“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes e encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção.”
(Goethe)
O encontro de planejamento 2025, do Instituto Fonte, aconteceu entre os dias 10 e 13 de fevereiro em Tamandaré, Pernambuco. Foram quatro dias de imersão, regados a conversas estratégicas sobre identidade e gestão. Estiveram reunidas as consultoras Denise Castro, Flora Lovato, Helena Rondon, Ju da Paz, Saritta Falcão Brito e Suzany Costa.
O encontro contou com a delicada facilitação de Dalva Correia e Pedro Pereira.
“Vimos a nossa linha do tempo, construímos um ambiente de perguntas e movemos o corpo em busca de maior consciência e compreensão da nossa potência e direção”.
Durante este período, também foi empossada a nova diretoria 2025-27, composta por Suzany Costa, na presidência, Saritta Falcão Brito, na diretoria administrativa-financeira e Juliana da Paz, na diretoria de Programas e Projetos.
Ao olhar para nosso ano, foi bom rever um pouco dos lugares onde estivemos, pessoas que encontramos, saberes que compartilhamos. Mais uma vez, obrigada por tanto.
E que venha 2025, com todas as suas complexidades.
O ano de 2024 proporcionou descobertas valiosas para o Instituto Fonte.
E, para este final de ano, tentamos olhar para esses aprendizados e trazer um pouco daquilo que nasceu em nós a partir de nossa prática, assim como nos ensina a simbologia do Natal, e que gostaríamos de compartilhar com o mundo.
O conjunto dessas reflexões forma um mosaico de vivências, sentimentos e reflexões que queremos presentes em 2025.
Agradecemos a luminosidade das relações e situações que tanto nos inspiraram na elaboração de um presente de Ano Novo para vocês, pessoas e organizações com quem seguimos, lado a lado.
E para você, “o que nasceu na sua prática neste ano de 2024 que gostaria de manter e compartilhar com o mundo em 2025?”
Obrigada a cada peça deste mosaico de nascimentos e aprendizados!
Participe de uma vivência online gratuita com Allan Kaplan e Sue Davidoff, diretamente da África do Sul! Essa experiência abordará transformação social e participação consciente.
🌍 Kaplan e Davidoff, autores de “Artistas do Invisível” e “O Ativismo Delicado”, são referência internacional em processos de facilitação e docentes da pós-graduação em Facilitação de Processos da FRS.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Sobre a pós-graduação
A Pós-graduação em Facilitação de Processos é orientada para pessoas que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Pessoas que se sentem responsáveis por promover mudanças no contexto em que atuam;
Profissionais que atuam com desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento social, tais como educadores, psicólogos, assistentes sociais, consultores, coaches e profissionais liberais;
Profissionais vinculados a organizações sociais, governos e administração pública, institutos, fundações e escolas;
Profissionais autônomos que atuam conduzindo grupos, facilitando processos, tanto individuais quanto coletivos.
Para saber mais sobre a pós-graduação e fazer sua inscrição, acesse:
Se você deseja se desenvolver como facilitador ou facilitadora de processos e promover mudanças significativas no contexto social , educacional ou organizacional, já é possível se inscrever, até 06/12, para a pós-graduação em Facilitação de processos à luz da prática social reflexiva.
Esta pós-graduação entende facilitação de processos como uma postura ou atitude de curiosidade e busca, colocada em prática com a intenção de apoiar um grupo ou pessoa a construir uma imagem sobre o que está vivendo, a ampliar sua compreensão e consciência sobre sua situação e a realizar os movimentos intrínsecos e necessários para a transformar.
A abordagem e metodologia do programa foram construídas a partir da aprendizagem experiencial e da Prática Social Reflexiva, uma abordagem de transformação social desenvolvida por Allan Kaplan e Sue Davidoff, inspirada no pensamento de J.W. Goethe e Rudolf Steiner.
A formação foi desenvolvida por um grupo de pessoas e organizações que trabalham com facilitação e formação há mais de 20 anos – GRA, Instituto Fonte, Noetá, Proteus Initiative e Tégerá – e foi concebida a partir da necessidade de colocar a Prática Social Reflexiva em diálogo com o rigor do mundo acadêmico no Brasil.
Sua segunda edição é sustentada por um grupo de praticantes dentre as quais Ana Paula Chaves Giorgi, Flora Lovato e Patrícia Busatto que a lideram.
Objetivos do curso
Desenvolver a capacidade de construir relações conscientes e coerentes entre o pensamento e a ação;
Planejar e intervir com um percepção refinada de si e do contexto;
Aprender a aplicar a pesquisa-ação para o desenvolvimento contínuo de pessoas, organizações e comunicades;
Facilitar processos de forma sensível e adaptada a cada situação.
Busca que os participantes desenvolvam capacidades de perceber (ler) e intervir (facilitar) processos sociais (social, educacional, ambiental etc.) a partir de um olhar vivo e atento ao que emerge em cada situação e momento, que é sempre único, distinto e em constante transformação.
Disciplinas
Leitura e facilitação de processos vivos
Essa disciplina busca desenvolver habilidades de ler (atenção e observação), de atribuir sentido (reflexão e compreensão) e de intervir (facilitação) em processos sociais compreendidos como vivos, dinâmicos e complexos – tais como pessoas, grupos, iniciativas e/ou organizações.
Investigará a maneira pela qual tais processos desenvolvem suas formas, fluxos e práticas, estudando ideias como mudança, morfologia e metamorfose, além de apreciar o que possibilita e o que impede movimentos de transformação e desenvolvimento.
Também aprofundará a compreensão sobre a realidade do mundo atual e do Brasil, identificando relações entre o contexto e a situação específica – ou entre parte e todo -, assim como as formas de intervenção social predominantes na atualidade.
Explorará a relação entre a teoria e a prática da facilitação de processos, trazendo pressupostos básicos, fundamentos e princípios da facilitação e contribuirá para que os participantes ampliem sua capacidade de facilitar processos de intervenção e mudanças. A “Pesquisa-ação” será a principal metodologia para aprimoramento da intervenção e investigação da prática de facilitação.
O Desenvolvimento do Eu na Prática Social
Tornar-se um facilitador, cuja prática social é reflexiva, significa observar rigorosamente seu fazer, buscando aprimorá-lo sistematicamente ao mesmo tempo em que se autodesenvolve. Os participantes devem ser capazes de reconhecer suas características pessoais e como elas impactam as situações sociais nas quais estão intervindo. A leitura de si e a autorreflexão compartilhados são aspectos fundamentais a serem exercitados ao longo desse programa.
Esta disciplina contribui para que os alunos compreendam e experimentem abordagens para trabalhar a autoconsciência crítica e o autodesenvolvimento, tais como a biografia humana, o olhar para habilidades sociais e uma compreensão holística do ser humano – individual e em sociedade.
Modos de ver o mundo e o pensar vivo
Nesta disciplina se pretende discutir como o sujeito é elemento de percepção do mundo e como diferentes modos de pensar (analítico, complexo, orgânico) marcam a interação entre sujeito e objeto. Para isso, serão estudados temas e leis que orientam o pensamento embasado pela inteligência da vida (dos organismos vivos). Também serão abordadas as origens das diferentes vertentes da fenomenologia e as especificidades em particular do pensamento desenvolvido por Goethe. Os alunos exercitarão o desenvolvimento das habilidades necessárias para compreender as ideias que compõem o pensamento de Goethe e poderão observar de que maneira as diferentes formas de pensar influenciam a situação e definem as escolhas feitas na facilitação.
Metodologia de ensino
Essa formação baseia-se na metodologia da aprendizagem pela experiência e na Prática Social Reflexiva. Ambas propõem a integração entre a prática, a reflexão e a autopercepção no processo de aprendizagem.
Todo o conteúdo dessa formação será trabalhado a partir de:
exercícios práticos,
contribuições teóricas,
trabalhos em grupo,
trabalhos individuais,
leituras,
projeto de pesquisa e intervenção no campo de atuação do participante,
trabalhos escritos com tutoria,
compartilhamento de experiências profissionais e pessoais dos participantes referentes aos temas trabalhados
exercícios de facilitação de processos durante o programa.
Público
Esta pós-graduação é orientada principalmente para pessoas com idade superior a 28 anos, que estejam buscando um modo mais vivo e integrado de atuar no mundo a partir da facilitação de processos e questionando sua prática e/ou atuação profissional, tais como:
Pessoas que se sentem responsáveis por promover mudanças no contexto em que atuam;
Profissionais que atuam com desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento social, tais como educadores, psicólogos, assistentes sociais, consultores, coaches e profissionais liberais;
Profissionais vinculados a organizações sociais, governos e administração pública, institutos, fundações e escolas;
Profissionais autônomos que atuam conduzindo grupos, facilitando processos, tanto individuais quanto coletivos.
Os participantes precisam estar dispostos a compartilhar suas experiências com o grupo, a refletir profundamente sobre si e sobre sua prática, e devem estar preparados para exercitar o aprendizado na formação a partir dos exercícios e tarefas inter-módulos.
Perfil do egresso
Ao final do curso, os participantes terão aprimorando suas habilidades de facilitação à luz da prática social reflexiva, que na perspectiva desta formação significam:
as habilidades de observar, ler, compreender, atribuir sentido e intervir em processos sociais dinâmicos e complexos;
a habilidade de fazer da sua prática profissional um campo de pesquisa aplicada com base na aprendizagem e aprimoramento contínuo a partir da observação e reflexão;
a compreensão sobre a fenomenologia de Goethe e processos vivos e sua relação com a prática social;
uma sensibilidade baseada em um estado de presença que permite se relacionar com as situações como se apresentam no momento, desenvolvendo a flexibilidade no observar, pensar e agir;
uma intuição rigorosa e disciplinada que permite lidar criativamente com o desdobramento das situações em que estão envolvidos.
Pré-requisitos
Idade mínima de 28 anos completos (serão avaliadas exceções)
Graduação completa
Local, formato e calendário
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Serão oferecidas 35 vagas.
A abertura de turma está condicionada ao preenchimento do número mínimo de 28 participantes matriculados.
O curso será realizado em 24 meses, de janeiro de 2025 a dezembro de 2026, em formato semipresencial, com aulas presenciais e aulas remotas, com a seguinte estrutura:
6 encontros presenciais em imersão de 5 dias cada, de quarta a domingo, início quarta às 09h e término domingo às 15h
6 encontros online ou híbrido de 3 dias parciais de sexta, sábado e domingo, das 08h às 13:30 horas
6 encontros online ou híbrido de 2h30 às segundas-feiras, das 19h às 21h30 horas
1 encontro de encerramento online ou híbrido 07/12/2025, das 19h às 21h30.
Os encontros híbridos serão realizados na sede da FRS, localizada à rua Irineu Marinho, 124, Santo Amaro, São Paulo/ SP. Os encontros presenciais serão realizados a partir de março de 2025, em locais até 200 km distante de São Paulo/SP. As despesas de traslado e hospedagem nesses encontros são de responsabilidade dos alunos e não estão incluídas no valor do curso.
Para saber mais sobre a pós-graduação e fazer sua inscrição, acesse:
Mais que uma versão brasileira impressa, está nascendo uma versão revisitada inédita da obra “Ativismo Delicado: Uma abordagem radical para mudanças”, de Allan Kaplan e Sue Davidoff.
Tudo aconteceu a partir de um convite da Escola Schumacher Brasil aos autores Allan Kaplan e Sue Davidoff para revisitar e republicar o texto como livro. O Ativismo Delicado traz um novo olhar para a forma como liderar mudanças e representa um caminho profundo e sutil de percepção da ação de cada um no mundo, aumentando a capacidade das pessoas de promover e semear transformação.
Os autores escreveram essa nova edição com a contribuição muitos parceiros como a Bambual Editora, a equipe da Parsifal21 e Laura Corrêa, que transformou o manuscrito em uma obra de arte visual. Além desses, existiu uma grande rede de praticantes do Ativismo Delicado que se envolveu com a realização desta obra, como Flora Lovato, Ana Biglione, e Ana Paula P. Chaves Giorgi, responsáveis pela tradução que teve o Instituto Fonte como organização responsável pela disponibilização gratuita do livreto original no Brasil.
O lançamento presencial pretende ser uma noite inspiradora, de conversas e descobertas sobre novas formas de promover mudanças.
O livro já está disponível para compra no site da Bambual Editora! E o lançamento presencial acontecerá na Livraria da Vila! 🌱✨
📅 Data: 26 de junho, quarta-feira 🕖 Horário: 19h 📍 Local: Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, São Paulo
O Curso de Monitoramento tem o propósito de contribuir com o desenvolvimento e ampliação das capacidades e habilidades das organizações na realização do monitoramento dos seus projetos com (BfdW), captando os efeitos, identificando as aprendizagens e gerando conhecimento institucional.
Foi desenvolvido pela Unidade de Assessoria de BfdW e o Instituto Fonte considerando as experiências em assessorias prestadas até o momento. O desenho também levou em conta as escutas e compreensões sobre o que as organizações parceiras têm trazido como necessidades de aprimoramento.
OBJETIVO
Ao final do curso os participantes:
Compreendem as principais etapas de um Sistema de Monitoramento.
Refletem e identificam oportunidades de inovação no Sistema de Monitoramento do projeto com BfdW.
Expandem a percepção da importância da cultura de monitoramento.
Se reconhecem mais aptos a operacionalizar um Sistema de Monitoramento adequado ao projeto com BfdW.
PARA QUEM?
Pessoas das organizações responsáveis pelo desenho e gestão de sistemas de monitoramento; e envolvidas com sua operacionalização e elaboração dos relatórios do projeto.
ESTRUTURA E ABORDAGEM
O curso tem início no próprio ato de inscrição, em que a organização identifica uma questão, relacionada à prática de monitoramento da organização no projeto com BfdW, que deseja trabalhar durante o curso para o seu aprimoramento. O projeto com BfdW será a base de todo o curso.
Os participantes devem estar preparados para se dedicar a um processo que pede disciplina e tempo para o estudo de documentos preparatórios (momento assíncrono) para as sessões on-line (momento síncrono).
O formato do curso é remoto, desenhado para ter sessões assíncronas para o estudo individual (plataforma Moodle de PPM) e sessões síncronas de aprofundamento (Zoom) para intercâmbio e reflexão entre os participantes.
Será oferecida uma sessão de 2h de mentoria para as organizações que se interessarem pós o término do curso, com o objetivo de apoiar os participantes em questões específicas e dúvidas que possam surgir em relação à aplicação de algum conteúdo do curso na prática de monitoramento da organização após o encerramento do mesmo.
Síncrona
09 sessões on-line, em formato instrutoria, com cinco Unidades Temáticas.
Assíncrona
Estudo dos conteúdos das unidades a partir dos materiais disponibilizados na plataforma Moodle.
O curso é constituído por cinco unidades, sendo elas:
Unidade 1
Atualizando e reciclando conhecimentos: OEDI e Monitoramento / Parte 1 – A Abordagem da Orientação a Efeitos Diretos e Impacto (OEDI) e sua aplicação em PPM (BfdW) / Parte 2 – Objetivos, Indicadores e Monitoramento
Unidade 2
O Sistema e a Cultura de Monitoramento
Unidade 3
Etapas e Ferramentas do Monitoramento / Parte 1 – Planejamento do Monitoramento / Parte 2 – Ferramentas para o Monitoramento
Unidade 4
Análise de Dados e Informação
Unidade 5
Uso de Dados e Informações
IMPORTANTE! O aproveitamento do curso será proporcional à dedicação do participante nas atividades assíncronas que estão diretamente relacionadas com os conteúdos das sessões on-line e dos trabalhos em grupo.
PRODUTOS
No final do curso espera-se que cada organização tenha conseguido alcançar dois produtos concretos:
Visualização do atual sistema de monitoramento da organização
Matriz de Planejamento do Monitoramento do projeto (foco em um indicador do projeto com BfdW)
OPERACIONALIZAÇÃO
Duração
3 meses.
Período de realização
25 de abril a 18 de julho de 2024.
Carga horária
53h organizadas em:25h sessões on-line* (síncronas).28h (estudo preparatório (assíncrono). 2h opcionais de mentoria para cada organização.
*Informamos que as sessões on-line não serão gravadas.
FACILITAÇÃO
A facilitação do curso será feita por Édien Pantoja (Unidade de Consultoria de BfdW) e Denise Castro (Instituto Fonte)
CRONOGRAMA
Sessões síncronas:
ABRIL
25/04 – sessão introdutória
MAIO
07/05 – sessão unidade 1 / PARTE I 08/05 – sessão unidade 1 / PARTE II 20/05 – sessão unidade 2
JUNHO
10/06 – sessão unidade 3 / PARTE I 11/06 – sessão unidade 3 / PARTE II 24/06 – sessão unidade 4
JULHO
11/07 – sessão unidade 5 18/07 – sessão avaliação
HORÁRIO
Unidade 1 e 3: 9h30 às 12h00
Unidade 2, 4 e 5: 9h30 às 12h30
Sessão introdutória e avaliação: 9h30 às 12h30
INSCRIÇÕES E CRITÉRIOS DE SELEÇÃO
O curso tem capacidade de atender até 12 organizações, sendo desejável duas pessoas por organização.
As organizações interessadas devem preencher o formulário de candidatura (abaixo) e encaminhar até 10de abril.
A análise e seleção das candidaturas será realizada considerando os seguintes critérios:
Número de participantes inscritos por organização;
Identificação da problemática, objeto de estudo do curso;
Compromisso com o programa e o seu cronograma;
Experiência na temática;
Papel na organização
No dia 16 de abril, será realizado um encontro com as pessoas inscritas para esclarecimentos do processo e estabelecimentos de acordos. O resultado da seleção será divulgado por e-mail para as candidatas e os candidatos até 19de abril.
O Instituto Fonte iniciou o ano de 2024 comemorando resultados e refletindo sobre aprendizados trazidos com a experiência do Programa Fonte da Liberdade. A iniciativa é uma jornada de autodescoberta e conhecimento, construído e trilhado por mulheres e lideranças do campo social que enfrentam situações análogas à escravidão moderna e sobre elementos, menos visíveis, do sistema que permitem sua existência e manutenção.
No Brasil, o programa foi realizado por meio da parceria entre Freedom Fund (Fundo da Liberdade, idealizadora da ação), e o Instituto Fonte. Agora, as duas organizações se preparam para realizar, em 2024, a segunda edição, que acontecerá com organizações do Sul e do Sudeste brasileiro. E, para isso, foi necessário refletir sobre o processo vivenciado durante a edição realizada durante 2023, na região Nordeste.
Alguns destaques do primeiro ciclo, levantados pela equipe de consultoras, têm relação com o lugar de aprendizagem que o programa proporcionou. Um deles refere-se ao campo das organizações que atuam contra a escravidão contemporânea. De acordo com Saritta Falcão Britto, uma das facilitadoras das atividades em 2023, foi muito revelador ouvir as situações, os fatos e as histórias que as lideranças vivenciam ou vivenciaram em suas vidas e organizações. “A realidade do trabalho escravo está na sombra. Dialogar com essas lideranças e organizações foi valioso e ampliou nossa compreensão sobre o tema, no sentido de criar lentes para ver uma questão invisível”, explicou.
“O programa auxiliou a perceber meu lugar na instituição, meu lugar no mundo, a importância da minha contribuição para o meu trabalho, as lutas coletivas, mas também valorizar a minha importância, me dar limites e cuidar da minha saúde mental.” (depoimento de participante)
Outro aspecto que desafiou as consultoras foi a perspectiva mais programática de uma ação implementada inicialmente na Índia e que precisou lidar com o contexto e realidade de aprendizagem de outros lugares e públicos, como o Brasil. “Cuidamos para preservar um currículo comum, global, de um programa que agora está chegando ao Nepal, procurando entender o quanto desse formato é universal e o quanto precisamos olhar para as especificidades locais”, abordou Helena Rondon, também facilitadora na Edição Nordeste.
O Fonte da Liberdade reforça uma abordagem voltada para auxiliar as/os participantes na percepção de sua prática enquanto liderança. Muitas dimensões invisíveis, como a história de vida, a estrutura social do patriarcado e da colonialidade (e seu papel central na construção de escravidão moderna), da cultura de classe, do próprio sexismo, marca a construção dessa identidade. E, diante deste fato, tornar visível elementos que estão subjetivos e, muitas vezes, são imperceptíveis é importante para entender como impactam na relação das pessoas, seja na família, na igreja, na escola, nas comunidades ou nas organizações. Para Saritta, “ajudar os participantes a perceberem a relação entre as identidades impostas pelo sistema e os traumas vividos em sua vida, o impacto dessas dinâmicas na reprodução inconsciente de um papel de opressor, vai permitindo que os participantes desconstruam comportamentos e ressignifiquem sua atuação como liderança transformadora”.Nesse sentido, o programa desenvolve uma abordagem de mudança sistêmica, que parte da percepção do modelo mental, das estruturas de poder, das conexões e relações a partir de uma reflexão sobre si e sobre suas formas de liderar.
“Foi forte a ideia de me perceber no lugar da centralização, de querer mandar… Aprendi a delegar funções e ouvir mais. Passei a perceber e querer que outras pessoas possam experimentar o meu lugar. Aprendi que é importantíssimo afirmar e trabalhar isso.” (depoimento de participante)
Relações de parceria: Com relação à parceria, 2023 foi um ano de construções de relações e confiança entre Freedom Fund e Instituto Fonte. “A gente encerra essa primeira edição com um forte reconhecimento do valor do programa e dos limites da relação de parceiro implementador, diferenciando melhor esse papel com o de prestador de serviço”, avalia Saritta. Para ela, existe confiança na capacidade das duas organizações de perceberem acertos e dificuldades para propor mudanças, cocriar o desenho do programa, incorporando elementos da prática social reflexiva e propondo ajustes em sessões específicas com cuidado e transparência no registro desses movimentos pedagógicos do currículo.
Assim, a edição de 2024, que agora acontecerá com organizações do Sul-Sudeste, começa com muitos aprendizados. “A gente chega com mais atenção sobre o que é importante ser cuidado, do que é necessário ser garantido em termos da diversidade da equipe de facilitadores, com clareza dos princípios do programa, como a importância de fortalecer a dimensão individual e das relações no primeiro e segundo residencial, para encorajar conversas sobre poder, representatividade e cooperação entre organizações estabelecidas e marginalizadas que atuam no campo”, sinalizou Helena.
A perspectiva é que a realidade das pessoas migrantes do Sudeste se some a reflexões sobre raça e gênero trazidas pelas participantes da edição Nordeste, ampliando a percepção no campo da escravidão contemporânea no Brasil. “Isso é muito mágico, essa abertura do programa para oferecer aos participantes algo universal sobre mudança de sistema e receber deles conteúdos que emergem da experiência prática por serem lideranças sobreviventes”, finalizou Saritta.
Trabalho escravo moderno ou contemporâneo: Freedom Fund classifica como “escravidão moderna ou contemporânea” situações de trabalho forçado, em regime de servidão e tráfico de pessoas. Ou seja, quando alguém trabalha por pouco ou nenhum salário e não pode recusar ou sair devido a ameaças, violência, coerção, abuso de poder ou engano. São situações de trabalho escravo moderno:
Casamento forçado: doação, controle, ameaças, violência ou exploração extrema em situações de união entre pessoas;
Tráfico humano: recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento por meio de ameaça ou uso da força para fins de exploração;
Piores formas de trabalho infantil: inclui atividades que privam as crianças de sua infância e de seus direitos básicos, prejudicando sua saúde física e mental e dificultando seu desenvolvimento, de acordo com a Convenção da OIT Nº 182, de 1999;
Exploração sexual comercial de crianças e adolescentes: uso, por um adulto, de meninas e meninos em atividades sexuais em troca de dinheiro, em situações de tráfico, turismo sexual infantil e pornografia;
Trabalho forçado ou compulsório: é todo aquele exigido sob a ameaça de uma sanção e para o qual a pessoa não se ofereceu espontaneamente, de acordo com a Convenção da OIT Nº 29, de 1930. Refere-se a situações de coação, com violência ou intimidação, ou à servidão por dívidas, à retenção de documentos ou a ameaças de denúncia às autoridades de imigração.
O Instituto Fonte, em 2023 e 2024, está atuando em conjunto com a Unidade de Assessoria de Pão para o Mundo, na figura de Edien Pantoja, para o aprimoramento do sistema de monitoramento para três diferentes organizações integrantes da rede apoiada por PPM no Brasil: a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) e a FASE – Solidariedade e Educação.
Em dezembro, em sessão presencial, o processo procurou aprofundar a compreensão sobre como foi estruturado e vivenciar, na prática, cada sistema de monitoramento em funcionamento.
Pelo Instituto Fonte, são facilitadoras do processo as consultoras Denise Castro e Ju da Paz. Elas consideram que o diferencial da atuação que estão desenvolvendo fica evidente na customização de cada assessoria. “Em cada organização, identificamos questões específicas sobre suas práticas de monitoramento. A partir daí, foi possível aprofundar a compreensão das próprias equipes sobre o funcionamento desse sistema, seus potencias e prioridades para seu aprimoramento”, explicou Denise.
Um aspecto importante para as organizações reside na condução desenvolvida pelo Instituto Fonte que, mesmo diante de um tema que parece tão concreto e difícil, conseguiu trazer leveza, fluidez e percepções inovadoras sobre aspectos invisíveis do monitoramento como, por exemplo, a qualidade daquilo que já foi implementado por cada uma. Para Denise, “é importante que o monitoramento seja percebido como algo vivo e orgânico para estar em constante adequação às perguntas que a organização busca responder na realização de seus propósitos”.
Ju da Paz destaca como aspecto positivo da assessoria a abertura das organizações ao processo e o formato de parceria com Pão para o Mundo. “Estamos aprendendo bastante e ganhando novos repertórios em processos de monitoramento, enquanto dialogamos com cada organização”.