casos relatados pelas organizações, para conversar sobre a dificuldade de atuar com a mobilização de doadores em tempos de Convid-19, entendendo os caminhos propostos em cada uma das experiências e seus sucessos e dificuldades.
Para participar:
As Conversas que Fortalecem são encontros que acontecem sempre na última terça-feira de cada mês. Uma proposta idealizada e mobilizada, inicialmente, por três organizações da sociedade civil: Instituto Fonte, Idesq e Ficas. Seu formato é voltado para escutar, acolher e construir coletivamente caminhos possíveis para temas que fazem parte do dia a dia das organizações diante dos impactos provocados pela pandemia.
Próximo encontro: 24 de novembro, 15h – pela Plataforma Zoom
Primeiro, queremos agradecer a cada pessoa que participou da pesquisa sobre o Pense Grande / Cachola Empreendedora / Arrastart / Beiradão de Oportunidades.
Sua contribuição foi MUITO importante para melhorar o projeto.
Agora vamos conhecer as ganhadoras do sorteio de 29/08/2020:
A jovem ganhadora na Repescagem do sorteio foi: Pamela Marcos da Silva – SP
E a multiplicadora que ganhou foi: Rayanne Gomes de Oliveira – MG
Lembramos que o sorteio ficará gravado e você poderá assistir a gravação no youtube do Instituto Fonte.
Informações importantes:
Somente quem participou da formação do Programa Pense Grande, entre 2015 e 2019, serão os ganhadores.
Logo após o sorteio, iremos comprovar onde foi a sua participação, antes de entregar o prêmio.
Todos os sorteados serão avisados e o prêmio será enviado para o endereço de cadastro até 30/9/2020.
Neste sábado, dia 29/08/2020, às 16h, sortearemos 01 notebook da Dell com processador i5 para professores, facilitadores e multiplicadores que responderam a pesquisa do Pense Grande!
Primeiro, queremos agradecer a cada pessoa que participou da pesquisa sobre o Pense Grande / Cachola Empreendedora / Arrastart / Beiradão de Oportunidades.
Sua contribuição foi MUITO importante para melhorar o projeto.
Agora vamos conhecer os seis ganhadores dos seis (6) notebooks.
Os números sorteados foram:
764 – Daniel Oliveira de Orange Lins da Fonseca e Silva – SP
724 – Rebeca Yara Valero – SP
786 – Jaqueline Dias da Silva -SP
12 – Danilo de Lima Carabetti – MG
645 – Nathália Oliveira da Silva – SP
116 – Geovana Gabrielle Rodrigues Fernandes – SP
Lembramos que o sorteio ficará gravado e você poderá assistir a gravação no youtube do Instituto Fonte.
Informações importantes:
Somente jovens que participaram da formação do Programa Pense Grande, entre 2015 e 2019 serão os ganhadores.
Logo após o sorteio, iremos comprovar onde foi a sua participação, antes de entregar o prêmio.
Todos os sorteados serão avisados e o prêmio será enviado para o endereço de cadastro até 30/9/2020.
Resolvemos contar um pouco da história deste programa que inaugura, no Brasil, a prática social reflexiva voltada para profissionais que atuam no campo do desenvolvimento social
O nome surge de uma brincadeira. “Sempre que havia a necessidade de se hospedar em um hotel, ninguém sabia ao certo como preencher o item “profissão” na ficha de check-in. Cada um colocava uma descrição e nenhuma delas representava o que de fato se viam fazendo no campo social”, explica Saritta Falcão Britto, consultora do Instituto Fonte que vai nos contar um pouco da história do Profides – Profissão Desenvolvimento.
Também tinha a ver com a dificuldade em traduzir adequadamente o termo practitioner para o português, que literalmente é um prático ou praticante. E a palavra profissional não era uma tradução adequada, porque esse termo parecia muito vinculado à forma das empresas chamarem as pessoas de suas equipes, algo que o programa não queria reforçar”, lembra a facilitadora. “Enfim, o que fizemos? Profissão: Desenvolvimento”.
Assim surge o nome Profides, programa de formação que influenciaria profundamente toda a trajetória do Instituto Fonte. Após mais de 15 anos da primeira versão, sua XI edição presencial foi cancelada devido à política de isolamento social provocada pela Covid-19 e nasceu a primeira edição com um formato voltado para o mundo virtual.
Durante esse período, aproveitamos para conversar com Saritta Falcão Britto, que também é uma das responsáveis por sistematizar a trajetória do programa, junto com outras duas consultoras, Márcia Thomazinho e Martina Otero.
Saritta, durante o Profides VIII.
Saritta é formada em administração de empresas pela Universidade Estadual de Pernambuco e iniciou sua trajetória no campo social como voluntária no Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, organizaçãoquesurgiu de um programa da Fundação Kellogg, junto com outras quatro ou cinco no Brasil voltadas para atuar com o fomento do Investimento Social Privado. Cursou a segunda turma do Profides, em 2006.
Para além de contar sobre, Saritta contextualizou a influência do programa em sua própria atuação profissional. E tudo isso se tornou uma mistura interessante, que você lerá adiante em mais uma das entrevistas da série #fonte20anos (que esperou a edição 2020 ser cuidadosamente planejada para ir ao ar).
Boa leitura!
O contexto histórico: como medir uma transformação social?
O debate em torno das políticas neo-liberais, redução do papel do Estado e a privatização de produtos e serviços de setores básicos intensificou no Brasil, ainda nos anos de 1990, um movimento em torno do fortalecimento de ações de Investimento Social Privado. O objetivo era fomentar uma nova cultura empresarial em sua forma de investir em ações sociais.
Este movimento reforçou aspectos já trazidos com as agências internacionais de cooperação para as organizações sociais, voltados para controle dos processos, metrificação, acompanhamento de resultados, o planejamento estratégico e seu monitoramento. Para as organizações sociais, essas demandas mais tecnicistas representaram bem mais do que a criação de planilhas e procedimentos. O que quero dizer com isso?
No campo social, quando construímos um projeto, não almejamos a criação de um produto, de um serviço. Antes de tudo, falamos sobre a transformação social que queremos, seja na esfera comunitária, na educação, na cultura. O campo social tem outra natureza de atuação, de intervenção, de transformação, de mudança e de indicadores. Um conjunto de elementos técnicos e empresariais, simplesmente exportados para o mundo das iniciativas sociais acirrou a criação de organizações com muita capacidade técnica, nas quais as transformações centrais passaram a ocupar lugares secundários.
Qual seria a abordagem capaz de valorizar esse algo da natureza da ação social, sem deixar de lado o que se apresentava cada vez mais forte e necessário, relacionado à profissionalização das organizações?
As turmas contam um número de 20 a 30 participantes que, na versão presencial, reúnem-se em imersão em algum local onde haja contato direto com a natureza. Foto da Turma VIII do Profides.
Trocas e intercâmbios: a origem do Profides
Logo inicial do Profides.
O Instituto Fonte, que já atuava com aspectos da gestão de organizações do terceiro setor, percebeu a necessidade de criar um espaço de formação para debater e enfrentar essas questões. Assim, começa a elaborar um processo de formação voltado para as pessoas, líderes que trabalham com desenvolvimento social, com uma abordagem no campo da gestão capaz de transcender o aspecto tecnicista, da ferramenta em si.
Logo atual do Profides, 2020.
Marina Magalhães, minha companheira na coordenação da oitava edição e então consultora associada ao Fonte, participa de um curso de facilitação de processos com Allan Kaplan, na África do Sul, sobre empoderamento dos indivíduos para uma leitura de contexto e se aprofunda no conteúdo do livro The development practitioners’ handbook. Ao lado de Antônio Luiz de Paula e Silva, também consultor, passam a idealizar a proposta inicial do que viria a ser o Profides. Tião Guerra torna-se um terceiro fundador, quando convidado para co-facilitar os módulos na condução das atividades musicais e artísticas, ampliando a linguagem e a abordagem de aprendizagem do programa.
A primeira edição foi financiada pelo Grupo Pinheiro, na forma de bolsas para os participantes. Mas foram muito importantes os recursos provindos da Cordaid, uma organização holandesa, que na época financiou as viagens de Allan ao Brasil e de profissionais do Fonte para a África do Sul. Esse intercâmbio foi o grande definidor do desenho inicial do programa. O Instituto Fonte manteve esse formato de bolsas parciais até a oitava edição.
Linha do tempo do Profides:
Natureza como laboratório nas atividades do Profides.
Edição I: São Paulo, 2004-2005. Antonio Luiz de Paula e Silva, Marina de Magalhães C. Oliveira, Tião Guerra e Andrés Falconer.
Edição II: Recife, 2006-2008. Rogério Silva, Marina de Magalhães C. Oliveira, Tião Guerra e Alexandre Merren.
Edição III: São Paulo, 2008-2009. Alexandre Randi e Flora Lovato.
Edição IV: Recife, 2009-2010. Flora Lovato e Helena Rondon.
Edição V: São Paulo, 2010-2011. Madelene Barbosa e Marina de Magalhães C. Oliveira; trainee: Renata Codas.
Edição VI: São Paulo, 2012-2013. Arnaldo Motta e Flora Lovato; trainee: Márcia Thomazinho.
Edição VII: Cuiabá, 2013-2014. Alexandre Randi e Marina de Magalhães C. Oliveira; trainee: Izabel Cristina Carvalho.
Edição VIII: Recife, 2014-2015. Marina de Magalhães C. Oliveira, Pedro Pereira e Saritta Britto. Trainee: Rodrigo Cabral.
Edição IX: São Paulo, 2014-2015. Ana Biglione e Sebastião Guerra; trainees: Pilar Cunha e Tatiana Antunes.
Edição X: São Paulo, 2019. Facilitadores: Flora Lovato, Tião Guerra; trainee: Veridiana Aleixo.
Será que eu falei o que ninguém ouvia, será que eu escutei o que ninguém dizia (Não vou me adaptar, Titãs)
O cuidado com os detalhes. E o violão ao centro, representando a música como proposta de aprendizagem.
Profides – Profissão: Desenvolvimento é um programa voltado para a/o profissional que atua com situações de desenvolvimento social, sejam gestoras/es de projetos ou programas, de organizações sociais, em órgãos públicos, empresas, fundações, institutos.
Seu objetivo é oferecer uma abordagem, menos ferramental e tecnicista, sobre como lidar com situações complexas, vivas, em movimento constante embora, às vezes, imperceptível. Ele atua no desenvolvimento de faculdades e habilidades pessoais capazes de favorecer a leitura dos contextos e cenários no campo de atuação do participante.
O programa procura desenvolver uma visão sistêmica, holística e orgânica da gestão. Trata da necessidade de entendermos que o fato codificado, metrificado é importante e que decodificá-lo exige outras capacidades internas de leitura de processo, de escuta, de reconhecimento de padrões, de percepções de relações.
A arte para aprimorar a percepção: o quanto minha prática fala de mim? O quanto fala do mundo? O quanto é resultado da relação que estabeleci com o mundo que vejo?
O programa traz um conjunto de atividades para seus participantes desenvolverem estas “outras capacidades”. Um bom exemplo para visualizarmos o que estou explicando é aquela imagem clássica do iceberg, na qual o que está visível é uma parte muito menor do que tudo aquilo que está abaixo da água. Com as organizações e os processos sociais tendemos a olhar da mesma forma e consideramos apenas a parte visível do iceberg.
E como fazer para decifrar, acessar e compreender melhor o que está invisível naquela situação? O programa entende que essas habilidades devem ser trabalhadas no âmbito dos indivíduos que integram as organizações. O Profidesdesenvolve uma nova maneira de lidar com processos, a partir da premissa de que lidamos, para além de situações controláveis, objetivas, práticas, quantitativas, com aspectos invisíveis e que isso tudo emerge no ambiente da organização.
A bibliografia representa um aspecto fundamental do processo de construção do conhecimento proposto pelo Profides.
Que jeito é esse? Vamos falar de metodologia…
Eu atribuo ao Instituto Fonte esse pioneirismo de apresentar no Brasil essa abordagem, alicerçada no método cognitivo de J.W. Goethe, a fenomenologia. Até aquele momento, não havia qualquer referência sobre um curso com esse tipo de abordagem específica para profissionais do campo social.
O diferencial construído está no fato de olhar para o conhecimento que o Instituto Fonte tem do campo social e das organizações, misturar isso com um lugar de conhecimento diverso e amplo, relacionado à prática social reflexiva e todo o intercâmbio de conhecimento realizado com Allan Kaplan. O programa foi organizado em cinco módulos, com temas intercalados, e trata desde o que é desenvolvimento, como ocorre a mudança, como fazer leitura e intervir em processos de desenvolvimento e, por fim, como é possível se manter nessa prática.
Um parênteses para falar da Fenomenologia, a principal abordagem que nos conduz*
Atividade de observação da natureza, durante o Profides Centro-Oeste, em Cuiabá.
O delicado empirismo de Goethe é uma ciência da vida em todas as suas formas. Para obter uma compreensão completa da vida, o método de Goethe exige que o cientista respeite e atenda a vida. Eu argumento que, para alcançar esse objetivo, é preciso se tornar um aprendiz para a vida. Tornar-se um aprendiz para a vida exige que se recuse a comer o outro. Isso implica que o método de Goethe pode ser empregado com sucesso por qualquer pessoa que busque justiça social.Bill Bywater
Para respeitar e atender à vida. Goethe olhava tudo como verbo – ou seja, como atividade – e em constante transformação: do girino ao sapo, do feto ao corpo humano plenamente desenvolvido, da semente à árvore. Percebia a vida sempre em interconexão e constante metamorfose. Fazia isso com rigor científico, para atender aos mais elevados padrões de ciência de sua época, muitos deles em vigor até hoje.
Cunhou o termo Morfologia (o estudo da forma) para designar sua ciência – e como Bill Bywater adianta, também a chamou de “delicado empirismo”. Anos mais tarde, ela passou a ser chamada de Fenomenologia (Goetheana para diferenciá-la das demais vertentes da fenomenologia).
Aplicada ao mundo social, político, cultural, econômico, essa ciência está no centro do Profides, como abordagem metodológica e como um convite a um ‘estilo de viVER a vida’. Ela nos lembra de tomar todos os campos sociais como fenômenos singulares, vivos, orgânicos e também em constante transformação.
Teoria das Cores e os olhares científicos de Goethe na atividade de observação com o prisma. Profides Sudeste.
Essa habilidade de se relacionar com os fenômenos como ‘coisa’ viva, transborda em nossa prática profissional, em nossas relações interpessoais, em nossa vida pessoal íntima de formas surpreendentes, trazendo genuinidade, prazer e realização ao nosso fazer. Sendo assim, o Profides se apresenta como promotor de uma prática que não se esgota na ferramenta, no instrumento, na técnica; portador de altíssimo rigor e sabor, ele atua em nosso comportamento.
Diferentes capacidades de percepção, observação, imaginação e intuição são necessárias para compreender tais fenômenos, multifacetados no exterior e diversificados no seu interior.
A razão pela qual as coisas se apresentam diante de nós de maneira tão enigmática é que não participamos de seu vir-a-ser. Simplesmente as encontramos. Quanto ao pensar, no entanto, sabemos de onde vem. Por isto, não existe um ponto de partida mais fundamental para a compreensão do mundo que o pensar. Rudolf Steiner
Como desenvolver essa habilidade de ver a vida sem ter que dissecá-la? Como compreender um indivíduo, um grupo, uma comunidade, uma organização, uma empresa, como um todo ao invés de percebê-los como divididos em partes? Uma nova forma de praticar o pensamento nos é requerida e é em busca de aprimorá-las que o Profides trabalha.
* trecho retirado do material explicativo do programa. Allan Kaplan e Sue Davidoff, da Proteus Initiative (África do Sul), são precursores da Pratica Social Reflexiva no mundo.
As sementes foram plantadas. Deram frutos?
O Profides inspira outros processos de aprendizagem e experimentação do próprio Instituto Fonte. Os exercícios e práticas que desenvolvemos com as organizações em planejamento estratégico, avaliação, facilitação têm a mesma base metodológica. Isso nos confere uma abordagem bastante específica (que pode ser aprofundada na entrevista Facilitação: a arte de intervir em organismos sociais vivos ).
Outros exemplos de extensão dessa prática é o Aristides, um encontro bianual de trocas entre participantes dos programas do Fonte, o Artistas do Invisível; o Programa Aprimora, e algumas oficinas que passam a fazer parte das nossas práticas, como o Ativismo Delicado. Todos acabam se constituindo como um conjunto de iniciativas capazes de aprofundar essa abordagem aqui no Brasil. Vale ressaltar que a experiência de intercâmbio permanente com Allan teve o Profides como primeiro expoente, mas inspirou o Artistas do Invisível anos depois.
É possível observar o desenvolvimento de uma flor? E de uma comunidade? Foto tirada durante o Profides X: a observação dos fenômenos da natureza no auxílio da percepção dos fenômenos sociais: cores, texturas, tamanho, cheiro.
Temos relatos de programas de formação em outras organizações, inspirados no Profides, como o Lidera (formação para empresários), o Geração (focado na formação de novas gerações da elite econômica do Brasil) e o surgimento e atuação do Grupo Recife de Aprendizagem, do qual sou parte com outros 12 participantes da segunda edição, é outro importante expoente de iniciativas surgidas a partir do Profides. Com a motivação de aprofundar e mergulhar no estudo dessa abordagem o grupo fundou, com a Escola Proteus, a primeira Pós-graduação em Prática Social Reflexiva, no Brasil.
Nosso país é um grande expoente da prática social reflexiva em toda a América Latina, e o Profides foi e é uma janela ou porta de entrada. Fortalecer as diferentes iniciativas que têm sido criadas e pautadas por essa abordagem, seus atores, é algo que nos sentimos chamadas e responsáveis. Nos três encontros do Aristides, procuramos co-criar com a rede de praticantes um espaço de troca, de prática e presença. Participar dos chamados promovidos por esses multiplicadores também tem sido uma das maneiras que encontramos de apoiar e nos manter nesse lugar de troca.
Outro ponto de reflexão é o formato e o desafio das pessoas em mergulharem nesse processo de um ano de encontros imersivos de quatro dias, distantes dos centros urbanos. Precisamos avançar na criação de um formato que por um lado desonere o programa, mas ao mesmo tempo facilite a participação e ajude as pessoas a se aproximarem dessa abordagem. Diante do caos instalado por este desgoverno do Brasil e agravado pela pandemia, estamos dedicadas a criar uma nova morfologia para o Profides. O que podemos fazer para levar o programa às pessoas que mesmo isoladas socialmente buscam um espaço para refletirem juntas sobre o que estão vivendo? Que querem ver o fluxo da vida que pulsa nos seus processos e de suas organizações? Que estão determinadas a deixar morrer um fazer social mecanizado para integrar na sua prática diálogos entre técnica e arte; resistência e delicadeza; autenticidade e repetição; método e presença?
Sobre o futuro do programa, tivemos que suspender uma XI Edição que estava para acontecer no Sudeste e os movimentos de uma edição Nordeste. No entanto, criamos o Profides 2020: o fazer essencial, com um formato virtual e que está com suas inscrições abertas. Saiba mais aqui!
“Um pouco sobre o meu próprio aprendizado”
No campo da formação de empresas, a gente tem uma visão muito tecnicista, voltada para resultados. Posicionamento de produtos, serviços, marcas, métodos e processos, como organizar e controlar procedimentos, cuidar da qualidade, das vendas, etc. Durante a minha formação, era algo que me deixava bastante desconfortável, porque eu tenho uma pegada mais humanista, gosto de gente.
Equipe de facilitadores do Profides VIII. Da esquerda para a direta: Rodrigo Cabral, Saritta, Pedro Pereira e Marina Magalhães.
Além de trazer um novo olhar para a organização e para os fatos a partir do que é objetivo, quantitativo, com capacidade de ser descrito e observável, esse método que o Profides propõe uma visão sobre o que não está sob controle nas organizações, do que é possível, no máximo, se antecipar ao compreender melhor como as coisas chegaram aqui, o que se repete, o que tende a acontecer de novo. Ele traz para mim um todo muito maior e mais complexo, algo que que tem a ver com a minha capacidade, enquanto indivíduo, e não é de técnica, não é de ferramental, é de ter habilidade de fazer essas conexões, essas relações e perceber o que não é tão objetivo a partir do objetivo.
Quando assumi a Área de Desenvolvimento Institucional do Instituto de Cidadania Empresarial, com a realização de algumas edições do Programa Lidera, passamos a perceber que as mudanças na postura e no compromisso da empresa estavam relacionados com a mudança de comportamento da liderança. E a inspiração do Lidera veio do Profides, é esse tipo de mudança que programa provoca na gente.
INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ 02 DE AGOSTO
O Profides 2020: O fazer essencial é uma edição pensada para esse momento de isolamento social. Você pode FAZER SUA INSCRIÇÃO AQUI!
Cá estamos. 2020. Vivendo um momento que ninguém poderia prever e que evidencia todas as nossas escolhas – enquanto indivíduos e sociedade. Um momento que nos desafia e carrega um chamado. Cada um de nós tem uma atuação – um fazer, uma prática – no mundo. São essas práticas que fazem o mundo tal qual ele é. Então: qual tem sido nosso fazer? Se compreender o que nossa prática gera no mundo sempre foi importante, nesse momento é essencial. Esse programa é sobre isso.
E é também mais. É comum que nossa prática profissional esteja intimamente vinculada a um modo gerencial de atuar – tendemos a controlar mais que lidar com a complexidade. Em um momento como esse, há um risco ainda maior de nossa prática adormecer nesse controle, tanto pela incerteza que nos ronda, quanto pela distância – inclusive física – que temos do mundo. Esse programa nos convida a acordar – a observar, a refletir, a conversar – e a desenvolver e fortalecer habilidades inspiradas na inteligência da natureza, daquilo que é vivo. Convida a estudar como acontecem as mudanças, do que se trata desenvolvimento. Algo que nos fortalece no hoje e também para o futuro. Nesse sentido, ao mesmo tempo que esta edição nasce do contexto que estamos vivendo, ela não se resume a isso.
UMA EDIÇÃO VIRTUAL
O Profides é um programa inovador, de formação continuada, dedicado a pessoas interessadas em buscar – e também construir colaborativamente – a arte da intervenção social a partir de uma perspectiva mais humana e orgânica. Vem sendo realizado há 16 anos pelo Instituto Fonte e todas suas dez edições foram presenciais, cada uma com cinco módulos imersivos.
Esta edição foi especialmente desenvolvida para o contexto virtual. Acontecerá em três meses, de agosto a outubro, por meio de encontros on-line que somam até cinco (5) horas semanais, via plataforma ZOOM. Conscientes do risco de ficarmos muito tempo em imersão na virtualidade, os momentos virtuais serão de trocas entre participantes e facilitadores, e convidarão as pessoas a atividades não-virtuais – como a escrita e a observação – mesmo durante o tempo de conexão.
É desejável que sejam reservadas pelo menos oito (8) horas semanais para as atividades, incluindo os encontros virtuais e as práticas de observação, estudos, reflexão, composição de textos e outros.
ESTRUTURA
Serão desenvolvidos três (3) ciclos de um mês cada, com atividades individuais, momentos em grupos para aprofundar conteúdos específicos e plenárias de trocas e reflexões coletivas. Cada ciclo tem um eixo principal a ser investigado, experimentado e praticado.
1o ciclo: Compreensão de processos vivos e desenvolvimento
Neste primeiro ciclo, desejamos: acordar e praticar nossa capacidade de prestar atenção por meio da observação ativa, da descrição e conexão com o processo de vir-a-ser daquilo que é vivo; acessar leis do desenvolvimento a partir da própria experiência e; conectar-se com movimentos em processos vivos: no humano, na natureza, nas organizações.
2o ciclo: Como acontecem e como ler processos de mudança
No segundo ciclo, desejamos: possibilitar intimidade com o que muda em si próprio e ao seu redor, aprofundando a reflexão de como a mudança acontece; perceber movimentos e ritmos em si e fora de si, nas organizações e na sociedade e; prestar atenção e criar capacidades de ver as forças presentes nos processos de mudança e desenvolvimento: tensões, resistências, impulsionamentos e polaridades, entre outros
3o ciclo: Observação e auto-observação como prática
No terceiro ciclo, desejamos: compreender e praticar a habilidade de observação e leitura de processos, dessa vez, incluindo nossa própria atuação como um fenômeno a ser observado e; exercitar a auto-observação e os espaços reflexivos, individuais e de grupo, como uma maneira consciente de estar no mundo.
A PRÁTICA SOCIAL REFLEXIVA
A prática social reflexiva é uma abordagem de compreensão da transformação social inspirada pelo pensamento científico de Goethe, que se baseia na inteligência dos organismos vivos.
Goethe olhava tudo como verbo – ou seja, como atividade – e em constante transformação: do girino ao sapo, do feto ao corpo humano plenamente desenvolvido, da semente à árvore. Percebia a vida sempre em interconexão e constante metamorfose.
Essa habilidade de se relacionar com os fenômenos como ‘coisa’ viva, transborda da prática profissional para nossa vida, tornando-se uma prática que não se esgota na ferramenta, no instrumento, na técnica; mas que atua em todo nosso comportamento.
Allan Kaplan e Sue Davidoff, da Proteus Initiative (África do Sul), são precursores da Pratica Social Reflexiva no mundo. Em 2002, o Instituto Fonte foi pioneiro em trazer essa abordagem para o Brasil e o Profides tem sido um programa no qual esta abordagem é levada a diferentes regiões do país.
Esta forma de entender o mundo está no centro do Profides, como abordagem metodológica e como um convite a um ‘estilo de viVER a vida’ que lembra de tomar todos os campos sociais como fenômenos singulares, vivos, orgânicos e também em constante transformação.
RELAÇÃO FINANCEIRA
A pergunta que “deveria” estar respondida nesta sessão é: quanto esse programa custa para cada participante? No entanto escolhemos nos fazer outra pergunta: como construir a sustentação financeira deste programa, considerando as diferenças econômicas e sociais de cada participante?
Gostaríamos de construir uma relação distinta à lógica cliente-fornecedor. Nela, o dinheiro não deve ser um impeditivo à participação. Ao mesmo tempo, estamos oferecendo um programa facilitado por pessoas que dedicam sua vida a essa prática e que precisam se sustentar financeiramente.
Dessa forma, o Profides 2020 não tem um preço determinado pela organização para o participante. Acreditamos que a sustentação desse espaço é uma responsabilidade compartilhada. Nosso convite é para que cada pessoa possa exercer autorresponsabilidade e autonomia para definir, com nosso apoio e informações, o valor que deseja contribuir financeiramente. Enfim, para nos relacionarmos com as finanças a partir da lógica da ecologia social em que os recursos e necessidades são diferentes entre os indivíduos de um grupo.
Para isso, é importante compartilhar algumas informações sobre a estrutura desta edição. Foram estimadas 306 horas de trabalho dedicadas para a coordenação, facilitação e gestão do programa. Somados aos custos com infraestrutura e comunicação temos a meta mínimo de R$21.000,00 para que esse programa seja sustentável financeiramente. Esse valor representa o total, considerando os 3 meses de programa, que deve ser arrecadados pela turma (aproximadamente 16 participantes).
CRONOGRAMA
Inscrições: de 14 de Julho de 2020 a 02 de agosto
Início: 10 de agosto
Ciclo 1: de 10 de agosto a 04 de setembro
Semana 1 :: Apresentação
Semana 2 :: Observação
Semana 3 :: Exercício desenvolvimento
Semana 4 :: Compreensão e prática
Ciclo 2: de 07 de setembro a 02 de outubro
Semana 5 :: Esboços reflexivos
Semana 6 :: Observação
Semana 7 :: Exercício desenvolvimento
Semana 8 :: Compreensão e prática
Ciclo 3: de 05 de outubro a 30 de outubro
Semana 9 :: Esboços reflexivos
Semana 10 :: Observação
Semana 11 :: Exercício desenvolvimento
Semana 12 :: Compreensão e prática
FACILITAÇÃO E REALIZAÇÃO
Para o Instituto Fonte, facilitar é abrir espaço para aquilo que está incipiente, incrustado ou reprimido desabroche, apareça e ganhe voz. Cuidamos dos detalhes de uma conversa ou reunião, procuramos fazer uma escuta ampliada e desenvolver um profundo processo de observação. Por fim, entendemos que toda facilitação também é uma forma de constante aprendizagem mútua.
O Profides 2020, nesta versão virtual, é uma experiência pioneira e que pede um processo cuidadoso em sua realização. Considerando os limites desse formato, reunimos facilitadores profissionais com experiência e trajetória significativa no campo da fenomenologia.
ANA BIGLIONE
Fundadora da Noetá, Ana atua com transformação social e desenvolvimento de pessoas e organizações pela Noetá e em parceria com outras iniciativas, principalmente no Brasil, Argentina e África do Sul. Formada em administração pela FGV-SP, desenvolve sua atuação a partir da Prática Social Reflexiva, que estuda e ensina há mais de 10 anos, tendo facilitado processos como o Profides, Programa Artistas do Invisível e Ativismo Delicado. Em sua trajetória se envolveu com a concepção do Instituto Hedging-Griffo, do qual foi conselheira, e atuou em organizações como IDIS, apoiando empresas no seu investimento social no Brasil e na Argentina; FICAS, em processos formativos no Brasil e em Moçambique; e Instituto Geração, organização para jovens-adultos da elite, engajados na transformação social, que co-empreendeu e foi diretora executiva. Participou do conselho de diversas iniciativas sociais e, com sua irmã, co-fundou a Associação Cultural Cuadra Flamenca.
FLORA LOVATO
Consultora e facilitadora de processos associada ao Instituto Fonte desde 1999. Foi gerente geral da Fundação Iochpe por seis anos e há 20 anos vem trabalhando em processos de desenvolvimento – desenvolvimento organizacional, planejamento estratégico, aprendizagem e avaliação de programas e projetos – junto a diferentes iniciativas sociais a partir da prática social reflexiva. Atua como facilitadora nos programas de formação desenvolvidos pelo Instituto Fonte e, como consultora convidada da The Proteus Initiativa, co-facilitou a Pós-Graduação em Prática Social Reflexiva. É fellow da Fundação Kellogg, do BoardSource, onde realizou formação voltada ao desenvolvimento de Conselhos e Governança Institucional, e do Community Development Resource Association, organização junto à qual cursou o Fellowship Programme, programa avançado com foco em intervenção social. É graduada em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior e especialista em Docência no Ensino Superior pela Universidade Dom Bosco.
JULIANA DA PAZ (MONITORIA)
Juliana é consultora e facilitadora de processos. Atua como professora universitária e no campo das organizações da sociedade civil facilita processos de desenvolvimento de grupos e indivíduos. É formada em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco e pós-graduada em Gestao de Organizações sem Fina Lucrativos, pela Universidade Mackenzie, e mestre em Administração com foco em processos de aprendizagem, pela Universidade Federal de Pernambuco. Em sua trajetória profissional atuou, desde 2002, nas áreas financeiras e de desenvolvimento institucional de diversas OSC, com foco em planejamento estratégico, processos de mudança e reestruturação organizacional, captação de recursos, elaboração e gestão de projetos. Desde 2009 também atua como professora em cursos de graduação e pós graduação. Preside voluntariamente a Associação Pró Adoção e Convivência Familiar e Comunitária.
SARITTA FALCÃO BRITTO
Consultora e facilitadora de processos associada do Instituto Fonte, Saritta atua na aprendizagem e desenvolvimento de pessoas e organizações junto a diferentes iniciativas sociais. É formada em Administração de Empresas pela Faculdade Estadual de Pernambuco e pós-graduada em “Reflective Social Practice”, pela Alanus University, em Bonn, Alemanha. Em sua trajetória foi superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, criado pelo Programa LIP – Leadership of Philantropy (Fundação W.K Kellogg); co- fundadora do Grupo Recife de Aprendizagem (Gra), organizador da pós-graduação em Prática Social Reflexiva no Brasil; e co-facilitadora da 8a edição do PROFIDES e do módulo Fenomenologia Goetheana, da Formação em Pedagogia Waldorf – NE. Participa voluntariamente do conselho deliberativo da Fundação Mamíferos Aquáticos e do grupo gestor do Jardim Aroeira.
THIAGO SALDANHA
Profidiano de 2019. É consultor em desenvolvimento de cultura de diálogo em grupos e organizações, facilitador em habilidade socioemocionais de comunicação e mediador de conflitos. Sócio-Fundador da Reúna, há 5 anos se dedica à prática da Comunicação Não-Violenta e aos estudos da Não-Violência. Tem mais de 10 anos de experiência, atuando como produtor e gestor cultural, dos quais sete dedicados ao desenvolvimento e implementação de estratégias de investimento social voluntário para empresas do setor de mineração e óleo e gás. É designer de sustentabilidade pelo Gaia Education, certificado em Ciências Holísticas e Economia para a Transição pela Schumacher College Brasil. Possui formação em Sociocracia com os fundadores da Sociocracy 3.0 e especializações em facilitação pelo centro de Comunicação Não-Violenta, BayNVC (California): The Art of Facilitation e Convergent Facilitation. É bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense, tendo cursado Gestão Cultural na Universidade Lusófona em Lisboa.
TIÃO GUERRA
Pedagogo dedicado ao desenvolvimento do ser humano enquanto indivíduo e em grupos. Desde 1979, Tião trabalha com instituições, movimentos sociais, empresas e governos. Atuou como educador formal em escolas públicas, entre 1980 e 2017. Fundou o Instituto de Educação de Nova Friburgo, em 1985, e foi o diretor da escola de aplicação do mesmo. Fundou a Associação Crianças do Vale de Luz, em 1988, e, dentro dela, duas escolas públicas, com metodologias ativas. A partir daí, em 1996, Tião começou a atuar como consultor de processos de desenvolvimento social. Realizou estágios na área educacional na França, Suíça e África do Sul. Tem prestado serviços de avaliação, planejamento, produção de conhecimento, desenho de gestão, entre outros, para organizações como UNICEF/RJ; BMZ (Ministério Social Alemão); Fundação Nelson Mandela (África do Sul); Instituto Alana; Instituto OI Futuro; British Council; Fundação Vale; SESC – Departamento Nacional; Cícero Papelaria. É graduado em Pedagogia, com especializações em Pedagogia Waldorf e Pedagogia Social. É músico, leitor e escritor, e pratica e acredita no contato consigo mesmo, com a natureza, com a Arte e com o Outro como instrumento de trabalho e de desenvolvimento pessoal e social.
INSCRIÇÃO
O programa se iniciará com um mínimo de 15 participantes. Caso tenhamos um número superior a 25 inscrites, serão formadas duas turmas e será possível escolher participar do processo pela manhã ou tarde. Mencione sua preferência de horário ao FAZER SUA INSCRIÇÃO AQUI!
Conversar para se fortalecer. Esse foi o sentido principal do encontro, promovido pelo Instituto Fonte, Idesq e Ficas, e que reuniu, virtualmente, no dia 07 de maio, cerca de 20 organizações para compartilhar um pouco da sua realidade durante a quarentena. Participaram organizações que saíram de Florianópolis em Santa Catarina, passando por São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste, subindo para Ceará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão no Nordeste e encerrando sua jornada no Pará, representante da Região Norte. O percurso garantiu uma diversidade de falas, realidades e um diálogo rico, com diferentes olhares e necessidades de cada OSC diante da pandemia.
A sustentabilidade é um tema forte, mas não é a única preocupação das organizações. A conversa também levantou o aumento da violação de direitos em tempos de Covid-19 e o fechamento para a participação das organizações na construção de políticas públicas.
Para as organizações que fazem um trabalho na ponta, existe a preocupação com as comunidades empobrecidas, que concentram os piores IDHs e estão mais isoladas em locais onde nem o poder público ou a Internet alcançam. Também foi colocado como grande preocupação o cuidado e a prevenção das equipes das organizações que fazem atendimento direto a famílias em vulnerabilidade e com a saúde mental e emocional de quem está no trabalho na ponta.
Desafios
Nos relatos, surgiram propostas de iniciar a construção de um documento para o futuro, no qual o grupo pudesse seguir pesquisando sobre caminhos da sustentabilidade, e olhando para a realidade das organizações menores e de ponta, que dificilmente acessam recursos de agências internacionais, por exemplo. Uma saída seria a criação de Fundos de Emergência Locais.
Outros desafios estão relacionados a ajustar acordos, indicadores, gerar flexibilidade nos orçamentos para atender o que é mais urgente. “Será que a gente consegue relatar o que estamos vivendo e o que podemos fazer para enfrentar esse contexto? Será necessário organizar as informações sobre como as organizações estão lidando com a pandemia, gerar um diagnóstico, demonstrar o impacto do orçamento, as necessidades jurídicas, a solução que estamos construindo enquanto organizações”, indagou Suzany Costa, do Instituto Fonte.
A proposta de continuidade construída pelo coletivo
O grupo seguirá com os encontros com o propósito de dialogar sobre as realidades das organizações no contexto do COVID-19 e permanece com a missão de criar um ambiente seguro de trocas. Também vão cuidar de encaminhamentos surgidos das conversas, como:
Convite do encontro de 07 de maio
construir um documento coletivo, capaz de demonstrar a realidade das organizações
olhar para a sustentabilidade, nesse momento de pandemia
fortalecer politicamente a defesa do campo de atuação das OSCs
criar grupos de trabalho para ampliar a capacidade de fala e de diálogo em outros âmbitos
convidar outras pessoas e organizações, de outros estados
ampliar as formas de se comunicar, criando um grupo em outras redes sociais
garantir espaços de conversa, realizando um encontro mensal de escuta e diálogo
Para quem estava esperando, já pode marcar na agenda! O Instituto Fonte, Idesq e Ficas se reúnem para promover o segundo encontro Conversas que fortalecem: Diálogos para o empoderamento coletivo das organizações.
O objetivo é reunir um integrantes de instituições de todo o Brasil e particularmente do Nordeste para conversar sobre questões e dúvidas que estão rondando o dia-a-dia das equipes após o início da Pandemia do Covid 19.
“Queremos um espaço para fala e escuta mútua, no qual cada participante possa expor como está lidando com o momento em sua organização, dentro de um ambiente seguro de trocas e planos coletivos”, explica Suzany Costa, consultora do Instituto Fonte e uma das idealizadoras dos encontros, que integra as atividades do programa Escuta Nordeste*.
Um dos temas a serem debatidos será “cenários futuros: o que nós, enquanto organizações do campo social, estamos percebendo a respeito do que está por vir?”
*O Escuta Nordeste é um programa do Instituto Fonte que surge com a proposta de ofertar gratuitamente organizações espaços de escuta. Em sua segunda edição, também procurou fortalecer a capacidade da organização sobre suas questões e também dos públicos com os quais atua.